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Curvaturas em S e tripla curvatura: quando o canal muda de direção mais de uma vez

Dente 3D com canal radicular iluminado em laranja, fundo escuro, título Curvaturas em S e Múltiplas.

Resumo do artigo

Canais com curvatura em S ou tripla curvatura representam um desafio importante na instrumentação endodôntica.

Diferentemente de uma curvatura única, essas anatomias apresentam mudanças sucessivas de direção. Isso cria mais de um ponto de tensão sobre a lima, aumenta o risco de fadiga cíclica, travamento, transporte, degrau e fratura, além de dificultar o glide path, a irrigação e a manutenção da trajetória original.

Nesses casos, a pergunta não deve ser apenas:

Qual lima chega ao comprimento de trabalho?

A pergunta correta é:

Qual estratégia permite respeitar todas as mudanças de direção do canal sem deformar a anatomia?

A lima não deve vencer a curvatura. Ela deve ser conduzida dentro dela.

Este é o sexto artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday e aprofunda as anatomias em que o canal muda de direção mais de uma vez, exigindo leitura clínica, controle tátil, glide path seguro, menor agressividade e instrumentação biologicamente orientada.

Perguntas que este artigo responde

Pergunta

Resposta curta

O que é uma curvatura em S?

É uma anatomia em que o canal muda de direção mais de uma vez, criando dois ou mais pontos de tensão.

O que é tripla curvatura?

É uma condição em que o canal apresenta três mudanças relevantes de direção, muitas vezes em planos diferentes.

Por que essas anatomias são mais arriscadas?

Porque aumentam a tensão sobre o instrumento em mais de uma região.

Curvatura em S aumenta o risco de fratura?

Sim. Ela pode aumentar fadiga cíclica, travamento e fadiga torcional.

A radiografia mostra sempre essas curvaturas?

Não. Algumas curvaturas podem ocorrer em planos não evidentes na radiografia periapical.

O glide path é obrigatório nesses casos?

Em geral, é uma etapa crítica de segurança, especialmente em canais estreitos ou severamente curvos.

Limas flexíveis resolvem o problema?

Não sozinhas. Flexibilidade ajuda, mas não substitui scouting, glide path, irrigação e técnica cuidadosa.

Sistemas mecanizados podem ser usados?

Podem, mas devem ser indicados com critério, menor pressão e progressão controlada.

Quando considerar TCFC?

Em casos de anatomia complexa, dúvida radiográfica, calcificação, retratamento ou risco elevado.

Qual é a mensagem central do artigo?

Quanto mais o canal muda de direção, mais a estratégia precisa mudar.


O que você vai entender neste artigo

  • Por que curvaturas em S e tripla curvatura são mais críticas.

  • Como múltiplas mudanças de direção aumentam o risco mecânico.

  • Por que a lima sofre em mais de um ponto dentro do canal.

  • Como fadiga cíclica e torcional podem se somar nesses casos.

  • Por que o glide path é decisivo em anatomias complexas.

  • Como limas manuais ajudam no reconhecimento do trajeto.

  • Por que a radiografia pode subestimar a complexidade tridimensional.

  • Quando a TCFC pode ajudar na decisão.

  • Como adaptar conicidade, pressão e progressão.

  • Como aplicar a lógica EndoToday em canais com múltiplas curvaturas.

Introdução

A curvatura radicular já é um fator de risco importante na instrumentação endodôntica.

Mas quando o canal muda de direção mais de uma vez, o risco deixa de ser linear.

Ele se multiplica.

Na curvatura em S, o instrumento precisa acompanhar uma direção inicial, depois se adaptar a uma segunda mudança de trajeto. Na tripla curvatura, essa dificuldade pode ser ainda maior, com alterações em diferentes regiões e, muitas vezes, em planos tridimensionais distintos.

Isso significa que a lima não sofre apenas em um ponto.

Ela sofre em vários pontos.

