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Instrumentar não é limpar: o erro conceitual que compromete a Endodontia

Infográfico odontológico de dente em corte com lima e irrigação azul; texto: INSTRUMENTAR NÃO É LIMPAR.

A lima cria forma. A irrigação desinfecta. O raciocínio clínico conecta tudo.


Resumo do artigo

Um dos maiores erros conceituais na Endodontia é acreditar que instrumentar significa limpar completamente o canal radicular.

A instrumentação é indispensável, mas ela não limpa sozinha todo o sistema de canais. A lima remove parte do tecido, biofilme, dentina contaminada e debris; ao mesmo tempo, cria uma forma anatômica que permite a penetração, renovação e ação das soluções irrigadoras.

O problema começa quando o clínico transforma a lima em protagonista absoluto do tratamento.

A lima não toca todas as paredes. A lima não alcança istmos, ramificações, canais laterais, deltas apicais, reentrâncias anatômicas e extensões vestibulolinguais de canais ovais. Em muitas situações, ela prepara uma forma circular dentro de uma anatomia que não é circular.

Por isso, a frase central deste artigo é:

Instrumentar não é limpar. Instrumentar é criar forma para que a irrigação, a desinfecção e a obturação sejam possíveis com segurança.

Este é o primeiro artigo satélite da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.

Estude na trilha de endodontia da EndoToday

Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados.

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Instrumentação Endodôntica: guia completo para escolher limas e sistemas pela anatomia, biologia e segurança clínica

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Não existe lima perfeita: existe indicação perfeita

Para acessar todas as trilhas organizadas da EndoToday:

Trilha de estudos em Endodontia.

Perguntas que este artigo responde

Pergunta

Resposta curta

Instrumentar é o mesmo que limpar?

Não. Instrumentar cria forma; a limpeza e a desinfecção dependem da irrigação e da estratégia químico-biológica.

A lima limpa todo o canal radicular?

Não. A lima toca apenas as paredes alcançadas mecanicamente e deixa áreas não instrumentadas em anatomias complexas.

Por que a instrumentação é indispensável?

Porque remove parte do conteúdo intracanal e cria geometria para irrigação, desinfecção e obturação.

O que a lima realmente faz?

A lima modela o canal, remove dentina e debris, amplia o espaço e facilita a ação das soluções irrigadoras.

O que a lima não faz?

A lima não esteriliza o canal, não toca todas as áreas anatômicas e não substitui a irrigação.

Por que canais ovais são críticos?

Porque instrumentos circulares podem deixar extensões vestibulares e linguais sem contato direto.

Por que canais em C são difíceis de limpar?

Porque apresentam istmos, reentrâncias e áreas anatômicas que não são totalmente alcançadas pela instrumentação mecânica.

A irrigação depende da instrumentação?

Sim. A forma criada pela lima influencia a penetração, circulação e renovação do irrigante.

Ampliação apical melhora a irrigação?

Pode melhorar, mas precisa ser equilibrada com a preservação dentinária e o risco anatômico.

Qual é o erro clínico mais comum?

Acreditar que uma boa sequência de limas, sozinha, garante desinfecção.

Qual é a mensagem central?

A lima cria forma. A irrigação desinfecta. O raciocínio clínico integra tudo.

Como este tema se conecta ao cluster?

Ele fundamenta toda a lógica da trilha: escolher limas pela anatomia, biologia e segurança clínica.


Neste artigo você vai entender

  1. Por que instrumentar não é sinônimo de limpar.

  2. O que a lima realmente faz dentro do canal radicular.

  3. O que a lima não consegue fazer, mesmo quando bem indicada.

  4. Por que áreas não instrumentadas são clinicamente relevantes.

  5. Como canais ovais, achatados e em C desafiam a instrumentação mecânica.

  6. Por que a irrigação depende da forma criada pela instrumentação.

  7. Como a ampliação apical deve equilibrar desinfecção e preservação dentinária.

  8. Por que o sucesso não depende apenas do sistema utilizado.

  9. Como esse conceito muda a escolha das limas endodônticas.

  10. Como seguir a Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.

Introdução

A frase parece simples:

Instrumentar não é limpar.

