Leis de Krasner e Rankow na Endodontia: como usar a anatomia do assoalho para localizar canais
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- há 4 horas
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As leis de Krasner e Rankow são princípios anatômicos usados na Endodontia para interpretar a câmara pulpar, localizar os orifícios dos canais radiculares e reduzir o risco de perfurações durante a abertura coronária.
Elas ajudam o clínico a transformar o acesso endodôntico em um procedimento mais anatômico, mais previsível e menos dependente de tentativa e erro.
O ponto central dessas leis é simples, mas extremamente importante: o assoalho da câmara pulpar não é uma superfície aleatória. Ele apresenta padrões anatômicos, diferenças de coloração, relações geométricas, sulcos, depressões e pistas clínicas que orientam a localização dos canais radiculares.
Por isso, quando o clínico compreende as leis de Krasner e Rankow, ele deixa de “procurar canais” de forma aleatória e passa a interpretar a anatomia.
Esse raciocínio é especialmente importante em molares, dentes calcificados, dentes restaurados, retratamentos, coroas protéticas e situações em que a anatomia original está parcialmente mascarada.
O que são as leis de Krasner e Rankow?
As leis de Krasner e Rankow são princípios anatômicos descritos para orientar a localização da câmara pulpar e dos orifícios dos canais radiculares a partir da análise da relação entre anatomia interna, anatomia externa, junção cemento-esmalte e assoalho da câmara pulpar.
Em 2004, Krasner e Rankow publicaram um estudo clássico no Journal of Endodontics baseado na análise anatômica de 500 assoalhos de câmaras pulpares, descrevendo leis úteis para localizar canais radiculares e prevenir perfurações durante o acesso endodôntico.
Essas leis não devem ser entendidas como fórmulas matemáticas absolutas. Elas são guias anatômicos. O clínico deve aplicá-las em conjunto com radiografia periapical, magnificação, iluminação, exploração tátil, ultrassom e, quando indicado, tomografia computadorizada de feixe cônico.

Respostas rápidas sobre as leis de Krasner e Rankow
Pergunta | Resposta objetiva |
Para que servem as leis de Krasner e Rankow? | Servem para orientar a localização da câmara pulpar e dos orifícios dos canais radiculares durante a abertura coronária. |
Quantas leis principais são utilizadas clinicamente? | São seis leis principais: centralidade, concentricidade, JCE, simetria, mudança de cor e localização dos orifícios. |
Qual é a principal referência anatômica externa? | A junção cemento-esmalte, também chamada de JCE. |
Por que o assoalho da câmara é tão importante? | Porque contém orifícios, sulcos, depressões, diferenças de cor e relações geométricas que orientam a localização dos canais. |
Essas leis substituem radiografia ou CBCT? | Não. Elas complementam o diagnóstico por imagem e o raciocínio clínico. |
Onde elas são mais úteis? | Em molares, dentes calcificados, dentes restaurados, coroas protéticas, retratamentos e casos com anatomia pouco evidente. |
Este artigo faz parte da trilha de Abertura Coronária da EndoToday
Este conteúdo integra a trilha especial sobre abertura coronária em Endodontia, criada para ajudar estudantes, clínicos e pós-graduandos a compreenderem o acesso endodôntico de forma mais anatômica, segura e biologicamente orientada.
A abertura coronária não deve ser estudada como um procedimento isolado. Ela depende de diagnóstico, anatomia, planejamento, controle de profundidade, preservação estrutural e prevenção de acidentes.
Antes de aprofundar este tema, leia também o artigo central da trilha:
Abertura coronária em Endodontia: guia completo para acesso seguro, anatômico e biologicamente orientado
Nesta sequência de estudos, você também encontrará conteúdos sobre princípios da abertura coronária, anatomia da câmara pulpar, planejamento pré-operatório, técnica clínica passo a passo, localização do MV2, dentes calcificados, acesso conservador, perfurações, microscópio, ultrassom e CBCT.
Por que as leis de Krasner e Rankow são importantes na abertura coronária?
A abertura coronária é uma etapa em que o clínico toma decisões sob risco. Cada desgaste pode aproximar o operador da câmara pulpar — ou de uma perfuração. Cada pequena diferença de direção pode facilitar a localização dos canais — ou criar um desvio perigoso.
As leis de Krasner e Rankow são importantes porque oferecem referências anatômicas para três decisões críticas:
onde está a câmara pulpar;
onde está o assoalho;
onde provavelmente estão os orifícios dos canais.
Essas decisões são particularmente importantes quando a anatomia está alterada por idade, restaurações extensas, cárie, coroas protéticas, desgaste coronário ou calcificações.
Um erro frequente é orientar a abertura pela coroa clínica visível. Mas a coroa clínica pode estar modificada por resina, amálgama, coroa protética, desgaste oclusal, inclinação dental ou perda de cúspides. Nesses casos, a anatomia externa aparente pode enganar.
É por isso que a junção cemento-esmalte, o centro geométrico do dente e a leitura do assoalho se tornam referências tão importantes.

