Acesso conservador versus acesso tradicional em Endodontia: onde está o equilíbrio?
- Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges

- há 15 minutos
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A discussão entre acesso tradicional, acesso conservador e acessos ultraconservadores tornou-se uma das principais controvérsias da Endodontia contemporânea. De um lado, existe uma preocupação legítima com a preservação da estrutura dentária, especialmente da dentina pericervical. De outro, existe uma exigência biológica que não pode ser ignorada: localizar canais, remover o teto da câmara, instrumentar, irrigar e desinfetar o sistema de canais radiculares.
O problema começa quando a discussão é reduzida a uma pergunta simplista:
O acesso deve ser grande ou pequeno?
Essa não é a melhor pergunta.
A pergunta clinicamente mais correta é:
Qual é o menor acesso que ainda permite tratar este dente com segurança biológica, anatômica e restauradora?
Preservar estrutura é fundamental. Porém, preservar estrutura não pode significar manter teto pulpar remanescente, esconder canais, dificultar a irrigação, aumentar o estresse sobre os instrumentos ou comprometer a desinfecção.
O melhor acesso não é necessariamente o maior. Também não é o menor.
O melhor acesso é o acesso suficiente: planejado, anatômico, biologicamente orientado e restauradoramente inteligente.
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Respostas rápidas sobre acesso conservador e acesso tradicional
Pergunta | Resposta objetiva |
O que é acesso tradicional? | É uma abertura que busca remover completamente o teto da câmara, expor o assoalho e criar trajetória mais direta para os canais. |
O que é acesso conservador? | É uma abertura que procura preservar mais estrutura dentária, especialmente dentina pericervical e cristas marginais, sem comprometer a finalidade endodôntica. |
O acesso conservador é sempre melhor? | Não. Ele pode ser vantajoso quando permite tratamento seguro, mas pode ser prejudicial quando dificulta localização, instrumentação e irrigação. |
O acesso tradicional é sempre excessivo? | Não. Em muitos casos, ele oferece melhor visualização, melhor controle e maior previsibilidade biológica. |
O teto da câmara pode ser preservado? | Não como regra. A remoção completa do teto pulpar continua sendo um princípio essencial. |
O que é acesso ultraconservador? | São propostas como ninja access e truss access, que reduzem muito a abertura e podem preservar estrutura, mas aumentam a dificuldade técnica e os riscos biológicos. |
Qual é o melhor tipo de acesso? | O acesso individualizado: suficiente para tratar o sistema de canais e conservador o bastante para preservar estrutura estratégica. |

Ponto-chave Endotoday
Preservar estrutura é importante; preservar às cegas pode comprometer o tratamento.
1. A falsa oposição entre preservar e tratar
Existe uma armadilha conceitual muito comum: colocar preservação estrutural e eficácia endodôntica como se fossem objetivos opostos.
Na prática, eles não deveriam competir. Eles deveriam ser integrados.
O tratamento endodôntico precisa preservar o dente, mas também precisa controlar a infecção, remover tecido pulpar quando indicado, localizar todos os canais relevantes, permitir irrigação e criar condições para uma restauração definitiva previsível.
Quando o acesso é amplo demais, a estrutura dentária pode ser desnecessariamente enfraquecida.
Quando o acesso é restrito demais, o tratamento pode ficar biologicamente insuficiente.
O erro está nos extremos.
Acesso excessivo sacrifica estrutura. Acesso insuficiente sacrifica tratamento.
O equilíbrio está em remover o que precisa ser removido e preservar o que pode ser preservado.
2. O que é acesso tradicional?
O acesso tradicional, ou Traditional Endodontic Cavity — TEC, é a forma clássica de abertura coronária descrita na Endodontia.
Ele se baseia em alguns princípios fundamentais:
remoção completa do teto da câmara pulpar;
exposição clara do assoalho pulpar;
localização dos orifícios dos canais;
eliminação de interferências coronárias;
criação de trajetória mais direta para os instrumentos;
facilitação da irrigação e da renovação dos irrigantes;
melhor visualização da anatomia interna.
Em termos clínicos, o acesso tradicional privilegia visibilidade, controle e previsibilidade técnica.
Isso é especialmente importante em:
molares com anatomia complexa;
dentes com câmaras calcificadas;
retratamentos;
suspeita de canais adicionais;
casos com lesão periapical;
dentes com restaurações extensas;
casos em que a localização dos canais é incerta.
O acesso tradicional não deve ser confundido com desgaste sem critério. Um acesso tradicional bem executado continua sendo anatômico e planejado.
O problema não é o acesso tradicional em si. O problema é o acesso tradicional feito sem consciência restauradora e sem respeito à dentina pericervical.

