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O que a IA , pode fazer por você? Caso clínico.

Atualizado: 6 de fev.

Simulação de um caso clínico utilizando a IA, mostrando o que a I.A. poderá fazer para você.


Este conteúdo faz parte do Guia de I.A. em Endodontia da EndoToday.

Série: Guia de I.A. em Endodontia


Primeiramente temos que alimentar a I.A. com dados confiáveis para que a IA, análise dentro do contexto.


Radiografia Inicial.


radiografia para análise da I.A.

Os dados simiológicos do paciente:

  • Dente 37 com tratamento endodontico feito há 15 anos.

  • Presença de bolsa perodontial localizada na mesial apenas em um ponto com 15mm de profundidade.

  • Sem a restauração coronária no momento sem dor operatória.

  • Teste de sensibilidade Negativo ao frio

  • Teste de percussão Horizontal e vertical negativo.

  • Sem edema

  • Completamente assintomático.



Análise da IA

I.A. respondendo:

Obrigado pelos dados clínicos. Com base na radiografia enviada e no quadro (37, tratamento há ~15 anos, bolsa periodontal localizada em mesial com 15 mm em um único ponto, restauração coronária removida, assintomático), segue um raciocínio clínico estruturado e um plano de conduta passo a passo.



1) Hipóteses diagnósticas (priorizadas)

  1. Fratura radicular vertical (FRV) localizada na raiz mesial

    • Forte suspeita pelo padrão de bolsa estreita, profunda e única em face mesial de dente endodonticamente tratado e de longa data.

    • A radiografia periapical nem sempre evidencia FRV (sensibilidade limitada); sinais indiretos incluem área radiolúcida em “J”/halo e perda da lâmina dura — nem sempre presentes.

  2. Lesão endo–perio secundária a infiltração coronária

    • A remoção da restauração sugere histórico de selamento coronário comprometido.

    • Poderia haver recolonização do sistema de canais e periodontite apical crônica com comunicação periodontal.

  3. Defeito periodontal puro de padrão localizado (infrabony)

    • Menos provável pela unidocidade e profundidade extrema (15 mm) em dente endo tratado; ainda assim, considerar morfologia do defeito (contido vs. deiscente).

Resumo: FRV é a hipótese mais provável; endo–perio por infiltração é a principal alternativa caso a integridade radicular seja confirmada.



2) Protocolo diagnóstico recomendado (curto e objetivo)


2.1. Clínica à cadeira (com microscópio, se possível)

  • Sondagem circunferencial mapeada (cada face, 6 sítios): confirmar bolsa única e estreita em mesial.

  • Teste de dor à mastigação seletiva (tooth slooth) nos cúspides/vertentes mesiais.

  • Transiluminação + corante (azul de metileno 1% ou violeta 0,5%): procurar linha de fratura na câmara/entrada dos canais mesiais.

  • Rastreamento de fístula (se houver) com cone de guta-percha.

  • Teste de mobilidade e avaliação oclusal.


2.2. Imagem

  • CBCT de campo restrito (FOV pequeno; voxel ≤ 0,15 mm), com cortes finos no plano da raiz mesial:

    • Procurar traço hipodenso linear, “J-shape lesion”, defeito ósseo vertical estreito que alcança o ápice.

    • Avaliar espessura de cortical e morfologia do defeito (contido vs. não contido).

Interpretação decisória:

  • FRV confirmada/altamente sugestiva → seguir Cenário A.

  • Integridade radicular preservada (sem sinais de FRV) → seguir Cenário B.



3) Condutas


CENÁRIO A — Fratura radicular vertical confirmada (raiz mesial)


Prognóstico: desfavorável para a raiz fraturada. ( I.A. )

Opções:

  1. Ressecção radicular/hemissecção (remoção da raiz mesial e manutenção da distal) + reabilitação protética tipo premolarização — indicado apenas se:

    • raiz distal tem bom comprimento/volume e ausência de doença;

    • paciente aceita plano restaurador com higiene rigorosa e controle oclusal.

