Canais ovais, achatados e em C: por que a lima não toca tudo
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- há 3 dias
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Resumo do artigo
A lima endodôntica não toca todas as paredes do sistema de canais radiculares.
Essa frase é simples, mas muda profundamente a forma de planejar a instrumentação.
Em canais circulares e regulares, a lima pode criar uma forma mais previsível. Mas em canais ovais, achatados e em C, a anatomia transversal impõe limites claros à ação mecânica do instrumento.
A lima tende a preparar a região central do canal, mas pode deixar áreas vestibulares, linguais, istmos, reentrâncias e extensões laterais sem contato direto.
Por isso, a pergunta correta não é apenas:
Qual lima devo usar?
A pergunta mais importante é:
Como vou desinfectar as áreas que a lima não toca?
Este é o sétimo artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday e aprofunda um ponto essencial: a instrumentação cria forma, mas a desinfecção depende da integração entre anatomia, irrigação, ativação, tempo químico e estratégia clínica.
Perguntas que este artigo responde
Pergunta | Resposta curta |
A lima toca todas as paredes do canal? | Não. Em canais ovais, achatados e em C, muitas áreas podem permanecer sem contato mecânico. |
O que são canais ovais? | São canais com dimensão maior em um sentido, geralmente vestibulolingual ou mesiodistal, dificultando o contato uniforme da lima. |
O que são canais achatados? | São canais comprimidos em uma dimensão, com extensões laterais que podem não ser tocadas pelo instrumento. |
O que são canais em C? | São anatomias complexas com configuração em forma de C, istmos, reentrâncias e comunicação entre canais. |
Por que essas anatomias são críticas? | Porque aumentam a chance de áreas não instrumentadas e dificultam a desinfecção completa. |
Aumentar o preparo resolve o problema? | Nem sempre. Ampliar demais pode fragilizar a raiz e ainda não tocar todas as áreas. |
A irrigação é mais importante nesses casos? | Sim. A irrigação e sua ativação são fundamentais para alcançar áreas não tocadas pela lima. |
Sistemas mecanizados resolvem canais ovais? | Não sozinhos. Eles ajudam na modelagem, mas precisam ser integrados à irrigação e à estratégia anatômica. |
A TCFC pode ajudar? | Pode ajudar em casos de suspeita de canal em C, anatomia complexa, retratamento ou dúvida radiográfica. |
Qual é a mensagem central do artigo? | A lima prepara o caminho, mas a irrigação precisa chegar onde a lima não toca. |
O que você vai entender neste artigo
Por que a lima não toca todas as paredes do canal.
Como canais ovais e achatados limitam a ação mecânica.
Por que canais em C exigem estratégia além da lima.
Como áreas não instrumentadas interferem na desinfecção.
Por que ampliar demais não é solução universal.
Como a irrigação ganha papel central nessas anatomias.
Por que ativação da irrigação pode ser decisiva.
Como integrar instrumentação, irrigação e obturação.
Quando considerar TCFC em canais complexos.
Como aplicar a lógica EndoToday em canais ovais, achatados e em C.

Introdução
A instrumentação endodôntica é frequentemente associada à ideia de modelar o canal radicular.
Mas o sistema de canais radiculares não é um tubo circular, regular e previsível.
Ele pode apresentar achatamentos, ovalizações, istmos, reentrâncias, ramificações, deltas, comunicações e configurações extremamente complexas.
Entre essas anatomias, três merecem atenção especial:
canais ovais;
canais achatados;
canais em C.
Essas configurações mostram, de forma muito clara, que a lima tem limites.
Mesmo quando a instrumentação parece adequada na radiografia, algumas áreas podem permanecer sem contato mecânico direto.
Isso significa que um canal aparentemente bem preparado pode ainda conter debris, tecido orgânico, biofilme ou áreas pouco afetadas pela ação mecânica.
A radiografia final pode parecer bonita.
Mas a anatomia pode esconder zonas críticas.
Por isso, o raciocínio clínico precisa mudar.
Não basta perguntar se a lima chegou ao comprimento.
É preciso perguntar se a estratégia permitiu irrigar, renovar e desinfectar as áreas que a lima não toca.