3. Vantagens e limitações do acesso tradicional
Aspecto | Vantagem clínica | Limitação potencial |
Visualização | Melhor exposição do assoalho e dos canais | Pode remover mais estrutura se mal planejado |
Localização de canais | Facilita a busca por canais adicionais | Pode induzir excesso de confiança técnica |
Instrumentação | Reduz interferências coronárias | Pode ampliar demais paredes estratégicas |
Irrigação | Favorece renovação e penetração do irrigante | Depende de execução cuidadosa |
Ensino | Mais previsível para alunos em formação | Pode ser reproduzido como “forma decorada” |
Restauração | Facilita limpeza e remoção de tecido residual | Pode aumentar necessidade restauradora se excessivo |
A grande virtude do acesso tradicional é permitir que o clínico veja, entenda e trate melhor a anatomia.
Sua grande limitação é a possibilidade de remover estrutura além do necessário quando não há planejamento restaurador.

4. O que é acesso conservador?
O acesso conservador, ou Conservative Endodontic Cavity — CEC, surgiu como resposta à preocupação com a perda de estrutura dentária durante o tratamento endodôntico.
A proposta é preservar mais dentina, especialmente:
dentina pericervical;
cristas marginais;
paredes coronárias estratégicas;
estrutura remanescente importante para a restauração.
O acesso conservador não deve ser entendido como “abrir pouco”. Essa é uma interpretação perigosa.
A definição mais correta seria:
Acesso conservador é aquele que preserva o máximo de estrutura possível sem comprometer a localização dos canais, a remoção do teto, a instrumentação, a irrigação, a desinfecção e a restauração final.
Portanto, o acesso conservador só faz sentido quando continua sendo funcional.
Se o acesso preserva dentina, mas impede a leitura do assoalho, ele não é conservador. Ele é insuficiente.
Se preserva crista marginal, mas deixa canal não localizado, ele não protegeu o dente. Ele preservou a causa do insucesso.

5. O que não pode ser negociado no acesso conservador?
Mesmo em um acesso conservador, alguns princípios não devem ser sacrificados.
Princípio | Por que não pode ser sacrificado |
Remoção completa do teto | Teto remanescente dificulta localização de canais, irrigação e limpeza |
Leitura do assoalho | O assoalho é o mapa anatômico da câmara pulpar |
Localização dos canais | Canal não localizado pode manter infecção |
Entrada passiva dos instrumentos | Deflexão excessiva aumenta risco de transporte, fratura e desgaste |
Irrigação eficiente | Sem renovação química, a desinfecção fica comprometida |
Preservação da dentina crítica | O acesso não pode fragilizar a estrutura restaurável |
Visibilidade adequada | Sem visão, a técnica vira tentativa |
O acesso pode ser conservador na estrutura, mas não pode ser conservador na informação.
Essa é uma frase central para este post:
O acesso deve preservar dentina, não esconder anatomia.

6. O que são ninja access e truss access?
Os acessos ultraconservadores são propostas mais extremas de preservação estrutural.
Entre eles, destacam-se:
ninja access;
truss access;
point access;
acessos guiados extremamente restritos.
Essas técnicas buscam reduzir ao máximo o tamanho da cavidade de acesso. Em alguns casos, preservam porções do teto da câmara ou criam acessos separados para diferentes grupos de canais.
Ninja access
O ninja access é uma abertura extremamente reduzida, geralmente desenhada para alcançar os canais com mínima remoção de estrutura coronária.
A proposta é preservar o máximo possível de dentina e esmalte.
O risco é transformar a abertura em uma janela pequena demais para entender a anatomia.
Truss access
O truss access preserva uma ponte de dentina entre diferentes áreas da câmara, criando acessos separados. Em molares, por exemplo, pode haver uma entrada para canais mesiais e outra para canais distais.
A proposta é preservar estrutura entre os acessos.
O risco é manter teto pulpar, dificultar irrigação, limitar visualização e aumentar a complexidade da instrumentação.

