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Chegou ao fim a era do Hipoclorito de sódio e EDTA?

Slide azul com gota d’água e título A Ilusão do All-in-One; texto sobre irrigantes multifuncionais e NaOCl + EDTA.

Ainda não há evidência clínica suficiente para afirmar que irrigantes multifuncionais substituem de maneira previsível o protocolo baseado em hipoclorito de sódio associado a um agente quelante.

Soluções all-in-one apresentam propriedades laboratoriais promissoras, mas boa atividade antibiofilme, remoção de smear layer ou melhora de propriedades físico-químicas não significam automaticamente maior cicatrização periapical ou sucesso clínico.

Inovação precisa demonstrar benefício, não apenas novidade.

Resumo

Irrigantes multifuncionais foram desenvolvidos com a proposta de reunir em uma única solução propriedades antimicrobianas, capacidade de limpeza, ação sobre smear layer e melhor molhamento.

O conceito é biologicamente atraente.

Entretanto, a maior parte das evidências ainda é experimental.

Portanto, não existe base suficiente para declarar encerrada a utilização de NaOCl associado a agentes quelantes.

O que você vai aprender neste artigo

Pergunta clínica

Resposta clínica direta

Irrigantes multifuncionais já podem substituir NaOCl + EDTA?

Ainda não existe evidência clínica suficiente para afirmar equivalência ou superioridade previsível em longo prazo.

Qual é a proposta de uma solução all-in-one?

Reunir atividade antimicrobiana, ação sobre matéria orgânica, remoção da smear layer e propriedades de molhamento em uma única formulação.

Triton apresenta atividade antibiofilme?

Estudos experimentais apresentam resultados promissores, mas atividade antibiofilme laboratorial não equivale automaticamente a maior sucesso clínico.

Triton remove smear layer?

Estudos laboratoriais demonstram capacidade de remoção, porém os resultados dependem do protocolo, tempo, metodologia e comparador utilizado.

Se remover menos smear layer que EDTA, devo simplesmente acrescentar EDTA?

Não. Combinações de irrigantes não devem ser criadas empiricamente; é necessário conhecer compatibilidade química, segurança e sequência estudada.

A ativação resolve possíveis limitações químicas da solução?

Não necessariamente. A ativação modifica principalmente transporte e dinâmica do irrigante, mas não transforma uma solução quimicamente em outra.

Um melhor resultado in vitro significa maior sucesso clínico?

Não. Remoção de debris, morte bacteriana ou abertura de túbulos são desfechos substitutos e não equivalem diretamente à cicatrização periapical.

O protocolo NaOCl + quelante está ultrapassado?

Não. Continua sendo uma referência clínica importante enquanto novas formulações ainda acumulam evidências comparativas.

O que uma nova solução precisa demonstrar para mudar o padrão clínico?

Segurança, eficácia química e microbiológica, compatibilidade com dentina e materiais e, sobretudo, melhores ou equivalentes desfechos clínicos.

Qual é a conclusão atual sobre irrigantes multifuncionais?

São tecnologias promissoras que merecem investigação, mas ainda não devem ser apresentadas como substitutas definitivas dos protocolos convencionais.


Diagrama de Venn azul sobre NaOCl e EDTA, com texto sobre dissolução orgânica e smear layer; soma exige múltiplas etapas.

Por que procurar uma solução multifuncional?

O protocolo tradicional de irrigação utiliza diferentes agentes porque nenhuma solução convencional apresenta todas as propriedades desejáveis.

NaOCl atua principalmente sobre:

  • matéria orgânica;

  • microrganismos;

  • componentes do biofilme.

Agentes quelantes atuam principalmente sobre:

  • componente inorgânico da smear layer;

  • cálcio da dentina.

Essa complementaridade exige múltiplas etapas.

O irrigante ideal

Teoricamente, o irrigante ideal deveria:

  • apresentar amplo espectro antimicrobiano;

  • dissolver matéria orgânica;

  • romper biofilmes;

  • remover smear layer;

  • penetrar em irregularidades;

  • possuir baixa tensão superficial;

  • apresentar baixa citotoxicidade;

  • preservar propriedades da dentina;

  • não interferir com materiais obturadores;

  • ser estável;

  • ser biologicamente seguro.

Até o momento, nenhuma solução preenche perfeitamente todos esses requisitos.

Onde entram soluções como Triton?

Irrigantes multifuncionais procuram aproximar diferentes propriedades em uma única formulação.

Infográfico azul com frasco de laboratório e textos sobre baixa citotoxicidade, antimicrobiano, biofilmes e smear layer.

