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Puff apical: erro, acidente ou achado radiográfico?


Dente translúcido com líquido escorrendo em fundo branco; texto: Puff Apical: De Imagem à Biologia e subtitle sobre extrusão endodôntica.

O puff apical corresponde à presença radiográfica de cimento endodôntico além do limite apical. Ele demonstra que material ultrapassou o sistema de canais, mas não comprova patência, limpeza, desinfecção, preenchimento tridimensional ou maior qualidade da obturação. Muitas pequenas extrusões permanecem assintomáticas e podem coexistir com cicatrização periapical, enquanto evidência agregada sugere que a extrusão pode contribuir para pior prognóstico em determinados contextos. Quantidade, material, diagnóstico, proximidade de estruturas anatômicas, sintomas e evolução clínica devem orientar a interpretação. O objetivo técnico não é produzir um puff, mas controlar o limite apical e manter o material obturador dentro do sistema de canais.


Um puff apical é a extrusão de cimento endodôntico além do forame apical. Sua presença não significa automaticamente sucesso nem fracasso. Pequenas extrusões podem permanecer assintomáticas e acompanhar cicatrização, mas estudos também associam a extrusão a maior risco de dor ou não cicatrização em determinados contextos. O objetivo do tratamento é controlar o limite apical e evitar extrusão desnecessária. A conduta diante de um puff depende da quantidade e localização do material, do cimento utilizado, dos sintomas, da proximidade de estruturas como o canal mandibular e da evolução no acompanhamento.

Infográfico com radiografia de dente e balões de texto; alerta que o cimento ultrapassou os canais e o tratamento deu errado.

Puff apical é sinal de uma obturação excelente?

A radiografia final aparece na tela.

O canal está:

  • preenchido;

  • aparentemente homogêneo;

  • próximo ao término radicular.

E existe uma pequena nuvem radiopaca além do ápice.

Alguém comenta:

“Olha o puff. O cimento chegou em toda a anatomia.”

Outro interpreta:

“Passou do ápice. O tratamento deu errado.”

As duas conclusões são excessivamente simples.

O puff demonstra uma coisa objetiva:

material obturador ultrapassou o limite do sistema de canais e alcançou os tecidos periapicais.

A partir daí, quase tudo precisa de contexto.

O que você vai aprender

Pergunta

Resposta central

O que é puff apical?

Extrusão de cimento além do limite apical

Puff demonstra patência?

Não

Demonstra desinfecção?

Não

Demonstra preenchimento tridimensional?

Não

É sempre um erro técnico?

É perda de contenção apical, mas a consequência clínica varia

Causa sempre dor?

Não

Causa sempre fracasso?

Não

Pode aumentar risco de não cicatrização?

Sim, segundo evidência agregada

Biocerâmico pode extravasar?

Sim

Biocompatibilidade torna a extrusão desejável?

Não

AH Plus extruído impede sempre cicatrização?

Não

O material precisa desaparecer para a lesão cicatrizar?

Não necessariamente

Puff próximo ao nervo alveolar inferior preocupa?

Muito

Puff no seio maxilar pode ser relevante?

Sim

O objetivo deve ser produzir puff?

Não



Infográfico odontológico com três diagramas de obturação: sealer puff, sobre-extensão e obturação curta, em fundo claro.

Primeiro: puff não é sinônimo de sobreobturação completa

Precisamos separar algumas situações.

Extrusão de cimento

O núcleo principal de guta-percha permanece dentro do limite planejado, mas uma quantidade de cimento atravessa o forame.

É o cenário frequentemente chamado:

sealer puff.

Sobre-extensão da obturação

Parte do material obturador, inclusive guta-percha, ultrapassa o limite apical.

Aqui o problema não é apenas:

cimento fluindo pelo forame.

Existe:

extensão excessiva do núcleo obturador.

Obturação curta

O material termina significativamente aquém da região apical biologicamente relevante.

Portanto:

curto, adequado e extruído são problemas diferentes.

Não devem ser colocados na mesma categoria.

Um puff mostra que o cimento encontrou uma saída

Essa saída pode ser:

  • forame principal;

  • forame lateral;

  • ramificação;

  • reabsorção;

  • comunicação iatrogênica.

O que ele não mostra é:

por que conseguiu chegar até ali.

Pode ter ocorrido por:

  • alto fluxo;

  • grande volume de cimento;

  • pressão de inserção;

  • forame amplo;

  • reabsorção;

  • perda de constrição;

  • cone inadequado;

  • sobreinstrumentação.

Portanto:

a imagem final não revela automaticamente o mecanismo.

Puff não comprova patência

Este mito precisa desaparecer.

Se observamos cimento além do ápice, não podemos afirmar:

“Minha lima passou e manteve patência.”

A extrusão apenas demonstra que:

o cimento atravessou alguma comunicação.

Uma comunicação apical pode existir mesmo sem:

  • lima atravessar;

  • patência mecânica intencional.

Logo:

PUFF ≠ PATÊNCIA.

Quatro cartões cinza com textos em português rejeitando ideias sobre PUFF: patência, desinfecção, rolha externa e sucesso.

Puff também não comprova irrigação eficiente

Outro raciocínio frequente:

“Se o cimento conseguiu sair, o irrigante também chegou e limpou tudo.”

Não podemos afirmar isso.

Fluxo de cimento durante obturação e comportamento de uma solução irrigadora durante preparo são:

fenômenos físicos diferentes.