Cada mudança de direção pode concentrar tensão, aumentar atrito, favorecer travamento, alterar a centralização e dificultar a progressão segura.

Por isso, esses casos não devem ser tratados como “curvaturas comuns”.

Curvatura em S e tripla curvatura exigem outro nível de leitura anatômica.

A pergunta não é:

Será que a lima consegue entrar?

A pergunta é:

Será que a lima consegue entrar, trabalhar e sair respeitando todas as mudanças de direção do canal?

Essa diferença é decisiva.

Infográfico com três dentes e pontos de tensão, fundo escuro, e texto: O risco não é linear, é exponencial.

Curvatura em S: dois pontos de tensão no mesmo canal

A curvatura em S ocorre quando o canal apresenta duas mudanças principais de direção ao longo do trajeto.

Clinicamente, isso cria uma anatomia de maior risco porque a lima precisa se adaptar a uma primeira curvatura e, logo depois, a uma segunda curvatura em sentido diferente ou em outro plano.

Esse tipo de anatomia aumenta o risco de:

  • fadiga cíclica;

  • fadiga torcional;

  • travamento;

  • transporte;

  • degrau;

  • retificação do canal;

  • perda de patência;

  • alteração do comprimento de trabalho;

  • dificuldade de irrigação;

  • dificuldade de obturação;

  • fratura do instrumento.

Em uma curvatura única, o instrumento já sofre compressão e tração em uma região crítica.

Na curvatura em S, esses pontos podem se repetir.

O problema não é apenas a intensidade da curvatura.

É a repetição do desafio.

Por isso, a curvatura em S exige uma instrumentação mais conservadora, mais gradual e mais respeitosa.

A lima não deve tentar transformar o S em uma linha reta.

Ela deve seguir o caminho que a anatomia permite.

Infográfico escuro com radiografia 2D de dente à esquerda e modelo 3D de lima endodôntica à direita, com textos explicativos.

Tripla curvatura: quando a radiografia pode enganar

A tripla curvatura representa uma anatomia ainda mais complexa.

Nela, o canal pode mudar de direção em três regiões ou em diferentes planos espaciais.

O problema é que a radiografia periapical é bidimensional.

Ela pode mostrar uma curvatura evidente em uma direção, mas não revelar completamente outra curvatura vestibulolingual, apical ou intermediária.

O clínico pode olhar a radiografia e imaginar que o canal é apenas moderadamente curvo.

Mas, durante a negociação, percebe resistência, perda de trajetória, dificuldade de progressão ou comportamento inesperado das limas.

Essa é uma pista importante.

Quando a lima não se comporta como a radiografia sugeria, o clínico deve desconfiar da anatomia.

Tripla curvatura pode aparecer em:

  • molares;

  • raízes finas;

  • canais mesiais de molares inferiores;

  • canais vestibulares de molares superiores;

  • raízes com achatamento;

  • canais calcificados;

  • retratamentos;

  • anatomias com curvatura apical abrupta;

  • canais com alteração tridimensional não evidente.

Nesses casos, radiografias em diferentes angulações podem ajudar.

Em casos selecionados, a TCFC pode ser decisiva.

A imagem não substitui o raciocínio.

Mas pode revelar o que a radiografia convencional esconde.

Infográfico Matriz Diagnóstica de Falha da Lima: fadiga cíclica e torcional, lima metálica curvada, setas e rótulo Lock.

Por que múltiplas curvaturas aumentam a fadiga cíclica?

A fadiga cíclica ocorre quando a lima é submetida repetidamente a tensão e compressão dentro de uma curvatura.

Em uma curvatura simples, essa tensão tende a se concentrar em um ponto principal.

Em uma curvatura em S ou tripla curvatura, a lima pode sofrer em dois ou três pontos diferentes.

Isso aumenta o risco porque:

  • há maior número de regiões críticas;

  • a lima se flexiona em sentidos diferentes;

  • o instrumento trabalha sob tensão acumulada;

  • a progressão se torna menos previsível;

  • o tempo de contato pode aumentar;

  • a irrigação e a limpeza das espiras tornam-se ainda mais importantes;

  • pequenas interferências podem gerar travamento.

