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Abertura coronária em pré-molares: anatomia variável, técnica precisa e erros comuns


abertura coronária em pré-molares

A abertura coronária em pré-molares exige mais atenção do que muitos estudantes e clínicos imaginam. Esses dentes são frequentemente tratados como uma etapa intermediária entre anteriores e molares, mas essa interpretação é perigosa. Pré-molares não são dentes de transição simples. São dentes de anatomia variável.

selo

Na prática clínica, muitos erros em pré-molares acontecem porque o caso foi subestimado antes mesmo da broca tocar o dente. A câmara pulpar pode ser pequena, a raiz pode ser achatada, os canais podem ser estreitos, e o número de canais ou raízes pode surpreender.

O desafio da abertura coronária em pré-molares não está apenas em encontrar a câmara pulpar. Está em interpretar corretamente a dimensão vestibulopalatina nos superiores ou vestibulolingual nos inferiores, reconhecer variações no número de canais, evitar desgaste cervical excessivo e criar um acesso que permita instrumentação e irrigação sem deflexão desnecessária.

Nos pré-molares superiores, o acesso precisa respeitar a dimensão vestibulopalatina. Nos pré-molares inferiores, o desafio está na imprevisibilidade anatômica e na possibilidade de divisão canalicular. Estudos clássicos sobre anatomia endodôntica mostram que a morfologia dos canais radiculares pode variar de forma significativa entre grupos dentários e populações, o que justifica uma abordagem clínica baseada em suspeita anatômica e não em desenhos padronizados.

Pré-molar não é dente de transição simples. É um dente de anatomia variável, em que o acesso precisa respeitar a dimensão vestibulopalatina ou vestibulolingual.

O que é a abertura coronária em pré-molares?

A abertura coronária em pré-molares é o procedimento clínico realizado para alcançar a câmara pulpar, remover completamente o teto, localizar os canais radiculares e criar uma trajetória segura para instrumentação, irrigação, desinfecção e obturação.

Em geral, o formato do acesso tende a ser ovalado:

Grupo dental

Direção predominante do acesso

Raciocínio clínico

Pré-molares superiores

Vestibulopalatina

Os canais podem estar posicionados em direção vestibular e palatina

Pré-molares inferiores

Vestibulolingual

Pode haver canal único, canal ovalado ou divisão vestibulolingual

Pré-molares com anatomia complexa

Adaptada ao caso

O formato deve ser determinado pela anatomia interna, não por desenho fixo


Esse formato não deve ser decorado como regra absoluta. Ele deve ser consequência da anatomia interna de cada dente.

O objetivo é permitir acesso direto aos canais sem comprometer a estrutura cervical e sem criar desgastes desnecessários nas paredes vestibular, palatina ou lingual.

A forma final do acesso não deve ser determinada por um desenho memorizado.

Deve ser determinada pela função clínica do acesso.

Respostas rápidas sobre abertura coronária em pré-molares

Pergunta

Resposta objetiva

Pré-molares são fáceis de acessar?

Nem sempre. Eles têm anatomia variável e exigem atenção à dimensão vestibulopalatina ou vestibulolingual.

Qual é o formato clássico do acesso em pré-molares?

Geralmente ovalado, acompanhando a dimensão vestibulopalatina nos superiores e vestibulolingual nos inferiores.

Pré-molares superiores podem ter dois canais?

Sim. Especialmente o primeiro pré-molar superior pode apresentar dois canais e, em muitos casos, duas raízes.

Pré-molares inferiores podem ser complexos?

Sim. Podem apresentar canal único, divisão canalicular, bifurcações, curvaturas e anatomia difícil de negociar.

Qual é um erro comum em pré-molares?

Fazer acesso muito pequeno, redondo ou centralizado sem respeitar a anatomia vestibulopalatina ou vestibulolingual.

O acesso deve ser sempre conservador?

Deve ser conservador, mas suficiente para localizar canais, remover interferências e permitir irrigação eficiente.

Quando considerar CBCT?

Em casos de anatomia incerta, calcificação, retratamento, suspeita de bifurcação, perfuração ou falha endodôntica prévia.