7. Acesso ultraconservador: preservação ou ilusão de segurança?
A ideia de preservar estrutura é sedutora. E faz sentido.
O problema é quando essa ideia passa a ser aplicada de forma dogmática.
Acessos ultraconservadores podem apresentar limitações importantes:
maior dificuldade de localização de canais;
maior risco de canais adicionais não tratados;
maior percentual de áreas não instrumentadas;
menor eficácia de irrigação;
maior dificuldade de remoção de tecido pulpar;
maior estresse sobre instrumentos;
maior risco de fratura de instrumentos;
maior dependência de microscópio, ultrassom e CBCT;
maior tempo clínico;
maior curva de aprendizado.
Em mãos altamente treinadas e em casos muito bem selecionados, podem ter aplicação.
Mas não devem ser apresentados como padrão universal.
O acesso ultraconservador é uma ferramenta possível, não uma filosofia que deve comandar todos os casos.
8. Por que preservar dentina pericervical importa?
A dentina pericervical é a região dentinária próxima à junção cemento-esmalte, localizada ao redor do colo dentário.
Ela é importante porque participa da resistência estrutural do dente e influencia diretamente a capacidade de suportar forças mastigatórias e receber uma restauração definitiva.
Preservar dentina pericervical faz sentido especialmente em:
dentes com grande destruição coronária;
pré-molares;
molares com paredes finas;
dentes com preparo protético;
dentes com restaurações extensas;
casos em que a restauração final depende de remanescente estrutural limitado.
Porém, preservar dentina pericervical não significa preservar teto pulpar contaminado ou impedir acesso aos canais.
A dentina pericervical deve ser protegida, mas não usada como justificativa para um acesso biologicamente deficiente.
9. Quando o acesso conservador ajuda?
O acesso conservador pode ser uma excelente escolha quando a anatomia é favorável e o operador dispõe de recursos adequados.
Ele tende a ser mais indicado quando:
a câmara pulpar está visível e acessível;
os canais são previsíveis;
não há grande calcificação;
não há suspeita forte de canal adicional;
o operador utiliza magnificação;
há boa iluminação;
o ultrassom está disponível;
a trajetória dos instrumentos não fica excessivamente defletida;
a irrigação pode ser realizada adequadamente;
a restauração final se beneficia da preservação estrutural.
Nesses casos, a preservação de estrutura pode ser alcançada sem comprometer a finalidade endodôntica.
O acesso conservador funciona melhor quando ele é consequência de uma anatomia favorável, e não de uma decisão prévia baseada em moda.
10. Quando o acesso conservador atrapalha?
O acesso conservador começa a atrapalhar quando deixa de ser uma estratégia anatômica e passa a ser uma limitação operacional.
Ele pode ser prejudicial em casos de:
câmaras calcificadas;
dentes envelhecidos;
molares superiores com suspeita de MV2;
molares inferiores com suspeita de canal médio-mesial;
retratamentos;
presença de pinos;
restaurações extensas;
coroas protéticas;
canais curvos e estreitos;
lesões periapicais persistentes;
anatomia não compreendida;
ausência de magnificação;
ausência de ultrassom;
operador em fase inicial de aprendizado.
Nessas situações, um acesso excessivamente restrito pode aumentar o risco de erro.
A tentativa de preservar estrutura pode produzir o oposto: desgaste aleatório, perfuração, canal não localizado e maior remoção dentinária ao longo do procedimento.
11. Impacto na localização de canais
Um dos maiores riscos do acesso excessivamente conservador é dificultar a localização de canais adicionais.
Isso é especialmente crítico em:
MV2 em molares superiores;
canal médio-mesial em molares inferiores;
segundo canal em incisivos inferiores;
canais vestibular e palatino em pré-molares superiores;
sistemas distais duplos em molares inferiores;
canais calcificados.
A localização dos canais depende da leitura do assoalho.
E a leitura do assoalho depende de:
remoção completa do teto;
limpeza da câmara;
secagem;
iluminação;
magnificação;
visualização de sulcos;
identificação de depressões;
diferenciação de cor entre paredes e assoalho.
Quando o acesso é pequeno demais, o assoalho deixa de ser lido. Ele passa a ser apenas uma região parcialmente visível no fundo de uma cavidade estreita.
Isso não é preservação.
É perda de informação anatômica.

12. Impacto na instrumentação
A instrumentação endodôntica exige que os instrumentos entrem nos canais com o menor grau possível de interferência coronária.
Quando o acesso é restrito demais, os instrumentos podem entrar defletidos.
Isso pode gerar:
aumento do estresse sobre limas rotatórias e reciprocantes;
maior risco de fadiga cíclica;
maior risco de fratura;
transporte do canal;
degraus;
perda de trajetória original;
desgaste seletivo indesejado;
maior dificuldade de recapitulação;
pior controle do preparo apical.
Em outras palavras:
Uma abertura pequena pode parecer conservadora na coroa, mas agressiva dentro da raiz.
Esse é um ponto que o aluno precisa compreender.
O acesso não deve ser avaliado apenas pelo tamanho da cavidade coronária. Deve ser avaliado pelo efeito que causa na instrumentação, irrigação e preservação da anatomia radicular.

