Áreas de perigo na instrumentação endodôntica: onde preservar dentina pode ser mais importante do que ampliar
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges
- há 16 horas
- 14 min de leitura
Nem todo desgaste é preparo. Em algumas regiões, preservar é o que protege o dente.

Resumo do artigo
Na instrumentação endodôntica, ampliar mais nem sempre significa preparar melhor.
Existem regiões anatômicas em que o desgaste excessivo pode comprometer a estrutura radicular, aumentar o risco de perfuração, fragilizar o dente e prejudicar o prognóstico.
Essas regiões são conhecidas como áreas de perigo.
Elas aparecem especialmente em raízes finas, canais curvos, canais achatados, zonas próximas à furca, raízes mesiais de molares inferiores, raízes vestibulares de molares superiores, canais em C e anatomias com paredes dentinárias assimétricas.
A pergunta correta não é apenas:
Até onde posso ampliar?
A pergunta mais importante é:
Onde não devo desgastar?
Este é o oitavo artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday e aprofunda um princípio essencial: a instrumentação segura não depende apenas da capacidade de cortar dentina, mas da capacidade de preservar dentina crítica.
Perguntas que este artigo responde
Pergunta | Resposta curta |
O que são áreas de perigo na instrumentação? | São regiões anatômicas onde o desgaste excessivo pode causar fragilização, transporte ou perfuração. |
Por que as áreas de perigo são importantes? | Porque limitam a ampliação e exigem preservação dentinária durante o preparo. |
Onde elas aparecem com frequência? | Em regiões próximas à furca, raízes finas, canais curvos, canais achatados e raízes mesiais de molares inferiores. |
Ampliar mais sempre melhora a limpeza? | Não. Ampliar demais pode comprometer a estrutura radicular sem garantir melhor desinfecção. |
A conicidade influencia o risco? | Sim. Tapers maiores podem aumentar desgaste dentinário em áreas críticas. |
Sistemas mecanizados aumentam esse risco? | Podem aumentar se usados sem análise anatômica, glide path e controle de conicidade. |
O preparo anticurvatura ajuda? | Sim, quando bem indicado, pode reduzir desgaste em paredes críticas. |
A TCFC pode ajudar? | Sim, em casos com raízes finas, anatomia complexa, retratamentos ou suspeita de risco estrutural. |
Como reduzir o risco em áreas de perigo? | Com leitura anatômica, menor taper, irrigação ativa, instrumentos adequados e controle do desgaste. |
Qual é a mensagem central do artigo? | O melhor preparo não é o maior; é o mais coerente com a anatomia. |
O que você vai entender neste artigo
O que são áreas de perigo na instrumentação endodôntica.
Por que preservar dentina pode ser mais importante do que ampliar.
Como a anatomia radicular define limites de desgaste.
Por que a zona de furca exige atenção especial.
Como taper, conicidade e preparo cervical influenciam o risco.
Por que canais curvos, ovais, achatados e em C aumentam a complexidade.
Como o preparo anticurvatura pode ajudar em casos selecionados.
Quando considerar TCFC para avaliar espessura dentinária.
Como integrar preservação dentinária, irrigação e desinfecção.
Como aplicar a lógica EndoToday nas áreas de perigo.

Introdução
A instrumentação endodôntica tem um objetivo claro: criar uma forma que favoreça irrigação, desinfecção e obturação.
Mas essa forma não pode ser criada a qualquer custo.
Em alguns canais, ampliar demais pode ser tão perigoso quanto ampliar de menos.
A dentina radicular não é distribuída de maneira uniforme. Algumas paredes são mais espessas; outras, mais finas. Algumas regiões suportam melhor o preparo; outras estão próximas da furca, apresentam concavidades externas ou possuem risco aumentado de perfuração.
Essas regiões são chamadas de áreas de perigo.
O problema é que a lima não sabe onde está a furca.
A lima não interpreta espessura dentinária.
A lima não reconhece uma parede crítica.
Ela apenas corta.
Quem precisa decidir onde cortar, quanto cortar e onde preservar é o clínico.
Por isso, em Endodontia, a pergunta mais importante nem sempre é:
Qual lima prepara melhor?
Às vezes, a pergunta mais importante é:
Qual estratégia preserva melhor?

