Anatomia do canal radicular e seleção de limas
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- há 4 horas
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Antes de escolher o sistema, entenda o canal.
Resumo do artigo
A escolha da lima endodôntica não deve começar pela marca, pelo sistema ou pela preferência do operador. Deve começar pela anatomia do canal radicular.
Antes de decidir entre sistema rotatório, reciprocante ou alternado, o clínico precisa compreender a forma do canal, o tipo de curvatura, o raio da curvatura, o diâmetro inicial, a presença de canais ovais, achatados ou em C, as áreas de perigo e o risco de desgaste dentinário.
A anatomia não é um detalhe técnico. Ela é o primeiro filtro de indicação.
Um canal reto e amplo permite uma estratégia. Um canal curvo, estreito ou achatado exige outra. Um canal em C, uma curvatura em S ou uma anatomia severamente irregular muda completamente o raciocínio clínico.
Por isso, a pergunta correta não é:
Qual lima eu gosto de usar?
A pergunta correta é:
Qual instrumento esta anatomia permite e exige?
Este é o terceiro artigo da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday e aprofunda o primeiro critério real para a indicação de limas: a anatomia do canal radicular.
Pergunta | Resposta curta |
A anatomia influencia a escolha da lima? | Sim. A anatomia é o primeiro critério para indicar limas e sistemas endodônticos. |
Por que não devo escolher a lima pela marca? | Porque a marca não interpreta curvatura, diâmetro, risco anatômico nem objetivo biológico. |
Canais retos e curvos exigem a mesma lima? | Não. Canais curvos exigem maior atenção à flexibilidade, conicidade, glide path e risco de fadiga. |
O raio da curvatura é importante? | Sim. Curvaturas abruptas e de pequeno raio aumentam o risco de transporte, degrau e fratura. |
Canais ovais são totalmente preparados pela lima? | Não. Em canais ovais, a lima pode tocar apenas parte das paredes, exigindo irrigação ativa. |
Canais em C mudam a estratégia? | Sim. Eles apresentam anatomia complexa, istmos e reentrâncias que limitam a ação mecânica. |
O diâmetro inicial influencia a seleção da lima? | Sim. A lima apical inicial ajuda a entender o calibre anatômico e a necessidade de glide path. |
Áreas de perigo devem mudar a instrumentação? | Sim. Elas limitam a conicidade, a ampliação e o desgaste dentinário. |
A TCFC pode ajudar na seleção de limas? | Sim, em casos selecionados, especialmente com anatomia complexa, calcificações ou retratamentos. |
Qual é a mensagem principal do artigo? | Antes de escolher a lima, o clínico precisa compreender o canal. |
Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados. |
Artigo anterior |
No artigo anterior, você entendeu por que a escolha do sistema não deve nascer da marca ou da preferência pessoal, mas da indicação anatômica, biológica e mecânica do caso. |
Próximo artigo |
Curvatura radicular: por que o raio importa na instrumentação endodôntica |
No próximo artigo, vamos aprofundar um dos pontos mais importantes da anatomia: a curvatura. Mais do que o ângulo, o raio da curvatura pode definir o risco mecânico do preparo. |
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O que você vai entender neste artigo
Por que a anatomia deve vir antes da marca da lima.
Como a forma do canal influencia a seleção do sistema.
Por que canais retos, curvos, ovais e em C exigem estratégias diferentes.
Como o raio da curvatura modifica o risco mecânico.
Por que a lima apical inicial orienta o planejamento.
Como áreas de perigo limitam a ampliação e a conicidade.
Quando a TCFC pode ajudar na decisão.
Como conectar anatomia, instrumentação e irrigação.
Como aplicar a lógica EndoToday na seleção de limas.
Como este artigo se conecta aos próximos posts da trilha.

