Inteligência artificial na Endodontia: chatbots conseguem simular uma prova oral clínica?
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- há 12 minutos
- 12 min de leitura

A inteligência artificial já não está apenas respondendo perguntas sobre Endodontia. Agora, ela é capaz de simular respostas com aparência de raciocínio clínico, discutir diagnóstico, defender planos de tratamento e citar literatura científica com uma fluência que surpreende — e, ao mesmo tempo, exige atenção.
Mas isso significa que podemos confiar nela plenamente?
Segundo Jalali et al., em estudo publicado no Journal of Endodontics em 2026, chatbots de inteligência artificial como GPT-4o e Gemini-2.5 Pro foram avaliados em uma simulação da prova oral do American Board of Endodontics — uma das avaliações mais exigentes da especialidade. O resultado impressiona. Mas traz, junto, um alerta que professores, alunos e especialistas precisam levar a sério: a IA pode ser uma aliada poderosa no treinamento do raciocínio clínico, desde que permaneça sob supervisão humana e validação científica rigorosa.
Resposta rápida
Sim. Chatbots de inteligência artificial como GPT-4o e Gemini-2.5 Pro já demonstram capacidade de produzir respostas compatíveis com raciocínio clínico endodôntico em provas orais estruturadas. No estudo, ambos apresentaram desempenho elevado em casos de retratamento endodôntico não cirúrgico, cirurgia parendodôntica e trauma dentário.
O ponto crítico, porém, é que os modelos ainda podem produzir referências bibliográficas falsas — fenômeno conhecido como alucinação. Por isso, a inteligência artificial deve ser usada como ferramenta de treinamento e apoio educacional, não como fonte final para tomada de decisão clínica.
Neste artigo você vai entender
O que um estudo recente do Journal of Endodontics avaliou sobre inteligência artificial na Endodontia
Como GPT-4o e Gemini-2.5 Pro se saíram em uma simulação de prova oral clínica
Por que a IA pode ser útil no treinamento do raciocínio clínico endodôntico
Qual é o maior risco do uso de chatbots em conteúdo científico
Como professores, alunos e especialistas podem usar inteligência artificial com mais segurança
Leia também na Trilha de IA da EndoToday
Este artigo faz parte da Trilha de Inteligência Artificial na Endodontia da EndoToday.
Para uma visão geral sobre aplicações, limites, auditoria, LGPD e segurança clínica no uso da IA, comece pelo guia principal:
Por que este estudo sobre inteligência artificial na Endodontia é importante?
Existe uma diferença real — e enorme — entre saber uma resposta e defender uma decisão clínica.
Na Endodontia, essa diferença aparece todos os dias. O clínico precisa integrar sinais, sintomas, testes pulpares, achados radiográficos, histórico médico, limitações anatômicas, prognóstico e literatura científica.
Um tratamento endodôntico não nasce de uma informação isolada.
Ele nasce de raciocínio, julgamento e responsabilidade.
É exatamente por isso que este estudo é tão relevante: ele não avaliou se a inteligência artificial conseguia responder perguntas objetivas. Ele avaliou se dois chatbots seriam capazes de sustentar uma linha de raciocínio clínico completo — no formato exigente de uma prova oral avançada de Endodontia.
A pergunta deixou de ser:
“A IA sabe responder?”
E passou a ser:
“A IA consegue organizar, justificar e defender uma conduta clínica?”
Essa mudança de perspectiva é fundamental para quem ensina, estuda e pratica Endodontia.