Mas, quando compreendida em profundidade, ela muda a forma como o clínico enxerga toda a Endodontia.

Durante muito tempo, o preparo do canal radicular foi associado quase automaticamente à ideia de limpeza. O profissional instrumentava o canal, via a lima sair com debris, observava uma radiografia final tecnicamente satisfatória e concluía que o sistema havia sido adequadamente limpo.

Mas a biologia não é tão simples.

O sistema de canais radiculares não é um tubo liso, único e circular. Ele é um ambiente tridimensional complexo, com variações anatômicas, irregularidades, istmos, canais laterais, ramificações, deltas apicais, áreas achatadas e regiões que nenhum instrumento toca diretamente.

Por isso, quando se afirma que “a lima limpou o canal”, existe um risco conceitual importante.

  • A lima não limpa tudo.

  • Ela cria forma.

E essa forma precisa permitir que a irrigação alcance, circule, renove e desinfecte áreas que a instrumentação mecânica não consegue tocar.

Essa mudança de entendimento separa o operador de lima do clínico que raciocina biologicamente.

O operador pergunta:

Qual sistema eu uso?

O clínico pergunta:

Que forma preciso criar para que este sistema de canais seja desinfectado com segurança?

Essa é a diferença.

O erro de acreditar que a lima é a limpeza

A instrumentação endodôntica é uma etapa essencial do tratamento. Sem ela, a irrigação se torna limitada, a remoção de tecido é incompleta, a obturação fica comprometida e a previsibilidade clínica diminui.

Mas essencial não significa suficiente.

O erro está em imaginar que a ação mecânica da lima, sozinha, seja capaz de resolver o problema biológico do canal radicular.

A lima atua onde toca.

E essa frase precisa ficar clara:

A lima só remove mecanicamente aquilo que consegue tocar.

Quando o instrumento entra no canal, ele corta, desgasta, alisa e amplia determinadas paredes. Mas a anatomia interna raramente é perfeitamente circular.

Em muitos canais, a lima trabalha no centro da anatomia, enquanto extensões laterais permanecem sem contato direto.

Isso significa que, mesmo após uma instrumentação tecnicamente correta, podem permanecer:

  • áreas de biofilme aderido;

  • tecido pulpar remanescente;

  • debris dentinários;

  • matéria orgânica;

  • microrganismos em túbulos dentinários;

  • conteúdo em istmos;

  • conteúdo em ramificações;

  • áreas não tocadas da parede canalicular.

O problema não é a lima. O problema é esperar da lima aquilo que ela não foi capaz de entregar.

A lima é uma ferramenta mecânica.

A desinfecção é uma estratégia biológica.

Confundir essas duas funções empobrece o tratamento.

O que a lima realmente faz

A lima possui funções fundamentais na Endodontia.

Ela não deve ser subestimada. Sem instrumentação adequada, a irrigação fica limitada e a obturação perde previsibilidade.

Entre as principais funções da lima, destacam-se:

  • remover tecido pulpar;

  • reduzir carga microbiana por ação mecânica;

  • remover parte da dentina infectada;

  • eliminar interferências internas;

  • ampliar o canal;

  • criar conicidade;

  • melhorar o acesso do irrigante;

  • favorecer renovação da solução irrigadora;

  • permitir secagem adequada;

  • preparar o canal para obturação;

  • manter ou recuperar a trajetória anatômica;

  • criar espaço para cones e cimentos obturadores.

Portanto, a lima não é secundária.

Ela é indispensável.

Mas sua importância está em criar condições para que o tratamento biológico ocorra.

A instrumentação é o caminho. A desinfecção é o destino.

Quando o clínico entende isso, ele deixa de escolher a lima apenas pela velocidade de preparo e passa a escolher pela qualidade da forma que ela produz.

O que a lima não consegue fazer

A lima não consegue cumprir todas as funções do tratamento endodôntico.

