Abertura coronária: técnica clínica passo a passo
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- há 2 dias
- 14 min de leitura

A abertura coronária em Endodontia não deve ser compreendida como uma sequência automática de brocas. Ela é uma sequência clínica de decisões: diagnosticar, planejar, acessar, reconhecer a câmara pulpar, remover o teto, preservar o assoalho, localizar canais e confirmar se o acesso realmente permite instrumentação, irrigação e desinfecção com segurança.
Uma abertura coronária bem executada facilita a localização dos canais radiculares, reduz interferências coronárias, melhora a irrigação, preserva estrutura dentária e diminui o risco de perfurações. Uma abertura mal executada pode comprometer todo o tratamento endodôntico, mesmo que as etapas seguintes sejam realizadas com bons instrumentos e técnica adequada.
Por isso, a técnica clínica da abertura coronária não começa com a broca.
Começa com diagnóstico, imagem, anatomia e planejamento.
A abertura coronária segura não é uma sequência de instrumentos. É uma sequência de decisões anatômicas e biológicas.

O que é a técnica clínica da abertura coronária?
A técnica clínica da abertura coronária é a sequência operatória utilizada para acessar a câmara pulpar, remover o teto da câmara, preservar o assoalho, localizar os orifícios dos canais radiculares e criar uma via de entrada adequada para a instrumentação, irrigação e obturação.
O objetivo não é simplesmente “abrir o dente”. O objetivo é criar um acesso endodôntico que permita tratar o sistema de canais radiculares com segurança, previsibilidade e respeito à estrutura dentária remanescente.
Essa técnica envolve:
confirmação diagnóstica;
análise radiográfica;
isolamento absoluto;
definição do ponto de entrada;
penetração inicial controlada;
reconhecimento da câmara pulpar;
remoção completa do teto;
refinamento das paredes internas;
limpeza, aspiração e secagem;
leitura do assoalho;
localização dos orifícios;
exploração inicial dos canais;
avaliação da qualidade do acesso.
Respostas rápidas sobre a técnica clínica da abertura coronária
Pergunta | Resposta objetiva |
A abertura coronária começa na broca? | Não. Ela começa com diagnóstico, radiografia, planejamento e leitura anatômica. |
Qual é o primeiro passo clínico? | Confirmar diagnóstico pulpar e periapical, avaliar se é tratamento inicial ou retratamento e analisar riscos anatômicos. |
A radiografia deve ser consultada apenas antes do acesso? | Não. Ela deve ser analisada antes e consultada durante o procedimento sempre que necessário. |
O teto da câmara deve ser totalmente removido? | Sim. Teto remanescente dificulta a visualização, a irrigação e a localização dos canais. |
O assoalho deve ser desgastado? | Não de forma aleatória. O assoalho deve ser preservado, limpo e interpretado. |
Como localizar os canais? | Pela leitura anatômica do assoalho, observando sulcos, depressões, mudança de cor, ângulos da câmara e simetria. |
Quando o acesso está adequado? | Quando permite visualização do assoalho, localização dos canais, entrada dos instrumentos sem deflexão excessiva e irrigação eficiente. |
Qual é o maior erro técnico? | Continuar desgastando após perder referência anatômica. |
Este artigo faz parte da trilha de Abertura Coronária da EndoToday
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Passo a passo não é receita; é controle progressivo do risco.
1. Antes de pegar a broca: confirme o diagnóstico
A primeira etapa do acesso coronário não começa com instrumentos na mão.
Começa com raciocínio clínico.
Antes de qualquer desgaste, o profissional precisa ter clareza sobre:
diagnóstico pulpar;
diagnóstico periapical;
se é tratamento inicial ou retratamento;
presença de dor espontânea;
presença de dor provocada;
presença de dor à mastigação;
existência de lesão periapical;
suspeita de trinca ou fratura;
tipo de restauração presente;
presença de coroa, pino, núcleo, resina, amálgama ou cerâmica;
possibilidade de isolamento absoluto;
risco de perfuração.
Isso importa porque casos diferentes exigem estratégias diferentes.
Um dente com pulpite irreversível sintomática, um dente necrosado com lesão periapical e um retratamento com pino não têm o mesmo planejamento.
A pergunta que deve guiar o início não é:
“Com qual broca eu começo?”
A pergunta correta é:
“Qual problema biológico e anatômico eu preciso resolver neste dente?”
Essa mudança de pergunta muda a qualidade da técnica.