O que foi avaliado no estudo?
O estudo analisou o desempenho de dois chatbots de inteligência artificial — GPT-4o e Gemini-2.5 Pro — submetidos a uma simulação do American Board of Endodontics Oral Board Examination.
Três casos clínicos simulados foram construídos por endodontistas acadêmicos certificados. Cada caso incluía informações clínicas detalhadas: histórico médico, medicamentos em uso, histórico odontológico, testes clínicos e descrição dos achados radiográficos.
Os três casos cobriam domínios distintos da especialidade:
Retratamento endodôntico não cirúrgico
Cirurgia parendodôntica
Trauma dentário
Para cada caso, os chatbots responderam a 20 perguntas abertas em sequência, simulando uma interação progressiva entre examinador e candidato. Ao todo, foram avaliadas 120 respostas.
Esse ponto merece destaque: não era uma prova de múltipla escolha. Era uma simulação de raciocínio clínico — e, na clínica real, o paciente não chega com alternativas prontas.
Ele chega com dor, dúvida diagnóstica, história sistêmica, radiografia, anatomia, expectativa e necessidade de decisão.
Como as respostas dos chatbots foram avaliadas?
As respostas foram analisadas por dois endodontistas utilizando uma rubrica baseada nos domínios da prova oral do American Board of Endodontics. A avaliação considerou três dimensões principais.
Validade da resposta: clareza, coerência, raciocínio clínico, precisão diagnóstica e completude.
Validade das citações: verificação das referências para identificar se eram relevantes, corretas ou fabricadas.
Desempenho geral: qualidade combinada da resposta clínica e da fundamentação científica.
A pontuação variava de 0 a 3:
0 — inaceitável
1 — deficiente
2 — aceitável
3 — excelente
Essa metodologia é valiosa porque aproxima a avaliação daquilo que realmente importa na formação clínica: não apenas repetir conteúdo, mas organizar e defender uma decisão.
Quais foram os principais resultados?
Os dois chatbots apresentaram desempenho expressivamente elevado.
O Gemini-2.5 Pro obteve média geral de 2,83.
O GPT-4o obteve média geral de 2,73.
Em uma escala de 0 a 3, ambos ficaram muito próximos do escore máximo — e a diferença entre os modelos não foi estatisticamente significativa.
Na validade das respostas, o Gemini-2.5 Pro recebeu escore excelente em 92% das respostas, enquanto o GPT-4o recebeu escore excelente em 84% das respostas.
Esses números confirmam que os modelos foram capazes de produzir respostas bem estruturadas, coerentes e clinicamente compatíveis com os critérios esperados em uma prova oral de alto nível.
Mas aqui está o ponto decisivo:
responder bem não é a mesma coisa que estar sempre correto.
E responder com segurança não garante autoridade científica.

O principal alerta: a IA ainda pode fabricar referências
O achado mais importante do estudo talvez não seja o alto desempenho dos chatbots.
O achado mais importante é o tipo de erro encontrado.
Todas as alucinações ocorreram na forma de citações bibliográficas fabricadas. Cada chatbot apresentou quatro ocorrências de referências falsas.
Em inteligência artificial, alucinação não significa criatividade. Significa produzir uma informação falsa com aparência de verdade.
Esse dado precisa ser levado muito a sério. A inteligência artificial pode produzir uma resposta com aparência impecável — fluente, estruturada, em linguagem científica, com autores, anos e títulos de artigos. Pode parecer absolutamente confiável.
Mas isso não significa que a referência exista.
E, na ciência, uma resposta elegante com referência falsa continua sendo uma resposta problemática.
Esse é o ponto que separa o uso maduro do uso perigoso da inteligência artificial:
o risco não é apenas a IA errar. O risco é ela errar com aparência de autoridade.

A fluência da IA pode enganar o estudante e o profissional
Um dos maiores desafios dos chatbots é que eles escrevem muito bem.
A resposta vem organizada.
O tom parece seguro.
A estrutura parece acadêmica.
A justificativa parece lógica.
Isso cria uma sensação de confiança que pode ser traiçoeira.
Em saúde, fluência textual não é sinônimo de verdade clínica. Uma resposta bonita pode estar incompleta. Uma explicação segura pode ignorar um risco. Uma referência pode ser falsa. Uma conduta pode não se aplicar ao paciente real.
Por isso, a pergunta que o dentista deve fazer não é apenas:
“A IA respondeu bem?”
A pergunta correta é:
“Eu consigo verificar, sustentar e aplicar essa resposta com segurança clínica?”
Essa diferença muda tudo.

O que este estudo ensina para a educação endodôntica?
A grande contribuição deste artigo é mostrar que a inteligência artificial pode atuar como uma ferramenta poderosa de treinamento.
Ela pode ajudar alunos, residentes e especialistas a simular discussões clínicas complexas, gerar perguntas progressivas, exigir justificativas, apontar lacunas e provocar reflexão.
Mas a IA não deve ser tratada como professora, banca examinadora ou fonte final de verdade.
Ela deve ser compreendida como um simulador de raciocínio clínico — e simuladores são extremamente úteis quando existe supervisão.
Um simulador de voo não substitui o piloto experiente.
Um simulador clínico não substitui o professor.
Da mesma forma, a IA não substitui o endodontista.
Ela pode preparar melhor o aluno para pensar — mas não pode assumir a responsabilidade pela decisão.