Este artigo faz parte da Trilha de Abertura Coronária da EndoToday


Este artigo aprofunda a abertura coronária em molares inferiores. Para estudar a sequência completa da trilha, acesse o hub central:

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Ponto-chave Endotoday

O pré-molar parece simples até a anatomia mostrar que ele não é.

1. Por que os pré-molares pedem atenção?

Existe um equívoco frequente na clínica: por estarem entre os dentes anteriores e os molares, os pré-molares são tratados como dentes intermediários — menos críticos que os anteriores do ponto de vista estético e menos complexos que os molares do ponto de vista anatômico.

Essa lógica é perigosa.

Na prática, muitos erros em pré-molares acontecem exatamente porque o profissional subestimou o caso antes de começar.

Pré-molares podem apresentar:

  1. câmara pulpar pequena;

  2. raiz achatada;

  3. canais estreitos;

  4. dois canais;

  5. duas raízes;

  6. bifurcação radicular;

  7. canais que se dividem ao longo da raiz;

  8. curvaturas não evidentes;

  9. sulcos radiculares;

  10. risco de desgaste cervical;

  11. restaurações profundas;

  12. calcificações;

  13. dificuldade de alinhamento dos instrumentos.

A armadilha é pensar que “por ser pré-molar” o acesso será simples.

O desafio dos pré-molares não está apenas em encontrar a câmara pulpar. Está em interpretar corretamente a dimensão vestibulopalatina nos superiores ou vestibulolingual nos inferiores, reconhecer variações no número de canais, evitar desgaste cervical excessivo e criar um acesso que permita instrumentação e irrigação sem deflexão desnecessária.

mito da transição

2. Pré-molar não é dente de transição simples

O pré-molar ocupa uma posição anatômica e funcional muito particular. Ele não deve ser entendido como um dente anterior “mais robusto” nem como um molar “mais simples”.

Essa visão simplificada gera três erros comuns:

Erro de interpretação

Consequência clínica

Tratar o pré-molar como dente simples

Canal não localizado ou acesso insuficiente

Fazer acesso redondo e centralizado

Dificuldade de explorar canais vestibular/palatino ou vestibular/lingual

Preservar estrutura sem permitir função

Instrumentação com deflexão e irrigação deficiente


O acesso em pré-molares precisa ser pensado a partir da anatomia radicular provável.

Não basta abrir no centro da coroa.

É preciso perguntar:

Este dente organiza sua anatomia no sentido vestibulopalatino ou vestibulolingual?

Essa pergunta muda o ponto de entrada, a extensão do acesso, a direção da broca, a leitura da câmara e a busca pelos canais.

3. Superiores e inferiores: o que muda no acesso?

A principal diferença entre pré-molares superiores e inferiores não está apenas no tamanho do acesso, mas na direção anatômica que precisa ser respeitada.

Compreender essa lógica evita o erro mais comum: criar um acesso centralizado, redondo e pequeno que deixa canais inteiros sem exploração.

4. Pré-molares superiores: a dimensão vestibulopalatina manda no acesso

Nos pré-molares superiores, especialmente no primeiro pré-molar, a dimensão vestibulopalatina é determinante.

Quando há dois canais, eles tendem a se posicionar um para vestibular e outro para palatino.

Por isso, o acesso não deve ser excessivamente redondo nem apenas centralizado. Ele deve permitir leitura e exploração no sentido vestibulopalatino.

O primeiro pré-molar superior frequentemente apresenta dois canais e pode apresentar duas raízes. O segundo pré-molar superior, embora muitas vezes apresente um canal, também pode ter variações anatômicas relevantes.

O acesso deve permitir:

  1. visualização da câmara pulpar;

  2. identificação do canal vestibular;

  3. identificação do canal palatino;

  4. remoção de interferências coronárias;

  5. entrada dos instrumentos sem deflexão excessiva;

  6. irrigação adequada;

  7. preservação das paredes cervicais e proximais.

O erro clássico é fazer um acesso pequeno, circular e centralizado, encontrar apenas um canal e considerar o caso resolvido.

Em pré-molares superiores, o acesso deve respeitar o eixo vestibulopalatino.

5. Pré-molares inferiores: a dificuldade está na imprevisibilidade

Nos pré-molares inferiores, a dificuldade principal é a imprevisibilidade anatômica.

