Limas manuais na Endodontia moderna: por que elas continuam indispensáveis
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- 20 de jul.
- 14 min de leitura

O motor acelera. A lima manual informa. O clínico interpreta.
Resumo do artigo
A Endodontia moderna avançou com motores, sistemas rotatórios, sistemas reciprocantes, ligas NiTi tratadas termicamente, localizadores foraminais, microscopia, ultrassom e irrigação ativada.
Mas, mesmo nesse cenário tecnológico, as limas manuais continuam indispensáveis.
Elas não são instrumentos ultrapassados. São instrumentos de leitura clínica.
Antes de um sistema mecanizado preparar com segurança, o clínico precisa reconhecer o canal, explorar sua trajetória, negociar curvaturas, confirmar permeabilidade, avaliar resistência, perceber bloqueios, criar segurança inicial e decidir se a mecanização pode começar.
A lima manual oferece algo que o motor não oferece da mesma forma:
informação tátil.
Por isso, a pergunta correta não é:
Ainda preciso usar limas manuais?
A pergunta correta é:
Que informação a lima manual me entrega antes da mecanização?
Este é o nono artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday e marca a transição do bloco anatômico para o bloco operacional: scouting, cateterismo, negociação, lima apical inicial e glide path.
Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados. |
Artigo anterior |
No artigo anterior, você entendeu por que preservar dentina crítica pode ser mais importante do que ampliar em determinadas regiões anatômicas. |
Próximo artigo |
No próximo artigo, vamos aprofundar as etapas clínicas que permitem reconhecer, negociar e proteger a trajetória do canal antes da instrumentação mecanizada. |
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Perguntas que este artigo responde
Pergunta | Resposta curta |
Limas manuais ainda são necessárias na Endodontia moderna? | Sim. Elas continuam essenciais para leitura anatômica, exploração, negociação e segurança antes da mecanização. |
A lima manual foi substituída pelos sistemas mecanizados? | Não. Os sistemas mecanizados aceleram a instrumentação, mas não substituem o controle tátil inicial. |
Qual é a principal função das limas manuais hoje? | Reconhecer o canal, negociar trajetórias, manter patência e criar segurança antes do preparo mecanizado. |
O que é scouting? | É a exploração inicial do canal para reconhecer trajeto, permeabilidade, resistência e complexidade anatômica. |
O que é cateterismo endodôntico? | É a progressão cuidadosa com limas finas para localizar e negociar o canal até regiões mais profundas. |
Limas manuais ajudam a evitar fraturas? | Sim. Elas ajudam a criar caminho inicial e reduzir travamento, estresse torcional e acidentes com instrumentos mecanizados. |
Quando usar limas manuais finas? | Em canais atrésicos, calcificados, curvos, com curvatura em S, retratamentos e anatomias complexas. |
Limas manuais servem apenas para medir o canal? | Não. Elas também informam anatomia, resistência, trajetória, bloqueios e necessidade de glide path. |
O motor deve entrar antes da lima manual? | Em muitos casos, não. A mecanização deve começar depois que o canal foi reconhecido e negociado com segurança. |
Qual é a mensagem central do artigo? | A lima manual não é atraso tecnológico; é leitura clínica antes da execução mecanizada. |
O que você vai entender neste artigo
Por que limas manuais continuam importantes na Endodontia moderna.
Como elas se integram aos sistemas rotatórios e reciprocantes.
Por que informação tátil ainda é decisiva.
O papel das limas manuais no scouting.
O papel das limas manuais no cateterismo e na negociação.
Como limas manuais ajudam a reduzir travamento, transporte e fratura.
Quando usar limas finas, pré-curvatura e movimentos controlados.
Como elas participam da patência e da criação do glide path.
Por que o motor não deve ser usado para descobrir o canal.
Como aplicar a lógica EndoToday antes da mecanização.
Introdução
A Endodontia moderna é profundamente tecnológica.
Hoje, o clínico conta com motores endodônticos, instrumentos rotatórios, sistemas reciprocantes, ligas tratadas termicamente, localizadores foraminais, microscopia operatória, ultrassom, irrigação ativada e recursos de imagem mais avançados.
Isso mudou a prática clínica.
A instrumentação ficou mais rápida, mais previsível e mais padronizada em muitos cenários.
Mas existe um erro conceitual perigoso: acreditar que a tecnologia eliminou a necessidade das limas manuais.
Não eliminou.
A lima manual continua sendo uma das ferramentas mais importantes para compreender o canal antes de instrumentá-lo.
Ela permite sentir resistência, identificar constrições, negociar curvaturas, perceber bloqueios, confirmar trajetória, manter patência e decidir o momento seguro de mecanizar.
O motor executa com eficiência.
Mas ele não deve ser usado para descobrir às cegas uma anatomia que ainda não foi compreendida.
Em Endodontia, mecanizar sem ler o canal é acelerar o risco.