2. Leia a radiografia como um mapa
A radiografia periapical deve ser analisada com cuidado antes da abertura e consultada durante o procedimento sempre que necessário.
Ela fornece informações essenciais, como:
tamanho da câmara pulpar;
profundidade provável da câmara;
grau de calcificação;
inclinação dental;
número de raízes;
número provável de canais;
curvaturas radiculares;
presença de restaurações;
presença de pinos ou núcleos;
relação com a furca em molares;
suspeita de canais adicionais;
extensão de lesão periapical;
presença de reabsorções;
relação com estruturas anatômicas adjacentes.
Em dentes posteriores, radiografias anguladas ajudam a interpretar sobreposições e variações anatômicas.
A radiografia não revela tudo, mas evita erros básicos.
Começar o acesso sem estimar profundidade é começar sem uma informação crítica.
E, em Endodontia, informação ausente vira risco presente.

3. Garanta um campo operatório estável
Técnica clínica exige campo limpo, seco, iluminado e controlado.
O isolamento absoluto deve ser feito antes da abertura sempre que possível, pois melhora o controle biológico, reduz contaminação, protege o paciente e organiza o campo de trabalho.
Antes de começar, verifique:
estabilidade do grampo;
vedamento do lençol de borracha;
presença de cárie subgengival;
presença de restauração infiltrada;
integridade das paredes coronárias;
necessidade de reconstrução pré-endodôntica;
adequação do acesso visual;
possibilidade de contaminação salivar;
restaurabilidade do dente.
Em alguns casos, um pré-acesso é necessário antes da abertura propriamente dita.
Esse pré-acesso pode incluir:
remoção de cárie;
remoção de restauração infiltrada;
reconstrução provisória;
regularização de paredes;
adequação do isolamento absoluto;
avaliação real da estrutura remanescente.
Se o campo já começa comprometido, a técnica começa comprometida.

4. Planeje o ponto de entrada pela anatomia interna, não pela aparência externa
A coroa clínica pode estar alterada por restaurações extensas, desgaste oclusal, fraturas, giroversões, inclinações ou reconstruções prévias.
Por isso, a aparência externa não deve ser o único guia.
O ponto de entrada deve ser planejado a partir da anatomia interna provável do dente, considerando:
centro anatômico do dente;
longo eixo real;
profundidade estimada da câmara;
posição das raízes;
localização provável dos canais;
necessidade de preservar dentina pericervical;
risco de perfuração;
presença de coroa protética;
presença de restauração extensa;
referência da junção cemento-esmalte.
Esse raciocínio se conecta diretamente às leis de Krasner e Rankow: o acesso deve ser direto, seguro e preservador, sempre orientado por referências anatômicas confiáveis.
A coroa pode enganar.

5. Faça a penetração inicial com controle de direção e profundidade
A broca escolhida depende do substrato: esmalte, dentina, resina, amálgama, cerâmica ou metal.
O que muda não é apenas o instrumento.
Muda a intenção.
O profissional precisa saber exatamente:
o que está removendo;
em qual direção está avançando;
qual profundidade pretende alcançar;
qual estrutura deseja preservar;
quando deve parar;
como irá confirmar a aproximação da câmara.
A penetração inicial não deve ser feita “até cair na câmara” de forma descontrolada.
O ideal é avançar em etapas:
desgaste controlado;
irrigação;
aspiração;
secagem;
inspeção;
comparação com a radiografia;
novo avanço apenas se a referência anatômica estiver preservada.
Esse é o momento em que a escolha dos instrumentais para abertura coronária faz diferença real.
O instrumental deve servir à técnica, não ao hábito.