Como a inteligência artificial pode ajudar na pós-graduação em Endodontia?
Na pós-graduação, a IA pode ser usada de forma muito estratégica.
Um professor pode propor um caso clínico e pedir que o aluno responda a perguntas abertas sobre diagnóstico, etiologia, plano de tratamento, prognóstico e literatura.
Depois, a mesma sequência pode ser enviada a um chatbot.
A partir disso, o aluno compara:
O que ele respondeu versus o que a IA respondeu
Onde houve concordância e onde houve divergência
Quais referências precisam ser checadas
Quais pontos ficaram incompletos
Qual resposta seria mais defensável diante de uma banca
Esse tipo de atividade transforma a IA em um recurso ativo de aprendizagem — não para copiar respostas, mas para usar a IA como espelho.
Um espelho que mostra onde o raciocínio está forte.
E também onde ele ainda está frágil.
Aplicação prática em caso clínico
Para ver como a IA pode ser utilizada na análise de um caso clínico endodôntico, leia também:
E, depois, veja a continuação:
Um exemplo prático de uso da IA no treinamento clínico
Um aluno poderia perguntar ao chatbot:
“Simule uma prova oral de Endodontia com um caso de retratamento em molar inferior com lesão periapical persistente. Faça perguntas progressivas sobre diagnóstico, etiologia, plano de tratamento, riscos, prognóstico e literatura.”
Depois de responder às perguntas, o aluno poderia solicitar:
“Agora critique meu raciocínio como se você fosse um examinador experiente. Aponte falhas, lacunas, riscos clínicos e pontos que precisam de melhor fundamentação científica.”
Esse tipo de interação pode ser extremamente útil — mas existe uma regra obrigatória:
toda referência citada pela IA precisa ser conferida.
Nenhuma citação deve ser aceita automaticamente.
Nenhuma conduta deve ser adotada sem análise clínica.
Nenhuma resposta deve substituir o julgamento do professor ou do especialista.