13. Impacto na irrigação e desinfecção
A Endodontia não é apenas instrumentação. A desinfecção depende profundamente da ação química dos irrigantes.
A irrigação exige:
espaço para entrada da agulha;
renovação da solução;
fluxo adequado;
aspiração segura;
ativação quando indicada;
contato químico com áreas não tocadas;
remoção de debris;
controle da smear layer;
segurança para evitar extrusão.
Acessos excessivamente restritos podem dificultar:
posicionamento da agulha;
renovação do irrigante;
ativação sônica ou ultrassônica;
remoção de debris coronários;
controle visual da câmara;
limpeza de istmos e áreas achatadas.
A consequência é crítica:
Um acesso pequeno demais pode preservar dentina, mas reduzir a capacidade de limpar o sistema de canais.
E a finalidade biológica da Endodontia é controlar a infecção.

14. Impacto na restauração final
A discussão sobre acesso não termina na obturação.
O dente tratado endodonticamente precisa ser restaurado.
Um acesso bem planejado deve considerar:
quantidade de estrutura remanescente;
espessura das paredes;
presença de cristas marginais;
necessidade de cúspide de cobertura;
risco de fratura;
tipo de restauração futura;
presença de férula;
função oclusal;
parafunção;
localização do dente no arco.
A preservação estrutural tem impacto direto no prognóstico restaurador.
Mas novamente: preservar estrutura coronária não deve comprometer a desinfecção.
O dente não fratura porque foi bem tratado. Ele fratura quando perde estrutura demais, recebe restauração inadequada ou permanece com biomecânica desfavorável.
Por isso, a decisão do acesso deve ser endodôntica e restauradora ao mesmo tempo.

15. Tabela comparativa: acesso tradicional, conservador e ultraconservador
Tipo de acesso | Característica principal | Vantagem | Risco |
Acesso tradicional | Maior exposição da câmara e do assoalho | Melhor visualização, localização e irrigação | Maior remoção de estrutura se mal planejado |
Acesso conservador | Preserva mais dentina e cristas marginais | Melhor preservação estrutural | Pode dificultar localização, instrumentação e irrigação |
Ninja access | Acesso extremamente reduzido | Máxima preservação coronária aparente | Alto risco de acesso insuficiente e dificuldade técnica |
Truss access | Acessos separados preservando ponte dentinária | Preserva estrutura entre as entradas | Pode manter teto, dificultar irrigação e aumentar estresse instrumental |
Acesso guiado | Planejado por imagem e guia | Útil em calcificações específicas | Custo, planejamento complexo e indicação limitada |

16. Critérios clínicos para escolher o tipo de acesso
A escolha do acesso deve ser individualizada.
Antes de decidir, pergunte:
Pergunta clínica | Por que importa |
Qual é o diagnóstico pulpar e periapical? | Casos infectados exigem forte controle biológico |
Há suspeita de canais adicionais? | Acesso restrito pode esconder anatomia |
A câmara está calcificada? | Pode exigir maior visibilidade e controle |
O dente tem restauração extensa ou coroa? | A anatomia externa pode ser enganosa |
Existe risco de perfuração? | O acesso deve respeitar profundidade e eixo |
Tenho magnificação e ultrassom? | Acesso conservador depende de tecnologia |
A irrigação será eficiente? | Sem irrigação adequada, a desinfecção fica comprometida |
A instrumentação entrará sem deflexão? | Deflexão aumenta estresse e risco de acidente |
Qual será a restauração final? | O acesso deve preservar estrutura restauradora crítica |
O operador tem experiência suficiente? | Técnica conservadora exige maior domínio |
A resposta a essas perguntas vale mais do que qualquer desenho fixo de acesso.

17. A regra EndoToday: acesso suficiente
A proposta mais segura não é defender cegamente o acesso tradicional nem aderir de forma dogmática ao acesso conservador.
A proposta mais madura é trabalhar com o conceito de acesso suficiente.
O acesso suficiente é aquele que:
remove completamente o teto da câmara;
permite leitura adequada do assoalho;
localiza os canais esperados;
permite busca racional por canais adicionais;
cria entrada segura para os instrumentos;
favorece irrigação e renovação química;
preserva dentina pericervical;
evita desgaste desnecessário;
respeita a restauração final;
é compatível com a anatomia do caso.
Essa definição evita os dois extremos.
O acesso suficiente não é grande por hábito.
Também não é pequeno por ideologia.
É adequado porque responde ao caso clínico.

