Abertura coronária em molares superiores: técnica, anatomia e localização do MV2
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- há 7 dias
- 13 min de leitura

Molares superiores estão entre os dentes com maior complexidade endodôntica. Múltiplas raízes, canais em direções diferentes, câmara pulpar ampla ou progressivamente calcificada e alta frequência de canais adicionais tornam o acesso coronário muito mais do que uma simples “abertura”.
A abertura coronária em molares superiores é uma etapa decisiva porque define, em grande medida, o que será possível fazer no restante do tratamento. Um acesso inadequado pode impedir a leitura do assoalho, dificultar a localização do MV2, limitar a irrigação, gerar deflexão dos instrumentos e aumentar o risco de acidentes.

O desafio não se resume a entrar na câmara pulpar. Um bom acesso em molar superior precisa permitir, ao mesmo tempo, remoção completa do teto, exposição clara do assoalho, visualização dos canais mesiovestibular, distovestibular e palatino, investigação da região do MV2, entrada passiva dos instrumentos e preservação da dentina pericervical — sem comprometer a furca nem criar condições que prejudiquem a desinfecção.
O erro clássico na clínica é abordar o molar superior como se ele tivesse apenas três canais óbvios.
Na prática, o canal que ninguém suspeitou é, frequentemente, o canal que ficou sem tratamento.
Em molares superiores, a abertura coronária segura não é a menor possível nem a maior possível. É aquela que permite ler o assoalho, localizar os canais prováveis, investigar o MV2 e tratar o sistema de canais sem destruir estrutura desnecessariamente.