Quanto mais mudanças de direção, maior a exigência mecânica sobre o instrumento.

Por isso, nesses casos, a prevenção da fratura não depende apenas de usar uma lima mais flexível.

Depende de uma estratégia completa.

A lima flexível ajuda.

Mas a estratégia protege.

Infográfico de canal dentário curvo com lima vermelha e textos sobre flexão e fadiga cíclica.

Fadiga torcional: o risco do travamento em múltiplos pontos

A fadiga torcional ocorre quando uma parte da lima prende no canal enquanto o restante do instrumento continua recebendo força.

Em canais com múltiplas curvaturas, o risco de travamento pode aumentar porque o instrumento encontra resistência em diferentes regiões.

Isso pode ocorrer por:

  • canal estreito;

  • falta de glide path;

  • debris acumulados;

  • pressão apical excessiva;

  • conicidade inadequada;

  • instrumento pouco flexível;

  • progressão rápida;

  • irrigação insuficiente;

  • ausência de recapitulação;

  • espiras carregadas de dentina;

  • tentativa de forçar o instrumento ao comprimento.

Em curvaturas em S e tripla curvatura, forçar a lima é uma decisão especialmente perigosa.

A lima precisa avançar quando o canal permite.

Não quando o operador insiste.

A resistência não deve ser vencida com pressão.

Deve ser interpretada.

Infográfico odontológico com dente em seção, trajetórias verde e vermelha e textos sobre retificação e acidente.

Transporte e retificação: quando o S vira acidente

Uma das tendências mecânicas dos instrumentos endodônticos é buscar uma trajetória mais reta.

Em canais com curvatura em S, essa tendência pode provocar desgaste inadequado em diferentes paredes do canal.

O resultado pode ser:

  • retificação da curvatura;

  • transporte no terço médio;

  • transporte apical;

  • formação de degrau;

  • perda de centralização;

  • fragilização dentinária;

  • alteração do trajeto original.

Esse risco aumenta quando se utiliza:

  • instrumento muito rígido;

  • conicidade excessiva;

  • pressão apical;

  • ausência de glide path;

  • sequência agressiva;

  • preparo cervical sem controle;

  • pouca irrigação;

  • avanço sem recapitulação.

A instrumentação não deve apagar a anatomia.

Deve criar uma forma segura dentro dela.

Em canais em S, preservar a trajetória é tão importante quanto alcançar o comprimento.

Anúncio escuro com broca dental perto de um dente, texto O Motor Prepara. A Lima Manual INFORMA. e quadro com 4 etapas.

O papel das limas manuais

As limas manuais são fundamentais em canais com curvatura em S ou tripla curvatura.

Elas ajudam o clínico a reconhecer a trajetória real do canal antes da instrumentação mecanizada.

Nesses casos, as limas manuais permitem:

  • scouting;

  • cateterismo;

  • negociação;

  • percepção tátil;

  • pré-curvatura;

  • manutenção de patência;

  • identificação de bloqueios;

  • progressão gradual;

  • confirmação do trajeto;

  • redução do risco de degrau.

A lima manual não deve ser vista como tecnologia ultrapassada.

Em anatomias complexas, ela é uma ferramenta de leitura.

O motor prepara.

Mas a lima manual informa.

O clínico que ignora essa informação pode entrar mecanicamente em uma anatomia que ainda não foi compreendida.

E, nesses casos, o acidente começa antes do motor.

Infográfico azul sobre Glide Path na instrumentação, com esquema de canal radicular e textos sobre progressão suave e segurança.

Glide path: caminho seguro antes da lima principal

Em curvaturas em S e tripla curvatura, o glide path é uma etapa crítica.

Ele cria um trajeto inicial contínuo, liso e reprodutível, reduzindo o risco de travamento, torção, transporte e fratura.