Introdução
A escolha da lima endodôntica começa antes da lima.
Começa na leitura da anatomia.
Na prática clínica, é comum que o profissional pense primeiro no sistema: qual lima usar, qual sequência seguir, qual motor programar, qual conicidade escolher, qual instrumento chegará ao comprimento de trabalho.
Mas essa ordem pode ser perigosa.
O sistema não deve ser o ponto de partida. Ele deve ser a consequência de uma análise clínica.
A anatomia do canal radicular define o risco, limita a instrumentação, orienta o glide path, interfere na irrigação, condiciona a obturação e influencia o prognóstico.
Quando o clínico ignora a anatomia, ele transforma a lima em protagonista.
Quando compreende a anatomia, transforma a lima em ferramenta.
Essa diferença muda tudo.
Porque a lima não decide. A lima executa.
Quem decide é a anatomia interpretada pelo clínico.
A anatomia é o primeiro filtro de indicação
No artigo anterior, discutimos que não existe lima perfeita; existe indicação perfeita.
Agora precisamos aprofundar a primeira pergunta dessa indicação:
Que anatomia estou tratando?
Antes de escolher qualquer sistema, é preciso avaliar:
grupo dental;
número provável de canais;
forma da câmara pulpar;
direção das raízes;
curvatura radicular;
raio da curvatura;
diâmetro inicial do canal;
forma transversal;
canais ovais ou achatados;
canais em C;
calcificações;
presença de istmos;
áreas de perigo;
espessura dentinária;
possibilidade de bifurcações;
histórico de retratamento;
presença de degraus ou desvios;
necessidade de TCFC em casos selecionados.
Essa avaliação não é excesso de cuidado.
É o início da segurança clínica.
A anatomia mostra até onde a lima pode ir, como ela deve trabalhar e quais riscos precisam ser evitados.
A escolha da lima sem análise anatômica é uma decisão incompleta.
E, em Endodontia, decisão incompleta pode gerar transporte, degrau, fratura, perfuração, desgaste excessivo ou desinfecção insuficiente.

Canal radicular não é tubo redondo
Um dos maiores erros conceituais na instrumentação é imaginar o canal como um tubo circular e uniforme.
Ele não é.
O canal radicular pode ser:
circular;
oval;
achatado;
irregular;
em fita;
em C;
com istmos;
com reentrâncias;
com ramificações;
com deltas;
com curvaturas múltiplas;
com áreas de achatamento mesiodistal ou vestibulolingual.
A lima, por sua própria natureza, tende a preparar uma forma mais centralizada e relativamente arredondada.
Isso significa que, em muitos casos, ela não toca todas as paredes.
Esse ponto é essencial.
Se a lima não toca tudo, a seleção do sistema precisa considerar não apenas a capacidade de corte, mas também a forma que será criada para permitir irrigação eficiente.
Por isso, a instrumentação não deve ser vista como limpeza completa.
Ela é modelagem anatômica orientada para desinfecção.
A anatomia define o que a lima consegue fazer.
E também revela o que ela não consegue fazer.

Canais retos: menor complexidade não significa ausência de risco
Canais retos e amplos costumam permitir maior liberdade na seleção de sistemas.
Em geral, o clínico pode utilizar instrumentos com maior eficiência de corte, sequências mais previsíveis e ampliação mais direta.
Mas isso não significa que o caso seja livre de risco.
Um canal reto ainda pode apresentar:
achatamento;
istmos;
diâmetro amplo;
paredes finas;
lesão periapical;
anatomia apical irregular;
risco de extrusão;
necessidade de controle de irrigação;
necessidade de preservação dentinária.
Reto não significa simples.
Reto significa que o risco mecânico da curvatura é menor.
Mas o risco biológico, anatômico e estrutural continua existindo.
Em canais retos, o erro comum é o excesso de confiança.
A liberdade de instrumentação pode levar a desgastes desnecessários.
A pergunta deve ser:
Quanto preciso ampliar para favorecer irrigação, sem comprometer estrutura?
Não:
Quanto o sistema permite ampliar?
Canais curvos: a anatomia começa a comandar a escolha
Quando o canal apresenta curvatura, a seleção da lima muda.
A curvatura aumenta o estresse sobre o instrumento e modifica o risco clínico.
Em canais curvos, o profissional precisa considerar:
flexibilidade da liga;
conicidade;
diâmetro do instrumento;
seção transversal;
desenho da ponta;
cinemática;
glide path;
pressão apical;
torque;
velocidade;
número de usos;
irrigação frequente;
patência e recapitulação;
manutenção da trajetória original.
A pergunta deixa de ser apenas “qual sistema corta bem?” e passa a ser:
Qual instrumento consegue respeitar esta curvatura sem deformar o canal?
Esse é o ponto-chave.
Em canais curvos, a lima precisa trabalhar com segurança, não com agressividade.
Instrumentar um canal curvo não é demonstrar força técnica.
É demonstrar respeito anatômico.