6. Reconheça a entrada na câmara pulpar
A chegada à câmara pulpar é percebida por uma combinação de sinais clínicos.
Entre eles:
mudança de resistência ao corte;
mudança de coloração da dentina;
presença de tecido pulpar;
sangramento em dentes vitais;
sensação de espaço cavitário;
alteração de textura;
diferença entre parede e assoalho;
confirmação visual sob magnificação;
confirmação tátil com explorador.
Em câmaras amplas, isso costuma ser evidente.
Em dentes calcificados, envelhecidos ou muito restaurados, pode ser sutil.
O erro comum é continuar desgastando quando a câmara não aparece na profundidade esperada.
A conduta segura é:
parar;
irrigar;
secar;
reavaliar a radiografia;
reconsiderar a direção;
avaliar a necessidade de nova imagem;
considerar CBCT em casos selecionados.
Saber parar é tão importante quanto saber avançar.

7. Remova completamente o teto da câmara
A remoção incompleta do teto é uma das causas mais comuns de falha na abertura coronária.
Teto remanescente dificulta:
localização dos canais;
entrada dos instrumentos;
irrigação eficiente;
leitura anatômica do assoalho;
remoção de tecido pulpar;
controle do sangramento em dentes vitais;
visualização de canais adicionais;
identificação de calcificações;
prevenção de escurecimento coronário.
A remoção deve ser feita com instrumentos que permitam corte lateral e refinamento, como a broca Endo-Z ou outras brocas de ponta inativa, sempre de acordo com a situação clínica.
O objetivo é direto:
o teto deve ser completamente removido; o assoalho deve ser preservado.
Essa distinção é fundamental.
O teto é obstáculo.
O assoalho é mapa.

8. Refine as paredes internas com critério
Após remover o teto, pode ser necessário refinar as paredes para eliminar projeções de dentina e melhorar a trajetória dos instrumentos.
Esse refinamento busca:
melhorar a visualização;
reduzir deflexão das limas;
facilitar irrigação;
permitir exploração inicial dos canais;
eliminar interferências coronárias;
favorecer acesso direto aos orifícios;
permitir leitura adequada do assoalho.
No entanto, refinamento não é ampliação indiscriminada.
O acesso ideal não é necessariamente o menor possível.
Também não é o maior.
É o menor acesso que permite localizar, instrumentar, irrigar e desinfectar com segurança.
O princípio é claro:
preservar estrutura não pode comprometer a finalidade biológica do tratamento.
9. Lave, aspire, seque e leia a câmara antes de procurar canais
Câmara suja não é mapa confiável.
Antes de procurar ativamente os orifícios dos canais, a câmara deve ser limpa.
A sequência clínica é:
irrigar;
aspirar;
secar;
observar;
explorar;
reavaliar.
Após a limpeza, torna-se possível identificar:
diferenças de cor;
sulcos de desenvolvimento;
depressões anatômicas;
orifícios dos canais;
calcificações;
trincas;
teto remanescente;
tecido pulpar residual;
limites entre parede e assoalho.
Esse cuidado se conecta diretamente às leis de Krasner e Rankow: as pistas anatômicas do assoalho só são úteis quando a câmara está limpa e visível.
A câmara precisa ser interpretada.
E ninguém interpreta bem um campo sujo.
10. Preserve e interprete o assoalho
O assoalho não deve ser desgastado aleatoriamente.
Ele deve ser lido.
O assoalho pode revelar:
sulcos;
depressões;
diferenças de cor;
entradas de canais;
calcificações;
relações de simetria;
linhas de desenvolvimento;
pontos terminais de fusão;
pistas para canais adicionais.
Evite dois extremos:
não tocar em nada e deixar interferências atrapalharem;
desgastar o assoalho indiscriminadamente à procura de canais.
O caminho seguro é:
limpar;
iluminar;
magnificar;
explorar;
remover dentina apenas quando houver indicação anatômica.
Em molares superiores, por exemplo, o sulco entre o canal mesiovestibular e o palatino orienta a busca pelo MV2.
Em molares inferiores, a anatomia do sulco mesial pode indicar canais adicionais.
O assoalho não é uma superfície a ser “regularizada”.
É uma estrutura a ser interpretada.
11. Localize os orifícios com visão, tato e anatomia
A busca pelos canais não deve ser uma procura às cegas.
Os orifícios geralmente estão relacionados a:
ângulos da câmara;
junção entre parede e assoalho;
sulcos de desenvolvimento;
linhas de fusão;
áreas de mudança de cor;
depressões anatômicas;
simetria;
pontos terminais de sulcos.
Nessa etapa, magnificação e explorador endodôntico são recursos fundamentais.
A magnificação aumenta a leitura visual.
O explorador confirma a suspeita tátil.
O ultrassom pode ser usado para remoção seletiva de dentina quando necessário.
A irrigação e a secagem melhoram a interpretação do campo.
A regra clínica é simples:
canal se localiza por anatomia, não por insistência.