1. Lei da Centralidade
A lei da centralidade afirma que o assoalho da câmara pulpar está localizado no centro do dente ao nível da junção cemento-esmalte.
Em termos clínicos, isso significa que a referência mais segura para orientar a abertura não é a coroa restaurada, fraturada ou desgastada, mas o centro anatômico do dente na região da JCE.
Essa lei é extremamente útil em dentes com:
restaurações extensas;
perda de cúspides;
coroas protéticas;
desgaste coronário;
inclinação dental;
câmaras pulpares reduzidas;
calcificações.
Quando o operador se orienta apenas pela coroa visível, pode direcionar a broca para vestibular, lingual, mesial ou distal de forma inadequada.
A lei da centralidade ajuda a manter a trajetória dentro dos limites anatômicos mais seguros.
A pergunta clínica aqui é:
Estou entrando em direção ao centro anatômico do dente ao nível da JCE ou estou seguindo uma coroa clínica enganosa?
2. Lei da Concentricidade
A lei da concentricidade afirma que as paredes da câmara pulpar são concêntricas ao contorno externo do dente ao nível da junção cemento-esmalte.
Em outras palavras, a forma da câmara pulpar tende a refletir a forma externa do dente na região cervical. Dentes com contorno mais ovalado tendem a apresentar câmaras mais ovaladas. Dentes com contorno mais triangular tendem a apresentar câmaras com geometria correspondente.
Essa lei ajuda o clínico a antecipar:
formato provável da câmara;
direção das paredes internas;
limites seguros de desgaste;
risco de perfuração;
necessidade de expansão seletiva do acesso.
Em molares, essa lei é especialmente importante para evitar perfuração de furca. Se o operador perde a noção de que a câmara acompanha o contorno cervical do dente, pode desgastar em direção a uma região de risco.
Na prática clínica, essa lei ensina que a anatomia externa não deve ser ignorada. Mas deve ser lida no nível correto: a JCE, e não apenas a superfície oclusal ou a coroa restaurada.
3. Lei da Junção Cemento-Esmalte
A lei da junção cemento-esmalte afirma que a JCE é a referência anatômica mais confiável para localizar a posição da câmara pulpar.
Essa é uma das leis mais úteis na prática clínica, especialmente em dentes calcificados, restaurados ou protéticos. Quando a câmara não está evidente na radiografia, quando a coroa está muito reconstruída ou quando existe risco de desvio, a JCE pode ajudar o clínico a estimar a posição e a profundidade da câmara.
A aplicação clínica envolve três ações:
identificar a JCE clinicamente;
avaliar a JCE radiograficamente;
relacionar a profundidade da câmara com essa referência.
Em alguns casos, a sondagem periodontal pode auxiliar na identificação da JCE, especialmente quando restaurações ou coroas dificultam a leitura visual.
Essa lei é uma das razões pelas quais a abertura coronária não deve ser planejada apenas olhando a face oclusal. A referência cervical frequentemente é mais confiável do que a anatomia coronária reconstruída.
A pergunta clínica aqui é:
Qual é a relação entre a minha profundidade de desgaste e a posição da JCE?
Se essa relação não está clara, o risco de perfuração aumenta.

