Reabsorção Radicular, o que esperar após um trauma dentário ?
- Endotoday

- 29 de jan. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: há 23 horas
Atualizado em 07/02/2026
Este conteúdo faz parte do Guia de Reabsorções Dentárias da EndoToday. Veja também os protocolos completos nos posts relacionados.
Atalhos clínicos (protocolos completos)
Leituras recomendadas (diagnóstico e trilhas relacionadas):

1) Por que esse tema importa?
Lesões dentárias traumáticas (LDT) podem atingir tecidos duros (esmalte/dentina), tecidos periodontais (ligamento periodontal e osso alveolar) e polpa. Um dos desfechos mais críticos é a reabsorção radicular (RR), porque ela pode comprometer a longevidade do dente e, em casos avançados, levar à perda do elemento.
2) Objetivo do estudo (em linguagem direta)
Esta revisão sistemática buscou responder:“Com que frequência ocorrem diferentes tipos de reabsorção radicular após traumas do tipo concussão e luxações?”
Os autores compararam a incidência de RR após:
Concussão
Subluxação
Luxação lateral
Luxação extrusiva
Luxação intrusiva
3) Como os autores investigaram isso (métodos)
Pesquisaram 7 bases de dados, além de busca manual.
Incluíram estudos observacionais que reportavam incidência de RR após lesões de luxação.
Avaliaram risco de viés com a checklist MAStARI.
Julgaram a qualidade da evidência com GRADE.
Mensagem prática: é um estudo que tenta “somar” o que já existe, mas a força das conclusões depende da qualidade dos estudos incluídos.
4) O que foi encontrado (resultados)
14 estudos entraram na revisão.
Risco de viés:
10 com risco moderado
4 com risco baixo
Para todos os desfechos, a qualidade GRADE foi “muito baixa” (ou seja: a estimativa pode mudar bastante com novos estudos melhores).
4.1. Quais traumas mais geram reabsorção radicular?
A RR foi mais frequente em:
Luxação intrusiva (maior incidência)
Luxação extrusiva
Luxação lateral
Subluxação
Concussão (menor incidência, mas não “zero”)
Interpretação clínica: quanto maior o dano ao ligamento periodontal e ao suprimento neurovascular, maior o risco de RR.
4.2. Quais tipos de reabsorção são mais comuns?
Em geral, o padrão observado foi:
RR inflamatória (mais comum em todos os tipos de lesão)
RR por substituição (anquilose / “replacement resorption”)
RR de superfície
RR interna (menos frequente)
Tradução prática:
Inflamatória: tende a estar associada a necrose/infeção e inflamação perirradicular.
Substituição: associada a dano severo ao ligamento periodontal e risco de anquilose.
Superfície: pode ser transitória e autolimitada em alguns casos.
Interna: depende de condições pulpares específicas e é menos esperada na maioria dos cenários.
5) Conclusões (o que o estudo sugere)
A RR acontece mais frequentemente após luxação intrusiva.
O tipo mais frequente é a RR inflamatória.
Reconhecer a incidência por tipo de trauma ajuda o clínico a:
intensificar o acompanhamento
diagnosticar cedo
intervir antes que as opções de tratamento diminuam
reduzir risco de perda dentária
6) Relevância clínica (por que muda conduta)
Saber que até concussões e subluxações podem evoluir com RR reforça que o trauma não termina no dia do atendimento: ele inaugura um período de risco biológico que exige proservação estruturada.
Opinião EndoToday
Mesmo traumas considerados “leves” (como concussão e subluxação) podem desencadear RR — sobretudo quando há dano periodontal microscópico e/ou alteração pulpar tardia. Por isso, uma conduta prudente é manter proservação clínica e radiográfica ou tomográfica por 24 meses, com revisões em:
3 meses
6 meses
12 meses
24 meses


1) O que é reabsorção radicular (RR) após trauma?
É a perda patológica de estrutura radicular (cemento/dentina) mediada por células clásticas, desencadeada por dano ao ligamento periodontal, cemento e/ou alterações pulpares após lesões traumáticas.
2) Quais tipos de trauma avaliados apresentam maior incidência de RR?
A revisão encontrou a seguinte ordem geral de maior para menor incidência: luxação intrusiva > luxação extrusiva > luxação lateral > subluxação > concussão.
3) Qual tipo de RR é mais comum após essas lesões?
De modo geral, o tipo mais frequentemente documentado foi a RR inflamatória, seguida por RR por substituição, RR de superfície e RR interna.
4) Por que a luxação intrusiva tende a ser a mais crítica?
Porque costuma produzir maior dano ao ligamento periodontal, além de comprometer o suprimento neurovascular pulpar com mais intensidade, elevando a probabilidade de necrose e de reabsorções progressivas.
5) Concussão e subluxação “leves” podem gerar RR?
Sim. A incidência tende a ser menor do que nas luxações, mas não é nula, justificando proservação estruturada.
6) Qual é a qualidade da evidência apresentada por essa revisão?
A revisão classificou a qualidade global das evidências como “muito baixa” (GRADE) para todos os desfechos, o que indica alta incerteza e possibilidade de mudança das estimativas com estudos melhores.
7) O que significa “evidência muito baixa” na prática clínica?
Significa que você deve usar os achados como sinal de alerta e orientação de risco, mas sem tratá-los como números definitivos. A conduta deve integrar diretrizes clínicas, exame seriado e resposta biológica individual.
8) Qual é a principal consequência de um diagnóstico tardio de RR?
Um diagnóstico tardio pode reduzir opções terapêuticas e aumentar a chance de perda do dente, especialmente em reabsorções inflamatórias extensas ou por substituição (anquilose).
9) Como esse estudo ajuda a definir o acompanhamento (follow-up)?
Ele reforça que lesões com maior dano periodontal (intrusiva/extrusiva/lateral) exigem vigilância mais rigorosa e que até concussão/subluxação merecem acompanhamento, pois RR pode surgir de forma tardia.
10) Existe diretriz internacional para follow-up em trauma dentário?
Sim. As IADT Guidelines são a principal referência clínica internacional para manejo e acompanhamento de lesões traumáticas.
Continue no do Guia de Reabsorções Dentárias da EndoToday.
Próximos passos (recomendados):



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