O raio da curvatura pode ser mais importante que o ângulo
Muitos profissionais avaliam a curvatura apenas pelo ângulo.
Mas o risco mecânico também depende do raio.
Uma curvatura de mesmo ângulo pode ser muito diferente dependendo de como ela se distribui ao longo da raiz.
Uma curvatura longa, gradual e de raio amplo tende a distribuir melhor a tensão.
Uma curvatura curta, abrupta e de pequeno raio concentra estresse em uma região específica do instrumento.
Isso aumenta o risco de:
fadiga cíclica;
travamento;
transporte apical;
formação de degrau;
fratura;
perda da centralização;
deformação da anatomia original.
Por isso, dois canais com o mesmo grau de curvatura podem exigir limas diferentes.
A radiografia pode mostrar uma curvatura parecida.
Mas a anatomia pode impor riscos completamente distintos.
O ângulo mostra parte do problema.
O raio revela a intensidade do risco.

Canais ovais e achatados: a lima prepara, mas não toca tudo
Canais ovais e achatados são uma das melhores demonstrações de que a anatomia deve comandar a instrumentação.
Nesses casos, a lima pode preparar bem a região central do canal, mas deixar extensões vestibulares, linguais ou proximais sem contato mecânico direto.
Isso significa que a seleção da lima deve ser acompanhada de uma estratégia de irrigação mais consciente.
Em canais ovais, o objetivo não é imaginar que a lima fará tudo.
O objetivo é criar uma forma que permita:
penetração do irrigante;
renovação da solução;
ação química;
ativação;
remoção de debris;
redução microbiana;
obturação compatível com a anatomia.
O erro seria escolher um sistema apenas pela eficiência de corte e ignorar as áreas não tocadas.
A pergunta correta é:
Como vou desinfectar o que a lima não alcança?
Essa pergunta muda o preparo.
E muda o prognóstico.

Canais em C: anatomia complexa exige humildade clínica
Canais em C representam um desafio anatômico importante.
Eles podem apresentar comunicação entre canais, istmos, reentrâncias, paredes finas e grande variação morfológica.
Nessa anatomia, a ideia de que um instrumento vai preparar tudo de maneira uniforme é ilusória.
A instrumentação precisa ser conservadora e estratégica.
O clínico deve considerar:
risco de desgaste excessivo;
limitação da ação mecânica;
necessidade de irrigação ativa;
possibilidade de áreas não instrumentadas;
fragilidade estrutural;
variação anatômica ao longo da raiz;
necessidade de magnificação;
possível indicação de TCFC;
maior cuidado na obturação.
Canais em C ensinam uma lição importante:
quanto mais complexa a anatomia, menos a lima pode ser tratada como solução única.
A seleção do instrumento deve ser parte de uma estratégia maior.

Áreas de perigo: onde a anatomia impõe limites
A instrumentação não deve apenas alcançar o comprimento de trabalho.
Ela deve preservar dentina crítica.
Áreas de perigo são regiões onde o desgaste excessivo pode comprometer a estrutura radicular ou aumentar risco de perfuração.
Em molares inferiores, por exemplo, a parede distal das raízes mesiais pode representar uma região crítica. Em outros dentes, diferentes áreas de adelgaçamento dentinário também precisam ser respeitadas.
Quando existe área de perigo, a escolha da lima deve considerar:
menor conicidade;
controle do preparo cervical;
preservação da parede crítica;
direção segura de desgaste;
irrigação ativa para compensar menor desgaste;
atenção ao risco de transporte;
cuidado com instrumentos muito agressivos;
análise radiográfica e, quando indicado, tomográfica.
O erro é pensar apenas em ampliar.
O acerto é saber onde não desgastar.
Em Endodontia, preservar também é tratar.

Diâmetro inicial e lima apical inicial
A lima apical inicial ajuda o clínico a compreender o calibre anatômico do canal.
Ela não deve ser vista apenas como uma etapa técnica.
Ela é uma informação diagnóstica da anatomia interna.
Um canal em que uma lima fina encontra resistência logo no início exige uma estratégia diferente de um canal em que a lima progride com facilidade.
A lima apical inicial pode ajudar a orientar:
necessidade de scouting;
necessidade de cateterismo;
necessidade de glide path;
risco de travamento;
seleção da sequência;
ampliação apical;
limite de preparo;
estratégia de irrigação;
escolha do cone;
previsibilidade da obturação.
A pergunta não é apenas:
Qual lima chegou primeiro?
A pergunta é:
O que essa lima me informa sobre o canal?
Essa mudança transforma uma etapa mecânica em raciocínio clínico.