4. Lei da Simetria
A lei da simetria afirma que, com exceção dos molares superiores, os orifícios dos canais tendem a estar equidistantes de uma linha imaginária traçada no sentido mesiodistal através do assoalho da câmara pulpar.
Essa lei ajuda o clínico a prever onde canais contralaterais podem estar localizados. Por exemplo: se um orifício foi encontrado em uma posição, outro orifício pode estar em posição correspondente do outro lado da linha de referência.
Na prática, essa lei auxilia na busca de:
canais vestibular e lingual em incisivos inferiores;
canais vestibular e palatino em pré-molares superiores;
canais mesiovestibular e mesiolingual em molares inferiores;
canais distais adicionais em molares inferiores;
variações canaliculares em dentes com assoalho simétrico.
A exceção clássica envolve os molares superiores, nos quais o canal palatino ocupa posição mais centralizada em relação aos canais vestibulares. Ainda assim, a relação entre os canais vestibulares pode fornecer referência útil.
O cuidado é não transformar a simetria em dogma. Ela orienta a busca, mas não elimina variações anatômicas.
5. Lei da Mudança de Cor
A lei da mudança de cor afirma que o assoalho da câmara pulpar é mais escuro que as paredes da câmara.
Essa lei é uma das mais clínicas e mais úteis no dia a dia. A diferença de coloração ajuda o operador a distinguir teto, parede e assoalho. Em geral, as paredes apresentam dentina mais clara, enquanto o assoalho tende a apresentar coloração cinza, marrom ou mais escura.
Essa diferença não deve ser “apagada” pelo desgaste.
Um erro comum é tentar regularizar ou clarear o assoalho até que ele fique uniforme. Isso pode destruir sulcos, depressões e pistas anatômicas importantes para localizar canais.
O correto é limpar o assoalho, não remodelá-lo sem critério.
A pergunta clínica é:
Estou preservando a diferença de cor que me orienta ou estou desgastando o mapa anatômico?
O assoalho não precisa ficar bonito.Ele precisa ser compreendido.

6. Lei da Localização dos Orifícios
A lei da localização dos orifícios afirma que os orifícios dos canais radiculares tendem a estar localizados na junção entre as paredes e o assoalho da câmara, nos ângulos da câmara ou nos pontos terminais das linhas de fusão do desenvolvimento radicular.
Essa lei é extremamente importante porque orienta a busca dos canais para regiões anatomicamente prováveis.
Na prática, os orifícios costumam estar relacionados a:
ângulos do assoalho;
vértices da geometria da câmara;
depressões;
sulcos de desenvolvimento;
linhas escuras no assoalho;
transição entre parede e assoalho.
Isso explica por que não se deve procurar canais aleatoriamente no centro do assoalho ou desgastar qualquer região apenas “para ver se aparece algo”.
Canal deve ser procurado com método.
Em molares superiores, por exemplo, a busca pelo MV2 costuma ser orientada pelo sulco entre o canal mesiovestibular e o palatino. Em molares inferiores, o sulco mesial entre os canais mesiovestibular e mesiolingual pode orientar a suspeita de canal médio-mesial.
Tabela prática das leis de Krasner e Rankow
Lei | Ideia central | Aplicação clínica | Erro que ajuda a evitar |
Centralidade | O assoalho está no centro do dente ao nível da JCE | Orientar a broca pelo centro anatômico | Desvio lateral e perfuração |
Concentricidade | A câmara acompanha o contorno externo na JCE | Antecipar forma e limites da câmara | Desgaste em direção à furca |
JCE | A junção cemento-esmalte é referência para a câmara | Controlar profundidade e posição | Penetração excessiva ou insuficiente |
Simetria | Orifícios tendem a seguir relações simétricas, exceto em molares superiores | Procurar canais contralaterais | Busca em áreas improváveis |
Mudança de cor | Assoalho é mais escuro que paredes | Diferenciar teto, parede e assoalho | Desgastar o mapa anatômico |
Localização dos orifícios | Orifícios ficam em ângulos, junções e linhas de fusão | Direcionar a busca dos canais | Desgaste aleatório |

