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Como restaurar um dente tratado endodonticamente com reabsorção interna.

Atualizado: há 1 dia

Atualizado em 07/02/2026


Este conteúdo faz parte do Guia de Reabsorções Dentárias da EndoToday.



Introdução

Dentes com reabsorção radicular interna (IRR) tendem a apresentar prognóstico restaurador mais complexo, pois o defeito reabsortivo pode comprometer a qualidade da adesão e a distribuição de tensões em reabilitações com pinos intrarradiculares. Além disso, irregularidades do defeito e limitações de limpeza/desinfecção podem interferir na condição da dentina para cimentação. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a resistência de união e a qualidade da interface adesiva de diferentes pinos reforçados por fibra de vidro cimentados em raízes com IRR simulada.


Materiais e métodos

Foram utilizadas 45 raízes de pré-molares humanos, nas quais a IRR foi simulada. As amostras foram incluídas em resina acrílica e seccionadas em dois segmentos, permitindo posterior reaproximação com parafusos para padronização do defeito. Após medicação intracanal por 15 dias, o material foi removido com irrigação ultrassônica passiva (PUI)e a limpeza do defeito foi inspecionada em estereomicroscopia.A resistência de união foi testada para dois tipos de pinos de fibra (Rebilda Post – RP e Rebilda Post GT – GT, VOCO), avaliando-se duas regiões: terço cervical e área do defeito de IRR (n = 20). Adicionalmente, a interface entre cimento resinoso e dentina radicular foi examinada por microscopia eletrônica de varredura (MEV).


Resultados

A remoção do conteúdo no defeito foi limitada: 62,5% das cavidades de IRR não foram completamente limpas após PUI.Os valores de resistência de união foram maiores na região cervical do que na região do defeito de IRR, para ambos os pinos. Na região cervical, observaram-se aproximadamente 9,8 MPa (RP) e 14,6 MPa (GT); já na região de IRR, os valores foram inferiores (6,3 MPa e 4,2 MPa, respectivamente).As micrografias em MEV evidenciaram bolhas no cimento e lacunas na interface adesiva, sugerindo falhas de adaptação e potenciais pontos de concentração de tensões.


Conclusão

A região do defeito de reabsorção interna apresentou desempenho adesivo inferior quando comparada ao terço cervical. O RP demonstrou melhor resistência de união no terço cervical, enquanto o GT apresentou melhor desempenho na região do defeito de IRR.




Opinião EndoToday

Este trabalho reforça um ponto que muitos profissionais subestimam: o problema da reabsorção interna não termina na endodontia — ele continua (e às vezes começa de verdade) na restaurabilidade.Se, mesmo em um modelo controlado, a adesão dos pinos em áreas de IRR tende a ser menor e a interface pode apresentar defeitos, então a pergunta clínica obrigatória é:

“Eu consigo restaurar este dente com previsibilidade e selamento, ou estou apenas prolongando um caso sem solução restauradora?”

Em outras palavras: não faz sentido ‘salvar’ biologicamente um dente que não é restaurável de forma consistente. A decisão deve integrar: extensão do defeito, remanescente dentinário, estratégia adesiva, tipo de retentor, e plano protético.


faq

1) Por que dentes com reabsorção interna têm pior desempenho adesivo para pinos?

Porque o defeito cria uma cavidade irregular, com maior chance de limpeza incompleta, presença de resíduos e adaptação deficiente do cimento, favorecendo bolhas e lacunas na interface.

2) A PUI é suficiente para remover medicação intracanal em cavidades de IRR?

Neste estudo, não na maioria dos casos: 62,5% das IRR não foram completamente limpas, sugerindo limitação do método isoladamente em defeitos complexos.

3) A resistência de união é igual no canal inteiro?

Não. Houve valores maiores no terço cervical e menores na região do defeito de IRR, indicando que o local do defeito influencia significativamente o resultado.

4) O que significa encontrar “bolhas no cimento” e “espaços na interface” em MEV?

Indica falhas de adaptação/união, que podem reduzir a resistência mecânica, aumentar risco de descolamento, microinfiltração e falha restauradora precoce.

5) Qual pino foi melhor neste estudo?

Dependeu da região: RP teve melhor resistência de união cervical, enquanto GT apresentou melhor resistência de união na região de IRR.

6) Qual é a principal mensagem clínica do artigo?

A reabsorção interna pode comprometer a restauração com pino, então o planejamento deve avaliar não só o sucesso endodôntico, mas a previsibilidade restauradora.

7) Quando “não faz sentido” manter o dente?

Quando, após avaliação do remanescente e do defeito, não há estratégia restauradora previsível (selamento, retenção e resistência adequadas). A decisão deve ser biológica e protética, não apenas endodôntica.


Continue no Guia de Reabsorções Dentárias da EndoToday.


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