Ela não consegue, sozinha:

  • esterilizar o sistema de canais;

  • tocar todas as paredes;

  • remover todo biofilme;

  • alcançar todos os istmos;

  • penetrar canais laterais;

  • limpar deltas apicais;

  • desinfectar túbulos dentinários em profundidade;

  • compensar uma irrigação inadequada;

  • corrigir um diagnóstico errado;

  • resolver uma anatomia complexa sem estratégia complementar.

Essa é uma verdade clínica desconfortável, mas necessária.

Muitas vezes, o tratamento falha não porque a lima era ruim, mas porque o clínico atribuiu a ela uma função que pertencia à irrigação, à ativação, ao tempo químico ou à medicação intracanal.

A lima não foi feita para agir onde não toca.

A irrigação existe justamente porque a anatomia é maior do que o instrumento.

A anatomia real não é circular

Grande parte dos sistemas de instrumentação produz preparos com tendência circular ou centralizada.

Mas a anatomia real do canal pode ser:

  • oval;

  • longa-oval;

  • achatada;

  • em fita;

  • em C;

  • irregular;

  • com istmos;

  • com reentrâncias;

  • com deltas;

  • com ramificações.

Esse descompasso entre a forma do instrumento e a forma real do canal explica por que áreas permanecem não instrumentadas mesmo quando o preparo parece adequado.

Em canais ovais, por exemplo, a lima pode atuar no eixo central e deixar extensões vestibulares e linguais sem toque direto.

Em canais em C, a complexidade é ainda maior. Há regiões em faixa, comunicações, istmos e áreas de difícil acesso mecânico.

Nesses casos, insistir em ampliar agressivamente o canal para “tocar mais parede” pode ser perigoso. O risco é remover dentina sadia, fragilizar a raiz, aumentar o risco de perfuração e ainda assim não alcançar toda a anatomia.

Por isso, a pergunta correta não é:

Como faço a lima tocar tudo?

A pergunta correta é:

Como crio uma forma segura para que a irrigação alcance o que a lima não toca?

Essa pergunta muda a qualidade do tratamento.

Áreas não instrumentadas: o inimigo invisível

As áreas não instrumentadas são regiões do canal que não entram em contato direto com a lima.

Elas podem existir mesmo em preparos bem executados.

Isso é importante porque a radiografia final não mostra toda a anatomia tridimensional. Ela mostra uma projeção bidimensional da obturação.

Um canal pode parecer bem tratado radiograficamente e ainda assim ter regiões não tocadas pela instrumentação.

Esse é um ponto importante para alunos e clínicos: a beleza radiográfica não substitui o raciocínio biológico.

A radiografia mostra forma, comprimento e preenchimento.

Mas não mostra com precisão:

  • biofilme residual;

  • áreas não tocadas;

  • efetividade da irrigação;

  • penetração do irrigante;

  • profundidade da desinfecção;

  • conteúdo em istmos;

  • ramificações não preenchidas.

Por isso, o clínico não deve se tranquilizar apenas com a aparência final.

A pergunta central deve ser:

A forma criada permitiu uma desinfecção biologicamente coerente?

A irrigação não é complemento: é protagonista biológico

Se a lima cria forma, a irrigação executa grande parte da desinfecção.

A solução irrigadora tem funções que o instrumento não consegue cumprir sozinho:

  • dissolver matéria orgânica;

  • reduzir carga microbiana;

  • atuar em áreas não tocadas;

  • penetrar irregularidades;

  • remover debris;

  • auxiliar na remoção da smear layer quando associada a agentes quelantes;

  • alcançar regiões além do contato direto da lima;

  • favorecer o controle biológico do sistema.

Por isso, chamar a irrigação de “complemento” pode diminuir sua importância.

Na verdade, a irrigação é uma etapa central da desinfecção endodôntica.

A instrumentação prepara o caminho.

A irrigação percorre esse caminho.

E a ativação pode aumentar a capacidade de ação em áreas complexas.

Esse é o ponto que precisa ser fixado:

Instrumentação sem irrigação efetiva é forma sem biologia.