Como aplicar essas leis na prática clínica?
Para aplicar as leis de Krasner e Rankow, o clínico precisa transformar cada lei em uma pergunta prática durante a abertura coronária.
Antes de aprofundar a broca, pergunte:
Estou orientado pela JCE ou pela coroa clínica restaurada?
Estou caminhando para o centro anatômico do dente?
A forma da câmara que estou encontrando faz sentido com o contorno cervical?
O assoalho está visível ou ainda há teto remanescente?
Consigo diferenciar parede clara de assoalho escuro?
Estou procurando canais em locais anatomicamente prováveis?
Há sulcos que merecem exploração cuidadosa?
Existe possibilidade de canal adicional?
Preciso de magnificação, ultrassom ou CBCT antes de continuar?
Essas perguntas reduzem o risco de dois erros perigosos: desgastar sem saber onde está e procurar canal onde ele provavelmente não existe.
Protocolo clínico de aplicação das leis de Krasner e Rankow
Na prática clínica, a aplicação das leis pode seguir uma sequência objetiva:
Identifique a JCE clinicamente e na radiografia.
Localize o centro anatômico do dente ao nível da JCE.
Planeje a direção de penetração com base nesse centro anatômico.
Antecipe a forma da câmara a partir do contorno cervical do dente.
Progrida gradualmente, controlando profundidade, direção e lateralidade.
Procure a mudança de coloração entre parede e assoalho.
Remova completamente o teto, sem destruir o assoalho.
Explore o assoalho perifericamente, principalmente nos ângulos e nas junções entre parede e assoalho.
Use a simetria quando aplicável para buscar canais correspondentes.
Investigue sulcos de desenvolvimento com magnificação, irrigação e, quando necessário, ultrassom.
Considere CBCT em dentes calcificados, anatomias complexas, retratamentos ou risco aumentado de perfuração.
Essa aplicação integrada torna o acesso mais seguro, especialmente em dentes calcificados, câmaras reduzidas, anatomia complexa ou dentes com restaurações extensas. A apostila-base do cluster também destaca essa aplicação sistemática das leis como uma forma de aumentar a previsibilidade e reduzir riscos durante a abertura coronária.

Quando essas leis são mais importantes?
As leis de Krasner e Rankow são úteis em praticamente todos os acessos, mas se tornam decisivas em situações de maior dificuldade anatômica.
Use essas leis com atenção especial em:
dentes calcificados;
molares superiores com suspeita de MV2;
molares inferiores com suspeita de canal médio-mesial;
dentes com coroas protéticas;
dentes com restaurações extensas;
retratamentos;
dentes com desgaste coronário;
dentes inclinados ou girovertidos;
dentes com anatomia radiográfica pouco evidente;
casos com risco aumentado de perfuração.
Nessas situações, o clínico não pode depender apenas de “sensação” ou experiência. Precisa de referências objetivas.

Leis de Krasner e Rankow em dentes calcificados
Em dentes calcificados, as leis de Krasner e Rankow assumem importância ainda maior. Isso acontece porque a câmara pulpar pode estar reduzida, o teto e o assoalho podem ser difíceis de distinguir e os orifícios dos canais podem não estar evidentes.
Nesses casos, a conduta precisa ser mais controlada:
localizar a JCE;
estimar a profundidade da câmara;
direcionar a broca para o centro anatômico do dente ao nível da JCE;
avançar em pequenos incrementos;
usar magnificação e iluminação intensa;
procurar mudança de cor e textura;
explorar com pontas ultrassônicas apenas após orientação anatômica;
considerar CBCT antes de insistir no desgaste.
A apostila-base reforça que, em dentes calcificados, a progressão deve ser gradual, com controle de profundidade, referência constante à JCE, magnificação e uso criterioso de pontas ultrassônicas.
O erro mais perigoso em dentes calcificados é continuar desgastando quando a referência anatômica foi perdida.
Nessa situação, o melhor procedimento clínico é parar, lavar, secar, ampliar a visualização, reavaliar a radiografia e considerar nova imagem antes de continuar.
Limitações das leis de Krasner e Rankow
As leis de Krasner e Rankow são extremamente úteis, mas não devem ser tratadas como absolutas.
A anatomia pode estar alterada por:
reabsorções;
calcificações severas;
restaurações profundas;
desgaste coronário extremo;
fraturas;
coroas protéticas;
variações anatômicas individuais;
desenvolvimento radicular incomum;
tratamentos prévios;
perfurações ou desgastes iatrogênicos anteriores.
Por isso, as leis devem ser integradas a outros recursos:
radiografia periapical bem angulada;
análise de profundidade;
magnificação;
iluminação;
exploração tátil delicada;
ultrassom;
CBCT quando indicado.
O erro não é usar as leis.O erro é usá-las sem raciocínio clínico.