Mas o glide path precisa ser construído com respeito.

Não basta “passar uma lima fina”.

É preciso verificar se o trajeto está realmente negociado.

Um glide path seguro deve permitir:

  • progressão sem bloqueios;

  • manutenção do comprimento;

  • sensação tátil controlada;

  • ausência de travamento;

  • recapitulação;

  • patência quando indicada;

  • irrigação frequente;

  • transição segura para instrumentos mecanizados.

Em canais com múltiplas curvaturas, o glide path pode ser manual, mecanizado ou híbrido.

A decisão depende da anatomia, do diâmetro inicial, da resistência à negociação e da segurança do operador.

Em canal complexo, o glide path não é etapa acessória.

É o seguro da instrumentação.

Slide escuro com Estratégia Clínica Conservadora, 5 etapas em caixas com setas e regra de ouro no rodapé.

Como adaptar a instrumentação em curvaturas em S

A estratégia para canais com curvatura em S deve ser conservadora e controlada.

Alguns princípios são fundamentais:

Decisão clínica

Objetivo

Scouting cuidadoso

Reconhecer o trajeto real

Limas manuais finas

Negociar sem deformar

Pré-curvatura

Acompanhar a anatomia

Glide path seguro

Reduzir travamento

Instrumentos flexíveis

Respeitar múltiplas curvaturas

Menor taper

Reduzir transporte e desgaste

Pressão apical leve

Evitar travamento

Irrigação frequente

Remover debris e reduzir bloqueios

Limpeza das espiras

Reduzir estresse torcional

Progressão gradual

Evitar agressividade

Controle do tempo de uso

Reduzir fadiga acumulada


A lógica é simples:

quanto mais complexa a anatomia, mais controlada deve ser a técnica.

Infográfico escuro sobre TCFC: crânio e dentes 3D ao centro, com caixas sobre indicações como curvatura, canais calcificados e retratamentos.

Quando considerar TCFC?

A TCFC não deve ser solicitada de forma indiscriminada.

Mas pode ser indicada quando a informação radiográfica convencional não é suficiente para uma decisão segura.

Em curvaturas em S e tripla curvatura, a TCFC pode ser útil em casos com:

  • anatomia complexa;

  • curvatura não explicada pela radiografia;

  • canal calcificado;

  • retratamento;

  • suspeita de transporte prévio;

  • suspeita de degrau;

  • raiz fina;

  • canais múltiplos;

  • canais em C;

  • alterações periapicais extensas;

  • dificuldade de localização;

  • risco elevado de perfuração;

  • dúvida sobre espessura dentinária.

A TCFC pode revelar curvaturas em planos que a radiografia periapical não mostra.

A decisão não é “tomografar tudo”.

A decisão é reconhecer quando a anatomia pede mais informação.

Slide azul com tabela A Matriz EndoToday para Curvaturas Múltiplas, com sinais clínicos e decisões orientadoras.

Matriz EndoToday para curvaturas em S e tripla curvatura

Pergunta clínica

Decisão que orienta

A radiografia mostra uma ou mais curvaturas?

Define risco inicial.

A curvatura muda de direção?

Sugere anatomia em S.

A lima encontra resistência inesperada?

Sugere complexidade não vista na imagem.

O canal é estreito ou calcificado?

Define necessidade de negociação manual.

Existe curvatura apical abrupta?

Aumenta risco de transporte e fratura.

O glide path está realmente seguro?

Define momento de mecanizar.

Qual taper respeita a anatomia?

Define limite de desgaste.

O instrumento é flexível o suficiente?

Define segurança mecânica.

A radiografia é suficiente?

Define necessidade de angulações ou TCFC.

A estratégia preserva o trajeto original?

Define previsibilidade do preparo.


Essa matriz ajuda a transformar uma anatomia complexa em uma decisão clínica organizada.


Casos clínicos relacionados no EndoToday

As curvaturas em S e as curvaturas múltiplas precisam ser compreendidas como anatomias de maior risco.