18. O erro de transformar filosofia em dogma
Toda filosofia clínica pode se tornar perigosa quando vira dogma.
O acesso tradicional vira dogma quando o clínico desgasta sempre da mesma forma, independentemente do dente.
O acesso conservador vira dogma quando o clínico tenta preservar estrutura mesmo quando isso impede a execução adequada do tratamento.
A Endodontia não deve ser governada por slogans.
Ela deve ser governada por diagnóstico, anatomia, biologia, tecnologia disponível e restauração final.
A pergunta não é:
“Sou tradicional ou conservador?”
A pergunta é:
“Qual acesso este dente precisa para ser tratado e restaurado com segurança?”

19. Síntese clínica: pontos essenciais para levar à clínica
O debate entre acesso conservador e acesso tradicional não deve ser tratado como guerra de escolas.
A melhor decisão clínica está no equilíbrio.
O clínico deve lembrar que:
acesso tradicional não significa desgaste sem critério;
acesso conservador não significa abertura insuficiente;
acesso ultraconservador tem indicação limitada;
remover completamente o teto continua sendo essencial;
o assoalho precisa ser lido como mapa anatômico;
dentina pericervical deve ser preservada sempre que possível;
preservação estrutural não pode esconder canais;
irrigação e desinfecção são prioridades biológicas;
magnificação e ultrassom mudam a previsibilidade;
a restauração final deve ser considerada desde o planejamento.
A frase central deste artigo é:
O melhor acesso não é o menor acesso possível. É o menor acesso que ainda permite localizar, instrumentar, irrigar, desinfetar e restaurar com segurança.

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A abertura coronária é uma das etapas que mais revelam a maturidade clínica do operador.
Não basta saber qual broca usar. É preciso compreender diagnóstico, anatomia, imagem, estrutura remanescente, irrigação, instrumentação e restauração final.
Na EndoToday, ensinamos Endodontia como raciocínio clínico: cada decisão técnica precisa ter uma justificativa anatômica, biológica e restauradora.

FAQ — Acesso conservador versus acesso tradicional em Endodontia
O que é acesso tradicional em Endodontia?
O acesso tradicional é a abertura coronária que busca remover completamente o teto da câmara pulpar, expor o assoalho, localizar os canais e criar uma trajetória mais direta para instrumentação, irrigação e obturação.
O que é acesso conservador em Endodontia?
O acesso conservador é uma abordagem que procura preservar mais estrutura dentária, especialmente dentina pericervical e cristas marginais, sem comprometer a localização dos canais, a instrumentação, a irrigação e a desinfecção.
Acesso conservador é sempre melhor?
Não. O acesso conservador pode ser vantajoso quando permite tratamento seguro, mas pode ser prejudicial quando dificulta a localização de canais, mantém teto pulpar remanescente ou compromete irrigação e desinfecção.
Acesso tradicional remove estrutura demais?
Pode remover mais estrutura do que o acesso conservador, mas não deve ser confundido com desgaste sem critério. Um acesso tradicional bem planejado pode ser necessário em casos complexos, calcificados, infectados ou com canais adicionais.
O que é ninja access?
Ninja access é uma forma de acesso ultraconservador, caracterizada por abertura extremamente reduzida, geralmente com objetivo de preservar o máximo de estrutura coronária. Sua indicação é limitada e exige alto domínio técnico.
O que é truss access?
Truss access é uma técnica ultraconservadora em que são criados acessos separados, preservando uma ponte de dentina entre eles. Pode preservar estrutura, mas pode dificultar visualização, irrigação e remoção completa do teto.
O teto da câmara pode ser deixado parcialmente?
Como regra, não. A remoção completa do teto pulpar é essencial para permitir leitura do assoalho, localização dos canais, irrigação adequada e remoção de tecido pulpar ou debris.
O acesso conservador prejudica a irrigação?
Pode prejudicar quando é excessivamente restrito. A irrigação depende de espaço, renovação da solução, posicionamento seguro da agulha e possibilidade de ativação. Um acesso pequeno demais pode comprometer esses fatores.
Quando o acesso conservador é indicado?
O acesso conservador pode ser indicado quando a anatomia é favorável, os canais são previsíveis, não há calcificação importante, há magnificação e ultrassom disponíveis, e a irrigação e instrumentação podem ser realizadas com segurança.
Qual é o melhor tipo de acesso endodôntico?
O melhor acesso é o acesso suficiente: aquele que permite localizar canais, remover o teto, ler o assoalho, instrumentar, irrigar, desinfetar e restaurar com segurança, preservando o máximo de estrutura possível.
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Sobre o autor

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.
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Ensinamos a cuidar de pacientes.
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