O cimento possui:

  • viscosidade;

  • pressão;

  • tempo;

  • dinâmica

diferentes do irrigante.

Portanto:

PUFF ≠ DESINFECÇÃO.

Slide em português sobre preenchimento tridimensional, com ilustração translúcida de rosto/pele e texto explicando puffs e vazios.

Puff não comprova preenchimento tridimensional

Uma pequena massa extruída pode coexistir com:

  • istmo vazio;

  • canal lateral não preenchido;

  • área oval ocupada apenas parcialmente;

  • gap interfacial.

Logo:

material além do ápice não demonstra que material ocupou toda a anatomia antes dele.

Esse é um erro lógico importante.

Em outras palavras: passar além não prova preencher antes

Essa frase merece destaque:

O cimento atravessar o forame não demonstra que o sistema acima dele esteja perfeitamente preenchido.

É possível produzir:

PUFF


VAZIOS

no mesmo tratamento.

Por que o puff ficou associado a “boa Endodontia”?

Porque é visualmente impressionante.

A radiografia mostra:

  • canal obturado;

  • pequenas ramificações;

  • cimento apical.

Isso cria uma sensação de:

preenchimento completo.

Mas estamos novamente diante do mesmo problema discutido nos canais laterais:

radiopacidade não é sinônimo de controle microbiológico.

O puff é um achado radiográfico. Mas é também uma extrusão real.

Não devemos ir para o outro extremo.

Dizer:

“É só uma imagem.”

seria incorreto.

Existe material:

fora do sistema de canais.

Logo:

  • entrou em contato com tecido vivo;

  • ultrapassou a região que pretendíamos controlar;

  • pode produzir resposta inflamatória.

Portanto:

é um achado radiográfico com significado biológico potencial.

Tecnicamente, o objetivo continua sendo contenção

A obturação deveria terminar dentro dos limites planejados.

Isso vale para:

  • resina epóxi;

  • silicato de cálcio;

  • qualquer outro cimento.

O objetivo não é:

empurrar material para o periodonto para “selar por fora”.

A Endodontia não deveria depender de extrusão para funcionar.

A biocompatibilidade modificou perigosamente essa percepção

Com a popularização dos cimentos hidráulicos de silicato de cálcio, surgiu uma frase comum:

“Pode extravasar porque é biocerâmico.”

Essa conclusão está errada.

Um material apresentar:

  • melhor viabilidade celular;

  • menor citotoxicidade;

  • liberação de cálcio;

  • potencial bioativo

não significa:

que sua localização ideal seja fora do canal.

Biocompatível não significa indicado para extrusão

Esse princípio deveria ser simples.

Pense em uma sutura biocompatível.

Isso não significa que:

devamos deixá-la aleatoriamente dentro de qualquer tecido.

Da mesma maneira:

um cimento tolerado pelos tecidos continua sendo um cimento destinado à obturação do canal.
Infográfico em fundo claro com balança entre esfera e células; título A Falácia Biocerâmica e texto sobre extravasamento e inflamação.


Então puff deve ser classificado como erro?

Aqui vale nuance.

Do ponto de vista do objetivo técnico:

não queremos extrusão.

Portanto, há perda de controle sobre:

  • quantidade;

  • limite;

  • contenção.

Mas chamar toda pequena extrusão assintomática de:

“erro grave”

também não representa adequadamente sua consequência clínica.

Talvez a formulação mais precisa seja:

puff é uma intercorrência técnica de gravidade clínica variável.

E não uma meta técnica

Esse ponto é fundamental.

Se não ocorrer puff:

não faltou nada na obturação por causa disso.

Se ocorrer:

não ganhamos automaticamente qualidade.

Portanto:

não devemos tentar produzi-lo.

Infográfico odontológico com dentes azuis e laranjas, texto RR=1,32 e nota sobre 32% maior risco de não cicatrização.

O que a melhor evidência diz sobre prognóstico?

Uma revisão sistemática com meta-análise de Aminoshariae e Kulild avaliou o efeito da extrusão do cimento sobre o resultado endodôntico.

Foram incluídos seis estudos.

A síntese encontrou:

RR = 1,32 para não cicatrização associado à extrusão.

Em outras palavras:

houve aproximadamente:

32% maior risco relativo de desfecho de não cicatrização nos casos com cimento extruído.

A certeza foi classificada como moderada.

Isso merece atenção

Não podemos, portanto, afirmar:

“extrusão não altera prognóstico.”

Existe evidência sugerindo que:

pode contribuir para pior resultado.

Mas há outro cuidado metodológico importante.

Associação não significa que todo puff causará fracasso

Mesmo com RR 1,32:

muitos dentes com cimento extruído:

cicatrizam normalmente.

Um aumento relativo de risco não significa:

destino inevitável.

O risco absoluto depende do:

  • risco basal;

  • diagnóstico;

  • tratamento;

  • material;

  • acompanhamento.

E estudos individuais encontram resultados diferentes

O próprio artigo histórico do EndoToday baseou-se em um estudo retrospectivo comparando dentes com periodontite apical:

  • com extrusão de AH Plus;

  • sem extrusão.

Os resultados favoráveis foram:

88,4% com extrusão

versus

85,0% sem extrusão.

Sem diferença estatisticamente significativa. Endotoday


Esses números não significam que puff melhorou o resultado

Seria incorreto olhar:

88,4 > 85

e concluir:

“extrusão foi benéfica.”

A diferença não foi significativa.

O estudo permite dizer:

naquela amostra, a extrusão de AH Plus não mostrou impacto detectável na cicatrização em um ano.