Canal radicular não é um círculo perfeito
Um erro comum na seleção de limas é imaginar o canal como uma estrutura circular.
Esse modelo simplificado facilita o entendimento inicial, mas não representa a realidade clínica.
Muitos canais apresentam forma transversal irregular.
Podem ser:
ovais;
achatados;
alongados;
em fita;
em C;
com istmos;
com reentrâncias;
com extensões laterais;
com áreas de difícil acesso;
com comunicação entre canais.
A lima, por sua própria geometria, tende a criar uma forma mais centralizada e arredondada.
Isso pode ser suficiente para criar um caminho de irrigação e obturação, mas não significa que todas as paredes foram tocadas.
Esse ponto é fundamental.
A instrumentação não deve ser interpretada como limpeza total.
Ela é uma etapa de modelagem.
A desinfecção exige uma estratégia maior.

Canais ovais: quando a lima trabalha no centro e deixa extensões laterais
Canais ovais apresentam uma dimensão maior em determinado eixo.
Em muitos casos, a lima prepara principalmente a região central, enquanto extensões vestibulares, linguais, mesiais ou distais permanecem parcialmente intocadas.
Isso é especialmente relevante porque essas áreas podem abrigar:
tecido pulpar remanescente;
debris dentinário;
biofilme;
bactérias persistentes;
smear layer;
material obturador em retratamentos;
resíduos orgânicos.
O problema não é a lima ser ruim.
O problema é a anatomia ser mais ampla do que a área de ação mecânica do instrumento.
Em canais ovais, usar uma lima maior pode aumentar o contato em algumas áreas, mas também pode gerar desgaste excessivo em outras paredes.
Portanto, a solução não é simplesmente ampliar mais.
A solução é pensar melhor.
A pergunta correta é:
Qual forma preciso criar para que a irrigação atue nas áreas que a lima não toca?

Canais achatados: o risco de preparar demais onde não precisa e limpar pouco onde precisa
Canais achatados apresentam uma forma comprimida em um sentido e alongada em outro.
Essa anatomia cria um desafio importante: a lima pode desgastar mais a região central e, ainda assim, não alcançar as extensões achatadas.
Isso pode gerar uma falsa sensação de preparo.
O operador sente que a lima está trabalhando.
A radiografia mostra preenchimento.
Mas parte da anatomia transversal pode continuar pouco tocada.
O risco em canais achatados envolve dois extremos:
preparar pouco, limitando irrigação e desinfecção;
preparar demais, desgastando dentina crítica sem garantir contato completo.
Por isso, o preparo deve ser guiado por equilíbrio.
Em canais achatados, a escolha da lima precisa considerar:
preservação dentinária;
risco de áreas de perigo;
forma transversal;
necessidade de irrigação ativa;
ativação química;
complementação mecânica quando indicada;
obturação compatível com a anatomia.
A lima não deve ser usada para “arredondar” agressivamente uma anatomia que é naturalmente achatada.
Ela deve criar uma forma segura para que a desinfecção seja possível.


Canais em C: quando a anatomia desafia o conceito de canal único
Canais em C representam uma das anatomias mais complexas da Endodontia.
Eles podem apresentar uma configuração contínua ou parcialmente contínua em forma de C, com istmos, reentrâncias, comunicações e variações ao longo da raiz.
Essa anatomia é frequentemente associada a segundos molares inferiores, mas pode ocorrer em outros grupos dentários.
O grande desafio é que o canal em C não se comporta como um canal circular.
Ele pode apresentar:
paredes finas;
áreas achatadas;
istmos;
canais comunicantes;
reentrâncias profundas;
variação da forma ao longo do comprimento;
risco de perfuração;
dificuldade de irrigação;
dificuldade de obturação;
áreas não instrumentadas.
Nesses casos, a instrumentação mecânica isolada é claramente insuficiente.
A escolha da lima deve ser conservadora e integrada a uma estratégia de irrigação e ativação.
Em canal em C, o objetivo não é transformar a anatomia em algo que ela não é.
O objetivo é respeitar a estrutura, criar acesso para irrigação e reduzir carga microbiana com segurança.

Áreas não instrumentadas: o inimigo invisível
O conceito de áreas não instrumentadas é central para entender canais ovais, achatados e em C.
Mesmo após uma instrumentação aparentemente adequada, parte da superfície interna do canal pode permanecer sem contato direto da lima.
Isso significa que a ação mecânica não removeu completamente tecido, debris, biofilme ou contaminantes daquela região.
Essas áreas podem comprometer:
desinfecção;
controle microbiano;
ação do irrigante;
remoção de smear layer;
adaptação da obturação;
prognóstico em casos infectados;
previsibilidade do tratamento.
A grande dificuldade é que essas áreas nem sempre aparecem na radiografia.
A radiografia mostra principalmente forma e preenchimento.
Mas não mostra, com precisão, todas as paredes não tocadas, istmos ou reentrâncias.
Por isso, a radiografia final não deve ser confundida com comprovação de limpeza completa.
A imagem pode mostrar obturação.
Mas a biologia exige desinfecção.