O que é a abertura coronária em molares superiores?
A abertura coronária em molares superiores é o acesso realizado para alcançar a câmara pulpar, remover completamente o teto, preservar e interpretar o assoalho, localizar os canais radiculares e criar uma trajetória segura para instrumentação, irrigação, desinfecção e obturação.
Nos molares superiores, os canais principais geralmente estão relacionados a três raízes:
Raiz | Canal mais comum | Observação clínica |
Raiz mesiovestibular | MV1 e possível MV2 | Região de maior complexidade anatômica |
Raiz distovestibular | DV | Geralmente menor e mais distal |
Raiz palatina | P | Frequentemente mais amplo e de acesso mais direto |
O desafio clínico é que o MV2 pode estar parcialmente coberto por dentina secundária, localizado em região de sulco, deslocado em direção palatina ou mascarado por teto remanescente, calcificações e acesso insuficiente.
Por isso, a abertura coronária em molares superiores precisa ser planejada para enxergar, interpretar e decidir.
Respostas rápidas sobre abertura coronária em molares superiores
Pergunta | Resposta objetiva |
Qual é o objetivo da abertura em molares superiores? | Acessar a câmara, remover o teto, preservar o assoalho e localizar os canais MV, DV, palatino e possível MV2. |
O acesso deve ser triangular ou trapezoidal? | Depende da anatomia. Pode ser triangular quando há três canais evidentes, mas pode precisar ser modificado para explorar a região do MV2. |
O MV2 deve ser sempre investigado? | Sim. Especialmente em primeiros molares superiores, deve haver suspeita ativa do MV2. |
O acesso conservador pode atrapalhar? | Sim. Se for excessivamente pequeno, pode impedir leitura do assoalho, localização do MV2 e irrigação adequada. |
O assoalho deve ser desgastado? | Não de forma aleatória. O assoalho deve ser limpo, preservado e interpretado. Remoções seletivas podem ser feitas quando guiadas por anatomia. |
Quando usar ultrassom? | Para remover dentina seletivamente, explorar sulcos, refinar paredes e auxiliar na localização do MV2 sob magnificação. |
Quando considerar CBCT? | Em casos de anatomia incerta, retratamento, calcificação, suspeita de canal não localizado, lesão persistente ou planejamento de caso complexo. |
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No molar superior, não procurar o MV2 muitas vezes é deixar uma infecção para trás.
1. Por que molares superiores merecem atenção especial?
Molares superiores estão entre os dentes com maior complexidade endodôntica.
A presença de múltiplas raízes, canais com trajetórias diferentes, câmara pulpar ampla ou calcificada e alta frequência de canais adicionais torna o acesso coronário uma etapa decisiva.
A dificuldade não está apenas em abrir a câmara.
Está em criar um acesso que permita:
remover completamente o teto;
visualizar o assoalho;
localizar o canal mesiovestibular;
localizar o canal distovestibular;
localizar o canal palatino;
investigar a presença do MV2;
permitir entrada dos instrumentos sem deflexão excessiva;
favorecer irrigação eficiente;
preservar dentina pericervical;
evitar perfuração de furca.
O erro mais clássico na clínica é abordar o molar superior como se ele tivesse apenas três canais óbvios.
Na prática, o canal que ninguém suspeitou é, frequentemente, o canal que ficou sem tratamento.
2. A anatomia da câmara como ponto de partida
A câmara pulpar dos molares superiores tende a refletir a disposição das raízes: mesiovestibular, distovestibular e palatina.
No assoalho, os orifícios principais geralmente formam uma configuração triangular:
canal mesiovestibular;
canal distovestibular;
canal palatino.
Essa triangularidade, porém, é apenas a configuração mais frequente. Não é a única.
Quando o MV2 está presente e acessível, a geometria do assoalho pode se transformar: o triângulo cede espaço a uma forma mais trapezoidal, com quatro orifícios.
O MV2 costuma aparecer na linha de desenvolvimento que conecta o MV1 ao canal palatino, geralmente mais próximo do MV1. Entretanto, sua posição pode variar conforme idade, calcificação, anatomia da câmara, deposição de dentina secundária, inclinação dentária e morfologia da raiz mesiovestibular.
Por isso, o assoalho não deve ser visto como uma superfície a ser desgastada.
Ele deve ser interpretado como um mapa anatômico.
Quando lido com cuidado, o assoalho orienta cada movimento seguinte.
3. Acesso triangular ou trapezoidal: anatomia, não rotina
Durante muito tempo, o acesso em molares superiores foi descrito simplesmente como triangular, com base nos três canais principais: MV, DV e palatino.
Essa forma pode ser suficiente quando a câmara está desobstruída, o teto é removível com clareza e o assoalho permite leitura direta.
O problema surge quando o operador transforma o triângulo em forma fixa, em vez de usá-lo como ponto de partida.
Quando há suspeita de MV2, calcificação significativa, teto remanescente ou dificuldade de visualização, o acesso precisa ser adaptado para explorar a região mesiopalatina com segurança.
Nesse contexto, a forma trapezoidal não é uma preferência estética.
É consequência lógica da anatomia.
Formato do acesso | Quando pode ser adequado | Risco se mal indicado |
Triangular | Três canais evidentes, câmara ampla e assoalho legível | Pode limitar investigação do MV2 |
Trapezoidal | Necessidade de explorar região mesiopalatina e possível MV2 | Pode remover estrutura em excesso se não houver critério |
Conservador orientado | Preservação estrutural com boa leitura anatômica | Não pode impedir localização, irrigação e instrumentação |
O acesso deixa de ser uma regra decorada e passa a ser o resultado de uma análise:
O que este dente, neste paciente, exige para que eu consiga tratar o que está presente?
4. O MV2 não pode ser surpresa
O canal MV2, também chamado de MB2 na literatura internacional, é o segundo canal mesiovestibular dos molares superiores.
Em primeiros molares superiores, sua prevalência é alta na literatura e tende a ser mais detectada quando se utiliza magnificação, microscopia operatória, CBCT ou microtomografia.
Isso tem uma implicação prática direta: o MV2 não deve ser tratado como um achado inesperado durante o procedimento.
Ele precisa ser considerado uma hipótese anatômica desde o planejamento.
A pergunta clínica muda.
Em vez de perguntar:
“Será que este dente tem MV2?”
A pergunta mais adequada é:
“O que neste caso me permite — ou me impede — de localizar o MV2?”
Essa mudança de perspectiva influencia diretamente o tamanho, a direção e a forma do acesso.
Um acesso excessivamente conservador pode preservar dentina. Mas também pode preservar infecção, se impedir a localização de um canal que está presente.
5. Planejamento radiográfico antes de tocar o dente
A radiografia periapical deve ser analisada antes da abertura e consultada durante o procedimento sempre que surgir dúvida.
Ela oferece informações que não estão visíveis na cavidade:
profundidade da câmara;
volume pulpar;
presença de calcificação;
inclinação do dente;
número de raízes;
curvatura das raízes;
relação com a furca;
restaurações extensas;
coroas protéticas;
pinos ou núcleos;
lesões periapicais;
canais possivelmente não tratados;
sobreposição das raízes vestibulares;
necessidade de radiografia angulada;
possível indicação de CBCT.
Em molares superiores, radiografias anguladas ajudam a dissociar raízes e canais que se sobrepõem na incidência ortorradial.
Ainda assim, a imagem bidimensional tem limites.
Quando a dúvida anatômica é suficiente para modificar a decisão clínica — aquilo que será tratado, investigado ou preservado — a tomografia computadorizada de feixe cônico pode ser uma ferramenta justificada.
CBCT não é exame de luxo quando responde uma pergunta clínica relevante.
Também não deve ser solicitada de forma indiscriminada.
A indicação correta nasce da pergunta:
Que decisão essa imagem pode mudar?
6. Ponto de entrada e direção do acesso
Em molares hígidos ou com restaurações pequenas, o ponto de entrada pode parecer relativamente intuitivo.
O verdadeiro desafio aparece nos dentes restaurados ou com coroas protéticas, nos quais a forma externa da coroa pode enganar e não refletir mais o longo eixo real do dente.
Nesses casos, as referências mais confiáveis são:
radiografia periapical;
junção cemento-esmalte;
anatomia radicular esperada;
posição provável do assoalho;
inclinação real do dente;
relação com a furca;
profundidade estimada da câmara.
A direção do acesso deve permitir alcançar a câmara sem desgastar paredes estruturais desnecessariamente e sem dirigir a broca em direção à furca.
A perda de profundidade — avançar mais do que o planejado — é uma das principais causas de perfuração em molares superiores.
Por isso, a progressão deve ser cuidadosa:
avançar;
pausar;
irrigar;
aspirar;
secar;
reavaliar;
comparar com a radiografia;
continuar apenas se a referência anatômica estiver preservada.
Não existe pressa que compense uma perfuração.