12. Explore os canais com delicadeza
Após localizar os orifícios, a exploração inicial deve ser cuidadosa.
O objetivo é:
confirmar a entrada do canal;
avaliar permeabilidade inicial;
identificar curvaturas;
detectar interferências coronárias;
perceber calcificações;
reconhecer possíveis obstruções;
avaliar se o acesso precisa de refinamento adicional.
Para isso, usam-se limas manuais finas, com movimentos delicados e sem pressão apical excessiva.
Se a lima entra com grande deflexão, há interferência no acesso que precisa ser corrigida.
Se a lima não progride, pode haver calcificação, curvatura, degrau, obstrução ou direção inadequada.
A exploração inicial não é uma disputa com o canal.
É uma conversa com a anatomia.
13. Avalie se o acesso cumpre sua finalidade
Antes de considerar a abertura concluída, o profissional deve verificar se ela realmente permite realizar o tratamento endodôntico.
O acesso está adequado quando possibilita:
visualização clara do assoalho;
localização dos canais esperados;
busca racional por canais adicionais;
entrada dos instrumentos sem deflexão excessiva;
remoção de remanescentes pulpares;
preservação estrutural satisfatória;
controle de riscos;
restauração futura previsível.
O acesso está inadequado quando há:
teto remanescente;
canais não visualizados;
deflexão excessiva dos instrumentos;
irrigação insuficiente;
desgaste sem critério do assoalho;
perda de referência anatômica;
suspeita de canal adicional não investigado;
dificuldade de entrada dos instrumentos;
necessidade de força para explorar o canal.
A técnica clínica não termina quando a broca para.
Ela termina quando o acesso permite que o tratamento siga com segurança.
Tabela prática: abertura coronária passo a passo
Etapa | Objetivo clínico | Ponto crítico |
Diagnóstico | Definir o problema biológico e anatômico | Não tratar todos os casos como iguais |
Radiografia | Estimar profundidade, anatomia e risco | Não iniciar sem mapa de profundidade |
Isolamento | Controlar contaminação e campo operatório | Não acessar em campo instável |
Ponto de entrada | Orientar o acesso pela anatomia interna | Não confiar apenas na coroa clínica |
Penetração inicial | Avançar com controle de direção e profundidade | Não “cair na câmara” sem controle |
Reconhecimento da câmara | Identificar sinais clínicos de entrada | Parar se ultrapassar profundidade esperada |
Remoção do teto | Expor completamente a câmara | Remover teto sem destruir assoalho |
Refinamento | Eliminar interferências coronárias | Não ampliar sem finalidade |
Limpeza e secagem | Melhorar leitura anatômica | Câmara suja não é mapa |
Leitura do assoalho | Interpretar pistas anatômicas | Preservar sulcos, cor e depressões |
Localização dos canais | Encontrar orifícios com método | Não procurar canais por insistência |
Exploração inicial | Confirmar entrada e permeabilidade | Não forçar limas |
Avaliação final | Confirmar função do acesso | O acesso deve permitir o tratamento completo |
Checklist clínico da abertura coronária
Antes de considerar o acesso concluído, pergunte:
O diagnóstico pulpar e periapical está definido?
A radiografia foi analisada com atenção?
A profundidade da câmara foi estimada?
A inclinação real do dente foi considerada?
O isolamento absoluto está adequado?
O ponto de entrada foi definido pela anatomia?
A penetração inicial respeitou direção e profundidade?
A câmara foi localizada com segurança?
O teto foi completamente removido?
O assoalho foi preservado?
A câmara foi irrigada, aspirada e seca?
A diferença de cor entre parede e assoalho foi observada?
Os canais esperados foram encontrados?
Há suspeita de canal adicional?
O explorador confirmou as entradas?
Há necessidade de ultrassom?
Há necessidade de CBCT?
As limas entram sem deflexão excessiva?
A irrigação será eficiente?
O acesso preserva estrutura suficiente para restauração?
Esse checklist não é burocracia.
É controle clínico.