A lima manual não é instrumento ultrapassado
Muitos profissionais associam limas manuais a uma Endodontia antiga, lenta ou exclusivamente pré-mecanizada.
Esse é um erro.
A função da lima manual mudou, mas sua importância permanece.
No passado, as limas manuais eram frequentemente usadas como instrumentos principais para preparo completo do canal.
Hoje, em muitos casos, elas atuam principalmente em etapas estratégicas:
exploração inicial;
scouting;
cateterismo;
negociação;
manutenção da patência;
criação inicial de glide path;
confirmação de trajetória;
avaliação do diâmetro inicial;
reconhecimento de curvaturas;
superação de pequenas interferências;
controle tátil antes da mecanização.
Portanto, a lima manual não compete com o sistema mecanizado.
Ela prepara o raciocínio para que o sistema mecanizado seja usado com segurança.
A lima manual não representa atraso.
Representa controle.

Informação tátil: o que o motor não entrega da mesma forma
Uma das maiores vantagens das limas manuais é a informação tátil.
Ao introduzir uma lima fina no canal, o clínico pode perceber:
se o canal está aberto ou obstruído;
se há resistência cervical, média ou apical;
se a trajetória é reta ou curva;
se há calcificação;
se há bloqueio;
se há degrau;
se a lima progride com liberdade;
se há risco de travamento;
se a anatomia permite mecanização imediata;
se é necessário pré-curvar a lima;
se o canal precisa de negociação progressiva.
Essa informação não aparece completamente na radiografia.
Também não é substituída pelo motor.
O motor é excelente para executar uma estratégia já definida.
Mas a lima manual ajuda a definir a estratégia.
A informação tátil é a ponte entre anatomia e decisão clínica.


Scouting: reconhecer antes de instrumentar
Scouting é a exploração inicial do canal.
É o momento em que o clínico usa limas finas para reconhecer a trajetória, a permeabilidade e a resistência do sistema de canais radiculares.
O objetivo do scouting não é ampliar agressivamente.
É entender.
Durante o scouting, o clínico deve observar:
se a lima entra no canal;
se há resistência;
onde ocorre a resistência;
se o trajeto é contínuo;
se há curvatura;
se a lima retorna limpa ou carregada de debris;
se há sensação de travamento;
se a lima precisa ser pré-curvada;
se há necessidade de irrigação adicional;
se o canal permite progressão segura.
O scouting é especialmente importante em:
canais curvos;
canais estreitos;
canais calcificados;
canais com curvatura em S;
canais com tripla curvatura;
retratamentos;
molares;
canais com suspeita de degrau;
canais de difícil localização.
O scouting é uma etapa de diagnóstico anatômico.
Ignorá-lo pode transformar a mecanização em tentativa.

Cateterismo: avançar com controle
O cateterismo endodôntico é a progressão cuidadosa no interior do canal com limas finas, geralmente buscando reconhecer e negociar o trajeto até regiões mais profundas.
Essa etapa exige paciência, irrigação, movimentos delicados e controle tátil.
O objetivo não é forçar a lima ao comprimento de trabalho.
O objetivo é permitir que ela avance respeitando a anatomia.
Durante o cateterismo, o clínico deve evitar:
pressão apical excessiva;
movimentos bruscos;
insistência em uma trajetória incorreta;
uso de instrumentos rígidos sem pré-curvatura;
avanço em canal seco;
mecanização precoce;
pular etapas;
ignorar resistência.
A resistência não deve ser vista como inimiga.
Ela é informação clínica.
Quando a lima encontra resistência, o clínico precisa perguntar:
essa resistência é anatômica, debris, calcificação, curvatura, bloqueio ou degrau?
Essa pergunta evita acidentes.