Alguns casos clínicos do EndoToday podem ajudar a visualizar como a curvatura, o raio e a estratégia modificam a indicação do sistema.

Caso clínico

O que observar

Curvatura extrema na região apical

Observe como a curvatura crítica aumenta o risco de transporte e fratura.

Caso clínico com Race EVO sequência EndoToday

Observe como o glide path e a sequência devem respeitar a anatomia.

Caso clínico com TruNatomy

Observe a relação entre preservação dentinária e canal complexo.

Retratamento com VDW Rotate

Observe como anatomias previamente modificadas exigem reinterpretação do risco.


Casos clínicos:

Infográfico escuro com texto em português sobre 6 erros fatais em múltiplas curvaturas e aviso central em vermelho.

Erros comuns em curvaturas em S e tripla curvatura

1. Tratar curvatura em S como curvatura simples

Isso subestima os múltiplos pontos de tensão.

2. Forçar a lima até o comprimento

Força apical aumenta travamento, fadiga e fratura.

3. Usar taper excessivo

Conicidade alta pode retificar a curvatura e desgastar paredes críticas.

4. Não fazer scouting adequado

A anatomia precisa ser reconhecida antes da mecanização.

5. Ignorar resistência inesperada

Resistência é informação clínica, não obstáculo a ser vencido.

6. Mecanizar cedo demais

A lima principal não deve entrar antes do caminho estar seguro.

7. Não limpar as espiras

Debris acumulados aumentam travamento e estresse torcional.

8. Reutilizar instrumento fatigado

Múltiplas curvaturas aumentam fadiga acumulada.

9. Confiar apenas em uma radiografia

A imagem bidimensional pode subestimar a anatomia.

10. Achar que flexibilidade resolve tudo

A flexibilidade ajuda, mas estratégia é indispensável.

O que este artigo ensina

Este artigo reforça que:

  1. Curvaturas em S apresentam múltiplos pontos de tensão.

  2. Tripla curvatura pode ser subestimada pela radiografia.

  3. A lima sofre mais quando o canal muda de direção várias vezes.

  4. Fadiga cíclica e torcional podem se somar.

  5. Glide path seguro é etapa crítica.

  6. Limas manuais continuam essenciais em anatomias complexas.

  7. A conicidade deve ser conservadora.

  8. A TCFC pode ser indicada em casos selecionados.

  9. A progressão deve ser controlada.

  10. A estratégia deve respeitar a anatomia, não tentar vencê-la.

A principal mensagem é:

Quanto mais o canal muda de direção, mais a estratégia precisa mudar.

Como este artigo se conecta à Trilha de Instrumentação Endodôntica

Este é o sexto artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.

O primeiro artigo mostrou que:

Instrumentar não é limpar.

O segundo artigo mostrou que:

Não existe lima perfeita. Existe indicação perfeita.

O terceiro artigo mostrou que:

Antes da lima, vem a anatomia.

O quarto artigo mostrou que:

o raio da curvatura muda o risco.

O quinto artigo organizou a classificação dos canais em:

retos, suaves, moderados, severos e extremos.

Este sexto artigo aprofunda anatomias ainda mais desafiadoras:

curvaturas em S e tripla curvatura.

A partir daqui, a trilha seguirá para canais ovais, achatados e em C, mostrando que o limite da instrumentação não está apenas na curvatura, mas também na forma transversal e nas áreas que a lima não toca.

O objetivo é construir uma forma de pensar:

a lima certa não é a que força a anatomia. É a que respeita o trajeto.

Tela azul escura com ícones de dentes e texto: Continue na Trilha de Instrumentação EndoToday; Múltiplas Curvaturas.

Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados.

Artigo anterior

No artigo anterior, você entendeu por que classificar o canal ajuda a transformar anatomia em decisão clínica antes da instrumentação.

