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Como tratar um dente com reabsorção interna?

Atualizado: há 1 dia

Atualizado em 07/02/2026


As reabsorções internas são muitos frequentes e na grande maioria são de rápida solução uma vez que é o próprio tecido pulpar que esta provocando a reabsorção.


Este conteúdo faz parte do Guia de Reabsorções Dentárias da EndoToday. Veja também os protocolos completos nos posts relacionados.

Atalhos clínicos (protocolos completos):





Caso clínico (síntese): paciente 34 anos, trauma automobilístico com avulsão e reimplante do dente 43. Em acompanhamento, identifica-se início de reabsorção interna no dente 42, com testes de vitalidade positivos e sem sinais de perfuração (sem comunicação com a superfície externa radicular).

Ponto crítico: reabsorção interna ativa exige tecido pulpar vital/inflamado no segmento coronário e, frequentemente, necrose parcial apical em graus variáveis. Ou seja: “vitalidade” em testes clínicos não garante polpa totalmente saudável. A lógica terapêutica é eliminar completamente o tecido pulpar para interromper a atividade clástica (odontoclastos). Isso é consistente com revisões e posicionamentos atuais.


1) Diagnóstico e critérios de inclusão (antes de abrir o dente)

1.1 Diferenciar reabsorção interna vs externa (obrigatório)

  • Radiografia periapical com diferentes angulações (paralelismo + deslocamento horizontal).

  • Se houver dúvida anatômica, superposição ou suspeita de perfuração: CBCT de pequeno FOV (campo reduzido) para avaliar:

    • extensão tridimensional da cavidade,

    • integridade da dentina remanescente,

    • proximidade/possível comunicação com o periodonto.Justificativa: o manejo muda radicalmente se for perfurante (aí entra selamento com biomaterial). O posicionamento da ESE reforça a necessidade de diagnóstico preciso e decisão guiada por extensão e comunicação.

1.2 Condição principal para este protocolo

  • Polpa vital (ao menos parcialmente) e reabsorção interna “não perfurante”.

  • Ausência de comunicação com a parede externa (sem trajeto para periodonto).


2) Objetivos biológicos do tratamento

  1. Remover todo o tecido pulpar (inclusive dentro da cavidade de reabsorção).

  2. Desinfectar um espaço com geometria irregular (alto risco de remanescente orgânico).

  3. Obturá-lo com técnica termoplastificada que preencha tridimensionalmente o defeito, minimizando vazios.A literatura é consistente ao apontar que técnicas termoplastificadas tendem a favorecer melhor preenchimento de defeitos de reabsorção interna.


3) Protocolo clínico passo a passo


3.1 Anestesia, isolamento e magnificação

  • Anestesia local conforme necessidade clínica.

  • Isolamento absoluto (dique) com vedamento periférico.

  • Preferência por magnificação (lupas/microscópio) pela necessidade de controle visual do sangramento pulpar e inspeção do defeito.

3.2 Abertura coronária e acesso conservador guiado

  • Acesso coronário com preservação de estrutura, porém sem restringir a instrumentação/irrigação.

  • Remoção completa da polpa coronária e identificação do canal.

3.3 Determinação do comprimento real de trabalho (CRT)

  • Localizador eletrônico foraminal como método preferencial (CRT), com confirmação radiográfica quando indicado.

  • Racional: em casos de reabsorção, a leitura radiográfica pode ser enganosa; EAL oferece maior previsibilidade para CRT quando bem executado.

3.4 Instrumentação: o problema não é “conformar”, é tocar paredes

A cavidade de reabsorção cria abaulamento/expansão e nichos onde instrumentos convencionais não encostam. O protocolo deve privilegiar:

  • preparo adequado do terço cervical/médio para irrigação,

  • estratégias ativas de varredura e acabamento para tocar paredes internas do defeito,

  • controle apical para evitar iatrogenias.


Opção 1 (preferida): XP-endo Shaper + XP-endo Finisher (ênfase no Finisher)

Indicação: quando você quer maximizar contato com paredes em anatomia irregular e cavidade resorptiva, com menor dependência de manobras manuais difíceis.

  • Modelagem inicial com XP-endo Shaper conforme protocolo do sistema (criando forma funcional).

  • Finalização com XP-endo Finisher para “varredura” tridimensional e otimização da limpeza na região resorptiva. Base racional: o XP-endo Finisher tem evidência de utilidade em cenários simulados de cavidade de reabsorção interna, especialmente em tarefas de remoção de material/medicamento e limpeza suplementar.

Conduta do curativo nesta opção:

  • Se, ao final, houver controle do sangramento, ausência de exsudato e sensação de limpeza adequada, pode-se obturar na mesma sessão (single-visit) em casos selecionados.

  • Se houver sangramento persistente (tecido remanescente) → considerar Ca(OH)₂.


Opção 2: sistema automatizado + XP-endo Finisher (como “passo universal”)

Indicação: quando você já usa outro sistema automatizado principal, mas quer um “passo” que aumente a chance de tocar paredes do defeito.

  • Instrumentação com seu sistema habitual (com atenção a não “subpreparar” o canal a ponto de impedir irrigação).

  • XP-endo Finisher como etapa final de limpeza.

Curativo: considerar Ca(OH)₂ se houver sangramento/exsudato, suspeita de remanescente pulpar na cavidade ou caso muito amplo.


Opção 3 (mais difícil, porém poderosa): limas manuais pré-curvadas no terço apical + “varredura” do defeito

Indicação: quando a anatomia exige controle fino e você pretende mecanicamente “raspar/varrer” paredes específicas.

  • Limas manuais pré-curvadas (terço apical), com movimentos de varredura em diferentes paredes do canal e cavidade.