Não:

que deveríamos produzir extrusão.

Infográfico de dente com setas e causas da extrusão de cimento; texto: Por que o cimento extravasa? A Física do Puff.

Temos novamente o mesmo princípio estatístico dos artigos anteriores

Número maior ou menor

não é automaticamente:

efeito verdadeiro.

Precisamos olhar:

  • significância;

  • intervalo de confiança;

  • desenho;

  • tamanho da amostra;

  • possíveis confundidores.

Esse cuidado evita narrativas comerciais ou técnicas inadequadas.

Por que os estudos podem encontrar resultados diferentes?

Porque “extrusão” não é uma variável uniforme.

Pode variar em:

Quantidade

  • pequena;

  • moderada;

  • volumosa.

Material

  • resina epóxi;

  • silicato de cálcio;

  • outros.

Diagnóstico

  • polpa vital;

  • necrose;

  • periodontite apical.

Anatomia

  • ápice fechado;

  • forame amplo;

  • reabsorção.

Localização

  • espaço periapical;

  • canal mandibular;

  • seio maxilar.

Portanto:

um pequeno puff de 0,5 mm e uma grande massa dentro do canal mandibular não podem ser analisados como a mesma intercorrência.

Quantidade importa

É biologicamente plausível que:

mais material em tecido = maior desafio tecidual.

Maior volume significa potencialmente:

  • maior superfície de contato;

  • maior efeito químico;

  • maior pressão;

  • maior persistência.

Mas novamente:

não existe um volume radiográfico validado que separe puff “seguro” de puff “perigoso”.

Não existe um “puff permitido” em milímetros

Assim como não existe:

  • percentual mágico de cimento;

  • percentual mágico de vazio;

não existe:

“até X mm de extrusão é normal”.

A decisão precisa considerar:

contexto.

O material importa

Um cimento fresco não possui necessariamente o mesmo comportamento que o material:

após a presa.

Resinas epóxi podem apresentar:

  • citotoxicidade inicial;

  • componentes reativos.

Silicatos de cálcio frequentemente apresentam:

  • bom perfil de biocompatibilidade;

  • alcalinização;

  • liberação de cálcio.

Mas isso não significa:

ausência absoluta de reação inflamatória.

O tecido responde ao material como corpo estranho

Qualquer material colocado fora de seu espaço original pode induzir:

  • inflamação;

  • resposta macrofágica;

  • células gigantes;

  • encapsulamento;

  • reabsorção parcial;

  • persistência.

A magnitude depende de:

  • composição;

  • quantidade;

  • tempo;

  • hospedeiro.

Portanto:

“biocompatível” não significa “biologicamente invisível”.

O material precisa desaparecer para ocorrer cicatrização?

Não necessariamente.

Existem casos em que:

o cimento permanece radiograficamente visível enquanto a lesão periapical cicatriza.

Isso demonstra que:

reabsorção do sealer não é pré-requisito absoluto para reparo.

E também existem cimentos que diminuem radiograficamente

Alguns materiais extruídos podem:

  • fragmentar;

  • dissolver parcialmente;

  • perder radiopacidade;

  • sofrer fagocitose.

Mas:

desaparecer na radiografia não significa necessariamente que todo o material foi biologicamente reabsorvido de forma completa.

Mais uma vez:

radiografia tem limites.

Cimentos hidráulicos podem apresentar comportamento distinto

Alguns silicatos de cálcio podem sofrer:

  • alterações superficiais;

  • dissolução;

  • precipitação mineral.

Isso torna o destino do material extruído:

produto-específico.

Não deveríamos ensinar:

“todo biocerâmico será reabsorvido.”

Essa afirmação não é sustentada.


Infográfico clínico sobre puff e dor pós-operatória, com gráficos semicirculares e percentuais 44,1%, 46,7% e 38,4%.

Puff e dor pós-operatória: existe relação?

Pode existir.

Material além do forame entra em contato com tecidos:

  • inflamados;

  • vascularizados;

  • inervados.

Consequentemente, existe plausibilidade para:

dor pós-operatória.

Mas os estudos não apresentam resultados uniformes.

O grande RCT multicêntrico de 2025 trouxe dados muito úteis

Foram avaliados:

564 dentes.

Compararam:

  • um cimento de silicato de cálcio;

  • AH Plus.

Extrusão ocorreu em:

44,1% dos casos.

Foi mais frequente com o silicato de cálcio testado:

50,2%

versus

37,1% com AH Plus.


Observe como extrusão pode ser frequente sem representar automaticamente desastre

Quase metade dos casos apresentava cimento além do limite.

Isso por si só demonstra que:

extrusão e fracasso não são equivalentes.

Mas o mesmo estudo encontrou relação entre:

  • tipo de cimento;

  • extrusão;

  • periodontite apical;

e dor em determinados modelos.

Portanto:

também não podemos considerá-la totalmente irrelevante.

AH Plus apresentou mais dor inicial naquele estudo

Em 24 horas:

a incidência de dor foi:

46,7% — AH Plus

versus

38,4% — silicato de cálcio.

O grupo AH Plus também mostrou:

maior intensidade média de dor em 24 h.

Mas em:

  • 48 h;

  • 72 h;

as diferenças diminuíram.

Isso mostra como “extrusão = dor” é simplista

O grupo com maior taxa de extrusão:

não foi o grupo com maior dor inicial.