O ponto cego mais comum: decorar as leis e não aplicá-las
Muitos alunos conseguem recitar as leis de Krasner e Rankow, mas não conseguem usá-las quando estão diante de um molar calcificado ou de um dente com coroa protética.
Isso acontece porque decorar o enunciado não é o mesmo que transformar a lei em decisão clínica.
O objetivo não é saber que “o assoalho é mais escuro”.O objetivo é, durante o acesso, parar e perguntar:
Esta estrutura escura é o assoalho que devo preservar ou estou tentando clarear algo que deveria interpretar?
O objetivo não é repetir que “a JCE é importante”.O objetivo é, diante de uma coroa protética, parar e perguntar:
Estou orientando minha profundidade pela coroa protética ou pela referência anatômica cervical?
Esse é o salto que separa conhecimento teórico de maturidade clínica.
Checklist clínico para aplicar Krasner e Rankow
Antes de considerar a abertura coronária concluída, revise:
Identifiquei a JCE clínica ou radiograficamente?
Orientei o acesso pelo centro anatômico do dente?
Respeitei o contorno cervical e a concentricidade da câmara?
Removi completamente o teto da câmara pulpar?
Preservei o assoalho e sua coloração?
Identifiquei sulcos de desenvolvimento?
Procurei canais em locais anatomicamente prováveis?
Considerei simetria quando aplicável?
Lembrei da exceção dos molares superiores?
Usei magnificação ou ultrassom quando necessário?
Parei quando perdi referência anatômica?
Considerei CBCT em caso de anatomia complexa?
Mensagem clínica central
As leis de Krasner e Rankow não são apenas conteúdo de prova. Elas são ferramentas clínicas para abrir dentes com mais segurança.
Elas ensinam que o acesso endodôntico deve ser guiado por anatomia, não por tentativa.
A JCE orienta profundidade e posição.A centralidade orienta direção.A concentricidade orienta os limites da câmara.A simetria orienta a busca por canais contralaterais.A mudança de cor ajuda a diferenciar parede e assoalho.A localização dos orifícios direciona a exploração para áreas prováveis.
Quando essas leis são aplicadas em conjunto, o clínico deixa de desgastar às cegas e passa a interpretar o dente.
Em Endodontia, quem entende o assoalho encontra mais canais e perfura menos.

Continue na trilha de Abertura Coronária
Este artigo aprofunda um ponto específico da abertura coronária, mas o acesso endodôntico só se torna previsível quando é compreendido como parte de uma sequência clínica maior.
Para estudar o tema de forma organizada, siga a trilha completa da EndoToday:
Abertura coronária em Endodontia: guia completo para acesso seguro, anatômico e biologicamente orientado
Princípios da abertura coronária em Endodontia
Anatomia da câmara pulpar aplicada à abertura coronária
Leis de Krasner e Rankow na Endodontia
Planejamento da abertura coronária
Instrumentais para abertura coronária
Técnica clínica da abertura coronária passo a passo
Abertura coronária em dentes anteriores
Abertura coronária em pré-molares
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Como localizar o MV2/MB2 em molares superiores
Acesso conservador versus acesso tradicional
Erros e perfurações na abertura coronária
Abertura coronária em dentes calcificados
Microscópio e ultrassom na abertura coronária
Abertura coronária através de coroas protéticas
CBCT no planejamento da abertura coronária
A proposta dessa trilha não é apenas ensinar formatos de acesso. A proposta é construir raciocínio clínico: entender quando preservar, quando ampliar, quando parar, quando investigar melhor e quando usar recursos como magnificação, ultrassom e tomografia.
Quer evoluir sua Endodontia com método e segurança?
As leis de Krasner e Rankow mostram que a abertura coronária não deve ser feita por tentativa. Ela exige leitura anatômica, controle de profundidade, interpretação do assoalho, preservação estrutural e tomada de decisão clínica.
Na EndoToday, esse é o tipo de raciocínio que buscamos desenvolver: uma Endodontia menos automática, menos dependente de “macetes” isolados e mais baseada em anatomia, biologia, planejamento e execução segura.
Se você deseja aprender a localizar canais com mais previsibilidade, evitar desgastes desnecessários, reduzir riscos de perfuração e conduzir tratamentos endodônticos com mais confiança, acompanhe as trilhas de estudo da EndoToday e conheça nossas formações presenciais.