A forma criada pela lima muda a irrigação

A irrigação não acontece da mesma maneira em qualquer canal.

A geometria criada pela instrumentação influencia diretamente:

  • profundidade de penetração da agulha;

  • volume de solução no terço apical;

  • renovação do irrigante;

  • velocidade do fluxo;

  • capacidade de remoção de debris;

  • ação química nas paredes;

  • segurança contra extrusão.

Por isso, a lima não limpa sozinha, mas ela influencia a limpeza.

Esse é um ponto sofisticado e importante.

A instrumentação cria o ambiente físico para a irrigação funcionar melhor.

Quando o preparo é muito estreito, a solução pode não penetrar adequadamente no terço apical.

Quando o preparo é excessivo, pode haver desgaste desnecessário, enfraquecimento dentinário e maior risco de transporte ou perfuração.

Portanto, a forma ideal não é a maior possível.

A forma ideal é aquela que permite desinfecção suficiente com preservação estrutural.

Essa é a lógica biológica da instrumentação.

Ampliação apical: entre desinfecção e preservação

A ampliação apical é um dos pontos mais críticos da instrumentação.

Ampliar o terço apical pode melhorar a entrada e a renovação da solução irrigadora. Mas ampliar sem critério pode comprometer a estrutura radicular.

O clínico precisa equilibrar duas necessidades:

  1. Criar espaço para irrigação e desinfecção.

  2. Preservar dentina e manter a trajetória anatômica.

Esse equilíbrio depende de:

  • diâmetro inicial do canal;

  • lima apical inicial;

  • curvatura;

  • raio da curvatura;

  • espessura dentinária;

  • diagnóstico;

  • presença de necrose;

  • lesão periapical;

  • anatomia oval ou achatada;

  • sistema utilizado;

  • conicidade do instrumento;

  • risco de área de perigo.

A ampliação apical não deve ser uma decisão automática.

Ela deve responder a uma pergunta biológica:

Quanto preciso ampliar para que a irrigação funcione, sem enfraquecer desnecessariamente a raiz?

Essa pergunta evita dois extremos:

  • preparo mínimo que dificulta desinfecção;

  • preparo excessivo que compromete a estrutura.

A Endodontia previsível vive nesse equilíbrio.

Canais ovais, achatados e em C: onde a lima mostra seus limites

Os canais ovais e achatados deixam claro por que instrumentar não é limpar.

Neles, o instrumento pode atuar no centro do canal, criando uma forma aparentemente adequada, mas deixando paredes ou recessos sem contato direto.

Nos canais em C, a limitação é ainda maior. A anatomia pode apresentar áreas em fita, istmos e extensões que nenhum instrumento convencional consegue preparar completamente.

Isso não significa que a instrumentação seja inútil.

Significa que ela precisa ser integrada a outras estratégias:

  • irrigação abundante;

  • renovação constante da solução;

  • ativação ultrassônica ou sônica;

  • medicação intracanal quando indicada;

  • controle do tempo químico;

  • obturação compatível com a anatomia;

  • acompanhamento clínico e radiográfico.

O erro não é reconhecer que a lima tem limite.

O erro é fingir que ela não tem.

A maturidade clínica começa quando o profissional aceita a limitação do instrumento e planeja a compensação biológica.

O papel da ativação da irrigação

A ativação da irrigação busca melhorar a ação da solução irrigadora dentro do sistema de canais.

Ela pode favorecer:

  • movimentação da solução;

  • penetração em irregularidades;

  • remoção de debris;

  • ação em áreas não tocadas;

  • renovação do irrigante;

  • maior contato da solução com paredes e reentrâncias.

Em anatomias complexas, a ativação ganha ainda mais relevância.

Ela não substitui uma boa instrumentação, mas potencializa a desinfecção onde a lima não alcança diretamente.

Por isso, em canais ovais, canais em C, necrose com lesão periapical, retratamentos e anatomias com istmos, a ativação da irrigação deve ser considerada com seriedade.

A pergunta não é apenas:

Qual lima usei?

Mas também:

Como fiz a solução agir depois da lima?