A proposta é extremamente interessante:

simplificar a química sem sacrificar eficiência.

Entretanto, para comprovar que uma solução all-in-one substitui protocolos estabelecidos, precisamos demonstrar muito mais do que uma única propriedade laboratorial.

O que os estudos laboratoriais conseguem responder?

Podem avaliar:

  • atividade antibacteriana;

  • biofilme;

  • dissolução;

  • smear layer;

  • microdureza;

  • composição química da dentina;

  • tensão superficial;

  • penetração;

  • resistência de união;

  • citotoxicidade.

Esses estudos são fundamentais.

Mas seus desfechos são intermediários.

O que realmente precisamos saber clinicamente?

Idealmente:

  • houve maior cicatrização periapical?

  • houve menor incidência de sinais e sintomas?

  • ocorreu menor necessidade de retratamento?

  • o dente permaneceu funcional?

  • houve menor incidência de eventos adversos?

Esses são desfechos mais próximos daquilo que realmente importa ao paciente.


Infográfico em azul com ponte quebrada ligando O Laboratório à Clínica e O Salto Interpretativo sobre evidência e sucesso clínico.

Evidência laboratorial ≠ evidência clínica

Essa é talvez a mensagem mais importante deste artigo.

Uma solução pode apresentar:

90% de redução bacteriana em laboratório

sem necessariamente produzir:

maior sucesso clínico.

Da mesma maneira:

maior remoção de smear layer

não significa automaticamente:

maior cicatrização periapical.

Esse salto interpretativo é frequente na Endodontia.

Por que os resultados laboratoriais continuam importantes?

Porque permitem:

  • compreender mecanismos;

  • comparar formulações;

  • estudar segurança;

  • identificar potenciais vantagens;

  • selecionar tecnologias para ensaios clínicos.

O erro não é utilizar evidência laboratorial.

O erro é transformá-la prematuramente em uma afirmação clínica definitiva.


Infográfico azul com placa translúcida e triângulo, sobre trade-offs químicos: física/biologia, limpeza/estrutura e eficácia/segurança.

Uma solução multifuncional pode apresentar trade-offs?

Sim.

Esse é um ponto particularmente relevante.

Modificar uma formulação para aumentar determinada propriedade pode modificar outras.

Por exemplo:

melhor molhamento pode alterar interação com dentina;

maior atividade antimicrobiana pode vir acompanhada de maior citotoxicidade;

maior capacidade de quelação pode alterar propriedades mecânicas do substrato.

Por isso:

“all-in-one” não significa automaticamente “melhor em tudo”.

Triton remove smear layer?

Estudos experimentais demonstram capacidade de remoção da smear layer.

Entretanto, seu desempenho pode variar conforme:

  • protocolo;

  • tempo de contato;

  • método de análise;

  • região radicular;

  • comparação utilizada.

Assim, não é cientificamente adequado concluir apenas:

“remove smear layer, portanto substitui EDTA.”

A equivalência clínica precisa ser demonstrada.

Triton possui atividade antibiofilme?

Estudos laboratoriais mostram resultados promissores.

Isso representa um argumento importante para continuidade das pesquisas.

Entretanto:

atividade antibiofilme laboratorial é um surrogate outcome.

Ainda precisamos saber se isso resulta em melhor evolução clínica.

Se uma solução remove menos smear layer, devo adicionar EDTA?

Não automaticamente.

Esse é outro ponto que precisa ser corrigido no raciocínio clínico.

Não devemos criar combinações químicas simplesmente somando soluções.

Toda associação precisa considerar:

  • compatibilidade;

  • estabilidade;

  • reações químicas;

  • precipitação;

  • inativação;

  • toxicidade;

  • comportamento clínico.

Infográfico com tubos de ensaio misturando NaOCl, EDTA e CHX, mostrando precipitados laranja e branco e aviso de incompatibilidade.

O perigo dos protocolos improvisados

Quando um novo irrigante chega ao mercado, rapidamente surgem combinações como:

“vou usar o produto novo e depois acrescentar EDTA.”

ou:

“vou associar NaOCl para potencializar.”

Isso pode parecer intuitivamente lógico.

Mas química não funciona por soma de propriedades.

Duas soluções podem:

  • se neutralizar;

  • precipitar;

  • modificar pH;

  • alterar disponibilidade química;

  • produzir subprodutos.

Portanto:

não se deve criar um protocolo químico sem conhecer sua compatibilidade.
Infográfico azul com dente e fluxo líquido, explicando que a ativação melhora circulação e remoção, mas não corrige limitações químicas.