Isso indica interação entre:

  • material;

  • diagnóstico;

  • tecido;

  • extrusão.

Logo:

a presença de cimento fora do ápice não é a única variável.

O próximo artigo será dedicado exatamente a essa questão.

O diagnóstico pulpar e periapical importa

Extrusão em um dente com:

polpa vital e periodonto saudável

não ocorre no mesmo cenário biológico que:

necrose + periodontite apical.

No segundo:

o tecido já apresenta:

  • inflamação;

  • resposta imune;

  • alteração óssea.

A resposta a um material adicional pode ser diferente.

E existe outra diferença: infecção

O cimento pode ser extruído:

depois de um sistema adequadamente desinfectado.

Ou em um caso com:

infecção persistente.

Se o tratamento falha posteriormente:

não é simples determinar:

quanto foi causado pelo cimento e quanto pela microbiologia.

Esse é um dos motivos pelos quais estudos clínicos apresentam resultados heterogêneos.

O puff pode impedir o “selamento biológico”?


O que podemos dizer com maior precisão?

Material além do forame pode:

  • ocupar o espaço periapical;

  • alterar a interface de reparo;

  • provocar resposta inflamatória;

  • interferir localmente na organização dos tecidos.

Mas dentes com material extruído podem:

apresentar cicatrização periapical.

E infiltração coronária?


A reinfecção coronária é problemática porque:

reintroduz microrganismos no sistema de canais.

Se existem:

  • gaps;

  • espaços;

  • trajetórias;

eles podem permitir progressão apical.

Mas o puff:

não é necessariamente a via causal dessa comunicação.

O problema primário é:

reinfecção coronária + comunicação pelo sistema.

Não simplesmente:

presença de cimento além do ápice.

Puff não funciona como “rolha externa”

Essa é outra ideia que deveríamos evitar.

Não há fundamento para imaginar que:

cimento extruído forme uma barreira periapical adicional benéfica.

O selamento desejável deve ocorrer:

dentro do sistema de canais.

Não fora dele.


Infográfico com crânio 3D e destaques no seio maxilar e nervo alveolar inferior, alertando sobre riscos e sintomas.

O risco muda radicalmente perto do canal mandibular

Aqui deixamos de discutir apenas:

  • cicatrização;

  • dor leve.

Extrusão próxima ao:

nervo alveolar inferior

pode produzir complicações graves.

Mecanismos possíveis incluem:

  • compressão;

  • trauma mecânico;

  • toxicidade química;

  • inflamação neural.

Os sintomas podem incluir

  • dormência;

  • parestesia;

  • queimação;

  • dor neuropática;

  • alteração de sensibilidade;

  • anestesia.

Nessa situação:

não estamos diante de um puff banal.

Estamos diante de:

potencial lesão neurológica.

Início imediato de alteração sensitiva é sinal de alerta

Se, após tratamento de:

  • pré-molar inferior;

  • molar inferior

próximo ao canal mandibular, o paciente relata:

  • dormência;

  • formigamento;

  • sensação de choque;

  • anestesia;

é necessária:

avaliação imediata.

Aqui esperar passivamente pode ser inadequado

Casos de material dentro ou em contato com o canal mandibular podem exigir:

  • imagem tridimensional;

  • avaliação especializada;

  • intervenção precoce em situações selecionadas.

Relatos descrevem:

sequelas neurológicas potencialmente irreversíveis.

Portanto:

anatomia muda completamente a gravidade da extrusão.

Isso reforça a importância do CBCT em situações específicas

Não utilizamos CBCT para:

todo pequeno puff.

Mas se existe suspeita de:

  • contato com canal mandibular;

  • grande extrusão;

  • sintomas neurossensoriais;

a imagem tridimensional pode ser decisiva para:

localização e planejamento.

Na maxila, o seio também merece atenção

Raízes de:

  • pré-molares;

  • molares superiores

podem estar próximas do:

seio maxilar.

Material obturador pode eventualmente penetrar no seio.

A consequência não é obrigatoriamente sinusite

Pequenas extrusões podem permanecer:

assintomáticas.

Mas materiais no seio podem associar-se a:

  • reação de corpo estranho;

  • inflamação sinusal;

  • sinusite odontogênica;

  • complicações infecciosas em casos específicos.

Portanto:

“puff no seio” também não deve ser banalizado.

Quanto mais próxima uma estrutura nobre, menor nossa tolerância à extrusão

Esse princípio é simples e útil.

Ápice afastado de estruturas críticas

Pequena extrusão assintomática:

frequentemente acompanhamento.

Ápice próximo ao nervo

A mesma quantidade:

pode representar risco completamente diferente.

Portanto:

quantidade não pode ser interpretada sem localização.

Infográfico com dente e setas explicando por que o cimento extravasa; texto sobre tug-back, matched taper e extrusão.

Por que cimentos extravasam?

1. Excesso de cimento

Quanto mais material colocamos:

maior a quantidade disponível para sair.

2. Alto fluxo

Pode facilitar:

  • irregularidades;

  • canais laterais;

mas também:

extrusão.

3. Forame amplo

Menor contenção apical.

4. Reabsorção apical

A anatomia pode perder:

uma constrição previsível.

5. Sobreinstrumentação

Pode aumentar:

  • diâmetro foraminal;

  • perda de resistência apical.

6. Cone inadequado

Se não existe controle apical suficiente:

o cimento pode:

deslocar-se com maior facilidade.

7. Pressão excessiva

Inserção ativa e grandes volumes podem gerar:

pressão hidráulica.

