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Reabsorção Radicular, o que esperar após um trauma dentário ?

Atualizado: 20 de mar.

Atualizado em 07/02/2026

trauma

Este conteúdo integra a série “Reabsorções Dentárias na Endodontia”.Voltar ao HUB principal de Reabsorções Dentárias.

Leituras complementares da trilha:




titulo de trauma


1) Por que esse tema importa?

Lesões dentárias traumáticas (LDT) podem atingir tecidos duros (esmalte/dentina), tecidos periodontais (ligamento periodontal e osso alveolar) e polpa. Um dos desfechos mais críticos é a reabsorção radicular (RR), porque ela pode comprometer a longevidade do dente e, em casos avançados, levar à perda do elemento.


Para organizar o raciocínio clínico (classificação, diagnóstico e conduta baseada em evidências), use o HUB de Reabsorções como referência central:




Ilustração de um dente com destaque para lesões traumáticas em azul e vermelho. Texto explica impactos no esmalte e dentina.

2) Objetivo do estudo (em linguagem direta)

Esta revisão sistemática buscou responder:“Com que frequência ocorrem diferentes tipos de reabsorção radicular após traumas do tipo concussão e luxações?”

Os autores compararam a incidência de RR após:

  • Concussão

  • Subluxação

  • Luxação lateral

  • Luxação extrusiva

  • Luxação intrusiva


Texto em fundo escuro mostra a hierarquia de risco por tipo de trauma dental. Cores vivas destacam diferentes níveis de incidência e risco.

3) Como os autores investigaram isso (métodos)

  • Pesquisaram 7 bases de dados, além de busca manual.

  • Incluíram estudos observacionais que reportavam incidência de RR após lesões de luxação.

  • Avaliaram risco de viés com a checklist MAStARI.

  • Julgaram a qualidade da evidência com GRADE.

Mensagem prática: é um estudo que tenta “somar” o que já existe, mas a força das conclusões depende da qualidade dos estudos incluídos.


4) O que foi encontrado (resultados)

  • 14 estudos entraram na revisão.

  • Risco de viés:

    • 10 com risco moderado

    • 4 com risco baixo

  • Para todos os desfechos, a qualidade GRADE foi “muito baixa” (ou seja: a estimativa pode mudar bastante com novos estudos melhores).

Gráfico sobre tipos de reabsorção com texto destacado: "A RR Inflamatória é dominante e exige vigilância endodôntica imediata". Fundo escuro.

4.1. Quais traumas mais geram reabsorção radicular?

A RR foi mais frequente em:

  1. Luxação intrusiva (maior incidência)

  2. Luxação extrusiva

  3. Luxação lateral

  4. Subluxação

  5. Concussão (menor incidência, mas não “zero”)

Interpretação clínica: quanto maior o dano ao ligamento periodontal e ao suprimento neurovascular, maior o risco de RR.


Esquema de dente com texto. Mostra luxação intrusiva, rompimento neurovascular e esmagamento periodontal. Fundo escuro, texto em azul.

4.2. Quais tipos de reabsorção são mais comuns?

Em geral, o padrão observado foi:

  1. RR inflamatória (mais comum em todos os tipos de lesão)

  2. RR por substituição (anquilose / “replacement resorption”)

  3. RR de superfície

  4. RR interna (menos frequente)

Tradução prática:

  • Inflamatória: tende a estar associada a necrose/infeção e inflamação perirradicular.

  • Substituição: associada a dano severo ao ligamento periodontal e risco de anquilose.

  • Superfície: pode ser transitória e autolimitada em alguns casos.

  • Interna: depende de condições pulpares específicas e é menos esperada na maioria dos cenários.


Quando a imagem 2D não esclarece extensão, localização ou tratabilidade (principalmente em reabsorções cervicais e casos complexos), este algoritmo ajuda a indicar CBCT com racional clínico:



Gráfico comparativo de dois tipos de danos dentais: RR Inflamatória com área vermelha e RR por Substituição com fundo texturizado.

5) Conclusões (o que o estudo sugere)

  • A RR acontece mais frequentemente após luxação intrusiva.