7. Remover o teto completamente: menos óbvio do que parece
A remoção incompleta do teto da câmara é um dos erros mais frequentes no tratamento endodôntico de molares superiores.
Teto remanescente pode:
impedir a leitura do assoalho;
esconder o MV2;
dificultar a entrada dos instrumentos;
limitar a eficácia da irrigação;
manter tecido pulpar residual;
favorecer sangramento persistente;
causar escurecimento coronário;
criar falsa impressão de câmara pequena.
A regra é simples de enunciar, mas exige treino para executar:
o teto deve ser removido; o assoalho deve ser preservado.
Quando essa distinção não está clara, o operador oscila entre dois erros opostos:
deixar teto por excesso de cautela;
desgastar assoalho tentando compensar um acesso mal planejado.
Abertura coronária segura não é cavar mais.
É remover exatamente o que impede a visão e preservar aquilo que orienta o tratamento.

8. Ler o assoalho: a etapa que transforma acesso em diagnóstico
Depois de remover o teto, a câmara precisa ser irrigada, aspirada e seca.
Só então o assoalho pode ser interpretado com a atenção que merece.
Observe:
diferença de cor entre parede e assoalho;
linhas de desenvolvimento;
depressões anatômicas;
sulco entre MV1 e palatino;
sulco em direção ao DV;
simetria dos orifícios;
calcificações;
dentina secundária;
possíveis entradas adicionais;
áreas de transição entre parede e assoalho.
Esse raciocínio está diretamente relacionado às Leis de Krasner e Rankow: o assoalho tende a ser mais escuro que as paredes, e os orifícios costumam estar localizados nas junções entre parede e assoalho ou nos pontos terminais das linhas de desenvolvimento.
Assoalho sujo, coberto por fragmentos de teto ou desgastado sem critério perde sua função de guia.
Ele deixa de ser mapa e passa a ser obstáculo.

