Curvaturas em S e tripla curvatura: quando o canal muda de direção mais de uma vez
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- 13 de jul.
- 14 min de leitura

Resumo do artigo
Canais com curvatura em S ou tripla curvatura representam um desafio importante na instrumentação endodôntica.
Diferentemente de uma curvatura única, essas anatomias apresentam mudanças sucessivas de direção. Isso cria mais de um ponto de tensão sobre a lima, aumenta o risco de fadiga cíclica, travamento, transporte, degrau e fratura, além de dificultar o glide path, a irrigação e a manutenção da trajetória original.
Nesses casos, a pergunta não deve ser apenas:
Qual lima chega ao comprimento de trabalho?
A pergunta correta é:
Qual estratégia permite respeitar todas as mudanças de direção do canal sem deformar a anatomia?
A lima não deve vencer a curvatura. Ela deve ser conduzida dentro dela.
Este é o sexto artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday e aprofunda as anatomias em que o canal muda de direção mais de uma vez, exigindo leitura clínica, controle tátil, glide path seguro, menor agressividade e instrumentação biologicamente orientada.
Perguntas que este artigo responde
Pergunta | Resposta curta |
O que é uma curvatura em S? | É uma anatomia em que o canal muda de direção mais de uma vez, criando dois ou mais pontos de tensão. |
O que é tripla curvatura? | É uma condição em que o canal apresenta três mudanças relevantes de direção, muitas vezes em planos diferentes. |
Por que essas anatomias são mais arriscadas? | Porque aumentam a tensão sobre o instrumento em mais de uma região. |
Curvatura em S aumenta o risco de fratura? | Sim. Ela pode aumentar fadiga cíclica, travamento e fadiga torcional. |
A radiografia mostra sempre essas curvaturas? | Não. Algumas curvaturas podem ocorrer em planos não evidentes na radiografia periapical. |
O glide path é obrigatório nesses casos? | Em geral, é uma etapa crítica de segurança, especialmente em canais estreitos ou severamente curvos. |
Limas flexíveis resolvem o problema? | Não sozinhas. Flexibilidade ajuda, mas não substitui scouting, glide path, irrigação e técnica cuidadosa. |
Sistemas mecanizados podem ser usados? | Podem, mas devem ser indicados com critério, menor pressão e progressão controlada. |
Quando considerar TCFC? | Em casos de anatomia complexa, dúvida radiográfica, calcificação, retratamento ou risco elevado. |
Qual é a mensagem central do artigo? | Quanto mais o canal muda de direção, mais a estratégia precisa mudar. |
O que você vai entender neste artigo
Por que curvaturas em S e tripla curvatura são mais críticas.
Como múltiplas mudanças de direção aumentam o risco mecânico.
Por que a lima sofre em mais de um ponto dentro do canal.
Como fadiga cíclica e torcional podem se somar nesses casos.
Por que o glide path é decisivo em anatomias complexas.
Como limas manuais ajudam no reconhecimento do trajeto.
Por que a radiografia pode subestimar a complexidade tridimensional.
Quando a TCFC pode ajudar na decisão.
Como adaptar conicidade, pressão e progressão.
Como aplicar a lógica EndoToday em canais com múltiplas curvaturas.
Introdução
A curvatura radicular já é um fator de risco importante na instrumentação endodôntica.
Mas quando o canal muda de direção mais de uma vez, o risco deixa de ser linear.
Ele se multiplica.
Na curvatura em S, o instrumento precisa acompanhar uma direção inicial, depois se adaptar a uma segunda mudança de trajeto. Na tripla curvatura, essa dificuldade pode ser ainda maior, com alterações em diferentes regiões e, muitas vezes, em planos tridimensionais distintos.
Isso significa que a lima não sofre apenas em um ponto.
Ela sofre em vários pontos.
Cada mudança de direção pode concentrar tensão, aumentar atrito, favorecer travamento, alterar a centralização e dificultar a progressão segura.
Por isso, esses casos não devem ser tratados como “curvaturas comuns”.
Curvatura em S e tripla curvatura exigem outro nível de leitura anatômica.
A pergunta não é:
Será que a lima consegue entrar?
A pergunta é:
Será que a lima consegue entrar, trabalhar e sair respeitando todas as mudanças de direção do canal?
Essa diferença é decisiva.

