⚡ O Erro Invisível da Endodontia Moderna no LEF
- Endotoday

- 1 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: há 6 dias


Este conteúdo faz parte do Guia EndoToday: Comprimento de Trabalho (CT) e LEF.
➡️ Volte ao HUB (visão geral e sequência): https://www.endotoday.com.br/post/comprimento-de-trabalho-em-endodontia
Leituras complementares:
Cuidado com “APEX” (interpretação do 0.5): https://www.endotoday.com.br/post/cuidado-com-o-apex-do-seu-localizador-sua-lima-pode-estar-indo-longe-demais
Controle de comprimento (por que errar aqui custa caro): https://www.endotoday.com.br/post/por-que-o-controle-de-comprimento-em-endodontia-%C3%A9-mais-importante-do-que-voc%C3%AA-pensa
Comprimento provisório (como iniciar com previsibilidade): https://www.endotoday.com.br/post/como-determinar-o-comprimento-provis%C3%B3rio-de-trabalho
Por que confiar no “achismo” pode destruir seu preparo apical — e como evitar isso definitivamente
Guia completo de Comprimento de Trabalho (CT) + LEF: onde terminar com segurança. Permita-me começar com uma verdade que, se você realmente internalizar, vai transformar sua maneira de enxergar cada canal radicular: nenhum dos seus pacientes é comum .E mais — nenhum canal que você tratar nos próximos 35 anos será igual ao anterior.
Sim, é isso mesmo: não existe canal “padrão”.
Então me responda: como podemos aceitar, sem questionar, a ideia de atribuir tamanhos apicais com base em médias arbitrárias, como “todo canal pequeno termina em 35”?A resposta é simples: não funciona.
Quando você força um canal pequeno a terminar sempre em uma lima nº 35, geralmente acaba em um de dois cenários — ambos indesejáveis:
dano apical, que compromete o selamento e aumenta o risco de reabsorções ou extravasamentos;
preparo incompleto, que mantém biofilme e tecidos residuais onde você nem imagina.
E o mesmo vale para a determinação do comprimento.
Complemento essencial: se você usa Root ZX (ou equivalentes), a interpretação do “APEX” e do “0.5” muda completamente o risco de sobreinstrumentação. Veja este alerta com base clínica:
Por que o localizador apical foraminal (LEF) muda tudo
Com um LEF, você sabe exatamente quando as suas lima finas — KF 06, 08, 10 atingem o final real do canal.Esse dado é precioso para duas coisas:
evitar danos apicais, comuns quando a negociação avança “no escuro”;
evitar bloqueio e degraus, extremamente frequentes quando trabalhamos com limas curtas “por engano”.
Sem um LEF, o clínico só descobre onde realmente está depois de enfiar uma KF 15 no comprimento estimado e tirar radiografia — e, em molares curvos, isso pode ser um desastre anunciado.
Você sabe disso:
curta demais → bloqueio apical e degrau
longa demais → transportes e rasgos apicais
E esses erros acontecem com muito mais frequência do que a maioria admite.
O problema? A maioria dos clínicos ainda não usa LEF de maneira correta — ou simplesmente desistiu dele.
E aqui começa a parte prática.
Como garantir que o seu LEF funcione como deveria.
1. Verifique a condição do aparelho
Antes de culpar a técnica, você precisa conferir:
baterias novas,
cabos íntegros,
pontas de contato limpas,
ausência de oxidação nas conexões.
Localizadores apicais são dispositivos eletrônicos sensíveis. Quedas, autoclavações repetidas e mau contato deterioram sua precisão.
Use uma escova de cerdas macias para remover oxidações.E prefira sempre pontas de apalpação retas com revestimento dourado — são mais estáveis, menos sujeitas a falhas.
2. Evite o cabo com mola
Os cabos de teste “de molinha” parecem práticos, mas têm desvantagens:
são grossos demais para canais longos (>22 mm);
prejudicam o tato;
aumentam o risco de erro apical.
A sonda reta resolve tudo isso — leve, precisa, previsível.

3. Posicionamento correto ajuda mais do que você imagina
Enquanto você prepara o isolamento absoluto, deixe a sonda repousando em uma gaze com álcool. Quando precisar medir, basta encostar a extremidade em “V” da sonda na haste da lima — simples, rápido e preciso.
E lembre-se:A leitura correta é quando o visor permanece estável em 0,5 mm, com barra verde acesa, antes de qualquer giro adicional.