O papel da ativação

A ativação pode melhorar:

  • circulação;

  • troca de solução;

  • remoção de debris;

  • penetração em irregularidades.

Entretanto:

ativação não transforma uma solução em outra.

Ela melhora fenômenos físicos de transporte.

Não corrige necessariamente limitações químicas da formulação.

O protocolo NaOCl + EDTA acabou?

Não.

Essa conclusão seria prematura.

NaOCl continua sendo a referência principal para dissolução de matéria orgânica e atividade antimicrobiana.

EDTA permanece entre os agentes mais utilizados e estudados para remoção do componente inorgânico da smear layer.

Isso não significa que serão eternamente insubstituíveis.

Significa apenas:

para substituir um protocolo consolidado é necessária evidência suficiente.

O que uma nova solução precisaria demonstrar?

1. Atividade química

Capacidade de atuar sobre matéria orgânica e biofilme.

2. Desempenho antimicrobiano

Contra comunidades microbianas clinicamente relevantes.

3. Controle da smear layer

Quando esse for um objetivo do protocolo.

4. Segurança

Citotoxicidade e risco tecidual aceitáveis.

5. Preservação dentinária

Sem alterações estruturais clinicamente relevantes.

6. Compatibilidade

Com seladores e materiais restauradores.

7. Resultados clínicos

Cicatrização, sintomas, sobrevida e eventos adversos.

Este último ponto é decisivo.


Slide azul com tabela Matriz de Avaliação para Novas Tecnologias, critérios e pesos da evidência; destaque: A EVIDÊNCIA DECISIVA.

Matriz EndoToday para novas tecnologias

Pergunta

Antes de mudar o protocolo

Funciona in vitro?

Necessário, mas insuficiente

Atua sobre biofilme?

Importante

Remove matéria orgânica?

Fundamental

Atua sobre smear layer?

Avaliar objetivo

É citotóxico?

Obrigatório analisar

Altera dentina?

Avaliar impacto

Interage com seladores?

Necessário

Há ensaios clínicos?

Muito importante

Melhora cicatrização?

Evidência decisiva

Há seguimento de longo prazo?

Ideal


Compatibilidade química continua sendo essencial

NaOCl + CHX

Produz precipitado alaranjado-acastanhado e deve ser evitado.

EDTA + CHX

Pode produzir precipitação branca ou leitosa por mecanismo diferente.

Portanto:

não devemos tratar todas as incompatibilidades químicas como se fossem a mesma reação.
Slide azul com O Caminho Científico e texto sobre inovação, erros sobre novidades e ensaios clínicos rigorosos.

Inovação versus evidência

O erro pode ocorrer em duas direções.

Erro 1

“É novo, então é melhor.”

Erro 2

“É novo, então não funciona.”

Nenhuma das duas afirmações é científica.

A posição correta é:

os resultados precisam ser analisados conforme a força e o tipo de evidência disponível.

Conclusão

Irrigantes multifuncionais representam uma área relevante de desenvolvimento tecnológico.

Soluções como Triton apresentam resultados experimentais interessantes.

Entretanto, ainda não existe base suficiente para afirmar:

“acabou a era do NaOCl + EDTA”.

A formulação mais adequada hoje é:

existem tecnologias emergentes potencialmente capazes de simplificar protocolos, mas sua equivalência ou superioridade clínica ainda precisa ser demonstrada.
Infográfico azul sobre NaOCl+EDTA: O protocolo chegou ao fim? NÃO. Balança e caixas de justificativa clínica.
Tela azul com FAQ, Perguntas Frequentes e Base científica. Respostas claras., com ícones de balão e interrogação.


Perguntas frequentes

Triton pode substituir NaOCl e EDTA?

Ainda não existe evidência clínica suficiente para afirmar substituição previsível ou superioridade de longo prazo.

Triton remove smear layer?

Estudos laboratoriais demonstram capacidade de remoção, embora o desempenho varie conforme protocolo e metodologia.

Triton apresenta atividade antibiofilme?

Existem resultados experimentais promissores, mas isso não equivale automaticamente a maior sucesso clínico.

Se Triton remover menos smear layer, devo adicionar EDTA?

Não automaticamente. Toda associação química deve ter compatibilidade e segurança previamente estudadas.

Posso combinar qualquer irrigante com NaOCl?

Não. Irrigantes podem interagir quimicamente, precipitar ou alterar suas propriedades.

A ativação aumenta a eficiência de irrigantes novos?