Curvatura em S: dois pontos de tensão no mesmo canal
A curvatura em S ocorre quando o canal apresenta duas mudanças principais de direção ao longo do trajeto.
Clinicamente, isso cria uma anatomia de maior risco porque a lima precisa se adaptar a uma primeira curvatura e, logo depois, a uma segunda curvatura em sentido diferente ou em outro plano.
Esse tipo de anatomia aumenta o risco de:
fadiga cíclica;
fadiga torcional;
travamento;
transporte;
degrau;
retificação do canal;
perda de patência;
alteração do comprimento de trabalho;
dificuldade de irrigação;
dificuldade de obturação;
fratura do instrumento.
Em uma curvatura única, o instrumento já sofre compressão e tração em uma região crítica.
Na curvatura em S, esses pontos podem se repetir.
O problema não é apenas a intensidade da curvatura.
É a repetição do desafio.
Por isso, a curvatura em S exige uma instrumentação mais conservadora, mais gradual e mais respeitosa.
A lima não deve tentar transformar o S em uma linha reta.
Ela deve seguir o caminho que a anatomia permite.

Tripla curvatura: quando a radiografia pode enganar
A tripla curvatura representa uma anatomia ainda mais complexa.
Nela, o canal pode mudar de direção em três regiões ou em diferentes planos espaciais.
O problema é que a radiografia periapical é bidimensional.
Ela pode mostrar uma curvatura evidente em uma direção, mas não revelar completamente outra curvatura vestibulolingual, apical ou intermediária.
O clínico pode olhar a radiografia e imaginar que o canal é apenas moderadamente curvo.
Mas, durante a negociação, percebe resistência, perda de trajetória, dificuldade de progressão ou comportamento inesperado das limas.
Essa é uma pista importante.
Quando a lima não se comporta como a radiografia sugeria, o clínico deve desconfiar da anatomia.
Tripla curvatura pode aparecer em:
molares;
raízes finas;
canais mesiais de molares inferiores;
canais vestibulares de molares superiores;
raízes com achatamento;
canais calcificados;
retratamentos;
anatomias com curvatura apical abrupta;
canais com alteração tridimensional não evidente.
Nesses casos, radiografias em diferentes angulações podem ajudar.
Em casos selecionados, a TCFC pode ser decisiva.
A imagem não substitui o raciocínio.
Mas pode revelar o que a radiografia convencional esconde.

Por que múltiplas curvaturas aumentam a fadiga cíclica?
A fadiga cíclica ocorre quando a lima é submetida repetidamente a tensão e compressão dentro de uma curvatura.
Em uma curvatura simples, essa tensão tende a se concentrar em um ponto principal.
Em uma curvatura em S ou tripla curvatura, a lima pode sofrer em dois ou três pontos diferentes.
Isso aumenta o risco porque:
há maior número de regiões críticas;
a lima se flexiona em sentidos diferentes;
o instrumento trabalha sob tensão acumulada;
a progressão se torna menos previsível;
o tempo de contato pode aumentar;
a irrigação e a limpeza das espiras tornam-se ainda mais importantes;
pequenas interferências podem gerar travamento.
Quanto mais mudanças de direção, maior a exigência mecânica sobre o instrumento.
Por isso, nesses casos, a prevenção da fratura não depende apenas de usar uma lima mais flexível.
Depende de uma estratégia completa.
A lima flexível ajuda.
Mas a estratégia protege.

Fadiga torcional: o risco do travamento em múltiplos pontos
A fadiga torcional ocorre quando uma parte da lima prende no canal enquanto o restante do instrumento continua recebendo força.
Em canais com múltiplas curvaturas, o risco de travamento pode aumentar porque o instrumento encontra resistência em diferentes regiões.
Isso pode ocorrer por:
canal estreito;
falta de glide path;
debris acumulados;
pressão apical excessiva;
conicidade inadequada;
instrumento pouco flexível;
progressão rápida;
irrigação insuficiente;
ausência de recapitulação;
espiras carregadas de dentina;
tentativa de forçar o instrumento ao comprimento.
Em curvaturas em S e tripla curvatura, forçar a lima é uma decisão especialmente perigosa.
A lima precisa avançar quando o canal permite.
Não quando o operador insiste.
A resistência não deve ser vencida com pressão.
Deve ser interpretada.