A obturação depende da forma, mas não corrige desinfecção insuficiente

A obturação é a etapa de selamento do sistema preparado.

Mas ela não deve ser vista como compensação para uma desinfecção incompleta.

Uma obturação bonita pode preencher o espaço criado pela instrumentação, mas não elimina, por si só, uma infecção persistente em áreas não adequadamente desinfectadas.

A obturação depende de uma forma adequada, mas o sucesso biológico depende da sequência completa:

diagnóstico → acesso → instrumentação → irrigação → desinfecção → obturação → restauração coronária.

Se a instrumentação foi mal planejada, a irrigação pode ter sido limitada.

Se a irrigação foi limitada, a desinfecção pode ter sido insuficiente.

Se a desinfecção foi insuficiente, a obturação pode apenas selar um problema não resolvido.

Por isso, instrumentar bem não é apenas criar uma forma bonita.

É criar uma forma biologicamente útil.

Matriz EndoToday: o que a lima faz e o que ela não faz

Dimensão

O que a lima faz

O que a lima não faz

Forma

Modela o canal e cria conicidade

Não reproduz toda a anatomia tridimensional

Limpeza mecânica

Remove parte de tecido, biofilme e dentina contaminada

Não toca todas as paredes e reentrâncias

Irrigação

Cria espaço para a solução penetrar melhor

Não substitui a ação química do irrigante

Desinfecção

Reduz carga microbiana mecanicamente

Não esteriliza o sistema de canais

Anatomia complexa

Prepara a região central do canal

Não alcança todos os istmos, deltas e canais laterais

Obturação

Prepara o espaço para preenchimento

Não garante selamento biológico se a desinfecção falhou

Segurança

Pode manter a trajetória quando bem indicada

Pode causar transporte, degrau ou fratura quando mal indicada


Mensagem clínica:A lima é essencial, mas não é absoluta. Ela deve ser indicada para criar a melhor forma possível, com o menor risco possível, para que a irrigação e a desinfecção possam cumprir seu papel.

Erros comuns quando se acredita que instrumentar é limpar

1. Escolher a lima pela marca, não pela anatomia

O sistema passa a comandar o caso, quando deveria ser escolhido a partir dele.

2. Usar o mesmo preparo para todos os canais

Canais diferentes exigem estratégias diferentes.

3. Ampliar sem objetivo biológico

A ampliação deve ter justificativa clínica, não apenas seguir um protocolo fixo.

4. Subestimar canais ovais

A anatomia oval pode parecer simples na radiografia, mas esconder áreas não tocadas.

5. Ignorar a irrigação ativa

Em casos complexos, irrigar sem ativar pode limitar a desinfecção.

6. Confiar demais na radiografia final

Uma obturação bonita não garante que toda a anatomia tenha sido desinfectada.

7. Confundir velocidade com qualidade

Instrumentar rápido não significa instrumentar melhor.

8. Não reconhecer os limites da lima

O instrumento tem função mecânica. A biologia exige mais do que corte e conicidade.

Como aplicar esse conceito na clínica

Antes de iniciar a instrumentação, pergunte:

Pergunta clínica

Por que ela importa?

Qual é a anatomia provável deste canal?

Define risco, estratégia e sistema.

O canal é circular, oval ou achatado?

Indica a chance de áreas não tocadas.

Existe curvatura severa ou raio pequeno?

Aumenta risco de fadiga, transporte e fratura.

Qual é a lima apical inicial?

Ajuda a planejar glide path e ampliação.

Qual é o diagnóstico?

Define a demanda biológica de desinfecção.

Quanto preciso ampliar para irrigar melhor?

Evita preparo insuficiente ou excessivo.

Como vou ativar a irrigação?

Melhora ação em áreas não tocadas.

A obturação será consequência de uma desinfecção adequada?

Evita tratar a radiografia e esquecer a biologia.


Esse raciocínio reduz improviso e aumenta previsibilidade.

Como este artigo se conecta à Trilha de Instrumentação Endodôntica

Este artigo é o primeiro satélite da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.