Negociação do canal: a arte de respeitar a anatomia
Negociar um canal significa criar uma progressão segura sem deformar sua trajetória original.
A negociação é especialmente importante em canais que não permitem avanço direto.
Nesses casos, limas manuais finas podem ser usadas com movimentos controlados, irrigação, lubrificação, pré-curvatura e recapitulação.
A negociação pode envolver:
A negociação não é uma etapa menor.
Ela é a diferença entre preservar o trajeto e criar um desvio.
A lima manual ajuda o clínico a conversar com a anatomia antes de pedir que o motor trabalhe.
Limas manuais e canais calcificados
Em canais calcificados, as limas manuais continuam indispensáveis.
A calcificação reduz o espaço interno, dificulta a localização, aumenta a resistência à progressão e eleva o risco de desvio, degrau ou perfuração.
Nesses casos, o sistema mecanizado não deve ser usado para “achar” o caminho.
Primeiro, o caminho precisa ser localizado e negociado.
A abordagem geralmente exige:
magnificação quando disponível;
acesso conservador e orientado;
ultrassom em casos selecionados;
irrigação;
limas manuais finas;
pré-curvatura;
lubrificação;
progressão gradual;
radiografias anguladas;
TCFC quando indicada;
controle tátil constante.
Em canais calcificados, a lima manual não é lenta.
Ela é segura.
A pressa pode transformar uma dificuldade anatômica em acidente.

Limas manuais e canais curvos
Em canais curvos, a lima manual ajuda a reconhecer a trajetória antes da mecanização.
Ela permite identificar se a curvatura é suave, moderada, severa, abrupta, apical, em S ou em múltiplos planos.
Essa leitura é decisiva para escolher:
tipo de instrumento;
grau de flexibilidade;
conicidade;
necessidade de glide path;
cinemática;
pressão de trabalho;
limite de ampliação;
estratégia de irrigação.
A pré-curvatura da lima manual é uma manobra importante em canais curvos.
Ela permite que a ponta do instrumento acompanhe melhor o trajeto anatômico, especialmente em canais estreitos ou com resistência.
Em canais curvos, a lima manual não deve ser usada com força.
Deve ser usada com sensibilidade.
Forçar a lima manual também pode criar degrau, bloqueio ou transporte.
O controle tátil deve guiar a decisão.

Limas manuais e patência apical
A patência apical é uma etapa que exige critério.
Quando indicada e realizada com cuidado, pode ajudar a manter o trajeto apical livre de bloqueios e reduzir acúmulo de debris.
As limas manuais finas são frequentemente utilizadas para esse objetivo, sempre com delicadeza e controle.
A patência não deve ser confundida com ampliação foraminal agressiva.
O objetivo não é alargar desnecessariamente o forame.
O objetivo é manter o trajeto livre e evitar bloqueio.
Em casos de necrose, lesão periapical, canais curvos ou anatomias estreitas, a decisão deve considerar:
diagnóstico;
anatomia apical;
comprimento de trabalho;
risco de extrusão;
irrigação;
sensibilidade do caso;
estratégia de obturação;
experiência do operador.
A patência é ferramenta.
Não dogma.
Limas manuais e glide path
O glide path é o caminho inicial, liso, contínuo e seguro que permite a progressão dos instrumentos mecanizados.
As limas manuais podem participar da criação inicial desse caminho.
Em muitos casos, antes de usar um sistema mecanizado de glide path, o clínico precisa confirmar que o canal permite progressão com limas finas.
Essa etapa reduz risco de:
travamento;
fadiga torcional;
transporte;
degrau;
fratura;
perda do comprimento de trabalho;
deformação da anatomia.
O glide path pode ser manual, mecanizado ou híbrido.
Mas, em todos eles, a lógica é a mesma:
o instrumento principal não deve entrar antes de existir um caminho seguro.
A lima manual ajuda a confirmar se esse caminho existe.

Limas K, C-Pilot e limas manuais de NiTi
Nem todas as limas manuais têm o mesmo comportamento.
A escolha do instrumento manual depende da anatomia e da finalidade clínica.
Instrumento manual | Indicação clínica principal |
Lima K | Exploração, patência, negociação inicial e ampliação manual progressiva |
Canais estreitos, scouting, cateterismo e reconhecimento inicial | |
Lima C-Pilot ou C+ | Canais calcificados, atrésicos ou com maior resistência inicial |
Limas manuais de NiTi | Canais curvos, quando maior flexibilidade pode ser útil |
Limas pré-curvadas | Canais curvos, bloqueios, negociações delicadas e anatomias complexas |
O instrumento manual não deve ser escolhido por hábito.
Também deve ser indicado.
Assim como nos sistemas mecanizados, a pergunta deve ser:
qual lima manual esta anatomia exige neste momento?