Transporte e retificação: quando o S vira acidente
Uma das tendências mecânicas dos instrumentos endodônticos é buscar uma trajetória mais reta.
Em canais com curvatura em S, essa tendência pode provocar desgaste inadequado em diferentes paredes do canal.
O resultado pode ser:
retificação da curvatura;
transporte no terço médio;
transporte apical;
formação de degrau;
perda de centralização;
fragilização dentinária;
alteração do trajeto original.
Esse risco aumenta quando se utiliza:
instrumento muito rígido;
conicidade excessiva;
pressão apical;
ausência de glide path;
sequência agressiva;
preparo cervical sem controle;
pouca irrigação;
avanço sem recapitulação.
A instrumentação não deve apagar a anatomia.
Deve criar uma forma segura dentro dela.
Em canais em S, preservar a trajetória é tão importante quanto alcançar o comprimento.

O papel das limas manuais
As limas manuais são fundamentais em canais com curvatura em S ou tripla curvatura.
Elas ajudam o clínico a reconhecer a trajetória real do canal antes da instrumentação mecanizada.
Nesses casos, as limas manuais permitem:
scouting;
cateterismo;
negociação;
percepção tátil;
pré-curvatura;
manutenção de patência;
identificação de bloqueios;
progressão gradual;
confirmação do trajeto;
redução do risco de degrau.
A lima manual não deve ser vista como tecnologia ultrapassada.
Em anatomias complexas, ela é uma ferramenta de leitura.
O motor prepara.
Mas a lima manual informa.
O clínico que ignora essa informação pode entrar mecanicamente em uma anatomia que ainda não foi compreendida.
E, nesses casos, o acidente começa antes do motor.

Glide path: caminho seguro antes da lima principal
Em curvaturas em S e tripla curvatura, o glide path é uma etapa crítica.
Ele cria um trajeto inicial contínuo, liso e reprodutível, reduzindo o risco de travamento, torção, transporte e fratura.
Mas o glide path precisa ser construído com respeito.
Não basta “passar uma lima fina”.
É preciso verificar se o trajeto está realmente negociado.
Um glide path seguro deve permitir:
progressão sem bloqueios;
manutenção do comprimento;
sensação tátil controlada;
ausência de travamento;
recapitulação;
patência quando indicada;
irrigação frequente;
transição segura para instrumentos mecanizados.
Em canais com múltiplas curvaturas, o glide path pode ser manual, mecanizado ou híbrido.
A decisão depende da anatomia, do diâmetro inicial, da resistência à negociação e da segurança do operador.
Em canal complexo, o glide path não é etapa acessória.
É o seguro da instrumentação.

Como adaptar a instrumentação em curvaturas em S
A estratégia para canais com curvatura em S deve ser conservadora e controlada.
Alguns princípios são fundamentais:
Decisão clínica | Objetivo |
Scouting cuidadoso | Reconhecer o trajeto real |
Limas manuais finas | Negociar sem deformar |
Pré-curvatura | Acompanhar a anatomia |
Glide path seguro | Reduzir travamento |
Instrumentos flexíveis | Respeitar múltiplas curvaturas |
Menor taper | Reduzir transporte e desgaste |
Pressão apical leve | Evitar travamento |
Irrigação frequente | Remover debris e reduzir bloqueios |
Limpeza das espiras | Reduzir estresse torcional |
Progressão gradual | Evitar agressividade |
Controle do tempo de uso | Reduzir fadiga acumulada |
A lógica é simples:
quanto mais complexa a anatomia, mais controlada deve ser a técnica.

Quando considerar TCFC?
A TCFC não deve ser solicitada de forma indiscriminada.
Mas pode ser indicada quando a informação radiográfica convencional não é suficiente para uma decisão segura.
Em curvaturas em S e tripla curvatura, a TCFC pode ser útil em casos com:
anatomia complexa;
curvatura não explicada pela radiografia;
canal calcificado;
retratamento;
suspeita de transporte prévio;
suspeita de degrau;
raiz fina;
canais múltiplos;
canais em C;
alterações periapicais extensas;
dificuldade de localização;
risco elevado de perfuração;
dúvida sobre espessura dentinária.
A TCFC pode revelar curvaturas em planos que a radiografia periapical não mostra.
A decisão não é “tomografar tudo”.
A decisão é reconhecer quando a anatomia pede mais informação.