  2. Exodontia do 37 com plano reabilitador (implante/ponte) quando hemissecção não atender aos critérios.

Observação: defeitos periodontais verticais não contidos associados a FRV têm baixa previsibilidade regenerativa.

CENÁRIO B — Sem FRV: retratamento ortógrado + terapia periodontal



3.1. Endodontia (retratar para eliminar reinfecção)


Objetivos: remover material antigo, recalibrar CRT, desinfetar intensamente e obter selamento tridimensional + selamento coronário imediato.

Passo a passo sugerido:

  1. Acesso sob isolamento absoluto e microscópio.

  2. Remoção do material: solvente (eucaliptol/Endosolv) + limas manuais #10–15 para glide path; complementação com sistemas de retratamento rotatórios/reciprocantes conforme sua preferência.

  3. Comprimento de trabalho: localizador foraminal + PA de trabalho; patência apical confirmada com #10.

  4. Preparo: estratégia crown-down conservadora; ampliação apical controlada (p. ex., mesiais até 25/06–30/05; distal 30/05–35/04, ajustando à anatomia real).

  5. Irrigação (volumes cumulativos altos):

    • NaOCl 2,5–5% abundante, com ativação ultrassônica/sonic (3–4 ciclos de 20–30 s por canal).

    • EDTA 17% (1–2 min) para smear layer, seguido de NaOCl final.

    • Evitar mistura NaOCl × CHX (precipitado).

  6. Medicação intracanal (se exsudato/perfusão ou defeito periodontal profundo): Ca(OH)₂ por 7–14 dias com barreira coronária provisória dupla (ionômero + resina).

  7. Obturação: selador biocerâmico; técnica cone único bem adaptado ou termoplastificada (a depender da conicidade/istmos).

  8. Selamento coronário imediato: barreira interna (ionômero/resina bulk) e restauração provisória reforçada até a definitiva (onlay/coroa).


3.2. Periodontia (tratar o defeito mesial)

  • Raspagem e alisamento radicular com controle de placa rigoroso.

  • Reavaliação em 4–6 semanas: se a bolsa (15 mm) não reduzir de forma significativa e o defeito for contido em CBCT/exploração, considerar cirurgia periodontal regenerativa (enxerto + biomateriais/membrana).

  • Se o defeito for não contido/vertical estreito típico, reavaliar hipótese de FRV oculta.


3.3. Seguimento

  • Revisão clínica e periapical em 6 meses e 12 meses:

    • Espera-se redução/organização da radiolucidez periapical e redução da profundidade de sondagem.

    • Persistência de lesão e bolsa profunda → discutir cirurgia apical (se endo controlada e defeito contido) ouabordagem resectiva/reabilitadora.

    • Implante.


Tabela de decisão


4) Conclusão


Nesta simukação podemos observar que a I.A. foi capaz de dar suposições consistentes para o caso clínico mas não foi capaz de tomada de decisão que deverá ser tomada por um profissional que deverá dominar os conceitos de diagnostico e prognóstico. Comprovando que a I.A. será uma importante como sinergismo observando detelhes que possam passar pelo profissional mas a tomada de decisão final é do Profissional.


Este conteúdo faz parte do Guia de I.A. em Endodontia da EndoToday.

Série: Guia de I.A. em Endodontia



faq

1) Qual foi o objetivo deste “caso clínico com IA” no EndoToday?

Demonstrar, de forma didática, como a IA pode organizar o raciocínio clínico, propor hipóteses e sugerir um protocolo diagnóstico/terapêutico a partir de dados enviados, sem substituir a decisão do especialista.

2) Quais informações foram fornecidas para a IA neste caso?

Foi descrito um cenário com dente 37 endodonticamente tratado há ~15 anos, presença de bolsa periodontal estreita e profunda (15 mm) em um único ponto na mesial, ausência de restauração coronária no momento e paciente assintomático com testes negativos (frio e percussão) e sem edema.