Calcificações: quando a seleção começa pela negociação
Em canais calcificados, a escolha do sistema principal não deve acontecer cedo demais.
A prioridade inicial é localizar, negociar e criar caminho.
Canais calcificados exigem:
acesso bem orientado;
magnificação quando disponível;
ultrassom em casos selecionados;
limas manuais finas;
pré-curvatura;
lubrificação;
movimentos controlados;
paciência clínica;
radiografias em diferentes angulações;
TCFC quando indicada;
criação progressiva do glide path.
Nesses casos, a indicação da lima principal depende da negociação prévia.
O instrumento mecanizado não deve ser usado para “forçar” a anatomia.
Ele deve entrar quando o caminho foi compreendido.
Em canal calcificado, a pressa pode transformar dificuldade em acidente.

TCFC: quando a anatomia precisa ser vista em três dimensões
A radiografia periapical continua sendo fundamental na Endodontia.
Mas ela é uma imagem bidimensional de uma estrutura tridimensional.
Em casos selecionados, a TCFC pode ajudar a compreender anatomias que a radiografia convencional não mostra com clareza.
A TCFC pode ser útil em situações como:
curvaturas complexas;
suspeita de canal adicional;
canais calcificados;
retratamentos;
reabsorções;
perfurações;
anatomia em C;
raízes fusionadas;
alterações periapicais extensas;
dúvidas sobre espessura dentinária;
relação com estruturas anatômicas importantes.
A tomografia não deve ser banalizada.
Mas também não deve ser ignorada quando a anatomia exige mais informação.
A melhor indicação da lima depende da melhor compreensão possível do caso.

Como a anatomia orienta a seleção da lima
A seleção da lima deve seguir uma sequência lógica.
Fator anatômico | O que observar | Impacto na seleção da lima |
Canal reto | Trajetória direta e menor curvatura | Maior liberdade de sistemas, com atenção ao desgaste |
Canal curvo | Ângulo e raio da curvatura | Maior necessidade de flexibilidade e controle de taper |
Curvatura abrupta | Raio pequeno e tensão localizada | Maior risco de fadiga e fratura |
Canal oval | Paredes não tocadas pela lima | Necessidade de irrigação ativa e complementação |
Canal em C | Istmos e anatomia irregular | Estratégia conservadora e irrigação intensificada |
Canal calcificado | Diâmetro reduzido e difícil negociação | Prioridade para scouting e glide path |
Área de perigo | Parede dentinária fina | Menor desgaste e maior preservação |
Retratamento | Anatomia modificada | Cautela, remoção segura e replanejamento |
Diâmetro inicial pequeno | Resistência à lima fina | Glide path e progressão gradual |
Diâmetro inicial amplo | Canal mais permissivo | Ampliação planejada, sem excesso |
Essa tabela resume a lógica central deste artigo:
a anatomia não apenas influencia a escolha da lima; ela define os limites da instrumentação.
Matriz EndoToday: Anatomia → Indicação
A Matriz EndoToday de Seleção Anatômica pode ser resumida assim:
Pergunta clínica | O que ela define |
O canal é reto ou curvo? | Define o nível inicial de risco mecânico. |
A curvatura é ampla ou abrupta? | Define o risco de fadiga cíclica e transporte. |
O canal é circular, oval ou achatado? | Define a limitação da ação mecânica. |
Existe área de perigo? | Define o limite de desgaste dentinário. |
O canal é calcificado? | Define a necessidade de negociação e glide path. |
A anatomia é complexa ou em C? | Define a necessidade de irrigação ativa e cautela. |
O diâmetro inicial é pequeno ou amplo? | Define a estratégia de ampliação. |
Há histórico de retratamento? | Define a necessidade de reinterpretação anatômica. |
A radiografia é suficiente? | Define se a TCFC pode ser indicada. |
Qual forma preciso criar? | Define a lima mais coerente para o caso. |
A lógica é simples:
primeiro se entende o canal; depois se escolhe o instrumento.
Casos clínicos relacionados no EndoToday
A anatomia do canal radicular não é apenas um conceito teórico. Ela aparece nas decisões clínicas diárias.
Alguns casos clínicos do EndoToday ajudam a visualizar como a escolha do sistema deve nascer da leitura anatômica, do risco mecânico e do objetivo biológico.
Caso clínico | O que observar |
Caso clínico com Race EVO sequência EndoToday | Observe como a sequência deve respeitar anatomia, glide path, ampliação e irrigação. |
Curvatura extrema na região apical | Observe como a curvatura e o raio aumentam o risco mecânico e modificam a indicação. |
Caso clínico com TruNatomy | Observe a lógica de preservação dentinária e preparo conservador. |
Retratamento com VDW Rotate | Observe como uma anatomia previamente modificada exige replanejamento. |
Casos clínicos:
Erros comuns ao ignorar a anatomia