O que professores precisam aprender com esse estudo?
Este artigo traz uma provocação direta para professores de Endodontia: se a inteligência artificial já consegue formular respostas avançadas, simular perguntas e organizar raciocínio clínico, o papel do professor precisa subir de nível.
O professor não pode ser apenas transmissor de conteúdo.
Ele precisa ser curador, supervisor, provocador e validador do raciocínio.
A pergunta central da formação deixa de ser:
“Você sabe a resposta?”
E passa a ser:
“Você sabe defender essa resposta diante de um paciente real, de uma banca crítica e da literatura científica?”
É nesse ponto que o professor se torna ainda mais indispensável.
Porque a IA pode simular argumentos, mas o professor identifica pensamento raso.
A IA pode organizar uma resposta, mas o professor percebe insegurança clínica.
A IA pode citar literatura, mas o professor exige validação.
A IA pode sugerir caminhos, mas o professor ensina limite, prudência e responsabilidade.
O que alunos e especialistas precisam saber?
Para alunos, a mensagem é clara:
usar IA sem critério pode criar uma falsa sensação de competência.
O aluno pode acreditar que aprendeu apenas porque leu uma resposta bem escrita. Mas ler uma resposta não é o mesmo que raciocinar.
Copiar uma explicação não é o mesmo que defender uma conduta.
Memorizar uma frase não é o mesmo que interpretar um caso.
Para especialistas, a mensagem é igualmente importante. A IA pode ser uma aliada para atualização, organização de ideias, criação de simulações e revisão crítica de condutas.
Mas não pode substituir:
exame clínico
experiência operatória
interpretação radiográfica
análise anatômica
avaliação sistêmica
literatura validada
responsabilidade ética
julgamento profissional
Na Endodontia, a decisão clínica continua pertencendo ao clínico.
A IA pode sugerir caminhos — mas quem responde pela conduta é o profissional.
O que a IA ainda não consegue fazer na Endodontia?
A inteligência artificial pode processar texto, organizar conceitos e simular discussões.
Mas ela não vivencia a clínica real.
Ela não sente a resistência da dentina.
Não percebe a dificuldade de negociar um canal calcificado.
Não interpreta a anatomia com base na experiência tátil.
Não observa sangramento, odor, exsudato ou resposta do paciente.
Não controla ansiedade.
Não assume risco jurídico.
Não responde eticamente pelo tratamento.
Não acompanha o pós-operatório.
Não lida com a incerteza clínica da mesma forma que um profissional experiente.
A IA pode ajudar no raciocínio.
Mas a clínica continua sendo humana.
A camada mais importante: a IA revela quem sabe pensar
Existe uma ideia desconfortável — mas extremamente verdadeira:
a inteligência artificial não torna todo mundo mais inteligente automaticamente.
Ela potencializa quem sabe perguntar.
Ajuda quem sabe criticar.
Acelera quem sabe validar.
Amplia quem já tem base.
Mas também pode confundir quem não sabe avaliar.
Um aluno frágil pode usar a IA para copiar respostas.
Um aluno maduro pode usar a IA para encontrar lacunas no próprio raciocínio.
Um professor superficial pode usar a IA apenas para produzir textos.
Um professor estratégico pode usar a IA para criar simulações, contrastar condutas e desenvolver pensamento crítico.
Essa talvez seja uma das maiores mudanças na educação odontológica:
a diferença entre o profissional preparado e o despreparado não será quem usa ou não usa IA — será quem sabe usar IA com critério.
Como usar chatbots para treinar raciocínio clínico em Endodontia
A seguir, um fluxo prático e eficaz para utilizar a IA como ferramenta educacional:
1. Escolha um caso clínico real ou simulado
Inclua histórico médico, queixa principal, testes clínicos, radiografia, diagnóstico provável e possíveis limitações.
2. Peça ao chatbot para atuar como examinador
Solicite perguntas progressivas em formato de prova oral, cobrindo diagnóstico, etiologia, conduta, prognóstico e literatura.
3. Responda antes de ver a resposta da IA
Esse passo é inegociável. O aluno precisa raciocinar primeiro — sempre.
4. Compare sua resposta com a resposta do chatbot
Observe diferenças, lacunas, excesso de informação e pontos de divergência.
5. Verifique todas as referências
Não aceite nenhuma citação sem conferência. Nenhuma.
6. Discuta com um professor
A etapa mais importante é a validação humana.
A IA provoca.
O professor refina.
Esse fluxo transforma a inteligência artificial em uma ferramenta de estudo ativo — não em um atalho passivo.
O que a Endodontia precisa evitar no uso da IA?
O uso da inteligência artificial na Endodontia não pode cair em três armadilhas.
1. Usar IA como substituta da literatura científica
A IA pode sugerir autores, temas e linhas de raciocínio, mas a conferência da fonte científica continua sendo obrigatória.
2. Usar IA como substituta do professor
O professor tem papel de supervisão, correção, curadoria e refinamento crítico. Sem esse filtro, a IA pode amplificar erros.
3. Usar IA como substituta da decisão clínica
A decisão clínica precisa considerar paciente real, exame real, radiografia real, anatomia real, limitação técnica real e responsabilidade profissional real.
A IA deve apoiar.
Não deve decidir sozinha.

O maior aprendizado para a Endodontia contemporânea
Este estudo mostra que a inteligência artificial já alcançou um nível impressionante de desempenho textual e argumentativo.
Ela consegue organizar respostas.
Consegue simular uma prova oral.
Consegue discutir diagnóstico.
Consegue justificar tratamento.
Consegue citar literatura.
Mas ainda pode errar — e, pior, pode errar de forma convincente.
Por isso, o melhor uso da IA na Endodontia não é perguntar:
“Qual é a resposta?”
O melhor uso é perguntar:
“Como posso melhorar meu raciocínio?”
Essa mudança transforma a IA em uma ferramenta muito mais poderosa.
A IA não deve pensar no lugar do dentista.
Ela deve ajudar o dentista a pensar melhor.