Em muitos casos, há um canal principal. Porém, esse canal pode ser ovalado, dividir-se ao longo da raiz ou apresentar trajetórias que não são evidentes na radiografia ortorradial.

Pré-molares inferiores podem apresentar:

  1. canal único amplo;

  2. canal ovalado;

  3. divisão em dois canais;

  4. canais vestibular e lingual;

  5. divisão no terço médio;

  6. divisão no terço apical;

  7. curvatura abrupta;

  8. canais estreitos;

  9. dificuldade de negociação;

  10. trajetória não alinhada com a coroa.

O acesso deve permitir investigação no sentido vestibulolingual, mas sem desgaste agressivo das paredes.

O erro comum é acessar de forma muito pequena, encontrar uma entrada principal e não investigar a possibilidade de divisão canalicular.

A literatura sobre pré-molares inferiores reforça que esse grupo pode apresentar variações morfológicas relevantes, especialmente no primeiro pré-molar inferior, o que exige avaliação cuidadosa antes e durante o acesso.

pré-molares complexidade

6. Radiografia: o mapa antes do acesso

A radiografia periapical não é apenas um exame de rotina.

Ela orienta o ponto de entrada, a direção do desgaste e a profundidade esperada.

Antes do acesso, observe sistematicamente:

  1. número de raízes;

  2. largura mesiodistal da raiz;

  3. espessura e trajetória da imagem do canal;

  4. presença de bifurcação;

  5. desaparecimento súbito da luz canalicular;

  6. estreitamento progressivo do canal;

  7. curvatura radicular;

  8. curvaturas não evidentes;

  9. calcificações;

  10. restaurações profundas;

  11. espessura cervical;

  12. relação com estruturas adjacentes.

Um sinal clássico de possível divisão é quando o canal “desaparece” ou perde definição ao longo da raiz.

Isso pode indicar divisão em canais menores ou sobreposição anatômica.

Radiografias anguladas são úteis para diferenciar canais sobrepostos e interpretar melhor raízes vestibulares, palatinas ou linguais separadamente.

Esse ponto se conecta diretamente ao planejamento da abertura coronária, porque a radiografia não deve ser apenas um exame inicial. Ela deve orientar ponto de entrada, direção, profundidade e necessidade de investigação anatômica.

7. Formato do acesso: ovalado, mas anatômico

O formato clássico do acesso em pré-molares tende a ser ovalado.

Nos superiores, o oval acompanha o sentido vestibulopalatino.Nos inferiores, o oval acompanha o sentido vestibulolingual.

Mas a palavra mais importante aqui não é “ovalado”.

É “anatômico”.

O acesso deve ser adaptado ao dente real, considerando:

  1. volume da câmara pulpar;

  2. posição dos canais;

  3. número de raízes;

  4. inclinação dental;

  5. presença de restauração;

  6. risco de perfuração;

  7. necessidade de preservação cervical;

  8. entrada dos instrumentos;

  9. irrigação;

  10. restauração final.

A forma final não deve ser determinada por um desenho memorizado.

Deve ser determinada pela função clínica do acesso.

Esse raciocínio reforça os princípios da abertura coronária: acesso direto, segurança operatória e preservação estrutural.

formato abertura pré-molares

8. Remoção do teto e refinamento das paredes

A remoção completa do teto da câmara é fundamental nos pré-molares.

Teto remanescente pode dificultar:

  1. visualização da dimensão vestibulopalatina ou vestibulolingual;

  2. entrada dos instrumentos;

  3. irrigação eficiente;

  4. remoção de remanescentes pulpares;

  5. identificação de divisões canaliculares;

  6. leitura anatômica da câmara;

  7. localização de canais adicionais.

Após remover o teto, pode ser necessário refinar paredes internas para eliminar interferências coronárias.

Mas há um limite claro que precisa ser respeitado.

Pré-molares têm dimensões cervicais menores que molares. O refinamento excessivo pode enfraquecer o dente rapidamente.

A regra é simples:

remova interferências, não estrutura sem finalidade.

Para remover teto e interferências sem perder o controle, o clínico precisa compreender a anatomia da câmara pulpar e escolher corretamente os instrumentais para abertura coronária.

remoção do teto

9. Localização dos canais: leitura, não força

Localizar canais em pré-molares não é questão de força.