Matriz EndoToday para curvaturas em S e tripla curvatura
Pergunta clínica | Decisão que orienta |
A radiografia mostra uma ou mais curvaturas? | Define risco inicial. |
A curvatura muda de direção? | Sugere anatomia em S. |
A lima encontra resistência inesperada? | Sugere complexidade não vista na imagem. |
O canal é estreito ou calcificado? | Define necessidade de negociação manual. |
Existe curvatura apical abrupta? | Aumenta risco de transporte e fratura. |
O glide path está realmente seguro? | Define momento de mecanizar. |
Qual taper respeita a anatomia? | Define limite de desgaste. |
O instrumento é flexível o suficiente? | Define segurança mecânica. |
A radiografia é suficiente? | Define necessidade de angulações ou TCFC. |
A estratégia preserva o trajeto original? | Define previsibilidade do preparo. |
Essa matriz ajuda a transformar uma anatomia complexa em uma decisão clínica organizada.
Casos clínicos relacionados no EndoToday
As curvaturas em S e as curvaturas múltiplas precisam ser compreendidas como anatomias de maior risco.
Alguns casos clínicos do EndoToday podem ajudar a visualizar como a curvatura, o raio e a estratégia modificam a indicação do sistema.
Caso clínico | O que observar |
Curvatura extrema na região apical | Observe como a curvatura crítica aumenta o risco de transporte e fratura. |
Caso clínico com Race EVO sequência EndoToday | Observe como o glide path e a sequência devem respeitar a anatomia. |
Caso clínico com TruNatomy | Observe a relação entre preservação dentinária e canal complexo. |
Retratamento com VDW Rotate | Observe como anatomias previamente modificadas exigem reinterpretação do risco. |
Casos clínicos:

Erros comuns em curvaturas em S e tripla curvatura
1. Tratar curvatura em S como curvatura simples
Isso subestima os múltiplos pontos de tensão.
2. Forçar a lima até o comprimento
Força apical aumenta travamento, fadiga e fratura.
3. Usar taper excessivo
Conicidade alta pode retificar a curvatura e desgastar paredes críticas.
4. Não fazer scouting adequado
A anatomia precisa ser reconhecida antes da mecanização.
5. Ignorar resistência inesperada
Resistência é informação clínica, não obstáculo a ser vencido.
6. Mecanizar cedo demais
A lima principal não deve entrar antes do caminho estar seguro.
7. Não limpar as espiras
Debris acumulados aumentam travamento e estresse torcional.
8. Reutilizar instrumento fatigado
Múltiplas curvaturas aumentam fadiga acumulada.
9. Confiar apenas em uma radiografia
A imagem bidimensional pode subestimar a anatomia.
10. Achar que flexibilidade resolve tudo
A flexibilidade ajuda, mas estratégia é indispensável.
O que este artigo ensina
Este artigo reforça que:
Curvaturas em S apresentam múltiplos pontos de tensão.
Tripla curvatura pode ser subestimada pela radiografia.
A lima sofre mais quando o canal muda de direção várias vezes.
Fadiga cíclica e torcional podem se somar.
Glide path seguro é etapa crítica.
Limas manuais continuam essenciais em anatomias complexas.
A conicidade deve ser conservadora.
A TCFC pode ser indicada em casos selecionados.
A progressão deve ser controlada.
A estratégia deve respeitar a anatomia, não tentar vencê-la.
A principal mensagem é:
Quanto mais o canal muda de direção, mais a estratégia precisa mudar.
Como este artigo se conecta à Trilha de Instrumentação Endodôntica
Este é o sexto artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.
O primeiro artigo mostrou que:
Instrumentar não é limpar.
O segundo artigo mostrou que:
Não existe lima perfeita. Existe indicação perfeita.
O terceiro artigo mostrou que:
Antes da lima, vem a anatomia.
O quarto artigo mostrou que:
o raio da curvatura muda o risco.
O quinto artigo organizou a classificação dos canais em:
retos, suaves, moderados, severos e extremos.
Este sexto artigo aprofunda anatomias ainda mais desafiadoras:
curvaturas em S e tripla curvatura.
A partir daqui, a trilha seguirá para canais ovais, achatados e em C, mostrando que o limite da instrumentação não está apenas na curvatura, mas também na forma transversal e nas áreas que a lima não toca.
O objetivo é construir uma forma de pensar:
a lima certa não é a que força a anatomia. É a que respeita o trajeto.

Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados. |
Artigo anterior |
No artigo anterior, você entendeu por que classificar o canal ajuda a transformar anatomia em decisão clínica antes da instrumentação. |
Próximo artigo |
No próximo artigo, vamos aprofundar as anatomias em que a forma transversal limita a ação mecânica da lima e exige maior integração com irrigação e desinfecção. |
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Conclusão
Curvaturas em S e tripla curvatura representam anatomias de maior risco na instrumentação endodôntica.
Elas não devem ser tratadas como simples variações de canais curvos.
Quando o canal muda de direção mais de uma vez, a lima sofre em múltiplos pontos. Isso aumenta fadiga, travamento, transporte, degrau e risco de fratura.
Nesses casos, a estratégia precisa mudar.
Scouting, cateterismo, limas manuais, glide path, instrumentos flexíveis, menor conicidade, irrigação frequente e progressão controlada tornam-se decisivos.
A tecnologia ajuda.
Mas quem protege o canal é o raciocínio clínico.
A anatomia orienta.
O risco limita.
O glide path protege.
A lima executa.
O clínico decide.
EndoToday — Endodontia baseada em raciocínio clínico.
Quando o canal muda de direção, a estratégia também precisa mudar
Curvaturas em S e tripla curvatura aumentam os pontos de tensão sobre o instrumento.
Nesses casos, a lima não deve vencer a anatomia. Ela deve respeitar o trajeto, com glide path seguro, menor agressividade e progressão controlada.
Continue na trilha e entenda por que canais ovais, achatados e em C mostram o limite real da ação mecânica da lima.
Quanto mais a anatomia muda de direção, mais o clínico precisa mudar a estratégia.

FAQ — Perguntas frequentes sobre curvaturas em S e tripla curvatura
O que é uma curvatura em S?
É uma anatomia em que o canal muda de direção mais de uma vez, formando uma trajetória semelhante a um S e criando múltiplos pontos de tensão para a lima.
O que é tripla curvatura?
É uma anatomia em que o canal apresenta três mudanças relevantes de direção, muitas vezes em regiões diferentes ou em planos tridimensionais distintos.
Por que curvaturas em S aumentam o risco da instrumentação?
Porque a lima precisa se adaptar a mais de uma mudança de direção, aumentando fadiga cíclica, travamento, transporte, degrau e risco de fratura.
A radiografia mostra sempre curvaturas em S e tripla curvatura?
Não. Algumas curvaturas podem ocorrer em planos que a radiografia periapical não mostra claramente. Radiografias anguladas ou TCFC podem ser úteis em casos selecionados.
O glide path é importante nesses casos?
Sim. Em curvaturas em S e tripla curvatura, o glide path é uma etapa crítica para reduzir travamento, transporte, fadiga e fratura.
Limas flexíveis eliminam o risco em canais com múltiplas curvaturas?
Não. A flexibilidade ajuda, mas não substitui scouting, cateterismo, glide path, irrigação, controle de pressão e leitura anatômica.
Sistemas mecanizados podem ser usados em curvaturas em S?
Podem, desde que sejam indicados com critério e usados com progressão controlada, menor pressão, irrigação frequente e glide path seguro.
Quando considerar TCFC em canais com múltiplas curvaturas?
A TCFC pode ser considerada em casos de anatomia complexa, calcificações, retratamentos, dúvida radiográfica, suspeita de curvatura tridimensional ou risco elevado de acidente.
Qual é o principal erro em canais com curvatura em S?
O principal erro é tratar uma curvatura em S como uma curvatura simples, subestimando os múltiplos pontos de tensão e o risco mecânico.
Qual é a principal mensagem deste artigo?
A principal mensagem é que quanto mais o canal muda de direção, mais a estratégia de instrumentação precisa mudar.
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Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
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Prof. Dr. Marco Aurélio G. Borges



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