Pode melhorar transporte e distribuição, mas não necessariamente corrige limitações químicas da solução.

NaOCl ainda é o principal irrigante?

Sim. Continua sendo a referência pela combinação entre atividade antimicrobiana e dissolução de matéria orgânica.

EDTA continua sendo utilizado?

Sim. Continua entre os agentes quelantes mais estudados para remoção do componente inorgânico da smear layer.

Resultado in vitro prova superioridade clínica?

Não. Resultados laboratoriais demonstram mecanismos e propriedades, mas não equivalem automaticamente a desfechos clínicos.

O que falta para novos irrigantes substituírem protocolos tradicionais?

Principalmente ensaios clínicos bem conduzidos demonstrando segurança e resultados iguais ou superiores em desfechos relevantes.

Irrigantes endodônticos “multifuncionais” (como Triton® e similares): panorama ampliado dos estudos recentes



Síntese dos artigos


1) Sheng X et al. (2023) – “Dual effectiveness of a novel all-in-one endodontic irrigating solution …” (DOI 10.3389/fbioe.2023.1254927)


Resumo: O estudo avaliou o irrigante “all-in-one” Triton® em blocos de dentina humana infectados com Enterococcus faecalis ou biofilmes multispecíficos, com e sem smear layer. Foram comparados protocolos curtos (3 min) e longos (3 + 3 min) e com controlo de NaOCl 6% e Hipoclorito de sódio + EDTA.

  • Triton (3+3 min) obteve a maior morte bacteriana entre todos os grupos (61.5%-72.2%) nos biofilmes testados.

  • Confirmou‐se que Triton removeu a smear layer, exibindo túbulos dentinários abertos após tratamento.

  • Implicação clínica: Este estudo sugere que, em condições laboratoriais, o irrigante “single” pode combinar antimicrobiano e remoção de smear layer, o que era a meta dos protocolos simplificados.

2) Wakas Oraim H & Al-Zaka IM (2024) – “Effectiveness of Triton Irrigation Solution in Smear Layer Removal …” (DOI 10.14744/eej.2023.58070)


Resumo: Avaliação in vitro da remoção de smear layer em 40 pré-molares instrumentados (ProTaper Next X4) nos terços coronal, médio e apical, comparando Triton®, EDTA 17% e nanopartículas de quitosana (CNP 0,5%).

  • Triton demonstrou o pior desempenho na remoção de smear layer em todos os terços.

  • CNP 0,5% e EDTA foram semelhantes nos terços coronal/médio; no terço apical, CNP 0,5% foi superior ao EDTA.Implicação clínica: A eficácia da remoção da smear layer com Triton deixa dúvidas — sendo este um ponto crítico para a limpeza do canal, pode haver limitação para uso isolado.

3) Ballal NV et al. (2025; publicação em 2024) – “Biological and chemical properties of new multi-functional root canal irrigants” (DOI 10.1016/j.jdent.2024.105551)


Resumo: Comparou vários irrigantes “multi-funcionais” (incluindo Triton® e EndoJuice™) e protocolos convencionais em: remoção de smear layer, atividade antibacteriana (biofilme de E. faecalis), citotoxicidade/genotoxicidade e dissolução de tecido.

  • Remoção de smear layer: EndoJuice™ ≥ EDTA 17% > Triton®.

  • Atividade antimicrobiana: Triton ≈ NaOCl e melhor que EndoJuice™.

  • Citotoxicidade/Genotoxicidade: EndoJuice™ < Triton (ou seja, Triton apresentou maior toxicidade).

  • Dissolução de tecido: NaOCl > Triton > EndoJuice™.

  • Implicação clínica: Há trade-offs evidentes: maior antimicrobiano em Triton, porém menor remoção de smear layer e maior toxicidade. Importante ponderar na clínica.

4) Aranda J et al. (2025) – “Physicochemical and Biological Properties of the ‘All-In-One’ Endodontic Irrigant Triton” (DOI 10.1016/j.joen.2025.10.006)


Resumo: Estudo in vitro que analisou propriedades físico-químicas (pH, tensão superficial, ângulo de contacto, cloro livre disponível), penetração em dentina e citotoxicidade de Triton®, comparando com 4% NaOCl + HEDP, 4% NaOCl/17% EDTA e 4% NaOCl.

  • Triton exibiu pH ~12,49; cloro livre disponível ~4,18%; tensão superficial e ângulo de contacto significativamente menores que os comparadores.

  • Em premolares instrumentados, Triton apresentou mayor penetração em dentina nos terços cervical e médio em comparação com 4% NaOCl.