Ampliar mais resolve?
Essa é uma pergunta importante.
Em alguns casos, maior ampliação pode favorecer a irrigação, melhorar a renovação do irrigante e aumentar a capacidade de limpeza apical.
Mas ampliar mais não resolve automaticamente canais ovais, achatados ou em C.
Por quê?
Porque a forma do canal pode continuar irregular mesmo após ampliação.
A lima pode aumentar o diâmetro central e ainda não tocar extensões laterais.
Além disso, ampliar demais pode aumentar riscos como:
desgaste dentinário excessivo;
transporte;
enfraquecimento radicular;
perfuração em áreas críticas;
maior risco em raízes finas;
alteração da trajetória original;
dificuldade restauradora futura.
A ampliação deve ser planejada com objetivo biológico e limite estrutural.
A pergunta correta não é:
Quanto posso ampliar?
A pergunta correta é:
Quanto devo ampliar para favorecer irrigação sem comprometer a raiz?
Essa pergunta protege o dente.

Irrigação: protagonista nas áreas que a lima não toca
Em canais ovais, achatados e em C, a irrigação deixa de ser complemento.
Ela se torna protagonista biológica.
A lima cria forma.
Mas o irrigante precisa penetrar, circular, renovar e agir nas áreas que a lima não alcança mecanicamente.
A irrigação ajuda a:
dissolver tecido orgânico;
reduzir carga microbiana;
remover debris;
atuar em reentrâncias;
alcançar istmos;
limpar áreas não instrumentadas;
reduzir biofilme;
complementar a ação mecânica.
Mas a irrigação também tem limites.
Ela depende de:
volume;
renovação;
profundidade de penetração;
diâmetro apical;
conicidade;
agitação;
tempo de contato;
ativação;
segurança contra extrusão;
anatomia do canal.
Portanto, em anatomias complexas, irrigar não é apenas “colocar solução”.
É construir uma estratégia química dentro de uma anatomia difícil.

Ativação da irrigação: quando a anatomia exige mais energia
A ativação da irrigação pode ser especialmente importante em canais ovais, achatados e em C.
A ativação ajuda a movimentar a solução, favorecer sua renovação e potencializar sua ação em áreas de difícil acesso.
Pode ser realizada por diferentes métodos, como ativação ultrassônica, sônica, sistemas de pressão negativa, agitação manual dinâmica ou outras estratégias disponíveis.
A escolha depende do caso, dos recursos disponíveis e da segurança clínica.
O objetivo é melhorar a ação do irrigante em regiões como:
istmos;
reentrâncias;
extensões ovais;
áreas achatadas;
canais acessórios;
deltas;
áreas não tocadas pela lima.
A ativação não transforma uma anatomia complexa em simples.
Mas pode melhorar a chance de alcançar áreas que a instrumentação mecânica não tocou.
Em canais ovais e em C, ativar a irrigação não é luxo.
É coerência biológica.

Instrumentação e irrigação devem ser planejadas juntas
O erro é pensar primeiro na lima e depois “complementar” com irrigação.
Em anatomias complexas, a instrumentação já deve ser planejada pensando na irrigação.
Isso significa que o clínico precisa decidir:
qual forma criar;
quanto ampliar;
qual conicidade usar;
como preservar dentina;
como permitir penetração do irrigante;
como renovar a solução;
quando ativar;
quanto tempo químico utilizar;
como evitar extrusão;
como obturar a anatomia preparada.
A lima não deve ser escolhida apenas pela capacidade de corte.
Deve ser escolhida pela capacidade de criar uma forma biologicamente útil.
A melhor instrumentação não é a que parece mais rápida.
É a que permite melhor desinfecção com menor dano estrutural.
Obturação em canais ovais, achatados e em C
A obturação também é influenciada pela anatomia transversal.
Canais ovais, achatados e em C podem apresentar dificuldade de adaptação do cone principal, presença de espaços, istmos e áreas que desafiam técnicas simplificadas.
A qualidade da obturação depende de:
preparo anatômico coerente;
desinfecção adequada;
seleção do cone;
cimento obturador;
técnica de obturação;
adaptação à forma transversal;
controle da extensão;
preenchimento de irregularidades;
ausência de espaços críticos.
Mas é importante reforçar:
obturação não corrige desinfecção insuficiente.
Uma obturação radiograficamente satisfatória pode não compensar áreas contaminadas não tratadas adequadamente.
A obturação sela.
Mas antes disso, a biologia precisa ter sido respeitada.