O que são áreas de perigo?
Áreas de perigo são regiões anatômicas em que o desgaste dentinário excessivo pode comprometer a estrutura radicular.
Essas áreas podem estar relacionadas a:
paredes dentinárias finas;
concavidades externas da raiz;
proximidade com furca;
achatamento radicular;
curvaturas;
canais ovais;
canais em C;
raízes fusionadas;
raízes mesiais de molares inferiores;
raízes vestibulares de molares superiores;
retratamentos;
desgastes prévios;
perfurações antigas;
anatomias assimétricas.
Nessas regiões, a instrumentação precisa ser planejada com maior cautela.
O objetivo não é apenas criar espaço.
É criar espaço sem comprometer a raiz.
A área de perigo impõe um limite anatômico ao preparo.
Quando esse limite é ignorado, o risco aumenta.
Por que preservar dentina é parte do tratamento?
A Endodontia não termina na obturação.
O dente precisa continuar funcionando.
Isso significa que a instrumentação deve considerar também o futuro restaurador e a resistência estrutural do elemento dental.
Remover dentina demais pode aumentar o risco de:
enfraquecimento radicular;
perfuração;
transporte;
trinca;
fratura vertical;
dificuldade restauradora;
redução do prognóstico;
comprometimento periodontal em caso de perfuração;
perda do dente.
A desinfecção é essencial.
Mas a preservação estrutural também é.
A instrumentação segura busca equilíbrio entre:
acesso à irrigação;
redução microbiana;
remoção de debris;
preparo para obturação;
preservação dentinária;
manutenção do prognóstico.
A melhor instrumentação não é a que remove mais dentina.
É a que remove o necessário, no lugar correto, pelo motivo correto.

Zona de furca: uma das principais áreas de perigo
A região de furca merece atenção especial, principalmente em molares.
Em raízes mesiais de molares inferiores, por exemplo, a parede voltada para a furca pode ser mais fina e vulnerável. O desgaste excessivo nessa região pode aumentar risco de strip perforation, fragilização radicular e comprometimento periodontal.
Essa área é crítica porque muitas vezes o canal apresenta curvatura, achatamento ou concavidade externa.
Quando o instrumento trabalha de forma agressiva contra a parede voltada para furca, o risco aumenta.
Por isso, nesses casos, o clínico deve considerar:
análise radiográfica cuidadosa;
conhecimento anatômico do grupo dental;
controle do preparo cervical;
uso criterioso de conicidade;
menor desgaste em paredes críticas;
preparo anticurvatura quando indicado;
irrigação ativa para compensar menor desgaste;
TCFC em casos complexos;
atenção em retratamentos.
A furca não perdoa excesso de desgaste.
E a perfuração em furca pode comprometer drasticamente o prognóstico.
Raízes mesiais de molares inferiores: atenção máxima
As raízes mesiais de molares inferiores são um exemplo clássico de anatomia que exige cautela.
Elas frequentemente apresentam:
dois canais;
achatamento mesiodistal;
concavidade radicular externa;
proximidade com furca;
paredes dentinárias assimétricas;
curvaturas;
istmos;
comunicação entre canais;
risco de desgaste em parede crítica.
Nesses casos, a instrumentação não deve ser planejada apenas para ampliar o canal.
Ela deve considerar onde a dentina deve ser preservada.
A seleção da lima, o taper, a profundidade do preparo cervical e a estratégia de ampliação apical precisam respeitar essa anatomia.
Um preparo aparentemente eficiente pode ser estruturalmente agressivo.
E, em áreas de perigo, eficiência sem preservação pode se transformar em acidente.

Conicidade e taper: quando o sistema pode remover mais do que o necessário
A conicidade da lima influencia diretamente a quantidade de dentina removida.
Instrumentos com maior taper podem criar maior alargamento, facilitar irrigação e obturação em alguns casos, mas também podem aumentar o desgaste dentinário em regiões críticas.
Em áreas de perigo, taper elevado pode aumentar o risco de:
desgaste excessivo;
fragilização;
transporte;
retificação;
strip perforation;
redução da resistência radicular;
comprometimento da parede voltada para furca.
Isso não significa que tapers maiores sejam sempre inadequados.
Significa que devem ser indicados.
A pergunta correta é:
Qual taper esta anatomia permite com segurança?
E não:
Qual taper o sistema oferece?
Essa diferença é essencial.
A conicidade deve responder à anatomia, não ao hábito do operador.