Erros comuns na técnica clínica da abertura coronária
Erro | Consequência | Como evitar |
Começar sem diagnóstico claro | Acesso sem finalidade clínica | Confirmar diagnóstico pulpar e periapical |
Não estimar profundidade | Perfuração ou desgaste insuficiente | Analisar radiografia antes e durante |
Confiar apenas na coroa clínica | Direção errada | Usar anatomia interna, JCE e radiografia |
Não remover todo o teto | Canais perdidos e irrigação deficiente | Refinar paredes e confirmar com explorador |
Desgastar o assoalho | Perda de pistas anatômicas ou perfuração | Preservar e interpretar o assoalho |
Não lavar e secar | Leitura anatômica prejudicada | Irrigar, aspirar e secar antes de avançar |
Procurar canais aleatoriamente | Desgaste excessivo | Usar pistas anatômicas e leis de Krasner e Rankow |
Forçar limas | Degrau, transporte ou falso trajeto | Explorar com limas finas e delicadeza |
Parar ao encontrar o primeiro canal | Canal adicional não localizado | Confirmar todos os canais esperados |
O ponto cego mais comum: achar que o acesso acabou quando encontrou um canal
Um erro muito comum é considerar a abertura coronária concluída assim que o primeiro canal é encontrado.
Isso é insuficiente.
Encontrar um canal não significa que o acesso está adequado.
O clínico ainda precisa avaliar:
há teto remanescente?
o assoalho está visível?
todos os canais esperados foram localizados?
existe suspeita de canal adicional?
a lima entra sem interferência?
a irrigação será eficiente?
o acesso permite instrumentação segura?
a estrutura remanescente foi preservada?
o campo permite continuidade do tratamento?
A abertura coronária não termina quando aparece um canal.
Termina quando o acesso permite tratar o sistema de canais radiculares com segurança.

Mensagem clínica central
A técnica clínica da abertura coronária não é uma receita rígida.
É uma sequência de decisões.
Confirmar o diagnóstico.Ler a radiografia.Controlar o campo.Planejar o ponto de entrada.Avançar com profundidade.Reconhecer a câmara.Remover o teto.Preservar o assoalho.Lavar, secar e interpretar.Localizar canais com anatomia.Explorar sem força.Avaliar se o acesso cumpre sua função.
A broca remove estrutura.
O raciocínio define o caminho.
Em Endodontia, a abertura coronária não deve ser feita para “achar a câmara”. Ela deve ser feita para acessar o sistema de canais com segurança, anatomia e finalidade biológica.
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8. Abertura coronária em dentes anteriores
Em breve
9. Abertura coronária em pré-molares
Em breve
10. Abertura coronária em molares superiores
Em breve
11. Abertura coronária em molares inferiores
Em breve
12. Como localizar o MV2/MB2 em molares superiores
Em breve
13. Acesso conservador versus acesso tradicional
Em breve
14. Erros e perfurações na abertura coronária
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15. Abertura coronária em dentes calcificados
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16. Microscópio e ultrassom na abertura coronária
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17. Abertura coronária através de coroas protéticas
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18. CBCT no planejamento da abertura coronária
Em breve
Quer evoluir da técnica para o raciocínio clínico?
A abertura coronária passo a passo mostra que a Endodontia não é apenas execução manual. É diagnóstico, anatomia, planejamento, controle e tomada de decisão.
Na EndoToday, trabalhamos para que o aluno desenvolva uma Endodontia mais consciente, segura e biologicamente orientada — entendendo não apenas o que fazer, mas por que fazer, quando fazer e quando parar.
Se você deseja sair da execução automática e desenvolver mais segurança no diagnóstico, no acesso, na localização de canais e na condução do tratamento endodôntico, acompanhe as trilhas de estudo da EndoToday e conheça nossas formações presenciais.
Se você busca uma formação progressiva, clínica e acompanhada de perto, conheça também a Especialização em Endodontia da AORP:

FAQ — Técnica clínica da abertura coronária em Endodontia
Qual é o primeiro passo da abertura coronária?
O primeiro passo é confirmar o diagnóstico e planejar o acesso. Antes da broca, o clínico deve avaliar diagnóstico pulpar e periapical, radiografia, profundidade da câmara, inclinação dental, restaurações, risco de perfuração e possibilidade de canais adicionais.
A abertura coronária começa na broca?
Não. A abertura coronária começa antes da broca, com diagnóstico, imagem, leitura anatômica e planejamento clínico.
Como escolher o ponto de entrada da abertura coronária?
O ponto de entrada deve ser definido pela anatomia interna provável do dente, considerando junção cemento-esmalte, longo eixo real, profundidade da câmara, posição das raízes, restaurações e canais esperados.
O teto da câmara pulpar deve ser totalmente removido?
Sim. O teto remanescente dificulta a visualização do assoalho, a localização dos canais, a irrigação, a remoção de tecido pulpar e a entrada dos instrumentos.
O assoalho da câmara deve ser desgastado?
O assoalho não deve ser desgastado de forma indiscriminada. Ele deve ser limpo, preservado e interpretado, pois contém pistas anatômicas importantes para localização dos canais.
Como localizar os canais durante a abertura coronária?
Os canais devem ser localizados por meio da leitura anatômica do assoalho, observando sulcos, depressões, mudança de cor, ângulos da câmara, simetria e junção entre parede e assoalho.
Quando usar ultrassom na abertura coronária?
O ultrassom pode ser usado para refinamento do acesso, remoção seletiva de dentina, exploração de sulcos, localização de canais adicionais, busca pelo MV2 e manejo de dentes calcificados.
Como saber se a abertura coronária está adequada?
A abertura está adequada quando permite visualização do assoalho, localização dos canais, entrada dos instrumentos sem deflexão excessiva, irrigação eficiente e preservação estrutural.
Qual é o maior erro na técnica de abertura coronária?
O maior erro é continuar desgastando após perder referência anatômica. Isso aumenta o risco de perfuração, desgaste excessivo e canais não localizados.
A abertura coronária deve ser sempre a menor possível?
Não. Ela deve ser conservadora, mas suficiente. O acesso ideal é o menor acesso que ainda permite localizar, instrumentar, irrigar e desinfectar com segurança.
Referências selecionadas
Krasner P, Rankow HJ. Anatomy of the pulp-chamber floor. Journal of Endodontics. 2004;30(1):5-16.
Plotino G, Pameijer CH, Grande NM, Somma F. Ultrasonics in endodontics: a review of the literature. Journal of Endodontics. 2007;33(2):81-95.
Clark D, Khademi J. Modern molar endodontic access and directed dentin conservation. Dental Clinics of North America. 2010;54(2):249-273.
Patel S, Brown J, Pimentel T, Kelly RD, Abella F, Durack C. Cone beam computed tomography in Endodontics — a review of the literature. International Endodontic Journal. 2019;52(8):1138-1152.
European Society of Endodontology. Quality guidelines for endodontic treatment: consensus report of the European Society of Endodontology. International Endodontic Journal. 2006;39(12):921-930.
Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
Não ensinamos apenas a tratar dentes.
Ensinamos a cuidar de pacientes.
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