FAQ — Leis de Krasner e Rankow na Endodontia
O que são as leis de Krasner e Rankow?
As leis de Krasner e Rankow são princípios anatômicos usados para orientar a localização da câmara pulpar, do assoalho e dos orifícios dos canais radiculares durante a abertura coronária.
Para que servem as leis de Krasner e Rankow?
Elas servem para tornar a abertura coronária mais segura, orientar a busca por canais, reduzir desgaste aleatório e diminuir o risco de perfurações.
Quantas são as leis de Krasner e Rankow?
São seis leis principais: centralidade, concentricidade, junção cemento-esmalte, simetria, mudança de cor e localização dos orifícios.
O que diz a lei da centralidade?
A lei da centralidade afirma que o assoalho da câmara pulpar está localizado no centro do dente ao nível da junção cemento-esmalte.
O que diz a lei da concentricidade?
A lei da concentricidade afirma que as paredes da câmara pulpar são concêntricas ao contorno externo do dente ao nível da junção cemento-esmalte.
O que diz a lei da junção cemento-esmalte?
A lei da junção cemento-esmalte afirma que a JCE é uma referência anatômica confiável para localizar a posição da câmara pulpar e controlar a profundidade do acesso.
O que diz a lei da simetria?
A lei da simetria afirma que, exceto nos molares superiores, os orifícios dos canais tendem a estar equidistantes de uma linha imaginária traçada no sentido mesiodistal pelo assoalho da câmara.
O que diz a lei da mudança de cor?
A lei da mudança de cor afirma que o assoalho da câmara pulpar é mais escuro que as paredes. Essa diferença ajuda a diferenciar parede, teto e assoalho durante a abertura coronária.
Onde os orifícios dos canais geralmente estão localizados?
Os orifícios dos canais geralmente estão localizados nos ângulos da câmara, na junção entre parede e assoalho, nas depressões e nos pontos terminais dos sulcos de desenvolvimento.
As leis de Krasner e Rankow substituem a radiografia ou a CBCT?
Não. Elas não substituem radiografia, CBCT, magnificação ou exploração clínica. Elas funcionam como guias anatômicos que devem ser integrados ao planejamento e aos recursos disponíveis.
Quando as leis de Krasner e Rankow são mais úteis?
Elas são especialmente úteis em molares, dentes calcificados, dentes com coroas protéticas, restaurações extensas, retratamentos, anatomias complexas e situações com risco aumentado de perfuração.
Referências selecionadas
Krasner P, Rankow HJ. Anatomy of the pulp-chamber floor. Journal of Endodontics. 2004;30(1):5-16.
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Cleghorn BM, Christie WH, Dong CCS. Root and root canal morphology of the human permanent mandibular first molar: a literature review. Journal of Endodontics. 2007;33(3):231-237.
Plotino G, Pameijer CH, Grande NM, Somma F. Ultrasonics in endodontics: a review of the literature. Journal of Endodontics. 2007;33(2):81-95.
American Association of Endodontists; American Academy of Oral and Maxillofacial Radiology. Joint Position Statement: Use of Cone Beam Computed Tomography in Endodontics. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology and Oral Radiology. 2015;120(4):508-512.
Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
Não ensinamos apenas a tratar dentes.
Ensinamos a cuidar de pacientes.
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Prof. Dr. Marco Aurélio G. Borges



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