Quando considerar TCFC?
A TCFC pode ser útil em casos selecionados, especialmente quando há suspeita de anatomia complexa.
Ela pode ajudar em situações como:
suspeita de canal em C;
anatomia radicular incomum;
retratamento;
canais não localizados;
raízes fusionadas;
calcificações;
lesões periapicais extensas;
dúvida sobre espessura dentinária;
risco de perfuração;
planejamento de casos complexos.
A tomografia não deve ser banalizada.
Mas pode ser decisiva quando a radiografia periapical não oferece informação suficiente sobre a forma tridimensional do sistema de canais.
Em canais ovais, achatados e em C, entender a anatomia antes de instrumentar pode evitar decisões agressivas e incompletas.

Matriz EndoToday para canais ovais, achatados e em C
Pergunta clínica | Decisão que orienta |
O canal é circular, oval ou achatado? | Define a limitação da ação mecânica. |
Existe suspeita de canal em C? | Define necessidade de cautela e possível TCFC. |
Há istmos ou reentrâncias? | Define importância da irrigação ativa. |
A raiz apresenta paredes finas? | Define limite de ampliação. |
Qual é o diagnóstico? | Define objetivo biológico da desinfecção. |
O canal é infectado ou vital? | Define intensidade da estratégia química. |
A lima tocará todas as paredes? | Define necessidade de complementação. |
Quanto posso ampliar com segurança? | Define equilíbrio entre irrigação e estrutura. |
A irrigação será ativada? | Define alcance químico nas áreas não tocadas. |
A obturação será compatível com a forma? | Define técnica e materiais obturadores. |
quando a lima não toca tudo, a estratégia precisa ir além da lima.
Casos clínicos relacionados no EndoToday
Canais ovais, achatados e em C mostram que a escolha da lima não pode ser separada da anatomia e da irrigação.
Alguns casos clínicos e artigos do EndoToday ajudam a visualizar essa integração entre forma, desinfecção e segurança.
Conteúdo relacionado | O que observar |
Entenda por que a lima cria forma, mas não realiza sozinha a desinfecção. | |
Observe como a anatomia deve ser o primeiro filtro de indicação. | |
Veja como anatomias complexas exigem estratégias específicas. | |
Aprofunde a relação entre diâmetro, irrigação e objetivo biológico. | |
Erros comuns em canais ovais, achatados e em C
1. Acreditar que a lima toca todas as paredes
Esse é o erro central. A anatomia pode deixar áreas sem contato mecânico direto.
2. Ampliar demais tentando compensar a anatomia
Mais desgaste nem sempre significa mais limpeza. Pode significar fragilização.
3. Ignorar a irrigação ativa
Em anatomias complexas, a irrigação precisa ser planejada e, muitas vezes, ativada.
4. Confiar apenas na radiografia final
A radiografia mostra preenchimento, mas não comprova desinfecção completa.
5. Usar a mesma técnica para canais circulares e ovais
Canais ovais exigem raciocínio diferente.
6. Tratar canal em C como canal convencional
O canal em C apresenta istmos e reentrâncias que mudam completamente a estratégia.
7. Não considerar áreas de perigo
Em raízes finas, ampliar agressivamente pode gerar risco estrutural.
8. Ignorar o diagnóstico
Necrose, lesão periapical e retratamento exigem maior atenção à desinfecção.
9. Não renovar o irrigante
A solução precisa ser renovada para manter ação química efetiva.
10. Confundir obturação bonita com canal desinfectado
Obturação adequada é importante, mas não substitui desinfecção.
O que este artigo ensina
Este artigo reforça que:
A lima não toca todas as paredes do sistema de canais.
Canais ovais e achatados limitam a ação mecânica.
Canais em C exigem estratégia além da instrumentação.
Áreas não instrumentadas podem comprometer a desinfecção.
Ampliar mais nem sempre resolve o problema.
Irrigação e ativação são decisivas em anatomias complexas.
A obturação não corrige desinfecção insuficiente.
A TCFC pode ajudar em casos selecionados.
A instrumentação deve criar forma biologicamente útil.
A estratégia deve integrar anatomia, irrigação e preservação.
A principal mensagem é:
A lima prepara o caminho. A irrigação precisa chegar onde a lima não toca.
Como este artigo se conecta à Trilha de Instrumentação Endodôntica
Este é o sétimo artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.
O primeiro artigo mostrou que:
Instrumentar não é limpar.
O segundo artigo mostrou que:
Não existe lima perfeita. Existe indicação perfeita.
O terceiro artigo mostrou que:
Antes da lima, vem a anatomia.
O quarto artigo mostrou que:
o raio da curvatura muda o risco.
O quinto artigo classificou canais em:
retos, suaves, moderados, severos e extremos.
O sexto artigo aprofundou:
curvaturas em S e tripla curvatura.
Este sétimo artigo mostra outro limite anatômico da instrumentação:
a forma transversal do canal.
A partir daqui, a trilha seguirá para áreas de perigo na instrumentação, mostrando que não basta preparar: é preciso saber onde preservar.
Continue na Trilha de Instrumentação Endodôntica |
Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados. |
Artigo anterior |
No artigo anterior, você entendeu por que múltiplas mudanças de direção aumentam os pontos de tensão sobre a lima e exigem uma estratégia mais conservadora. |
Próximo artigo |
No próximo artigo, vamos aprofundar regiões anatômicas onde o desgaste excessivo pode comprometer a estrutura radicular e aumentar o risco de acidente. |
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Conclusão
Canais ovais, achatados e em C mostram o limite real da instrumentação mecânica.
A lima é importante.
Mas ela não toca tudo.
Em anatomias irregulares, extensões laterais, istmos e reentrâncias podem permanecer sem contato direto com o instrumento.
Por isso, a estratégia precisa ir além da lima.
A instrumentação deve criar forma.
A irrigação deve alcançar.
A ativação deve potencializar.
A obturação deve selar.
E o clínico deve integrar tudo isso com raciocínio anatômico e biológico.
Na Endodontia previsível, não basta preparar o canal que a lima toca.
É preciso pensar no sistema que a lima não toca.
EndoToday — Endodontia baseada em raciocínio clínico.
A lima não toca tudo
Canais ovais, achatados e em C mostram que a instrumentação mecânica tem limites anatômicos.
A escolha da lima deve criar forma para que irrigação, ativação e desinfecção alcancem áreas que o instrumento não toca.
Continue na trilha e aprenda a identificar as áreas de perigo onde preservar dentina pode ser mais importante do que ampliar.
A lima prepara o caminho. A irrigação precisa chegar onde a lima não toca.