4. Aceite: cabos precisam ser substituídos periodicamente
Seus cabos durarem “anos” é um mau sinal, não um bom sinal.O calor e o vapor destroem o isolamento — e isso compromete diretamente a precisão.
Troque-os a cada 6–12 meses.
Acesso: um dos maiores sabotadores das leituras do LEF
Muito clínico reclama que não consegue medir perto de restaurações metálicas. Mas o problema quase nunca é o metal — é o acesso.
Uma cavidade de acesso bem desenhada permite:
trajetória retilínea da lima;
maior controle tactile;
distância segura de coroas metálicas.
E se ainda assim ocorrer curto-circuito, aqui vai um truque infalível:
👉 corte tubos termorretráteis de 9 mm e coloque sobre as limas iniciais.
Funciona até criar memória tátil suficiente para nem precisar mais disso.
Por que você deve usar lubrificante (e não NaOCl) na determinação do comprimento
Este é um ponto crítico.
Lubrificantes como RC Prep, EDTA Gel, Clorexidina GEl, File Eze, ProLube:
estabilizam as leituras do LEF;
reduzem bloqueios;
evitam empacotamento de tecido mole;
protegem limas delicadas;
tornam a negociação muito mais previsível.
Já o hipoclorito…… torna as leituras erráticas, além de não ajudar na negociação inicial. Use NaOCl depois, não durante a determinação do comprimento.

Quando a leitura instabiliza: aumente o tamanho da lima
Simples assim:
se a KF 08 dá leitura instável, tente a 10
se a 10 oscila, vá para 15
Lima maior = maior superfície de contato = leitura mais estável.Isso resolve 90% dos problemas..
O hábito que muda a sua curva de aprendizado
Use o LEF em todos os casos.
Não adianta retirá-lo do armário a cada dois meses esperando milagres.E digo sem exagero:Com um LEF confiável, já fiz endodontias completas em missão humanitária sem precisar de raio-X durante o trabalho.
Use sempre — e tudo ficará mais fácil.
Radiografias para determinar comprimento?
Está na hora de desapegar.
Se você quer realmente elevar sua eficiência e precisão apical, aqui está a recomendação mais importante de todas:
Pare de usar radiografias para determinar comprimento.
Sim. Eu sei que é contraintuitivo. Mas observe:
o canal muda de comprimento conforme é alargado;
o trajeto irregular se suaviza entre KF 08 e KF 10, reduzindo até 0,5 mm;
radiografias repetidas consomem tempo e muitas vezes enganam pela sobreposição.
Enquanto isso, com o LEF:
você mede rápido,
mede com precisão,
mede com reprodutibilidade,
e só tira radiografia quando tudo já está pronto para obturar.
Por experiência própria: Trabalhei treze anos — com demonstrações ao vivo — sem radiografia de trabalho, apenas com LEF e lubrificante. E a precisão apical aumentou.
Para integrar este ponto ao protocolo completo (decisão apical + quando reconfirmar + conduta), use o HUB de Comprimento de Trabalho:

Fluxograma — Uso seguro e preciso do Localizador Eletrônico Foraminal


Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o LEF (Localizador Eletrônico Foraminal)
O que é o LEF em endodontia?
O LEF é o Localizador Eletrônico Foraminal, um equipamento que determina com precisão a localização do forame apical por meio da análise da impedância elétrica do canal radicular.
Qual é o “erro invisível” mais comum com o uso do LEF?
É interpretar a leitura sem compreender a anatomia apical. O operador confia no número mostrado, mas não percebe que o instrumento está ultrapassando microscopicamente o forame por falta de estabilidade na leitura.
Por que a leitura do LEF pode induzir ao erro?
Porque o LEF detecta a posição elétrica, não a forma anatômica. Se o canal é largo, reabsorvido, imaturo ou irregular, a leitura pode oscilar e o profissional acreditar que está no ponto correto quando já houve extrusão.
O LEF substitui a radiografia de confirmação?
Não. O LEF é mais preciso para localizar o forame, mas a radiografia é indispensável para visualizar anatomia, curvaturas, múltiplos forames e possíveis desvios.
O que causa leituras falsas ou imprecisas no LEF?
Presença de exsudato, sangue excessivo, perfurações, canais imaturos, reabsorções, solução irrigadora em excesso ou eletrodos mal conectados.
Como saber se a leitura do LEF é realmente estável?
Quando mantém um valor constante, sem variações bruscas, mesmo com pequenos movimentos da lima. Leituras instáveis indicam que o instrumento não está em posição confiável.
Em quais situações o erro com o LEF é mais provável?
Em canais amplos, dentes imaturos, reabsorções apicais, perfurações, excesso de umidade, anatomia complexa e em pacientes com sangramento persistente no canal.
Próximos passos (para consolidar a precisão apical)
HUB – CT e decisão apical:https://www.endotoday.com.br/post/comprimento-de-trabalho-em-endodontia
APEX vs 0.5 (Root ZX e evidências):https://www.endotoday.com.br/post/cuidado-com-o-apex-do-seu-localizador-sua-lima-pode-estar-indo-longe-demais
Comprimento provisório (passo inicial):https://www.endotoday.com.br/post/como-determinar-o-comprimento-provis%C3%B3rio-de-trabalho



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