Cone único não significa injetar cimento até o ápice

Essa é uma técnica contemporânea muito usada.

Mas seu sucesso não depende de:

preencher o canal inteiro previamente com sealer.

O objetivo é:

  • quantidade controlada;

  • distribuição adequada;

  • cone corretamente selecionado.

Quanto maior a massa, maior o risco de extrusão

Especialmente em:

  • ápices amplos;

  • reabsorções;

  • ausência de stop apical;

  • anatomias muito permeáveis.

Isso conecta diretamente este artigo ao anterior:

mais cimento não significa melhor selamento.

Também pode significar:

mais oportunidade de perder controle apical.

Tug-back não protege automaticamente contra puff

Mesmo um cone com resistência à remoção:

não garante selamento circunferencial apical.

O cimento pode encontrar:

  • espaços laterais;

  • forames;

  • irregularidades.

Logo:

tug-back ≠ barreira absoluta contra extrusão.

E matched taper?

Também não garante contenção perfeita.

Como já discutimos:

lima nominal

≠

canal real

≠

cone real.

Por isso:

controle apical continua sendo multifatorial.

Puff em canal lateral é diferente de puff no forame principal?

Pode ser.

Uma pequena ramificação lateral preenchida até o periodonto pode aparecer como:

pequena extrusão lateral.

Do ponto de vista radiográfico:

pode parecer impressionante.

Mas continua valendo:

material saiu do sistema de canais.

A relevância dependerá da:

  • quantidade;

  • região;

  • sintomas;

  • resposta tecidual.

Não devemos chamar toda ramificação preenchida de extrusão problemática

Esse cuidado também é necessário.

Se material ocupa:

um canal lateral anatômico

mas permanece essencialmente dentro do trajeto anatômico:

isso é diferente de:

massa livre disseminada no tecido periapical.

A radiografia 2D pode dificultar essa distinção.

O puff radiográfico também possui limitações dimensionais

A imagem mostra:

  • radiopacidade;

  • projeção.

Não mostra perfeitamente:

  • volume;

  • profundidade;

  • relação tridimensional.

Um pequeno foco pode estar:

  • vestibular;

  • lingual;

  • superposto.

Portanto:

decisões importantes não deveriam basear-se apenas no tamanho aparente em uma única projeção.

E o paciente assintomático com pequeno puff?

Na maioria dos casos sem:

  • dor persistente;

  • alteração neurossensorial;

  • estrutura anatômica crítica envolvida;

  • sinal de infecção progressiva,

a conduta racional tende a ser:

acompanhamento.

Não existe indicação automática de:

  • cirurgia;

  • retratamento;

  • remoção do material.

Tentar remover imediatamente um pequeno puff pode causar mais dano

Para removê-lo poderíamos precisar de:

  • cirurgia;

  • osteotomia;

  • manipulação periapical.

Isso introduz:

novo dano cirúrgico.

Portanto:

a simples presença radiográfica não justifica automaticamente intervenção.

A decisão é risco-benefício

Pergunte:

Há sintomas?

  • O material está próximo de estrutura crítica?

  • A lesão está cicatrizando?

  • O paciente apresenta alteração neurossensorial?

  • A quantidade é pequena ou extensa?

  • Existe comprometimento sinusal?

  • O tratamento como um todo está adequado?

Só depois:

decida.

Quando acompanhar

Pequena extrusão


paciente assintomático


ausência de estrutura crítica comprometida


evolução periapical favorável

→ acompanhamento clínico e radiográfico.

Quando aumentar a vigilância

Extrusão maior


periodontite apical


sintomas persistentes

→ acompanhamento mais atento e investigação.

Quando agir rapidamente

Alteração neurossensorial

ou

material no canal mandibular

ou

quadro sinusal importante

ou

dor progressiva atípica

→ avaliação imediata e eventual encaminhamento especializado.


O fato de ser “biocerâmico” não modifica essa hierarquia

Isso é importante.

Se há:

parestesia após extrusão

não devemos tranquilizar o paciente apenas porque:

“o material é biocompatível.”

A anatomia e a sintomatologia têm prioridade.

Da mesma forma, AH Plus extruído não significa cirurgia automática

Muitos casos:

  • permanecem assintomáticos;

  • cicatrizam.

Portanto:

classe do cimento não substitui avaliação clínica.

Slide em português com tabela “Matriz de Significado EndoToday”, com checks verdes e Xs vermelhos sobre o que o puff demonstra/não demonstra.

Matriz EndoToday — o que o puff demonstra

Puff demonstra

Puff NÃO demonstra

Material ultrapassou uma comunicação apical/lateral

Desinfecção completa

Houve perda de contenção do cimento

Patência

Existe contato com tecido periapical

Maior sucesso

O material possui capacidade de fluxo

Preenchimento de toda anatomia

Pode exigir acompanhamento

Fracasso inevitável

Pode produzir resposta tecidual

Necessidade automática de intervenção


Matriz EndoToday — nível de preocupação

Situação

Interpretação

Puff pequeno, assintomático

Geralmente acompanhar

Puff pequeno + cicatrização

Favorável

Puff grande

Maior vigilância

Puff + dor persistente

Investigar

Puff + lesão aumentando

Investigar causa do fracasso

Puff próximo ao canal mandibular

Alta atenção

Puff + parestesia

Urgência diagnóstica

Material dentro do canal mandibular

Situação potencialmente grave

Material no seio + sintomas sinusais

Avaliação específica

Puff de biocerâmico

Não é automaticamente seguro

Puff de AH Plus

Não é automaticamente fracasso


Matriz de decisão clínica EndoToday


Matriz de decisão clínica EndoToday com 3 cenários de puff, destacando acompanhamento e vigilância em caixas verdes e amarelas.

