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Abertura coronária em dentes calcificados: planejamento, magnificação e prevenção de perfurações

Cartaz com dente em corte e brilho dourado; texto Navegação Anatômica em Dentes Calcificados em fundo branco quadriculado.

A abertura coronária em dentes calcificados está entre os maiores desafios da Endodontia clínica. Nesses casos, a câmara pulpar pode estar reduzida, deslocada ou quase invisível; os canais podem estar estreitos; as referências anatômicas podem estar apagadas; e o risco de desgaste excessivo, desvio e perfuração aumenta significativamente.

O erro mais comum é tentar vencer a calcificação com força.

Mas dentes calcificados não se resolvem com agressividade. Resolvem-se com planejamento, imagem, profundidade estimada, magnificação, ultrassom seletivo, irrigação, secagem, reavaliação constante e humildade clínica para parar quando a anatomia deixou de fazer sentido.

A mensagem central deste artigo é:

Em dentes calcificados, a abertura coronária não deve ser uma busca pela câmara. Deve ser uma navegação anatômica controlada até ela.

O operador não pode simplesmente “aprofundar até encontrar”. Precisa saber onde está, para onde está indo, quanto já desgastou e quando deve parar.

Navegação rápida dentro da Trilha de Abertura Coronária

Este artigo faz parte da Trilha EndoToday de Abertura Coronária em Endodontia.

Para entender o tema desde o início, leia o artigo central:

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Abertura coronária através de coroas protéticas: riscos, planejamento e tomada de decisãoEm breve

Para acessar todas as trilhas organizadas da EndoToday:


Respostas rápidas sobre abertura coronária em dentes calcificados

Pergunta

Resposta objetiva

O que é um dente calcificado em Endodontia?

É um dente com redução, estreitamento ou obliteração parcial da câmara pulpar e/ou dos canais radiculares por deposição de tecido mineralizado.

Todo dente calcificado precisa de tratamento endodôntico?

Não. A calcificação por si só não indica tratamento. A indicação depende de diagnóstico pulpar, sinais, sintomas, lesão periapical ou necessidade clínica específica.

Qual é o maior risco na abertura de dentes calcificados?

Perder a referência anatômica e perfurar, especialmente em direção à furca, parede lateral ou região cervical.

A radiografia periapical é suficiente?

Pode ser suficiente em casos simples, mas tem limitações. Em casos de dúvida anatômica, a CBCT pode ser decisiva.

Quando pedir CBCT?

Quando a radiografia não permite definir profundidade, direção, posição da câmara, trajeto do canal ou risco de perfuração.

O ultrassom é indicado?

Sim, quando usado com magnificação e objetivo anatômico claro, para remoção seletiva de dentina secundária ou calcificações.

Qual é o erro mais perigoso?

Continuar desgastando quando a câmara não aparece na profundidade esperada e a anatomia deixou de estar clara.

Como prevenir perfuração?

Planejando profundidade, respeitando eixo dental, usando magnificação, avançando em etapas e reavaliando com imagem quando necessário.


Ponto-Chave Endotoday

Em dentes calcificados, pressa e força são inimigas da localização segura do canal.

1. Por que dentes calcificados são tão desafiadores?

Em dentes com anatomia normal, a abertura coronária depende de referências relativamente claras: teto da câmara, assoalho, cornos pulpares, mudança de cor, volume pulpar e entrada dos canais.

Nos dentes calcificados, muitas dessas referências podem estar reduzidas ou ausentes.

A calcificação pode alterar:

  1. o tamanho da câmara pulpar;

  2. a posição aparente da câmara;

  3. a visibilidade do teto;

  4. a leitura do assoalho;

  5. a entrada dos canais;

  6. a trajetória inicial dos canais;

  7. a sensação tátil durante a exploração;

  8. a interpretação radiográfica;

  9. a previsibilidade da profundidade;

  10. o risco de perfuração.

O dente calcificado exige uma mudança de mentalidade.

Em vez de pensar “vou abrir até cair na câmara”, o clínico deve pensar:

Vou avançar de forma controlada até a profundidade planejada, confirmando a direção em cada etapa.

Essa diferença muda completamente a segurança do procedimento.

Infográfico de um dente em corte, dividido em anatomia padrão e calcificada, com textos sobre referências apagadas.

2. Calcificação não é sinônimo de tratamento endodôntico

Um ponto importante precisa ser esclarecido: a presença de calcificação pulpar ou obliteração do espaço pulpar não significa, por si só, indicação automática de tratamento endodôntico.