Preparo cervical: alívio ou risco?
O preparo cervical pode facilitar o acesso aos terços médio e apical, reduzir interferências coronárias, melhorar a sensibilidade tátil e favorecer a instrumentação.
Mas, quando realizado sem critério, também pode aumentar o desgaste em áreas críticas.
Em canais com paredes finas, concavidade externa ou proximidade com furca, o preparo cervical deve ser cuidadosamente planejado.
O risco aumenta quando há:
uso agressivo de instrumentos de alargamento;
falta de conhecimento anatômico;
direção inadequada do desgaste;
ausência de radiografias anguladas;
retratamento;
raízes finas;
canais achatados;
molares com concavidades radiculares importantes.
O preparo cervical não é errado.
Errado é realizar preparo cervical sem respeitar a anatomia.
O objetivo não é abrir espaço indiscriminadamente.
É remover interferências sem comprometer dentina crítica.

Preparo anticurvatura: conceito de preservação estratégica
O preparo anticurvatura é uma estratégia clássica para reduzir desgaste em paredes críticas, especialmente em raízes com risco próximo à furca.
A lógica é direcionar o desgaste de forma mais segura, preservando a parede mais vulnerável.
Esse conceito é especialmente importante em canais curvos e em raízes com concavidades externas.
O preparo anticurvatura ajuda a:
reduzir desgaste na parede de perigo;
preservar dentina voltada para furca;
melhorar segurança estrutural;
controlar a direção da instrumentação;
diminuir risco de strip perforation.
Mas precisa ser aplicado com critério.
Não é uma manobra automática.
Depende de:
anatomia;
grupo dental;
espessura dentinária;
curvatura;
localização do canal;
objetivo do preparo;
instrumento utilizado;
experiência clínica.
A ideia central é simples:
não basta saber onde desgastar; é preciso saber onde não desgastar.

Canais ovais, achatados e em C: áreas de perigo e áreas não tocadas
No artigo anterior, discutimos que a lima não toca tudo em canais ovais, achatados e em C.
Agora acrescentamos outro ponto: além de não tocar todas as áreas, a lima pode desgastar demais regiões que não deveriam ser excessivamente ampliadas.
Essa é uma combinação crítica.
Em canais ovais e achatados, tentar arredondar agressivamente a anatomia pode levar a desgaste excessivo em paredes finas.
Em canais em C, a anatomia pode apresentar istmos, reentrâncias e paredes delicadas, exigindo instrumentação conservadora e irrigação ativa.
Nesses casos, a solução não é simplesmente aumentar o preparo.
A solução é equilibrar:
preservação;
irrigação;
ativação;
desinfecção;
obturação;
estrutura radicular.
Quando a lima não toca tudo, a irrigação precisa trabalhar mais.
Quando a parede é fina, a lima precisa desgastar menos.
Essa é a lógica.

Retratamento: quando a área de perigo já foi modificada
Em retratamentos, o risco nas áreas de perigo pode ser ainda maior.
Isso acontece porque a anatomia original pode já ter sido modificada por:
preparo anterior;
desgaste excessivo;
transporte;
degrau;
remoção de material obturador;
uso prévio de instrumentos agressivos;
perfuração anterior;
perda de dentina;
desgaste para pino;
alteração do trajeto original.
O canal retratado não deve ser interpretado como canal virgem.
Ele precisa ser reavaliado.
Em retratamentos, o clínico deve perguntar:
quanto de dentina já foi removido?
há sinal de transporte?
há risco de perfuração?
a parede voltada para furca está preservada?
há degrau ou desvio?
preciso de TCFC?
posso ampliar com segurança?
a irrigação pode compensar uma ampliação mais conservadora?
Em retratamento, preservar pode ser ainda mais importante do que ampliar.

TCFC: quando a espessura dentinária precisa ser melhor compreendida
A TCFC pode ser útil em casos selecionados, especialmente quando há dúvida sobre anatomia tridimensional, espessura dentinária ou risco de perfuração.
Ela pode ajudar em situações como:
raízes finas;
suspeita de área de perigo;
retratamentos;
canais em C;
raízes fusionadas;
perfuração suspeita;
alteração anatômica;
canais calcificados;
curvaturas complexas;
planejamento de remoção de pino;
relação com furca;
dúvida sobre parede dentinária crítica.
A TCFC não deve ser solicitada sem critério.
Mas pode ser decisiva quando a radiografia periapical não é suficiente para avaliar o risco estrutural.
A melhor decisão depende da melhor leitura anatômica possível.