É questão de leitura.

A magnificação, a irrigação, a secagem e a exploração delicada com instrumento fino são recursos fundamentais.

A sequência clínica deve ser:

  1. irrigar;

  2. aspirar;

  3. secar;

  4. observar;

  5. procurar diferenças de cor;

  6. identificar linhas de desenvolvimento;

  7. explorar depressões;

  8. confirmar com instrumento fino;

  9. ampliar apenas quando houver indicação anatômica.

A lógica é a mesma da técnica clínica do acesso: a broca e o ultrassom não devem procurar canais às cegas. Eles devem remover interferências guiadas por anatomia.

localização de canais

10. Sinais que sugerem dois canais em pré-molares superiores

Nos pré-molares superiores, sinais que podem sugerir dois canais incluem:

  1. linha de desenvolvimento entre vestibular e palatino no assoalho;

  2. entrada excêntrica da lima;

  3. instrumento que deflete para um lado;

  4. radiografia com raiz achatada;

  5. radiografia com bifurcação;

  6. canal que perde definição na imagem;

  7. sangramento em dois pontos distintos;

  8. duas depressões visíveis no assoalho;

  9. necessidade de acesso mais ovalado vestibulopalatino;

  10. dificuldade de irrigação quando apenas um canal foi localizado.

Nesses casos, o acesso deve permitir leitura vestibulopalatina.

O erro não é ampliar o acesso com critério.

O erro é manter um acesso pequeno quando a anatomia exige investigação.

11. Sinais de alerta em pré-molares inferiores

Nos pré-molares inferiores, os sinais de alerta para divisão canalicular incluem:

  1. lima que não progride de forma previsível;

  2. instrumento que desvia para vestibular ou lingual;

  3. canal que desaparece no terço médio na radiografia;

  4. estreitamento súbito da luz canalicular;

  5. dor persistente sem explicação aparente;

  6. retratamento com falha prévia;

  7. dificuldade de irrigação no terço apical;

  8. anatomia radicular achatada;

  9. suspeita de bifurcação;

  10. imagem radiográfica incompatível com canal único simples.

Nesses casos, o acesso precisa permitir investigação vestibulolingual, mas sem desgaste agressivo.

A magnificação, o explorador endodôntico, pontas ultrassônicas finas e a CBCT em casos selecionados podem ser decisivos.

12. Quando o risco de perfuração aumenta?

O risco de perfuração em pré-molares ocorre quando o operador perde referência de direção ou desgasta além do necessário.

Esse risco aumenta em:

  1. dentes inclinados;

  2. raízes estreitas;

  3. câmaras reduzidas;

  4. coroas protéticas;

  5. restaurações extensas;

  6. calcificações;

  7. acessos muito centralizados;

  8. tentativa agressiva de localizar canais;

  9. falta de controle de profundidade;

  10. desgaste cervical sem finalidade.

Esse risco não está apenas no assoalho.

Em pré-molares, o desgaste cervical excessivo também compromete a resistência estrutural e a restaurabilidade do dente em longo prazo.

A preservação da dentina cervical é essencial para o prognóstico.

Em pré-molares, a estrutura remanescente após o acesso precisa ser suficiente para suportar a restauração definitiva e as forças oclusais.

13. Pré-molares calcificados: conduta passo a passo

Pré-molares calcificados são especialmente difíceis porque a câmara pode ser pequena, a raiz pode ser estreita e a referência anatômica pode desaparecer rapidamente.

A conduta precisa ser metódica.

Etapa

Conduta clínica

Objetivo

Análise radiográfica

Estimar profundidade, direção e risco

Evitar acesso às cegas

Acesso progressivo

Usar brocas pequenas e avanço gradual

Controlar profundidade

Irrigação e secagem

Limpar a câmara repetidamente

Melhorar leitura anatômica

Magnificação

Usar lupa ou microscópio

Reduzir desgaste exploratório

Ultrassom seletivo

Remover dentina com precisão

Evitar desgaste excessivo

Exploração delicada

Usar instrumentos finos, sem força

Confirmar trajetória

Reavaliação

Parar quando perder referência

Prevenir perfuração

CBCT

Indicar quando a radiografia não responde

Planejar com segurança


Em pré-molares calcificados, saber parar pode evitar a perfuração.