Perguntas frequentes sobre inteligência artificial na Endodontia
A inteligência artificial pode substituir o endodontista?
Não. A inteligência artificial pode auxiliar na organização do raciocínio, na simulação de casos e na revisão de conceitos, mas não substitui exame clínico, interpretação profissional, experiência operatória e responsabilidade ética.
Chatbots como GPT-4o e Gemini-2.5 Pro podem ajudar alunos de Endodontia?
Sim. Eles podem ser usados como simuladores de banca oral, ferramentas de estudo dirigido e apoio ao treinamento do raciocínio clínico, desde que supervisionados por professores.
Qual é o maior risco da IA em Endodontia?
Um dos maiores riscos é a alucinação bibliográfica — quando o chatbot cria referências científicas que parecem reais, mas não existem.
A IA pode ser usada para tomada de decisão clínica?
A IA pode apoiar a reflexão clínica, mas não deve ser usada como fonte isolada para tomada de decisão. Toda resposta precisa ser validada com literatura confiável, exame clínico e julgamento profissional.
O que este estudo mostrou?
O estudo mostrou que GPT-4o e Gemini-2.5 Pro tiveram alto desempenho em uma simulação da prova oral do American Board of Endodontics, mas ainda apresentaram falhas em citações bibliográficas.
A resposta bem escrita da IA é sempre confiável?
Não. Fluência textual não garante verdade científica. Uma resposta pode ser bem escrita e ainda assim conter erros, omissões ou referências falsas.
Qual é o melhor uso da IA na educação endodôntica?
O melhor uso é como simulador de raciocínio clínico, permitindo que alunos e especialistas treinem diagnóstico, tomada de decisão, justificativa terapêutica e discussão baseada em evidências.
Como usar inteligência artificial na Endodontia com segurança?
A inteligência artificial deve ser usada para simular casos, treinar raciocínio clínico, gerar perguntas e revisar argumentos. No entanto, toda resposta precisa ser validada com exame clínico, literatura científica confiável, supervisão profissional e checagem das referências citadas.
Próximos temas da trilha
Este artigo mostrou que a IA pode ajudar no treinamento do raciocínio clínico, mas também revelou um ponto crítico: a possibilidade de referências falsas.
Por isso, os próximos conteúdos recomendados são:
Alucinação em IA na Endodontia: por que referências falsas podem enganar até especialistas - em breve.
Como usar chatbots para estudar Endodontia com segurança clínica e científica - em breve.
Conclusão
Este estudo não mostra que a inteligência artificial substitui o endodontista.
Mostra algo mais interessante e mais urgente:
a IA já é suficientemente avançada para desafiar o modo como ensinamos, estudamos e treinamos raciocínio clínico em Endodontia.
Ela pode simular uma prova oral.
Pode organizar respostas.
Pode provocar decisões.
Pode testar justificativas.
Pode ajudar o aluno a treinar.
Mas também pode fabricar referências, parecer mais segura do que realmente é e induzir confiança onde deveria existir checagem.
A conclusão mais honesta é esta:
a inteligência artificial não deve ocupar o lugar do professor. Deve ocupar o lugar do simulador.
E, bem utilizada, pode se tornar uma das ferramentas mais poderosas para formar endodontistas mais críticos, mais preparados e mais conscientes da responsabilidade clínica.
Antes de perguntar à IA qual é a resposta certa, pergunte a si mesmo:
eu saberia defender essa conduta diante de uma banca, de um professor e de um paciente real?
Na Endodontia, a tecnologia ajuda.
Mas quem responde pela decisão continua sendo o clínico.
A IA não substitui o raciocínio clínico. Mas pode revelar, com enorme precisão, onde o seu raciocínio ainda precisa ser treinado.
Continue acompanhando a sessão de Inteligência Artificial da EndoToday para entender como usar essas ferramentas com critério, segurança e pensamento científico.
A inteligência artificial pode ser uma aliada poderosa.
Mas, na Endodontia, ela precisa estar a serviço do raciocínio clínico — nunca no lugar dele.

Referência principal
Jalali P, Wang F-M, Ourang SA, Zahedrozegar S, Mohammad-Rahimi H, Nosrat A. Artificial Intelligence Chatbots Taking American Board of Endodontics Simulated Oral Board Examination. Journal of Endodontics. 2026.
Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
Não ensinamos apenas a tratar dentes.
Ensinamos a cuidar de pacientes.
Endotoday - Endodontia com diagnóstico, ciência e tomada de decisão clínica.
Prof. Dr. Marco Aurélio G. Borges



Comentários