Muitos dentes calcificados permanecem assintomáticos e funcionais por anos.

A indicação de intervenção deve considerar:

  1. sintomas;

  2. resposta aos testes pulpares;

  3. presença de lesão periapical;

  4. histórico de trauma;

  5. alteração cromática associada a sinais clínicos;

  6. necessidade restauradora ou protética;

  7. suspeita de necrose;

  8. evolução radiográfica;

  9. risco biológico real.

Essa distinção é fundamental.

Tratar um dente calcificado sem indicação pode transformar um achado radiográfico em um problema iatrogênico.

Por outro lado, quando há indicação real de tratamento, a calcificação aumenta a complexidade e exige planejamento mais rigoroso.

Slide médico Diagnóstico: Calcificação não é Sentença com fluxograma de dente calcificado: acompanhar ou tratar em fundo cinza quadriculado.

3. Principais causas de calcificação pulpar

A calcificação pode estar associada a diferentes fatores.

Causa possível

Como pode afetar a abertura

Envelhecimento

Redução progressiva do volume pulpar

Trauma dental

Obliteração parcial ou extensa do canal

Cárie profunda

Deposição de dentina terciária

Restaurações extensas

Redução da câmara e alteração de referências

Bruxismo ou atrição

Deposição reacional e câmara reduzida

Tratamentos prévios

Alteração anatômica e risco de desvio

Movimentação ortodôntica

Alterações pulpares em casos específicos

Procedimentos restauradores repetidos

Redução do espaço pulpar e maior dificuldade de acesso


O importante é entender que a calcificação é uma resposta biológica ou reparativa, não apenas uma “pedra” dentro do canal.

Ela modifica a anatomia e exige adaptação técnica.

4. O planejamento começa pela pergunta correta

A pergunta inicial não deve ser:

Qual broca eu uso?

A pergunta correta é:

Onde está a câmara ou o canal remanescente, qual é a profundidade segura e qual é o risco de perfuração?

Antes de iniciar a abertura, o operador deve responder:

  1. a câmara pulpar é visível na radiografia?

  2. qual é a profundidade provável até a câmara?

  3. existe canal visível em algum terço radicular?

  4. o canal desaparece em algum ponto?

  5. o dente está inclinado ou girovertido?

  6. há coroa protética ou restauração extensa?

  7. há alteração de cor coronária?

  8. há lesão periapical?

  9. é tratamento inicial ou retratamento?

  10. a radiografia é suficiente?

  11. há necessidade de CBCT?

  12. tenho magnificação adequada?

  13. tenho ultrassom disponível?

  14. em que momento devo parar?

Em dentes calcificados, a principal proteção contra perfuração é saber o que fazer antes de iniciar o desgaste.

Infográfico em português com dois dentes: à esquerda perfuração agressiva em vermelho; à direita navegação guiada em azul.

5. Radiografia periapical: mapa inicial, não verdade absoluta

A radiografia periapical é indispensável, mas tem limitações importantes. Ela mostra uma projeção bidimensional de uma anatomia tridimensional.

Em dentes calcificados, a radiografia deve ser analisada com atenção especial para:

  1. profundidade aproximada da câmara;

  2. direção do longo eixo;

  3. espessura coronária;

  4. presença de restaurações;

  5. extensão da calcificação;

  6. ponto em que o canal deixa de ser visível;

  7. curvatura radicular;

  8. proximidade com furca;

  9. largura radicular;

  10. presença de lesão periapical.

Radiografias anguladas podem ajudar quando há sobreposição de estruturas ou dúvida sobre o trajeto do canal.

Mas existe um limite: se a imagem bidimensional não responde à pergunta clínica, insistir apenas nela pode aumentar o risco.

A radiografia orienta. A tomografia, quando indicada, esclarece.

Infográfico sobre endodontia: radiografia periapical, tomografia 3D e acesso guiado com dente azul em fundo claro.

6. Quando solicitar CBCT em dentes calcificados?

A CBCT não deve ser usada de rotina em todos os dentes calcificados. Mas pode ser fundamental quando a radiografia convencional não permite planejar o acesso com segurança.

A pergunta que justifica a CBCT é:

Esta imagem tridimensional vai mudar minha decisão clínica?