1. Escolher a lima antes de entender o canal
Esse é o erro mais frequente. A escolha deve nascer da anatomia.
2. Tratar canal curvo como se fosse reto
Isso aumenta risco de transporte, degrau e fratura.
3. Ignorar o raio da curvatura
O ângulo sozinho não mostra todo o risco.
4. Usar conicidade excessiva em área de perigo
A ampliação precisa ter limite biológico e estrutural.
5. Achar que a lima toca todas as paredes
Em canais ovais, achatados e em C, isso raramente acontece.
6. Entrar com sistema mecanizado antes do glide path
A pressa aumenta risco de travamento e fratura.
7. Não considerar TCFC em casos complexos
Algumas anatomias precisam de avaliação tridimensional.
8. Confundir preparo maior com preparo melhor
O melhor preparo é o que equilibra irrigação, desinfecção e preservação.

O que este artigo ensina
Este artigo reforça que:
A anatomia deve vir antes da marca da lima.
A seleção do sistema deve respeitar o tipo de canal.
Curvatura, raio e diâmetro inicial modificam o risco.
Canais ovais e em C exigem estratégia além da lima.
Áreas de perigo impõem limites ao preparo.
A TCFC pode ser decisiva em anatomias complexas.
A instrumentação deve criar forma sem destruir estrutura.
A lima certa é aquela que respeita o canal.
A principal mensagem é:
A anatomia decide. A lima executa.

Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados. |
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Conclusão
A seleção da lima endodôntica deve começar pela anatomia do canal radicular.
Antes de escolher sistema, sequência, movimento ou conicidade, o clínico precisa compreender o canal que será tratado.
Canais retos, curvos, ovais, achatados, calcificados ou em C não exigem a mesma estratégia. Cada anatomia impõe limites, riscos e possibilidades.
Quando a anatomia é ignorada, a lima passa a comandar o caso.
Quando a anatomia é compreendida, a lima passa a executar uma decisão clínica.
Essa é a diferença entre seguir uma sequência e construir uma estratégia.
A anatomia guia.
A biologia orienta.
A técnica executa.
O clínico decide.
EndoToday — Endodontia baseada em raciocínio clínico.

FAQ — Perguntas frequentes sobre anatomia do canal e seleção de limas
A anatomia do canal radicular influencia a escolha da lima?
Sim. A anatomia influencia diretamente a escolha da lima, porque define curvatura, diâmetro, forma transversal, risco mecânico, necessidade de glide path, limite de ampliação e estratégia de irrigação.
Por que não devo escolher a lima apenas pela marca?
Porque a marca não substitui a análise clínica. A escolha correta deve considerar anatomia, diagnóstico, curvatura, risco, diâmetro inicial, flexibilidade, conicidade e objetivo biológico.
Canais retos são sempre simples?
Não. Canais retos podem permitir maior liberdade de instrumentação, mas ainda podem apresentar achatamentos, istmos, paredes finas, lesões periapicais e riscos biológicos.
Canais curvos exigem limas mais flexíveis?
Em muitos casos, sim. Canais curvos exigem instrumentos que respeitem a trajetória original, com atenção à flexibilidade, conicidade, glide path e risco de fadiga cíclica.
O que é mais importante: ângulo ou raio da curvatura?
Ambos são importantes. O ângulo mostra o grau da curvatura, mas o raio ajuda a entender a concentração de estresse. Curvaturas de pequeno raio podem ser mais críticas.
Canais ovais são preparados completamente pela lima?
Não necessariamente. Em canais ovais, a lima pode tocar apenas parte das paredes, deixando áreas não instrumentadas. Por isso, a irrigação ativa é fundamental.
Canais em C exigem estratégia diferente?
Sim. Canais em C apresentam anatomia irregular, istmos e reentrâncias. A instrumentação deve ser conservadora e acompanhada de irrigação ativa e avaliação cuidadosa.
O diâmetro inicial influencia a seleção da lima?
Sim. O diâmetro inicial, avaliado pela lima apical inicial e pela negociação do canal, ajuda a definir a necessidade de glide path, sequência de preparo e ampliação apical.
Quando a TCFC pode ajudar na seleção da lima?
A TCFC pode ajudar em casos de anatomia complexa, curvaturas severas, canais calcificados, retratamentos, suspeita de canal adicional, canais em C ou dúvidas sobre espessura dentinária.
Qual é a principal mensagem deste artigo?
A principal mensagem é que a anatomia deve comandar a escolha da lima. Antes de selecionar o sistema, o clínico precisa entender o canal.
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Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
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