3) Quais hipóteses diagnósticas a IA priorizou — e por quê?

A IA priorizou fratura radicular vertical (FRV) como hipótese mais provável, seguida de lesão endo–perio secundária a infiltração coronária e, como alternativa menos provável, defeito periodontal localizado. A justificativa central foi o padrão “bolsa única, estreita e profunda” em dente tratado, sinal clássico que aumenta fortemente a suspeita de FRV.

4) Uma bolsa periodontal única e muito profunda é realmente sugestiva de FRV?

Sim, é um dos sinais clínicos mais consistentes. Revisões e documentos clínicos destacam que sondagem isolada e profunda (especialmente em dente endodonticamente tratado) é um marcador importante para suspeita de FRV, frequentemente associada a padrões radiográficos do tipo “J”/halo, ainda que nem sempre presentes.

5) Por que a radiografia periapical pode falhar em evidenciar FRV?

Porque a sensibilidade da radiografia bidimensional é limitada para traços finos e orientação desfavorável da fratura. Muitas vezes observam-se apenas sinais indiretos (defeito ósseo vertical estreito, imagem em “J”, perda de lâmina dura), e nem sempre eles aparecem.

6) Quando a IA sugere CBCT, isso faz sentido para este tipo de caso?

Faz sentido como exame adjunto quando há sinais clínicos fortes e radiografia inconclusiva. O post recomenda CBCT de campo restrito (FOV pequeno) e alta resolução (voxel ≤ 0,15 mm) focando a raiz suspeita. Isso é coerente com recomendações de uso de CBCT limitado em endodontia e com literatura que descreve voxel pequeno como fator relevante para tarefas diagnósticas de fratura.

7) Se a FRV for confirmada, quais condutas foram discutidas?

O post descreve, para FRV confirmada (especialmente na raiz mesial), alternativas como hemissecção/ressecção radicular com reabilitação quando critérios forem favoráveis, ou exodontia com planejamento reabilitador quando não houver viabilidade previsível.

8) E se a FRV NÃO for confirmada: qual estratégia foi proposta?

Foi proposto o retratamento endodôntico ortógrado associado à terapia periodontal, com foco em eliminar reinfecção, recalibrar comprimento de trabalho, intensificar desinfecção e garantir selamento coronário imediato, seguido de reavaliação periodontal.

9) Quais pontos do protocolo endodôntico sugerido pela IA são mais críticos na prática?

No roteiro do post, destacam-se: acesso sob isolamento (idealmente com microscópio), remoção do material antigo, determinação do comprimento com localizador + radiografia, irrigação com NaOCl e ativação, uso de EDTA, e selamento coronário imediato. O valor aqui é a IA padronizar checklists; o risco é o leitor tratar sugestões como “receita fixa” sem adaptar à anatomia e ao contexto biológico.

10) Onde a IA foi útil — e onde ela falhou (intencionalmente) neste caso?

O próprio post conclui que a IA foi capaz de gerar suposições consistentes e estruturar possibilidades, mas não pode assumir a tomada de decisão clínica, que depende de domínio de diagnóstico, prognóstico, integração de achados e responsabilidade profissional.

11) Como usar IA em casos clínicos sem cair em “autoridade artificial”?

Use IA como segundo cérebro estruturador, não como árbitro. Um método seguro é:

  • pedir hipóteses priorizadas com justificativas clínicas;

  • solicitar critérios de exclusão (o que mudaria o diagnóstico);

  • exigir plano de testes confirmatórios;

  • e, por fim, comparar com diretrizes e literatura (AAE/AAOMR, revisões de FRV).

12) Qual é a principal mensagem educacional do caso?

IA é um sinergista para não deixar passar detalhes e para organizar raciocínio, mas a decisão clínica final deve ser do profissional — especialmente em cenários de alto risco diagnóstico, como suspeita de FRV.




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