Como reduzir riscos em áreas de perigo
A prevenção começa antes da instrumentação mecanizada.
Risco | Estratégia preventiva |
Desgaste excessivo | Controlar taper e profundidade de preparo |
Perfuração em furca | Preservar parede crítica e considerar anticurvatura |
Transporte | Usar instrumentos compatíveis com a anatomia |
Fragilização radicular | Evitar ampliação sem justificativa biológica |
Retificação da curvatura | Priorizar flexibilidade e menor pressão |
Strip perforation | Conhecer concavidades e espessura dentinária |
Erro em retratamento | Reavaliar anatomia modificada |
Parede fina | Usar estratégia conservadora e irrigação ativa |
Canal em C | Instrumentação cuidadosa e ativação da irrigação |
Dúvida anatômica | Considerar radiografias anguladas ou TCFC |
O princípio é claro:
quanto menor a margem anatômica, maior deve ser a precisão clínica.

Matriz EndoToday para áreas de perigo
Pergunta clínica | Decisão que orienta |
Existe parede voltada para furca? | Define risco de desgaste crítico. |
A raiz é fina ou achatada? | Define limite de ampliação. |
O canal é curvo? | Define risco de transporte e retificação. |
Existe concavidade externa? | Define possibilidade de área de perigo. |
O canal é oval, achatado ou em C? | Define necessidade de preservar e irrigar melhor. |
O caso é retratamento? | Define necessidade de reavaliar dentina remanescente. |
Qual taper é seguro? | Define conicidade de preparo. |
Preciso de preparo cervical? | Define benefício versus risco. |
A radiografia é suficiente? | Define necessidade de TCFC. |
Onde não devo desgastar? | Define a estratégia final. |
Essa matriz resume a essência deste artigo:
instrumentar bem não é apenas saber cortar. É saber preservar.
Casos clínicos relacionados no EndoToday
As áreas de perigo aparecem principalmente quando a anatomia impõe limites ao desgaste dentinário.
Alguns conteúdos do EndoToday se conectam diretamente com este tema:
Conteúdo relacionado | O que observar |
Entenda como anatomias irregulares limitam a ação mecânica e exigem preservação. | |
Observe como a curvatura aumenta risco de transporte e desgaste inadequado. | |
Veja como a classificação anatômica orienta o risco. | |
Observe como anatomias previamente modificadas exigem mais cautela. | |

Erros comuns em áreas de perigo
1. Ampliar sem avaliar a espessura dentinária
O canal pode aceitar a lima, mas a raiz pode não aceitar o desgaste.
2. Usar taper elevado por rotina
A conicidade precisa ser indicada pela anatomia, não pelo hábito.
3. Ignorar a parede voltada para furca
Essa é uma das principais regiões de risco em molares.
4. Fazer preparo cervical agressivo
O preparo cervical deve aliviar interferências, não fragilizar a raiz.
5. Tratar retratamento como caso inicial
A anatomia já pode ter sido modificada.
6. Tentar arredondar canais achatados
Isso pode desgastar demais paredes críticas sem tocar todas as áreas.
7. Ignorar canais em C
A anatomia em C exige cautela, irrigação ativa e preservação.
8. Confiar apenas na radiografia periapical
A radiografia pode não mostrar concavidades e espessura dentinária real.
9. Confundir maior preparo com melhor preparo
Maior preparo pode significar maior risco estrutural.
10. Esquecer que o dente precisa ser restaurado depois
A Endodontia deve preservar o dente para sua função futura.
O que este artigo ensina
Este artigo reforça que:
Áreas de perigo limitam a instrumentação.
Preservar dentina é parte do tratamento.
A zona de furca exige atenção especial.
Raízes finas e achatadas não toleram desgaste excessivo.
Taper e conicidade precisam ser indicados.
Preparo cervical pode ajudar ou prejudicar.
Anticurvatura é uma estratégia de preservação.
Retratamentos exigem reavaliação da anatomia.
TCFC pode ajudar em casos selecionados.
O melhor preparo é o mais coerente com a anatomia.
A principal mensagem é:
O melhor preparo não é o maior. É o mais seguro para aquele dente.
Como este artigo se conecta à Trilha de Instrumentação Endodôntica
Este é o oitavo artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.
O primeiro artigo mostrou que:
Instrumentar não é limpar.
O segundo artigo mostrou que:
Não existe lima perfeita. Existe indicação perfeita.
O terceiro artigo mostrou que:
Antes da lima, vem a anatomia.
O quarto artigo mostrou que:
o raio da curvatura muda o risco.
O quinto artigo classificou canais em:
retos, suaves, moderados, severos e extremos.
O sexto artigo aprofundou:
curvaturas em S e tripla curvatura.
O sétimo artigo mostrou que:
a lima não toca tudo em canais ovais, achatados e em C.
Este oitavo artigo acrescenta outro limite fundamental:
não basta saber onde ampliar. É preciso saber onde preservar.
A partir daqui, a trilha seguirá para limas manuais, scouting, cateterismo e glide path — etapas fundamentais para reconhecer o canal antes da instrumentação mecanizada.
Continue na Trilha de Instrumentação Endodôntica |
Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados. |
Artigo anterior |
No artigo anterior, você entendeu por que a forma transversal do canal limita a ação mecânica da lima e exige irrigação ativa |
Próximo artigo |
No próximo artigo, vamos mostrar por que as limas manuais continuam indispensáveis para leitura anatômica, exploração, cateterismo, negociação e segurança antes da mecanização. |
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Conclusão
Áreas de perigo mostram que a instrumentação endodôntica não deve ser guiada apenas pela capacidade de ampliar.
Deve ser guiada também pela necessidade de preservar.
Em determinadas regiões, especialmente próximas à furca, em raízes finas, canais achatados, canais em C e retratamentos, o excesso de desgaste pode comprometer o prognóstico.
A lima corta.
Mas o clínico precisa decidir onde ela deve cortar menos.
A segurança está no equilíbrio entre desinfecção e preservação.
Ampliar pode ser necessário.
Mas preservar pode ser decisivo.
Na instrumentação endodôntica, o preparo ideal não é o maior.
É o preparo que respeita a anatomia, favorece a biologia e preserva o dente.
EndoToday — Endodontia baseada em raciocínio clínico.