Movimentos manuais: delicadeza vale mais que força
A lima manual deve ser utilizada com movimentos controlados.
Em canais complexos, força excessiva pode causar o mesmo tipo de acidente que se tenta evitar com a mecanização.
Os movimentos devem respeitar a anatomia.
Podem incluir:
pequenos movimentos de exploração;
rotação delicada;
watch-winding;
movimentos de entrada e saída de pequena amplitude;
pré-curvatura;
recapitulação;
irrigação frequente entre avanços;
limpeza constante da lima.
O erro é transformar a lima manual em instrumento de força.
Ela deve ser instrumento de leitura.
Quando o canal resiste, o operador não deve insistir cegamente.
Deve parar, irrigar, recapitular, reavaliar, pré-curvar, trocar o instrumento ou reconsiderar a estratégia.
Na negociação manual, sensibilidade vale mais do que pressão.
O motor não deve descobrir o canal
Uma frase resume bem a lógica deste artigo:
O motor não deve descobrir o canal. O motor deve preparar um canal já compreendido.
Instrumentos mecanizados são excelentes quando usados dentro de sua indicação.
Mas podem gerar risco quando entram cedo demais em canais ainda não reconhecidos.
O motor pode acelerar:
uma boa estratégia;
uma instrumentação segura;
uma sequência bem indicada;
um preparo previsível.
Mas também pode acelerar:
um travamento;
um transporte;
um degrau;
uma fratura;
uma perfuração;
uma perda de trajetória.
Por isso, a lima manual continua indispensável.
Ela ajuda a transformar mecanização em execução segura, não em tentativa rápida.

Matriz EndoToday para uso de limas manuais
Pergunta clínica | Decisão que orienta |
O canal está localizado? | Define se a exploração pode começar. |
A lima fina progride? | Define permeabilidade inicial. |
Há resistência? | Define necessidade de negociação. |
A resistência é cervical, média ou apical? | Define onde está a interferência. |
O canal é curvo ou calcificado? | Define necessidade de pré-curvatura e cautela. |
Existe risco de degrau? | Define progressão mais conservadora. |
O canal permite glide path? | Define momento de mecanizar. |
A lima retorna com debris? | Define necessidade de irrigação e recapitulação. |
A trajetória está preservada? | Define segurança da sequência. |
O motor já pode entrar? | Define transição para mecanização. |
Essa matriz reforça a ideia central:
a lima manual informa. O clínico interpreta. O motor executa.
Casos clínicos relacionados no EndoToday
As limas manuais se conectam diretamente com os artigos anatômicos e operacionais da Trilha de Instrumentação Endodôntica.
Conteúdo relacionado | O que observar |
Entenda por que a leitura anatômica vem antes da escolha do sistema. | |
Observe como a negociação manual ajuda em múltiplos pontos de tensão. | |
Veja como preservar dentina exige controle antes da mecanização. | |
Aprofunde a construção do caminho seguro para os instrumentos mecanizados. | |