A CBCT pode ser indicada quando há:

  1. câmara pulpar não visível;

  2. canal não visível no terço cervical ou médio;

  3. dúvida sobre direção do canal;

  4. suspeita de desvio anatômico;

  5. risco aumentado de perfuração;

  6. histórico de trauma;

  7. lesão periapical associada;

  8. retratamento;

  9. coroa protética ou pino;

  10. anatomia radicular complexa;

  11. necessidade de planejamento de acesso guiado;

  12. falha prévia na localização do canal.

A CBCT deve ser interpretada com objetivo claro: identificar o trajeto provável, estimar profundidade, avaliar espessura dentinária e definir uma estratégia de acesso mais segura.

Tomografia não é luxo quando evita perfuração.

Mas também não é substituta do raciocínio clínico.

7. Acesso guiado: quando considerar?

Em casos selecionados, especialmente de calcificação severa, o acesso endodôntico guiado pode ser considerado.

A técnica utiliza CBCT associada a escaneamento intraoral ou modelo digital para planejar uma trajetória de acesso mais precisa, geralmente com guia impresso ou fresado.

Pode ser útil em:

  1. incisivos ou pré-molares com canais obliterados;

  2. dentes com grande risco de desvio;

  3. câmaras não visíveis;

  4. canais visíveis apenas no terço médio ou apical;

  5. casos com histórico de trauma;

  6. tentativas prévias sem sucesso;

  7. necessidade de preservar estrutura em dentes com anatomia crítica.

Entretanto, o acesso guiado também possui limitações:

  1. custo;

  2. necessidade de planejamento digital;

  3. risco de erro de impressão ou adaptação;

  4. diâmetro da broca;

  5. limitação em dentes posteriores com espaço reduzido;

  6. dificuldade em canais curvos;

  7. necessidade de experiência técnica.

O acesso guiado não deve ser vendido como solução universal. É uma ferramenta valiosa para casos bem indicados.

Infográfico em português com dente em raio X e perguntas sobre planejamento reverso: profundidade, eixo, zona cega e limite.

8. Controle de profundidade: o ponto decisivo

Em dentes calcificados, o controle de profundidade é absolutamente decisivo.

O operador deve estimar previamente a distância entre:

  1. superfície coronária e teto provável da câmara;

  2. superfície coronária e assoalho;

  3. superfície coronária e início visível do canal;

  4. referência oclusal/incisal e ponto de risco;

  5. direção planejada e espessura das paredes.

A abertura deve ser feita em ciclos:

  1. avançar pouco;

  2. irrigar;

  3. aspirar;

  4. secar;

  5. observar com magnificação;

  6. comparar com a imagem;

  7. confirmar direção;

  8. avançar novamente apenas se houver segurança.

O erro perigoso é ultrapassar a profundidade planejada esperando “encontrar alguma coisa”.

Se a câmara não apareceu na profundidade esperada, a conduta correta não é aprofundar mais.

A conduta correta é parar e reavaliar.

Infográfico com ciclo azul e dourado sobre navegação e profundidade, com caixas de texto sobre confirmar, avançar, magnificar e limpar.

9. Magnificação: enxergar mais para desgastar menos

A magnificação é um recurso decisivo nos dentes calcificados.

Lupas de boa qualidade, microscópio operatório e iluminação adequada permitem identificar detalhes que muitas vezes não são visíveis a olho nu:

  1. mudança de cor da dentina;

  2. linhas anatômicas;

  3. microdepressões;

  4. calcificações;

  5. entrada canalicular discreta;

  6. trincas;

  7. dentina secundária;

  8. limites de restauração;

  9. zonas de risco.

Quanto melhor o operador enxerga, menos precisa desgastar por tentativa.

A magnificação não transforma um caso difícil em caso simples. Mas transforma uma busca cega em uma busca orientada.

Infográfico odontológico com três brocas em triângulo e textos sobre magnificação, ultrassom e brocas pequenas; fundo branco.

10. Ultrassom: precisão com responsabilidade

O ultrassom é um dos recursos mais importantes na abordagem de dentes calcificados.

Ele pode ser usado para:

  1. remover dentina secundária de forma seletiva;

  2. refinar paredes internas;

  3. explorar linhas anatômicas;

  4. remover calcificações localizadas;

  5. procurar entradas canaliculares;

  6. trabalhar em áreas específicas sob visão direta.

Mas o ultrassom também remove dentina.

Quando usado sem critério, pode causar:

  1. desgaste excessivo;

  2. perfuração;

  3. criação de sulcos artificiais;

  4. enfraquecimento estrutural;

  5. perda de referência anatômica;

  6. aquecimento;

  7. falsa sensação de segurança.