CENÁRIO 1 — Puff pequeno + paciente assintomático

Obturação dentro de limite aceitável

  • pequena quantidade de cimento além do ápice.

Conduta:

acompanhar.

Não indicar automaticamente:

retratamento ou cirurgia.


CENÁRIO 2 — Puff + periodontite apical prévia

Conduta:

acompanhar a:

  • lesão;

  • sintomas;

  • evolução.

Não interpretar:

a extrusão como sinal de:

“desinfecção suficiente”.

CENÁRIO 3 — Puff volumoso

Aumentar atenção para:

  • dor;

  • inflamação;

  • estruturas anatômicas;

  • persistência.


Infográfico em português com matriz clínica Endotoday, cenários 4, 5 e 6 em caixas coloridas sobre risco e urgência.


CENÁRIO 4 — Puff próximo ao canal mandibular, sem sintomas

Considerar:

relação anatômica precisa.

Dependendo do aspecto:

imagem tridimensional pode ser necessária.

CENÁRIO 5 — Puff + parestesia imediata

Conduta:

não apenas observar.

Avaliação diagnóstica imediata.

Considerar:

  • CBCT;

  • encaminhamento;

  • avaliação cirúrgica/especializada.


CENÁRIO 6 — Material no seio maxilar sem sintomas

Avaliar:

  • quantidade;

  • localização;

  • evolução.

Acompanhamento pode ser suficiente em casos selecionados.


CENÁRIO 7 — Material no seio + sintomas sinusais

Investigar:

possível sinusite odontogênica / corpo estranho.

Abordagem multidisciplinar pode ser necessária.


O que a evidência NÃO permite afirmar


“Puff é sinal de excelente Endodontia”

Não.


“Puff demonstra patência”

Não.


“Puff demonstra irrigação eficiente”

Não.


“Puff significa preenchimento tridimensional”

Não.


“Todo puff causa fracasso”

Não.


“Puff nunca afeta prognóstico”

Também não.

A meta-análise sugere maior risco de não cicatrização.


“Biocerâmico pode extravasar sem preocupação”

Não.


“AH Plus extruído impede cicatrização”

Não necessariamente.


“O cimento precisa desaparecer para o osso cicatrizar”

Não.


“Mais puff significa mais bioatividade”

Não.


“Um pequeno puff sempre precisa de cirurgia”

Não.


“Parestesia após extrusão pode simplesmente ser observada”

Não como regra.

Pode representar lesão neural relevante e exige avaliação rápida.


Força da evidência — síntese EndoToday

Afirmação

Confiança

Puff corresponde a cimento extruído além do limite

Alta

Puff demonstra desinfecção

Não

Puff demonstra patência

Não

Pequenas extrusões podem cicatrizar

Alta

Extrusão pode aumentar risco de não cicatrização

Evidência moderada

Puff sempre causa fracasso

Não

Extrusão pode contribuir para dor

Evidência clínica heterogênea

Tipo de cimento influencia resposta inicial

Provável/produto-específico

Silicatos podem extravasar com frequência

Demonstrado em alguns estudos

Biocompatibilidade torna extrusão desejável

Não

Material extruído precisa reabsorver para cicatrizar

Não

Extrusão no canal mandibular pode causar dano neural grave

Alta relevância clínica

Pequeno puff assintomático exige cirurgia

Não

Controle apical continua sendo objetivo

Forte racional clínico



O estudo multicêntrico de 2025 ensina algo especialmente importante

Mais de:

40% dos dentes apresentaram extrusão.

Apesar disso:

não houve uma epidemia de complicações graves.

Isso mostra que:

extrusão e dano clínico não são equivalentes.

Porém:

o estudo também identificou relações entre:

  • cimento;

  • extrusão;

  • diagnóstico;

e dor.

Logo:

extrusão não deve ser banalizada.

Essa posição intermediária é exatamente o que a evidência sustenta.

A meta-análise de prognóstico impede o outro extremo

Se ficássemos apenas com estudos individuais sem diferença significativa:

poderíamos concluir:

“puff não importa.”

Mas a síntese de evidências encontrou:

RR 1,32 para não cicatrização.

Isso indica que:

em nível populacional pode existir desvantagem.

Portanto:

uma intercorrência que muitas vezes evolui bem ainda pode aumentar risco.

Essas duas ideias coexistem.


Esse é um conceito epidemiológico importante

Um fator de risco:

não precisa causar o desfecho em todos os pacientes.

Fumar não causa doença em:

100% dos fumantes.

Mesmo assim:

é fator de risco.

Da mesma maneira:

extrusão não precisa produzir fracasso em todos os casos para ser clinicamente indesejável.

Portanto, não confunda “pode cicatrizar” com “devemos produzir”

Essa talvez seja a mensagem mais importante.

É correto dizer:

muitos casos com puff cicatrizam.

Não é correto concluir:

logo o puff é desejável.

A lógica correta é:

se ocorrer pequena extrusão, não entre em pânico; mas trabalhe para não produzi-la deliberadamente.

Puff é talvez o melhor exemplo da diferença entre consequência e objetivo


Consequência tolerável em alguns casos

Sim.

Objetivo terapêutico

Não.