FAQ — Perguntas frequentes sobre canais ovais, achatados e em C
A lima toca todas as paredes do canal?
Não. Em canais ovais, achatados e em C, muitas áreas podem permanecer sem contato mecânico direto da lima.
O que são canais ovais?
São canais que apresentam dimensão maior em um sentido, geralmente vestibulolingual ou mesiodistal, dificultando o contato uniforme da lima com todas as paredes.
O que são canais achatados?
São canais comprimidos em uma dimensão e alongados em outra, com extensões laterais que podem permanecer pouco ou nada instrumentadas.
O que são canais em C?
São anatomias complexas com configuração em forma de C, istmos, reentrâncias, comunicações e grande variação morfológica ao longo da raiz.
Por que canais ovais, achatados e em C são críticos?
Porque podem apresentar áreas não instrumentadas, dificultando a remoção de tecido, debris, biofilme e contaminantes.
Ampliar mais resolve o problema?
Nem sempre. Ampliar demais pode fragilizar a raiz e ainda não tocar todas as áreas da anatomia irregular.
A irrigação é mais importante nesses casos?
Sim. A irrigação e sua ativação são fundamentais para alcançar áreas que a lima não toca diretamente.
A obturação corrige áreas mal desinfectadas?
Não. A obturação pode selar o sistema, mas não corrige uma desinfecção insuficiente.
Quando considerar TCFC?
A TCFC pode ser considerada em casos de suspeita de canal em C, anatomia complexa, retratamento, raízes fusionadas, calcificações ou dúvida sobre espessura dentinária.
Qual é a principal mensagem deste artigo?
A principal mensagem é que a lima prepara o caminho, mas a irrigação precisa chegar onde a lima não toca.
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Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
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