A pergunta que deve orientar o ultrassom é:

Qual dentina estou removendo, em qual direção, com qual objetivo e com qual limite?

Sem essa resposta, o ultrassom não é precisão. É improviso com tecnologia.

Infográfico médico sobre ultrassom odontológico, com ponta metálica sobre dente e áreas verde e vermelha; texto alerta sobre precisão.

11. Brocas pequenas e progressão controlada

Em dentes calcificados, brocas maiores e mais agressivas podem acelerar o erro.

O uso de brocas pequenas e progressivas permite maior controle, principalmente nas etapas iniciais.

O objetivo não é abrir rapidamente. É manter referência.

A escolha do instrumento deve considerar:

  1. substrato a ser removido;

  2. profundidade estimada;

  3. direção do acesso;

  4. proximidade da furca;

  5. espessura dentinária;

  6. presença de restauração;

  7. necessidade de refinamento;

  8. risco de desvio.

A broca deve trabalhar a favor do planejamento, não substituir o planejamento.

Em calcificação, velocidade não é eficiência. Controle é eficiência.


12. Como reconhecer pistas anatômicas em dentes calcificados

Mesmo quando a câmara está reduzida, algumas pistas podem orientar o clínico.

Observe:

  1. diferença de cor entre dentina regular e dentina secundária;

  2. pequenas depressões;

  3. linhas de desenvolvimento;

  4. pontos de sangramento localizados;

  5. bolhas após irrigação;

  6. mudança de textura;

  7. sensação tátil com explorador;

  8. resposta da lima fina;

  9. continuidade com o eixo radicular;

  10. posição esperada do canal pelo grupo dental.

A entrada do canal nem sempre aparece como um orifício evidente. Às vezes, surge como uma pequena mudança de cor, uma depressão ou uma sensação tátil discreta.

O olhar treinado identifica pistas. O olhar apressado procura buracos.

Infográfico em PT com close-up circular de micro-mapa anatômico dentário, com rótulos sobre cor, microdepressões e bolhas.

13. Exploração inicial: delicadeza antes da força

Quando uma possível entrada é identificada, a exploração deve ser feita com delicadeza.

Use limas finas, frequentemente #06, #08 ou #10, preferencialmente pré-curvadas, com movimentos curtos e sem pressão apical excessiva.

A exploração serve para:

  1. confirmar a entrada;

  2. perceber a direção;

  3. avaliar permeabilidade;

  4. identificar resistência;

  5. reconhecer curvatura;

  6. evitar degrau;

  7. iniciar glide path;

  8. confirmar se há trajeto real.

Se a lima não progride, não force.

A resistência pode significar:

  1. calcificação;

  2. direção errada;

  3. curvatura;

  4. degrau;

  5. entrada falsa;

  6. canal muito estreito;

  7. necessidade de reavaliar imagem.

Em dentes calcificados, forçar a lima pode criar um problema que não existia.

Infográfico de endodontia com lima #08, aviso No Force e boxes Ferramentas, Geometria e Dinâmica.

14. Sinais de alerta durante a abertura

Durante o acesso em dentes calcificados, alguns sinais exigem pausa imediata.

Sinal de alerta

O que pode significar

Conduta

Câmara não aparece na profundidade estimada

Direção incorreta ou calcificação maior que o previsto

Parar e reavaliar imagem

Desgaste começa a fugir do eixo

Risco de perfuração lateral

Corrigir direção ou solicitar CBCT

Sangramento em local incompatível

Possível comunicação periodontal

Parar, secar e avaliar

Sensação de queda inesperada

Possível perfuração ou entrada anatômica

Confirmar antes de avançar

Assoalho não é identificável

Referência anatômica perdida

Irrigar, secar, magnificar e reavaliar

Instrumento não progride

Calcificação, desvio ou direção incorreta

Não forçar; rediagnosticar

Dentina removida além do previsto

Risco estrutural aumentado

Interromper e replanejar


O pior erro é perceber que algo está errado e continuar mesmo assim.

Infográfico de alerta em endodontia com ícones de aviso vermelhos e amarelo, texto sobre risco crítico e ações imediatas.