9. Buscar o MV2 sem destruir o dente
A busca pelo MV2 precisa ser metódica.
A sequência clínica deve seguir a anatomia, não o impulso de “cavar até aparecer”.
Uma lógica segura é:
remover completamente o teto;
limpar e secar a câmara;
identificar MV1, DV e palatino;
observar o sulco entre MV1 e palatino;
usar magnificação e iluminação;
explorar com sonda ou explorador endodôntico;
remover dentina seletivamente com ultrassom quando indicado;
procurar mudança de cor, depressões e linhas anatômicas;
confirmar com lima fina;
reavaliar com imagem se a anatomia ainda não estiver clara.
O ultrassom não é licença para desgaste amplo.
É ferramenta de precisão.
Usado com critério, permite remover dentina exatamente onde ela precisa ser removida, sem comprometer estrutura sadia ao redor.
O erro é procurar o MV2 desgastando aleatoriamente.
O método correto é observar antes de agir, desgastar com intenção e confirmar com delicadeza.

10. Instrumentais úteis em molares superiores
A abertura em molares superiores pode exigir diferentes instrumentos em diferentes etapas.
Instrumento | Função clínica |
Broca esférica | Penetração inicial e remoção de estrutura coronária |
Broca Endo-Z | Refinamento de paredes e remoção de teto com menor risco de aprofundamento |
Pontas ultrassônicas | Remoção seletiva de dentina, exploração de sulcos e busca do MV2 |
Explorador endodôntico | Confirmação tátil de sulcos, depressões e orifícios |
Irrigação e aspiração | Limpeza da câmara para leitura anatômica |
Magnificação | Melhor leitura do assoalho e redução de desgaste exploratório |
CBCT | Planejamento em casos de anatomia incerta ou retratamento complexo |
O instrumento certo não substitui o raciocínio.
Ele executa o raciocínio.

11. Erros comuns na abertura de molares superiores
Erro | Consequência | Como evitar |
Acesso muito pequeno | MV2 não localizado, irrigação limitada e deflexão de instrumentos | Ampliar com critério quando a anatomia exigir |
Acesso excessivamente amplo | Perda estrutural e enfraquecimento | Preservar dentina pericervical sem comprometer função |
Não remover todo o teto | Assoalho mal visualizado e canais ocultos | Confirmar remoção completa antes de buscar canais |
Não suspeitar do MV2 | Canal não tratado | Investigar região mesiopalatina sistematicamente |
Desgastar o assoalho sem critério | Perfuração ou perda de pistas anatômicas | Ler antes de remover |
Usar ultrassom agressivamente | Desgaste excessivo | Remoção seletiva sob magnificação |
Ignorar inclinação do dente | Acesso desviado | Avaliar eixo real e radiografia |
Não considerar CBCT | Dúvida anatômica persistente | Indicar quando a imagem muda a conduta |
Confiar apenas na coroa protética | Acesso mal direcionado | Usar JCE, radiografia e eixo radicular |
Confundir conservação com insuficiência | Canal não localizado e irrigação deficiente | Preservar estrutura sem perder visibilidade |

12. Checklist clínico para molares superiores
Antes de considerar o acesso concluído, pergunte:
O diagnóstico pulpar e periapical está definido?
A radiografia foi analisada com atenção?
A profundidade da câmara foi estimada?
O dente está inclinado?
Existe restauração extensa ou coroa protética?
A referência da JCE foi considerada?
O teto foi completamente removido?
O assoalho está visível, limpo e seco?
MV, DV e palatino foram localizados?
A região mesiopalatina foi investigada?
Existe suspeita de MV2?
A busca pelo MV2 foi anatômica ou agressiva?
Há deflexão excessiva dos instrumentos?
O acesso permite irrigação eficiente?
A dentina pericervical foi preservada?
Existe risco de perfuração de furca?
Há calcificação?
Há necessidade de ultrassom?
Há necessidade de CBCT?
O acesso permite restauração futura previsível?
Todos os canais prováveis foram investigados?
Esse checklist transforma a abertura em molares superiores em uma sequência de decisões, não em uma tentativa de encontrar canais por insistência.