Essa distinção resolve grande parte da controvérsia.

A técnica ideal controla material, não exibe material

Uma boa obturação deveria demonstrar:

  • extensão planejada;

  • densidade adequada;

  • controle apical;

  • cimento coerente;

  • ausência de grande extrusão.

Não precisamos:

“mostrar o cimento no periodonto”

para demonstrar qualidade.


E um caso sem puff não está incompleto

Essa ideia também merece destaque:

A ausência de puff não significa que faltou cimento.

Se o sistema está adequadamente obturado:

o melhor lugar para o cimento é dentro dele.

A frase central deste artigo

Puff apical não é troféu radiográfico nem sentença de fracasso. É uma extrusão que precisa ser interpretada.

E eu acrescentaria:

O objetivo é controle, não extrusão.
Infográfico odontológico com dente e 4 blocos: comprimento, controle apical, quantidade de cimento e prevenção de extrusão.

Implicação clínica

Diante de um puff apical:

  1. Avalie se apenas cimento ou também guta-percha ultrapassou o limite.

  2. Estime a quantidade extruída.

  3. Identifique o material utilizado.

  4. Reavalie o diagnóstico inicial.

  5. Verifique a proximidade com estruturas nobres.

  6. Pergunte sobre dor.

  7. Investigue qualquer alteração neurossensorial.

  8. Avalie sintomas sinusais quando pertinente.

  9. Observe a evolução periapical.

  10. Não intervenha apenas pela estética radiográfica quando o risco da intervenção for maior que o benefício.

A pergunta não é:

“Tem puff?”

Mas:

“Qual é a relevância biológica e anatômica deste puff neste paciente?”

Cartão branco com texto em português sobre puff apical e controle clínico, em fundo bege minimalista.

Conclusão

Puff apical significa:

material obturador além do limite do sistema de canais.

Ele não demonstra:

  • melhor limpeza;

  • melhor irrigação;

  • patência;

  • melhor selamento;

  • preenchimento tridimensional;

  • maior sucesso.

Também não determina automaticamente:

fracasso.

Muitos dentes com pequenas extrusões:

  • permanecem assintomáticos;

  • demonstram cicatrização.

Entretanto:

extrusão não deveria ser considerada biologicamente neutra.

A melhor síntese disponível sugere associação com maior risco de não cicatrização, e situações envolvendo:

  • grandes volumes;

  • dor persistente;

  • nervo alveolar inferior;

  • seio maxilar

podem adquirir relevância muito maior.

Portanto:

puff é uma intercorrência técnica de consequência variável — não uma meta obturadora.

A técnica deve buscar:

COMPRIMENTO


CONTROLE APICAL


QUANTIDADE ADEQUADA DE CIMENTO


PREVENÇÃO DE EXTRUSÃO DESNECESSÁRIA.

Se a extrusão ocorrer:

interpretamos o paciente — não apenas a radiografia.

E isso abre a pergunta do próximo artigo:

Por que alguns pacientes sentem mais dor quando o cimento extravasa e outros não sentem absolutamente nada?

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FAQ em fundo azul com balões de fala e ponto de interrogação; texto: Perguntas Frequentes, Base científica. Respostas claras.

Perguntas frequentes


O que é puff apical?

É a presença de cimento endodôntico além do limite apical do sistema de canais.


Puff apical significa boa obturação?

Não. Demonstra extrusão do material, não qualidade global da obturação.


Puff significa que o canal estava patente?

Não. O cimento pode atravessar o forame sem que isso demonstre patência mecânica intencional.


Puff significa que o irrigante chegou até o ápice?

Não. Fluxo do cimento e dinâmica da irrigação são fenômenos diferentes.


Puff significa que toda a anatomia foi preenchida?

Não. Podem coexistir extrusão apical e vazios ou regiões não preenchidas no interior do canal.


Um puff é sempre um erro?

Representa perda de contenção do cimento além do limite planejado, mas a consequência clínica varia. Pequenas extrusões podem permanecer assintomáticas.


Puff causa fracasso endodôntico?

Não necessariamente. Muitos casos cicatrizam, embora uma meta-análise tenha associado extrusão a maior risco de não cicatrização.


Quanto a extrusão aumenta o risco de não cicatrização?

Uma meta-análise de 2020 encontrou risco relativo de aproximadamente 1,32, ou 32% maior risco relativo de não cicatrização, embora causalidade definitiva ainda exija estudos melhores.


Puff causa dor?

Pode contribuir para dor, mas a associação não é consistente em todos os estudos e depende também do material, diagnóstico e condição periapical.


Cimento biocerâmico pode extravasar?

Sim. Alguns estudos clínicos encontraram inclusive taxas relativamente altas de extrusão com determinados silicatos de cálcio.


Cimento biocerâmico extruído é sempre seguro?

Não. Boa biocompatibilidade não torna extrusão desejável nem elimina riscos anatômicos.


AH Plus extruído impede cicatrização?

Não necessariamente. Estudos mostram muitos casos de cicatrização mesmo quando existe extrusão de AH Plus.


O cimento extruído precisa desaparecer para ocorrer cicatrização?

Não. A cicatrização periapical pode ocorrer mesmo com material ainda radiograficamente visível.


Todo cimento biocerâmico extruído será reabsorvido?

Não. O comportamento varia entre produtos e não existe garantia de desaparecimento completo.


Puff próximo ao nervo alveolar inferior é preocupante?

Sim. Extrusão próxima ou dentro do canal mandibular pode produzir lesão mecânica ou química do nervo e alterações neurossensoriais.