15. Tabela: condutas seguras em dentes calcificados

Etapa

Conduta recomendada

Objetivo

Diagnóstico

Confirmar indicação real de tratamento

Evitar intervenção desnecessária

Radiografia

Avaliar profundidade, direção e calcificação

Planejar o acesso

CBCT

Usar quando a radiografia não responde à pergunta clínica

Reduzir risco de perfuração

Ponto de entrada

Definir pela anatomia interna, não pela coroa aparente

Evitar desvio

Profundidade

Estimar antes e monitorar durante

Prevenir perfuração

Instrumentação inicial

Usar brocas pequenas e controle visual

Manter referência

Magnificação

Utilizar lupa ou microscópio

Enxergar pistas anatômicas

Ultrassom

Usar seletivamente e sob visão

Remover dentina com precisão

Exploração

Limas finas pré-curvadas, sem força

Confirmar trajeto real

Reavaliação

Parar quando a anatomia não fizer sentido

Evitar iatrogenia


16. Quando parar?

Esta talvez seja a habilidade mais importante em dentes calcificados.

O operador deve parar quando:

  1. atingiu a profundidade estimada e não encontrou referência;

  2. perdeu a direção;

  3. não consegue distinguir teto, parede ou assoalho;

  4. a imagem clínica não corresponde à radiografia;

  5. a dentina removida já excedeu o planejado;

  6. há suspeita de perfuração;

  7. a lima não progride apesar de tentativa delicada;

  8. a anatomia não faz mais sentido.

Parar não é fracassar.

Parar é impedir que um caso difícil vire um acidente.

A decisão madura é saber quando avançar e quando reavaliar.

Cartaz em fundo branco com broca odontológica e texto em português: A Habilidade Mais Importante: Saber Parar.

17. Checklist para abertura em dentes calcificados

Antes de iniciar, confirme:

  1. existe indicação real para tratamento endodôntico?

  2. o diagnóstico pulpar e periapical está claro?

  3. a câmara pulpar é visível na radiografia?

  4. o canal é visível em algum terço radicular?

  5. qual é a profundidade provável até a câmara?

  6. qual é o eixo real do dente?

  7. existe restauração, coroa ou pino?

  8. há histórico de trauma?

  9. há alteração cromática?

  10. há lesão periapical?

  11. a radiografia periapical é suficiente?

  12. preciso de radiografia angulada?

  13. preciso de CBCT?

  14. tenho magnificação adequada?

  15. tenho ultrassom disponível?

  16. qual será meu ponto de entrada?

  17. qual será meu limite de profundidade?

  18. quando devo parar?

  19. qual é o risco de perfuração?

  20. qual é minha estratégia se o canal não aparecer?

Esse checklist transforma ansiedade em método.

Infográfico em português com checklist do endodontista: pré-operatório, navegação e exploração; fundo quadriculado azul.

18. Síntese clínica: pontos essenciais para levar à clínica

Dentes calcificados exigem um padrão superior de planejamento.

O clínico deve lembrar que:

  1. calcificação não indica tratamento automaticamente;

  2. a indicação depende do diagnóstico;

  3. a radiografia é ponto de partida, não verdade absoluta;

  4. CBCT é indicada quando muda a conduta;

  5. profundidade deve ser estimada antes da broca;

  6. magnificação reduz desgaste exploratório;

  7. ultrassom é ferramenta de precisão, não licença para desgastar;

  8. brocas pequenas aumentam controle;

  9. a entrada do canal pode ser uma pista discreta;

  10. limas finas devem ser usadas com delicadeza;

  11. insistir sem referência aumenta risco de perfuração;

  12. saber parar é parte da técnica.

A frase central deste artigo é:

Em dentes calcificados, método vence força. E reavaliar cedo é sempre melhor do que reparar tarde.
Cartaz em português sobre odontologia com dente 3D translúcido e texto Método Vence Força; fundo branco.

Continue estudando a Trilha de Abertura Coronária

Este artigo aprofunda a abertura coronária em dentes calcificados, uma das situações clínicas com maior risco de perfuração e perda de referência anatômica.

Para estudar a sequência completa da trilha, acesse o hub central:

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Abertura coronária através de coroas protéticas: riscos, planejamento e tomada de decisãoEm breve

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Dentes calcificados exigem mais do que técnica manual. Exigem diagnóstico, imagem, planejamento, magnificação, controle de profundidade e tomada de decisão.

Na EndoToday, ensinamos Endodontia como raciocínio clínico aplicado: cada etapa precisa ter uma justificativa anatômica, biológica e restauradora.

Tela azul com FAQ, Perguntas Frequentes e Base científica. Respostas claras, com ícones de balões e ponto de interrogação.