Síntese clínica: pontos essenciais para levar à clínica
A abertura coronária em molares superiores exige equilíbrio entre acesso e preservação.
O clínico deve:
planejar antes da broca;
estimar a profundidade;
respeitar o longo eixo real do dente;
remover completamente o teto;
preservar e interpretar o assoalho;
localizar MV, DV e palatino;
suspeitar ativamente do MV2;
explorar a região mesiopalatina com método;
usar magnificação e ultrassom quando indicados;
evitar desgaste cervical excessivo;
considerar CBCT em anatomias incertas;
avaliar se o acesso permite instrumentar, irrigar e restaurar com segurança.
Acesso conservador não pode ser sinônimo de acesso insuficiente.
E acesso amplo não pode ser sinônimo de acesso seguro.
Em molares superiores, a abertura coronária segura é aquela que permite ler o assoalho, localizar o MV2 quando presente e tratar todos os canais sem destruir estrutura desnecessariamente.
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Abertura coronária em molares inferiores Em breve |
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FAQ — Abertura coronária em molares superiores
Qual é o objetivo da abertura coronária em molares superiores?
O objetivo é acessar a câmara pulpar, remover completamente o teto, preservar e interpretar o assoalho, localizar os canais mesiovestibular, distovestibular, palatino e investigar a presença do MV2.
O acesso em molares superiores deve ser triangular ou trapezoidal?
O formato depende da anatomia. O acesso triangular pode ser suficiente quando há três canais evidentes, mas pode precisar ser modificado para uma configuração mais trapezoidal quando há necessidade de explorar a região do MV2.
O que é o canal MV2 ou MB2?
O MV2, também chamado de MB2, é o segundo canal mesiovestibular dos molares superiores. Ele pode estar localizado na região mesiopalatina da raiz mesiovestibular e deve ser investigado sistematicamente, especialmente em primeiros molares superiores.
Por que o MV2 é frequentemente perdido?
O MV2 pode ser perdido por acesso insuficiente, teto remanescente, calcificação, ausência de magnificação, não exploração do sulco entre MV1 e palatino ou falta de suspeita anatômica.
O acesso conservador pode dificultar a localização do MV2?
Sim. Um acesso excessivamente pequeno pode impedir a leitura do assoalho, dificultar a exploração da região mesiopalatina, limitar a irrigação e favorecer a perda do MV2.
O assoalho da câmara deve ser desgastado?
O assoalho não deve ser desgastado aleatoriamente. Ele deve ser limpo, preservado e interpretado. Remoções seletivas podem ser feitas quando guiadas por anatomia, especialmente na busca do MV2.
Quando usar ultrassom em molares superiores?
O ultrassom pode ser usado para remover dentina seletivamente, explorar sulcos, refinar paredes, remover calcificações e auxiliar na localização do MV2 sob magnificação.
Quando considerar CBCT em molares superiores?
A CBCT pode ser considerada em casos de anatomia incerta, retratamento, calcificação, suspeita de canal não localizado, lesão persistente, coroa protética, pino ou planejamento de caso complexo.
Qual é o maior erro na abertura de molares superiores?
Um dos maiores erros é considerar o acesso concluído após localizar apenas três canais, sem investigar adequadamente a região do MV2.
Como saber se o acesso em molar superior está adequado?
O acesso está adequado quando permite visualização do assoalho, localização dos canais esperados, investigação do MV2, entrada dos instrumentos sem deflexão excessiva, irrigação eficiente e preservação estrutural.
Referências selecionadas
Krasner P, Rankow HJ. Anatomy of the pulp-chamber floor. Journal of Endodontics. 2004;30(1):5-16.
Cleghorn BM, Christie WH, Dong CCS. Root and root canal morphology of the human permanent maxillary first molar: a literature review. Journal of Endodontics. 2006;32(9):813-821.
Stropko JJ. Canal morphology of maxillary molars: clinical observations of canal configurations. Journal of Endodontics. 1999;25(6):446-450.
Vertucci FJ. Root canal anatomy of the human permanent teeth. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology.1984;58(5):589-599.
Plotino G, Pameijer CH, Grande NM, Somma F. Ultrasonics in endodontics: a review of the literature. Journal of Endodontics. 2007;33(2):81-95.
Patel S, Brown J, Pimentel T, Kelly RD, Abella F, Durack C. Cone beam computed tomography in Endodontics: a review of the literature. International Endodontic Journal. 2019;52(8):1138-1152.
Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
Não ensinamos apenas a tratar dentes.
Ensinamos a cuidar de pacientes.
Endotoday - Endodontia com diagnóstico, ciência e tomada de decisão clínica.
Prof. Dr. Marco Aurélio G. Borges



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