Preservar dentina também é tratar
A instrumentação segura não é apenas chegar ao comprimento de trabalho.
É saber onde ampliar, quanto ampliar e onde não desgastar.
Continue na trilha e entenda por que as limas manuais continuam indispensáveis na Endodontia moderna, mesmo diante dos sistemas mecanizados.
O melhor preparo não é o maior. É o mais coerente com a anatomia.

FAQ — Perguntas frequentes sobre áreas de perigo na instrumentação endodôntica
O que são áreas de perigo na instrumentação endodôntica?
São regiões anatômicas onde o desgaste excessivo pode comprometer a estrutura radicular, aumentando risco de perfuração, fragilização, transporte ou redução do prognóstico.
Por que preservar dentina é importante na Endodontia?
Porque o dente precisa permanecer funcional e restaurável após o tratamento. Remover dentina demais pode aumentar risco de fratura, perfuração e falha estrutural.
Onde estão as principais áreas de perigo?
Elas aparecem com frequência em regiões próximas à furca, raízes finas, raízes mesiais de molares inferiores, canais achatados, canais em C e anatomias com paredes dentinárias assimétricas.
A conicidade da lima influencia o risco?
Sim. Instrumentos com maior conicidade podem remover mais dentina e aumentar o risco em paredes finas ou áreas próximas à furca.
O preparo cervical pode ser perigoso?
Pode, se realizado de forma agressiva ou sem análise anatômica. O preparo cervical deve aliviar interferências sem fragilizar a raiz.
O que é preparo anticurvatura?
É uma estratégia para direcionar o desgaste para regiões mais seguras, preservando paredes críticas, especialmente em raízes com risco próximo à furca.
Ampliar mais sempre melhora o tratamento?
Não. Ampliar demais pode fragilizar a raiz e aumentar risco de perfuração sem necessariamente melhorar a desinfecção.
A TCFC pode ajudar nas áreas de perigo?
Sim. Em casos selecionados, a TCFC pode ajudar a avaliar espessura dentinária, concavidades, raízes finas, retratamentos e risco de perfuração.
Como reduzir o risco de perfuração em áreas de perigo?
Com leitura anatômica, controle de taper, preparo conservador, irrigação ativa, instrumentos adequados, radiografias anguladas e TCFC quando indicada.
Qual é a principal mensagem deste artigo?
A principal mensagem é que o melhor preparo não é o maior, mas o mais seguro e coerente com a anatomia do dente.
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Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
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