Próximo artigo

No próximo artigo, vamos aprofundar as anatomias em que a forma transversal limita a ação mecânica da lima e exige maior integração com irrigação e desinfecção.

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Fundo azul-escuro com texto em português: O Veredito Clínico; tecnologia ajuda, mas raciocínio clínico protege o canal.

Conclusão

Curvaturas em S e tripla curvatura representam anatomias de maior risco na instrumentação endodôntica.

Elas não devem ser tratadas como simples variações de canais curvos.

Quando o canal muda de direção mais de uma vez, a lima sofre em múltiplos pontos. Isso aumenta fadiga, travamento, transporte, degrau e risco de fratura.

Nesses casos, a estratégia precisa mudar.

Scouting, cateterismo, limas manuais, glide path, instrumentos flexíveis, menor conicidade, irrigação frequente e progressão controlada tornam-se decisivos.

A tecnologia ajuda.

Mas quem protege o canal é o raciocínio clínico.

A anatomia orienta.

O risco limita.

O glide path protege.

A lima executa.

O clínico decide.

EndoToday — Endodontia baseada em raciocínio clínico.

Quando o canal muda de direção, a estratégia também precisa mudar

Curvaturas em S e tripla curvatura aumentam os pontos de tensão sobre o instrumento.

Nesses casos, a lima não deve vencer a anatomia. Ela deve respeitar o trajeto, com glide path seguro, menor agressividade e progressão controlada.

Continue na trilha e entenda por que canais ovais, achatados e em C mostram o limite real da ação mecânica da lima.

Quanto mais a anatomia muda de direção, mais o clínico precisa mudar a estratégia.




Tela azul com FAQ e ponto de interrogação; texto: Perguntas Frequentes, Base científica. Respostas claras.

FAQ — Perguntas frequentes sobre curvaturas em S e tripla curvatura

O que é uma curvatura em S?

É uma anatomia em que o canal muda de direção mais de uma vez, formando uma trajetória semelhante a um S e criando múltiplos pontos de tensão para a lima.

O que é tripla curvatura?

É uma anatomia em que o canal apresenta três mudanças relevantes de direção, muitas vezes em regiões diferentes ou em planos tridimensionais distintos.

Por que curvaturas em S aumentam o risco da instrumentação?

Porque a lima precisa se adaptar a mais de uma mudança de direção, aumentando fadiga cíclica, travamento, transporte, degrau e risco de fratura.

A radiografia mostra sempre curvaturas em S e tripla curvatura?

Não. Algumas curvaturas podem ocorrer em planos que a radiografia periapical não mostra claramente. Radiografias anguladas ou TCFC podem ser úteis em casos selecionados.

O glide path é importante nesses casos?

Sim. Em curvaturas em S e tripla curvatura, o glide path é uma etapa crítica para reduzir travamento, transporte, fadiga e fratura.

Limas flexíveis eliminam o risco em canais com múltiplas curvaturas?

Não. A flexibilidade ajuda, mas não substitui scouting, cateterismo, glide path, irrigação, controle de pressão e leitura anatômica.

Sistemas mecanizados podem ser usados em curvaturas em S?

Podem, desde que sejam indicados com critério e usados com progressão controlada, menor pressão, irrigação frequente e glide path seguro.

Quando considerar TCFC em canais com múltiplas curvaturas?

A TCFC pode ser considerada em casos de anatomia complexa, calcificações, retratamentos, dúvida radiográfica, suspeita de curvatura tridimensional ou risco elevado de acidente.

Qual é o principal erro em canais com curvatura em S?

O principal erro é tratar uma curvatura em S como uma curvatura simples, subestimando os múltiplos pontos de tensão e o risco mecânico.

Qual é a principal mensagem deste artigo?

A principal mensagem é que quanto mais o canal muda de direção, mais a estratégia de instrumentação precisa mudar.

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Sobre o autor


Marco Aurélio Gagliardi Borges de terno azul e gravata azul claro, com expressão neutra, braços cruzados. Fundo preto.

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.


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