Erros comuns no uso das limas manuais
1. Achar que lima manual é coisa do passado
A lima manual continua essencial para leitura anatômica e segurança clínica.
2. Usar o motor antes de reconhecer o canal
A mecanização precoce aumenta risco de travamento, transporte, degrau e fratura.
3. Forçar limas finas em canais resistentes
Resistência deve ser interpretada, não vencida com pressão.
4. Não pré-curvar a lima em canais curvos
A pré-curvatura ajuda a acompanhar a trajetória anatômica.
5. Ignorar a informação tátil
A sensação da lima no canal orienta decisões importantes.
6. Usar lima manual apenas para medir comprimento
Ela também informa anatomia, permeabilidade, resistência e risco.
7. Negociar canal seco ou pouco irrigado
Irrigação e lubrificação ajudam a reduzir bloqueios e travamentos.
8. Não limpar a lima durante a exploração
Debris acumulados podem criar bloqueio e alterar a sensação tátil.
9. Confundir patência com alargamento foraminal
Patência exige delicadeza e indicação clínica.
10. Pular etapas em canais calcificados
Em canal calcificado, a progressão deve ser cuidadosa e gradual.
O que este artigo ensina
Este artigo reforça que:
Limas manuais continuam indispensáveis na Endodontia moderna.
Elas não competem com o motor; elas preparam a decisão.
Informação tátil ainda é fundamental.
Scouting é reconhecimento anatômico.
Cateterismo exige controle e paciência.
Negociação preserva a trajetória original.
Canais curvos e calcificados exigem limas finas e estratégia.
O glide path começa antes da lima mecanizada.
O motor não deve descobrir o canal.
A tecnologia é mais segura quando o canal já foi compreendido.
A principal mensagem é:
O motor acelera. A lima manual informa. O clínico interpreta.
Como este artigo se conecta à Trilha de Instrumentação Endodôntica
Este é o nono artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.
Os artigos anteriores mostraram que:
Instrumentar não é limpar.
Não existe lima perfeita. Existe indicação perfeita.
Antes da lima, vem a anatomia.
O raio da curvatura muda o risco.
Nem todo canal curvo tem o mesmo risco.
Curvaturas em S exigem mudança de estratégia.
A lima não toca tudo em canais ovais, achatados e em C.
Nem todo desgaste é preparo. Preservar também é tratar.
Agora, este artigo inicia o bloco operacional da trilha:
como reconhecer, explorar e negociar o canal antes da mecanização.
A partir daqui, a sequência seguirá para:
scouting;
cateterismo;
negociação;
lima apical inicial;
glide path;
sistemas de glide path;
ligas NiTi;
fadiga;
ampliação apical.
O objetivo é construir uma sequência lógica:
entender a anatomia, reconhecer o caminho e só depois mecanizar com segurança.
Continue na Trilha de Instrumentação Endodôntica |
Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados. |
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Conclusão
As limas manuais continuam indispensáveis na Endodontia moderna.
Não porque a tecnologia falhou.
Mas porque a tecnologia precisa ser guiada por raciocínio clínico.
O motor acelera a execução.
A lima manual informa o trajeto.
O clínico interpreta o risco.
Antes de mecanizar, é preciso reconhecer o canal, explorar a trajetória, negociar a anatomia, perceber resistências, manter controle e decidir se o preparo mecanizado pode começar com segurança.
A lima manual não é atraso.
É prudência.
Não é substituta do motor.
É a etapa que ajuda o motor a trabalhar melhor.
Na Endodontia previsível, a tecnologia não elimina a sensibilidade clínica.
Ela depende dela.
EndoToday — Endodontia baseada em raciocínio clínico.
A tecnologia começa pelo controle tátil
As limas manuais continuam essenciais para reconhecer a anatomia, explorar o canal, negociar curvaturas, manter patência e construir segurança antes da mecanização.
Continue na trilha e aprofunde as etapas que protegem a instrumentação: scouting, cateterismo e negociação do canal.
O motor acelera. A lima manual informa. O clínico interpreta.

FAQ — Perguntas frequentes sobre limas manuais na Endodontia moderna
Limas manuais ainda são necessárias na Endodontia moderna?
Sim. Elas continuam essenciais para exploração inicial, scouting, cateterismo, negociação, patência, avaliação tátil e segurança antes da instrumentação mecanizada.
A lima manual foi substituída pelos sistemas rotatórios e reciprocantes?
Não. Os sistemas mecanizados aceleram a instrumentação, mas não substituem a leitura tátil e anatômica oferecida pelas limas manuais.
Qual é a principal função das limas manuais hoje?
A principal função é reconhecer o canal, identificar resistência, negociar trajetórias, manter patência e criar segurança antes da mecanização.
O que é scouting em Endodontia?
Scouting é a exploração inicial do canal com limas finas para reconhecer trajetória, permeabilidade, resistência e complexidade anatômica.
O que é cateterismo endodôntico?
Cateterismo é a progressão cuidadosa com limas finas para localizar, acessar e negociar o canal, respeitando sua trajetória original.
Limas manuais ajudam a evitar fratura de instrumentos?
Sim. Elas ajudam a criar um caminho inicial seguro, reduzindo travamento, estresse torcional e risco de fratura dos instrumentos mecanizados.
Quando devo usar limas manuais finas?
Elas são especialmente úteis em canais estreitos, calcificados, curvos, atrésicos, com curvatura em S, retratamentos e anatomias complexas.
A lima manual serve apenas para medir o comprimento de trabalho?
Não. Ela também informa anatomia, resistência, permeabilidade, bloqueios, curvaturas e necessidade de glide path.
O motor pode entrar antes da lima manual?
Em muitos casos, não é recomendado. A mecanização deve começar depois que o canal foi reconhecido, negociado e preparado para receber o instrumento mecanizado.
Qual é a principal mensagem deste artigo?
A principal mensagem é que a lima manual não é atraso tecnológico; é leitura clínica antes da execução mecanizada.

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Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
Não ensinamos apenas a tratar dentes.
Ensinamos a cuidar de pacientes.
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Prof. Dr. Marco Aurélio G. Borges



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