Dormência após tratamento endodôntico com extrusão deve ser apenas observada?

Não. Alteração neurossensorial após extrusão exige avaliação rápida, especialmente em dentes próximos ao canal mandibular.


Extrusão para o seio maxilar pode causar problemas?

Pode. Dependendo de quantidade, material e sintomas, pode associar-se a reação de corpo estranho e doença sinusal.


Um pequeno puff assintomático precisa ser removido?

Não automaticamente. A decisão depende de localização, material, sintomas, anatomia e acompanhamento.


Devemos tentar produzir puff?

Não. O objetivo técnico é manter o material obturador dentro do sistema de canais e controlar o limite apical.

Referências essenciais

  1. Aminoshariae A, Kulild JC. The impact of sealer extrusion on endodontic outcome: a systematic review with meta-analysis. Australian Endodontic Journal. 2020;46. doi: 10.1111/AEJ.12370.Achado central: extrusão associada a RR 1,32 de não cicatrização.

  2. Ensinas P, Aranguren J, Tosco V, et al. The impact of calcium silicate-based and resin-based root canal sealers on postoperative pain and sealer extrusion: a multicenter randomized clinical study. Journal of Endodontics. 2025;51:1508–1518. doi: 10.1016/j.joen.2025.07.004.

  3. Zamparini F, Lenzi J, Duncan HF, et al. The efficacy of premixed bioceramic sealers versus standard sealers on root canal treatment outcome, extrusion rate and post-obturation pain: a systematic review and meta-analysis. International Endodontic Journal. 2024. doi: 10.1111/iej.14069.

  4. Chopra V, Davis G, Baysan A. Clinical and radiographic outcome of non-surgical endodontic treatment using calcium silicate-based versus resin-based sealers: a systematic review and meta-analysis. Journal of Functional Biomaterials. 2022;13:38. doi: 10.3390/jfb13020038.

  5. Shashirekha G, Jena A, Pattanaik S. Assessment of pain and dissolution of apically extruded sealers and their effect on the periradicular tissues. Journal of Conservative Dentistry. 2018. doi: 10.4103/JCD.JCD_224_18.

  6. Moraes VG, Meyfarth S, Marañón-Vásquez GA, et al. Influence of root canal sealer composition on postoperative pain after endodontic treatment of permanent teeth: a systematic review and meta-analyses. Brazilian Dental Science. 2024. doi: 10.4322/bds.2024.e4060.

  7. Dahikar M, Mandwe A, Banga KS. Evidence synthesis of postoperative pain with bioceramic vs. epoxy resin sealers: umbrella review of randomized trials within existing systematic reviews. Frontiers in Dental Medicine. 2026. doi: 10.3389/fdmed.2025.1749298.

  8. Kim JE, Cho JB, Yi WJ, et al. Accidental overextension of endodontic filling material in patients with neurologic complications: a retrospective case series. Dentomaxillofacial Radiology. 2016. doi: 10.1259/DMFR.20150394.

  9. Mahmood H, Hoare JL, Atkins S. Chemical neurotoxicity to the inferior alveolar nerve — a rare sequela of endodontic treatment. Oral Surgery. 2022. doi: 10.1111/ors.12741.

  10. Kim B, Choi JY, Kwon YD. Iatrogenic extrusion of endodontic materials into the inferior alveolar nerve during endodontic procedures: a case series. 2025. doi: 10.22974/jkda.2025.63.9.005.

  11. Seog M, Kwon SK, Kim DH, et al. Five-year outcomes of root canal treatment comparing sealer-based obturation with calcium silicate-based sealer to continuous wave of condensation: a randomized controlled trial. Journal of Endodontics. 2025. doi: 10.1016/j.joen.2025.02.001.

  12. Duncan HF, Kirkevang LL, Peters OA, et al. Treatment of pulpal and apical disease: European Society of Endodontology S3-level clinical practice guideline. International Endodontic Journal. 2023;56(Suppl 3):238–295. doi: 10.1111/iej.13974.


Caso clínico — AH Plus extruído significa fracasso?

Radiografia pós-operatória:

Material radiopaco é observado além do limite apical após obturação com AH Plus.

A imagem demonstra:

extrusão do cimento.

Ela não demonstra:

  • desinfecção;

  • patência;

  • melhor preenchimento;

  • fracasso.

O caso deve ser acompanhado considerando:

  • sintomatologia;

  • condição periapical;

  • tamanho da extrusão;

  • relação com estruturas anatômicas;

  • evolução radiográfica.

No acompanhamento, caso haja:

  • ausência de sintomas;

  • regressão da radiolucidez;

  • reorganização óssea,

a presença persistente do cimento extruído:

não invalida a cicatrização.

Mensagem do caso

O sucesso é demonstrado pela resposta biológica do paciente — não pelo desaparecimento do puff.


Casos com cimento endodôntico AH Plus

Casos Clínicos
Casos Clínicos

Conclusões


A extrusão não intencional do cimento AH Plus não afetou a cicatrização do PA. No entanto, o tratamento endodôntico inicial mostrou melhor cicatrização do PA do que o retratamento não cirúrgico na presença da extrusão do cimento AH Plus. Os preditores de resultados analisados ​​não tiveram efeito no resultado do tratamento.



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Sobre o autor


Marco Aurélio Gagliardi Borges de terno azul e gravata azul claro, com expressão neutra, braços cruzados. Fundo preto.

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.


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