Ele estabelece a base biológica da trilha:

a lima não é o tratamento inteiro; ela é uma ferramenta para criar forma e permitir desinfecção.

Nos próximos artigos, essa ideia será aprofundada em diferentes dimensões:

  • indicação anatômica das limas;

  • curvatura e raio;

  • limas manuais;

  • glide path;

  • ligas NiTi;

  • ampliação apical;

  • sistemas rotatórios;

  • sistemas reciprocantes;

  • matriz de indicação clínica.

A partir daqui, a pergunta muda.

Não será mais:

Qual lima é melhor?

Será:

Qual lima cria a melhor forma para que este canal seja desinfectado com segurança?

Continue na Trilha de Instrumentação Endodôntica

Este artigo faz parte da Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday, uma sequência de estudos sobre anatomia, seleção de limas, limas manuais, glide path, ligas NiTi, ampliação apical, irrigação e indicação clínica dos sistemas mecanizados.

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Para acessar todas as trilhas organizadas da EndoToday:

Trilha de estudos em Endodontia.


Conclusão

Instrumentar não é limpar.

Essa frase deve acompanhar toda decisão clínica em Endodontia.

A lima é essencial, mas não é suficiente. Ela remove parte do conteúdo intracanal, modela o canal e cria uma forma que favorece a irrigação, a desinfecção e a obturação.

Mas a lima não toca todas as paredes. Não alcança todos os istmos. Não penetra todos os canais laterais. Não esteriliza o sistema. Não substitui a irrigação.

Por isso, a instrumentação deve ser compreendida como uma etapa dentro de uma estratégia biológica maior.

A pergunta mais importante não é:

Qual lima limpa melhor?

A pergunta correta é:

Qual forma preciso criar para que a irrigação consiga desinfectar melhor este sistema de canais?

Esse é o raciocínio que transforma a instrumentação de uma sequência mecânica em uma decisão clínica.

E é esse raciocínio que guia a Trilha de Instrumentação Endodôntica do EndoToday.


FAQ — Perguntas frequentes sobre instrumentação e limpeza endodôntica

Instrumentar é o mesmo que limpar?

Não. Instrumentar cria forma e remove parte do conteúdo intracanal, mas a limpeza e a desinfecção dependem da irrigação, ativação, tempo químico e estratégia biológica.

A lima limpa todo o sistema de canais?

Não. A lima toca apenas áreas alcançadas mecanicamente. Canais ovais, canais em C, istmos, ramificações e deltas apicais podem permanecer sem contato direto com o instrumento.

Então por que instrumentar é tão importante?

Porque a instrumentação cria uma geometria que permite melhor penetração, renovação e ação das soluções irrigadoras. Sem forma adequada, a irrigação se torna limitada.

A irrigação substitui a instrumentação?

Não. Instrumentação e irrigação são complementares. A lima cria forma e reduz carga microbiana mecanicamente; a irrigação atua quimicamente e alcança áreas que a lima não toca.

Uma obturação bonita significa canal limpo?

Não necessariamente. A radiografia mostra o preenchimento, mas não comprova que todas as áreas anatômicas foram desinfectadas.

Canais ovais são mais difíceis de limpar?

Sim. Em canais ovais, a lima pode preparar a região central e deixar extensões vestibulares e linguais sem contato direto.

Canais em C podem ser completamente instrumentados?

Em geral, canais em C apresentam anatomia complexa, com istmos e reentrâncias, tornando a instrumentação mecânica incompleta em várias áreas.

A ampliação apical melhora a limpeza?

A ampliação apical pode melhorar a irrigação, mas deve ser equilibrada com preservação dentinária e respeito à anatomia.

O que é mais importante: lima ou irrigação?

Ambas são importantes. A lima cria forma; a irrigação desinfecta. O sucesso depende da integração entre as duas.

Qual é a principal mensagem clínica deste artigo?

A instrumentação deve ser planejada para criar uma forma segura e biologicamente útil. A lima não limpa sozinha; ela prepara o caminho para a desinfecção.

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