O erro é insistir no desgaste quando a anatomia desapareceu.

Reconhecer o limite é parte da técnica.

pré molares calcificados

14. Erros comuns na abertura coronária em pré-molares

Erro

Consequência

Como evitar

Tratar pré-molar como dente simples

Canal perdido ou acesso insuficiente

Avaliar variações anatômicas

Fazer acesso redondo demais

Dificuldade de localizar canais vestibular/palatino ou vestibular/lingual

Respeitar dimensão anatômica correta

Fazer acesso muito pequeno

Deflexão de instrumentos e irrigação deficiente

Criar acesso conservador, mas suficiente

Desgastar cervical excessivamente

Enfraquecimento estrutural

Refinar apenas o necessário

Ignorar sinal radiográfico de divisão

Canal não tratado

Observar desaparecimento ou estreitamento do canal

Forçar lima em canal dividido

Degrau, transporte ou falso trajeto

Explorar com delicadeza

Não considerar CBCT em caso complexo

Persistência de dúvida anatômica

Indicar imagem quando muda a decisão clínica

Confundir centralidade com segurança

Acesso mal direcionado

Seguir anatomia interna e longo eixo real

Remover estrutura sem objetivo

Fragilização do dente

Remover interferências, não dentina sem finalidade

Não secar a câmara

Perda de pistas anatômicas

Irrigar, aspirar, secar e reavaliar


15. Checklist clínico para abertura coronária em pré-molares

Antes de considerar o acesso concluído, pergunte:

  1. O diagnóstico pulpar e periapical está definido?

  2. A radiografia foi analisada com atenção?

  3. Há suspeita de dois canais?

  4. O canal desaparece ou se estreita na radiografia?

  5. O dente é superior ou inferior?

  6. A anatomia exige leitura vestibulopalatina ou vestibulolingual?

  7. O ponto de entrada respeita o longo eixo real?

  8. A profundidade da câmara foi estimada?

  9. O teto foi completamente removido?

  10. Há interferências coronárias?

  11. O acesso permite entrada sem deflexão?

  12. A irrigação será eficiente?

  13. Há risco de perfuração?

  14. Há risco de desgaste cervical excessivo?

  15. Existe calcificação?

  16. Há indicação de magnificação?

  17. Há indicação de ultrassom?

  18. Há indicação de CBCT?

  19. A estrutura remanescente permite boa restauração?

  20. Todos os canais prováveis foram investigados?

Esse checklist evita que o pré-molar seja tratado como um dente simples quando, na verdade, pode esconder uma anatomia complexa.

matriz de correção clínica

Síntese clínica: pontos essenciais para levar à clínica

A abertura coronária em pré-molares não deve ser feita como uma versão reduzida da abertura em molares nem como uma extensão simples da técnica em dentes anteriores.

Ela deve ser planejada pelo tipo de dente, pela anatomia da raiz e pela direção provável dos canais.

Os princípios que orientam cada decisão são:

  1. respeitar o eixo vestibulopalatino nos superiores;

  2. respeitar o eixo vestibulolingual nos inferiores;

  3. usar a radiografia como guia ativo, não apenas como exame inicial;

  4. remover completamente o teto antes de qualquer refinamento;

  5. localizar canais com leitura anatômica, não com força;

  6. preservar dentina cervical;

  7. limitar desgaste ao necessário;

  8. usar magnificação e irrigação em casos complexos;

  9. considerar CBCT em casos de calcificação ou anatomia não interpretável;

  10. avaliar se o acesso permite instrumentar, irrigar e restaurar com segurança.

Pré-molares podem parecer simples, mas não devem ser subestimados.

O acesso ideal é aquele que permite localizar os canais, instrumentar, irrigar e restaurar com segurança.

Em pré-molares, a abertura coronária segura é aquela que respeita a anatomia variável antes de obedecer a qualquer desenho padrão.

Continue na Trilha de Abertura Coronária

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Abertura coronária em molares superiores Em breve

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Quer evoluir da abertura “padronizada” para uma Endodontia guiada por anatomia?

A abertura coronária em pré-molares mostra que o acesso endodôntico não pode ser decidido apenas pelo formato externo da coroa.