FAQ — Abertura coronária em dentes calcificados

O que é um dente calcificado em Endodontia?

Um dente calcificado é aquele que apresenta redução, estreitamento ou obliteração parcial do espaço pulpar por deposição de tecido mineralizado, dificultando a identificação da câmara pulpar e dos canais radiculares.

Todo dente calcificado precisa de tratamento endodôntico?

Não. A calcificação por si só não indica tratamento endodôntico. A indicação depende do diagnóstico pulpar e periapical, presença de sintomas, lesão periapical, histórico de trauma ou necessidade clínica específica.

Qual é o maior risco na abertura de dentes calcificados?

O maior risco é perder a referência anatômica e causar perfuração, especialmente por excesso de profundidade, direção inadequada ou desgaste sem planejamento.

A radiografia periapical é suficiente em dentes calcificados?

Em alguns casos, sim. Porém, em calcificações severas ou quando a câmara e o canal não são visíveis, a radiografia periapical pode ser insuficiente e a CBCT pode ser indicada.

Quando pedir CBCT em dentes calcificados?

A CBCT pode ser indicada quando a radiografia não permite definir a posição da câmara, a direção do canal, a profundidade segura, a espessura dentinária ou o risco de perfuração.

O ultrassom ajuda na abertura de dentes calcificados?

Sim. O ultrassom pode ajudar na remoção seletiva de dentina secundária e calcificações, principalmente sob magnificação. Porém, deve ser usado com objetivo anatômico claro para evitar desgaste excessivo.

Como evitar perfuração em dentes calcificados?

Para evitar perfuração, é necessário planejar profundidade, respeitar o eixo real do dente, usar magnificação, avançar em etapas, irrigar, secar, reavaliar com frequência e solicitar CBCT quando a anatomia não estiver clara.

Qual lima usar para explorar canais calcificados?

A exploração inicial geralmente deve ser feita com limas finas, como #06, #08 ou #10, preferencialmente pré-curvadas, com movimentos delicados e sem força apical excessiva.

Quando devo parar durante a abertura de um dente calcificado?

O operador deve parar quando atingir a profundidade estimada sem encontrar referência anatômica, quando perder a direção, quando houver suspeita de perfuração ou quando a imagem clínica não corresponder ao planejamento.

O acesso guiado é indicado para todos os dentes calcificados?

Não. O acesso guiado pode ser útil em casos selecionados de calcificação severa, especialmente quando há alto risco de desvio ou perfuração, mas não deve ser usado como solução universal.

Referências selecionadas

  1. McCabe PS, Dummer PMH. Pulp canal obliteration: an endodontic diagnosis and treatment challenge. International Endodontic Journal. 2012;45(2):177-197.

  2. Amir FA, Gutmann JL, Witherspoon DE. Calcific metamorphosis: a challenge in endodontic diagnosis and treatment. Quintessence International. 2001;32(6):447-455.

  3. Goga R, Chandler NP, Oginni AO. Pulp stones: a review. International Endodontic Journal. 2008;41(6):457-468.

  4. Krastl G, Zehnder MS, Connert T, Weiger R, Kühl S. Guided Endodontics: a novel treatment approach for teeth with pulp canal calcification and apical pathology. Dental Traumatology. 2016;32(3):240-246.

  5. Connert T, Zehnder MS, Weiger R, Kühl S, Krastl G. Microguided Endodontics: accuracy of a miniaturized technique for apically extended access cavity preparation in anterior teeth. Journal of Endodontics. 2017;43(5):787-790.

  6. Buchgreitz J, Buchgreitz M, Mortensen D, Bjørndal L. Guided access cavity preparation using cone-beam computed tomography and optical surface scans: an ex vivo study. International Endodontic Journal. 2016;49(8):790-795.

  7. Patel S, Brown J, Pimentel T, Kelly RD, Abella F, Durack C. Cone beam computed tomography in Endodontics: a review of the literature. International Endodontic Journal. 2019;52(8):1138-1152.

  8. Plotino G, Pameijer CH, Grande NM, Somma F. Ultrasonics in Endodontics: a review of the literature. Journal of Endodontics. 2007;33(2):81-95.

  9. American Association of Endodontists. Glossary of Endodontic Terms. American Association of Endodontists.

Sobre o autor


Marco Aurélio Gagliardi Borges de terno azul e gravata azul claro, com expressão neutra, braços cruzados. Fundo preto.

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.


Não ensinamos apenas a tratar dentes.

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