  • Exige alto controle tátil e risco maior de desvios/transportes se o operador não for extremamente criterioso.

Curativo: aqui o Ca(OH)₂ tende a ser mais indicado como “seguro biológico” (desinfecção + necrose de remanescentes), especialmente se houver sangramento difícil de controlar.

Justificativa do Ca(OH)₂: além de efeito antimicrobiano, ajuda no controle de sangramento e pode contribuir para necrosar tecido pulpar residual entre sessões—um ponto frequentemente citado em revisões sobre reabsorção interna.

4) Irrigação e ativação (o que não pode faltar)

Em reabsorção interna, a geometria cria áreas “sombreadas” para irrigantes. Portanto:

  • NaOCl em concentração clinicamente aceita e renovação frequente (sem “ficar economizando” volume).

  • Ativação do irrigante (por exemplo: ultrassom/passiva ou sistemas que promovam agitação segura).

  • EDTA ao final para remoção de smear layer e melhor adaptação do selador (evitar uso indiscriminado e prolongado).


5) Critérios para decidir: 1 sessão vs 2 sessões com curativo


5.1 Pode obturar na mesma sessão quando

  • sangramento controlado rapidamente após remoção pulpar,

  • ausência de exsudato,

  • instrumentação/varredura julgada satisfatória,

  • cavidade não excessivamente ampla.


5.2 Prefira Ca(OH)₂ (7–14 dias, com reavaliação) quando

  • sangramento persistente (sugere tecido remanescente),

  • exsudato,

  • cavidade ampla e difícil de acessar,

  • suspeita de remanescentes após opções 2 e 3.


6) Obturação: por que termoplastificar é (quase sempre) a escolha lógica


6.1 Técnica recomendada

  • Técnica termoplastificada, por exemplo Técnica Híbrida de Tagger, pela maior capacidade de preencher irregularidades e cavidades internas.

6.2 O que evitar (e por quê)

  • Condensação lateral ativa: risco aumentado de falhas de adaptação em cavidades, criação de vazios e estresses desnecessários.

  • Cone único: maior chance de não preencher tridimensionalmente o defeito resorptivo, sobretudo se a cavidade for ampla e irregular.A necessidade de material/abordagem “flowable” e o benefício de técnicas termoplastificadas em reabsorção interna são reiterados na literatura.

7) Acompanhamento

  • Controle clínico e radiográfico seriado (ex.: 3, 6 e 12 meses; depois anual), observando:

    • estabilidade do defeito (sem progressão),

    • ausência de sinais/sintomas,

    • ausência de lesão periapical,

    • integridade radicular.



XP Endo Shaper endotoday
XP Endo Shaper


XP Endo Finisher
XP Endo Finisher


Instrumento pré-curvado para a limpeza do canal radicular.
Instrumento pré-curvado para a limpeza do canal radicular.


A) Radiografia de diagnóstico B) Com Calen mas com espaço não limpo C) Com Calen mas o canal corretamente limpo D) O canal obturado com Sealapex.

A) Radiografia de diagnóstico

B) Com Calen mas com espaço da reabsorção não limpo

C) Com Calen mas o canal corretamente limpo

D) O canal obturado com Sealapex.



faq


1) Reabsorção interna com “teste de vitalidade positivo” precisa de endodontia?

Sim, quando há reabsorção interna ativa, a presença de polpa vital/inflamada sustenta a atividade clástica. O tratamento visa remover completamente o tecido pulpar para interromper o processo.

2) Quando devo pedir CBCT?

Quando a radiografia não esclarece extensão, quando há suspeita de perfuração ou quando a anatomia do defeito é crítica para decidir técnica e prognóstico.

3) Qual é o erro mais comum nesses casos?

Achar que “instrumentei o canal” = “removi toda a polpa”. Na reabsorção interna, o defeito cria reentrâncias onde tecido permanece e a reabsorção pode continuar.

4) XP-endo Finisher realmente ajuda em cavidades de reabsorção?

Há evidência experimental e estudos em modelos de cavidade simulada mostrando utilidade do XP-endo Finisher como etapa suplementar, especialmente em contextos de limpeza/remoção de material em cavidades de reabsorção interna.

5) Quando usar hidróxido de cálcio?

Principalmente quando há sangramento persistente, exsudato ou suspeita de remanescente pulpar no defeito; também como reforço antimicrobiano entre sessões.

6) Posso obturar em sessão única?

Sim, em casos selecionados: sangramento controlado, canal seco/sem exsudato e remoção pulpar julgada completa, com limpeza adequada do defeito.

7) Por que evitar cone único?

Porque a cavidade resorptiva exige preenchimento tridimensional; cone único tende a deixar vazios em irregularidades amplas.

8) Por que a técnica híbrida de Tagger é indicada?

Por ser uma técnica termoplastificada, favorece adaptação e preenchimento do defeito, reduzindo vazios em cavidades internas.

9) O trauma e o reimplante do 43 mudam algo no 42?

Mudam o contexto de risco (histórico de trauma), reforçando acompanhamento e diagnóstico diferencial. Para avulsão/reimplante, diretrizes IADT orientam seguimento rigoroso.

10) Qual o marcador de sucesso?

Estabilidade radiográfica (sem progressão), ausência de sinais/sintomas e preservação estrutural radicular no acompanhamento.


Próximos passos (recomendados):



Fontes essenciais

  • ESE Position Statement: Root Resorption (2023)

  • Revisão: Management of Internal Root Resorption (Nilsson et al., 2013 – PMC)

  • IADT Guidelines – Avulsion of Permanent Teeth (2020; versões/compilações recentes disponíveis)

  • Evidência experimental sobre XP-endo Finisher em cavidades simuladas de reabsorção interna


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