Pré-molares exigem leitura radiográfica, suspeita anatômica, controle de profundidade e respeito à dimensão vestibulopalatina ou vestibulolingual.

Na EndoToday, trabalhamos a Endodontia como uma sequência de decisões clínicas: diagnóstico, anatomia, planejamento, abertura coronária, localização de canais, instrumentação, irrigação e controle biológico.

Se você deseja desenvolver mais segurança na execução clínica, evitar canais não tratados e aprender a tomar decisões com base em anatomia e evidência, acompanhe as trilhas de estudo da EndoToday e conheça nossas formações presenciais.

FAQ

FAQ — Abertura coronária em pré-molares

Pré-molares são fáceis de acessar?

Nem sempre. Pré-molares podem apresentar anatomia variável, raízes achatadas, dois canais, bifurcações, curvaturas e risco de desgaste cervical. Por isso, exigem planejamento cuidadoso.

Qual é o formato do acesso em pré-molares?

O acesso em pré-molares tende a ser ovalado. Nos superiores, acompanha o sentido vestibulopalatino. Nos inferiores, acompanha o sentido vestibulolingual. Porém, a forma deve ser adaptada à anatomia real do dente.

Pré-molares superiores podem ter dois canais?

Sim. Especialmente o primeiro pré-molar superior pode apresentar dois canais, geralmente vestibular e palatino, e em muitos casos pode apresentar duas raízes.

Pré-molares inferiores podem ter mais de um canal?

Sim. Embora muitos pré-molares inferiores tenham canal único, eles podem apresentar divisão do canal, canais vestibular e lingual, bifurcações e anatomia de difícil negociação.

Qual é o maior erro na abertura coronária em pré-molares?

Um dos maiores erros é tratar pré-molares como dentes simples, fazendo um acesso pequeno, redondo e centralizado sem investigar a dimensão vestibulopalatina ou vestibulolingual.

Quando suspeitar de mais de um canal em pré-molares?

A suspeita aumenta quando a radiografia mostra estreitamento, desaparecimento súbito do canal, raiz achatada, bifurcação, instrumento descentralizado ou dificuldade de progressão da lima.

Quando considerar CBCT em pré-molares?

A CBCT pode ser considerada em casos de anatomia incerta, retratamento, calcificação, suspeita de bifurcação, perfuração, dor persistente ou falha endodôntica prévia.

Como evitar perfuração em pré-molares?

Para evitar perfuração, o clínico deve analisar radiografia, estimar profundidade, respeitar o longo eixo real, evitar desgaste cervical excessivo, usar magnificação e parar quando perder referência anatômica.

O acesso em pré-molares deve ser conservador?

Sim, mas não insuficiente. O acesso deve preservar estrutura, mas permitir localização dos canais, remoção de interferências, instrumentação segura e irrigação eficiente.

Por que a dimensão vestibulopalatina ou vestibulolingual é importante?

Porque os canais dos pré-molares frequentemente se organizam nessas dimensões. Ignorar essa leitura pode levar à perda de canais, deflexão dos instrumentos e tratamento incompleto.

Referências selecionadas

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  2. Krasner P, Rankow HJ. Anatomy of the pulp-chamber floor. Journal of Endodontics. 2004;30(1):5-16.

  3. Cleghorn BM, Christie WH, Dong CCS. The root and root canal morphology of the human mandibular first premolar: a literature review. Journal of Endodontics. 2007;33(5):509-516.

  4. Cleghorn BM, Christie WH, Dong CCS. The root and root canal morphology of the human mandibular second premolar: a literature review. Journal of Endodontics. 2007;33(9):1031-1037.

  5. Patel S, Brown J, Pimentel T, Kelly RD, Abella F, Durack C. Cone beam computed tomography in Endodontics: a review of the literature. International Endodontic Journal. 2019;52(8):1138-1152.

  6. Plotino G, Pameijer CH, Grande NM, Somma F. Ultrasonics in endodontics: a review of the literature. Journal of Endodontics. 2007;33(2):81-95.

Sobre o autor


Marco Aurélio Gagliardi Borges de terno azul e gravata azul claro, com expressão neutra, braços cruzados. Fundo preto.

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.


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