  • Citotoxicidade: Triton e 4% NaOCl + HEDP apresentaram menor viabilidade celular que os outros grupos (p < 0,05).Implicação clínica: A penetração melhor pode favorecer limpeza dos túbulos, mas a maior citotoxicidade reforça o cuidado com uso em proximidade de tecidos perirradiculares ou travessia de forame.

5) de Castro-Vasconcelos GA et al. (2025) – “Analysis of chemical and morphological properties of root dentine treated with a single multifunctional endodontic irrigant solution” (DOI 10.1111/aej.12906)


Resumo: Blocos de dentina tratados com Triton® versus protocolo controle (2,5% NaOCl → 17% EDTA → 2,5% NaOCl). Avaliaram morfologia por microscopia, composição química (Raman) e microdureza (Knoop).

  • Grupo controle apresentou mais túbulos expostos, superfície mais regular e maior microdureza.

  • O Triton® gerou superfície irregular com fissuras/erosões, reduziu o conteúdo orgânico da dentina e resultou em microdureza significativamente menor.

  • Implicação clínica: Embora simplifique o protocolo, o irrigante “single” pode comprometer a integridade da dentina radicular — o que pode afetar a longevidade do tratamento.

6) Silva PO et al. (2025) – “Enhanced Bond Strength and Adhesive Interface of Resin‐Based Sealer to Root Dentine Using a Novel Single Multifunctional Endodontic Irrigant Solution” (DOI 10.1111/aej.12957)


Resumo: Estudo comparativo (48 caninos) com quatro protocolos (SHE: NaOCl + EDTA; T: Triton; TE: Triton+EDTA; SHT: NaOCl+Triton) avaliando resistência de união (push-out) e interface selador/dentina por MEV.

  • Protocolo SHE (sequencial clássico) teve a maior resistência de união (≈ 4,9 MPa) e melhor adaptação.

  • Protocolos com Triton (T, TE, SHT) mostraram forças menores e evidências de lacunas na interface.Implicação clínica: Uso de irrigante “single” pode comprometer a selagem final e adesão do selador, implicando em maior risco de microinfiltração.

tabela de comparação


Referências

  1. de Castro-Vasconcelos GA, de Assis HC, Ramirez I, et al. Analysis of chemical and morphological properties of root dentine treated with a single multifunctional endodontic irrigant solution. Aust Endod J. 2025;51(1):72-80. doi:10.1111/aej.12906.

  2. Wakas Oraim H, Al-Zaka I M. Effectiveness of Triton Irrigation Solution in Smear Layer Removal: An in-vitro Study. Eur Endod J. 2024;9:139-145. doi:10.14744/eej.2023.58070.

  3. Ballal NV, Narkedamalli R, Shenoy PA, et al. Biological and chemical properties of new multi-functional root canal irrigants. J Dent. 2025;153:105551. doi:10.1016/j.jdent.2024.105551.

  4. Aranda J, de Souza E O N, Aranda Garcia A J, et al. Physicochemical and Biological Properties of the “All-In-One” Endodontic Irrigant Triton. J Endod. 2025 Oct 17;S0099-2399(25)00641-7. doi:10.1016/j.joen.2025.10.006.

  5. Sheng X, Yu J, Liu H, Wang Z, Deng S, Shen Y. Dual effectiveness of a novel all-in-one endodontic irrigating solution in antibiofilm activity and smear layer removal. Front Bioeng Biotechnol. 2023;11:1254927. doi:10.3389/fbioe.2023.1254927.

  6. Silva PO, Lopes JG, Ramirez I, et al. Enhanced Bond Strength and Adhesive Interface of Resin-Based Sealer to Root Dentine Using a Novel Single Multifunctional Endodontic Irrigant Solution. Aust Endod J. 2025. doi:10.1111/aej.12957.


Sobre o autor


Marco Aurélio Gagliardi Borges de terno azul e gravata azul claro, com expressão neutra, braços cruzados. Fundo preto.

Prof. Dr. Marco Aurélio Gagliardi Borges é cirurgião-dentista, especialista, mestre e doutor em Endodontia. Professor de pós-graduação e autor da EndoToday, atua na interface entre prática clínica, ensino e produção de conteúdo técnico-científico, com foco em diagnóstico, tomada de decisão e Endodontia baseada em evidências. Seus artigos buscam traduzir a literatura científica em conteúdo aplicável, claro e clinicamente relevante para cirurgiões-dentistas em diferentes níveis de formação. Saiba mais sobre o autor: quem somos.


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