  • O tipo mais frequente é a RR inflamatória.

  • Reconhecer a incidência por tipo de trauma ajuda o clínico a:

    • intensificar o acompanhamento

    • diagnosticar cedo

    • intervir antes que as opções de tratamento diminuam

    • reduzir risco de perda dentária

  • Outros fatores.



    Se o caso evolui com radiolucência apical e reabsorção, este protocolo detalha conduta e tomada de decisão que está escrito neste post.

  • Reabsorção apical em dentes com radiolucência apical



Texto sobre incerteza em evidências científicas e vigilância clínica, com ícones odontológicos em fundo escuro. Instruções em vermelho.

6) Relevância clínica (por que muda conduta)

Saber que até concussões e subluxações podem evoluir com RR reforça que o trauma não termina no dia do atendimento: ele inaugura um período de risco biológico que exige proservação estruturada.


Texto sobre "A Filosofia da Proservação" em fundo escuro. Enfatiza riscos biológicos pós-trauma e a importância da preservação.

Opinião EndoToday

Mesmo traumas considerados “leves” (como concussão e subluxação) podem desencadear RR — sobretudo quando há dano periodontal microscópico e/ou alteração pulpar tardia. Por isso, uma conduta prudente é manter proservação clínica e radiográfica ou tomográfica por 24 meses, com revisões em:

  • 3 meses

  • 6 meses

  • 12 meses

  • 24 meses

Cronograma do Protocolo EndoToday mostrando etapas de monitoramento em meses: 0, 3, 6, 12, 24; com destaque para sinais inflamatórios.
Diagrama sobre reabsorção radicular pós-trauma, mostrando tipos de luxação dentária, riscos, e protocolos de preservação em meses.

FAQ


1) O que é reabsorção radicular (RR) após trauma?

É a perda patológica de estrutura radicular (cemento/dentina) mediada por células clásticas, desencadeada por dano ao ligamento periodontal, cemento e/ou alterações pulpares após lesões traumáticas.

2) Quais tipos de trauma avaliados apresentam maior incidência de RR?

A revisão encontrou a seguinte ordem geral de maior para menor incidência: luxação intrusiva > luxação extrusiva > luxação lateral > subluxação > concussão.

3) Qual tipo de RR é mais comum após essas lesões?

De modo geral, o tipo mais frequentemente documentado foi a RR inflamatória, seguida por RR por substituição, RR de superfície e RR interna.

4) Por que a luxação intrusiva tende a ser a mais crítica?

Porque costuma produzir maior dano ao ligamento periodontal, além de comprometer o suprimento neurovascular pulpar com mais intensidade, elevando a probabilidade de necrose e de reabsorções progressivas.

5) Concussão e subluxação “leves” podem gerar RR?

Sim. A incidência tende a ser menor do que nas luxações, mas não é nula, justificando proservação estruturada.

6) Qual é a qualidade da evidência apresentada por essa revisão?

A revisão classificou a qualidade global das evidências como “muito baixa” (GRADE) para todos os desfechos, o que indica alta incerteza e possibilidade de mudança das estimativas com estudos melhores.

7) O que significa “evidência muito baixa” na prática clínica?

Significa que você deve usar os achados como sinal de alerta e orientação de risco, mas sem tratá-los como números definitivos. A conduta deve integrar diretrizes clínicas, exame seriado e resposta biológica individual.

8) Qual é a principal consequência de um diagnóstico tardio de RR?

Um diagnóstico tardio pode reduzir opções terapêuticas e aumentar a chance de perda do dente, especialmente em reabsorções inflamatórias extensas ou por substituição (anquilose).

9) Como esse estudo ajuda a definir o acompanhamento (follow-up)?

Ele reforça que lesões com maior dano periodontal (intrusiva/extrusiva/lateral) exigem vigilância mais rigorosa e que até concussão/subluxação merecem acompanhamento, pois RR pode surgir de forma tardia.

10) Existe diretriz internacional para follow-up em trauma dentário?

Sim. As IADT Guidelines são a principal referência clínica internacional para manejo e acompanhamento de lesões traumáticas.


Próximos passos na trilha de reabsorções:


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