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Caso clínico: biopulpectomia no 46 com nódulo pulpar ocupando a câmara — acesso ultrassônico seguro

Atualizado: 23 de mar.

Contexto Clínico: Desafios na Endodontia


Paciente 58 anos, dente 46, apresenta queixa de dor intensa e localizada. O diagnóstico clínico estabelecido foi de pulpite irreversível. A principal dificuldade do caso não foi o diagnóstico, mas sim o acesso endodôntico previsível. A câmara pulpar estava amplamente comprometida por uma calcificação.


📌 Guia completo do tema: Antes de abordar o caso, recomendo a leitura do protocolo completo. Isso inclui diagnóstico diferencial, sinais no RX/CBCT e checklist anti-perfuração.



Queixa Principal


  • Dor intensa e localizada: compatível com quadro de inflamação pulpar significativa, com alta probabilidade de hiperalgesia.


Diagnóstico


  • Diagnóstico pulpar: Pulpite irreversível

  • Decisão clínica: Biopulpectomia (remoção completa do tecido pulpar vital inflamado)


Racional EndoToday: Em casos de pulpite irreversível com dor intensa e localizada, a biopulpectomia bem executada tende a ser a conduta definitiva mais previsível. Isso é válido para a interrupção do estímulo nociceptivo, desde que o acesso e a instrumentação sejam conduzidos com segurança.

Achados Radiográficos


A radiografia inicial evidenciou câmara pulpar tomada por um nódulo pulpar, com ocupação ampla e obstrução das entradas dos canais.


Interpretação Prática


Este padrão radiográfico geralmente significa:


  • Mapa pulpar “apagado” na visualização direta.

  • Maior risco de “perseguição” das entradas sem referência.

  • Aumento significativo do risco de perfuração iatrogênica se a remoção for feita com desgaste rápido e pouco seletivo.



Desafio Técnico do Caso


O objetivo não era apenas “remover calcificação”, mas sim:


  1. Recuperar o mapa pulpar com previsibilidade.

  2. Expor entradas de canal com mínimo desgaste.

  3. Executar o procedimento definitivo (biopulpectomia) com segurança.



Planejamento e Decisão Operatória


Por que não priorizar fresa?


Fresas podem ser úteis, mas em um cenário de câmara tomada por calcificação, há um risco clássico:


  • Desgaste direcional excessivo.

  • Perda de referência do assoalho.

  • Perfuração, especialmente quando a anatomia está mascarada.


Por que ultrassom como escolha principal?


Optamos pelo ultrassom endodôntico por permitir:


  • Remoção seletiva e controlada.

  • Progressão lenta com inspeção contínua.

  • Menor chance de “escavar” assoalho sem referência.



Sequência Clínica (Passo a Passo)


1) Anestesia


  • Anestesia com articaína 4% para controle efetivo da dor e estabilidade durante o acesso e remoção da obstrução.


2) Abertura Coronária


  • Abertura coronária orientada para exposição completa da câmara, garantindo:

- Visualização.

- Controle de profundidade.

- Preservação da estrutura remanescente.


3) Isolamento Absoluto e Antissepsia do Campo


  • Isolamento absoluto (lençol de borracha).

  • Antissepsia com clorexidina 2%.


4) Irrigação Inicial da Câmara


  • Irrigação com hipoclorito de sódio 2,5% para limpeza inicial, redução de carga orgânica e melhora de visibilidade.



Remoção do Nódulo Pulpar com Ultrassom (Protocolo EndoToday)


Equipamento e Parâmetros


  • Ultrassom: Optymus (CVDentus)

  • Ponta: diamantada T1F-E (CVDentus)

  • Potência: nível 4

  • Irrigação: máxima


Princípio de segurança: Potência moderada + irrigação máxima = melhor controle térmico, remoção progressiva e menor risco de dano iatrogênico.

Técnica Operatória (Passo a Passo)


  1. Iniciar pela interface (periferia), não pelo centro. A remoção começa contornando a transição entre a parede da câmara e a borda do nódulo, criando um “descolamento periférico”. Isso evita empurrar a calcificação para regiões críticas do assoalho.


  2. Priorizar as regiões proximais (mesial/distal). O desgaste seletivo tende a ser mais previsível nessas regiões, com melhor controle direcional e menor probabilidade de perda de referência anatômica.


  3. Redobrar cautela em vestibular e lingual. Nestas áreas, a abordagem deve ser deliberadamente mais conservadora:

  4. Menor pressão.

  5. Movimentos curtos.

  6. Pausas frequentes para inspeção sob magnificação.


  7. Criar espaço para liberação (“efeito salto”). Com irrigação contínua e desgaste progressivo, forma-se um espaço ao redor da calcificação até que ela se desloque e libere o acesso às entradas dos canais.


  8. Inspeção final do assoalho e confirmação do mapa pulpar. Após a remoção:

  9. Irrigar novamente a câmara (NaOCl 2,5%).

  10. Aspirar detritos.

  11. Inspecionar sulcos e entradas.

  12. Restabelecer referências anatômicas antes de prosseguir com a biopulpectomia.


✅ Erros Evitados (Anti-Acidente)


  • Não “cacei” entradas de canal com desgaste cego: primeiro recuperei o mapa pulpar.

  • Não ataquei o centro do nódulo: realizei descolamento periférico para liberação controlada.

  • Não usei potência alta sem controle: mantive potência moderada + irrigação máxima, com inspeções frequentes.

  • Não insisti em vestibular/lingual sem referência: reduzi pressão e aumentei pausas para reavaliação.



Biopulpectomia — Protocolo EndoToday


Objetivo: Remover completamente o tecido pulpar vital inflamado (pulpite irreversível), controlar a dor e estabelecer condições biológicas e mecânicas para modelagem, desinfecção e obturação previsíveis — com foco em segurança, especialmente em dentes com câmara calcificada/nódulo pulpar.

1) Princípios de Segurança (Antes de Entrar no Canal)


  • Campo limpo e seco (isolamento absoluto, vedação periférica adequada).

  • Controle de visão: magnificação/iluminação, sem “progredir no escuro”.

  • Acesso conservador, porém completo: teto removido totalmente; assoalho preservado.

  • Sem pressa na negociação: em casos com calcificação, “forçar” é a principal via de iatrogenia.


2) Irrigação Inicial e Controle do Conteúdo Orgânico


  • NaOCl 2,5% na câmara para:

- Dissolução orgânica inicial.

- Redução de carga microbiana.

- Facilitar a remoção de remanescentes pulpares.


  • Ação mecânica suave: aspiração + renovação frequente da solução.


Regra EndoToday: Irrigação é “ação contínua”, não um evento pontual. Renove sempre após qualquer etapa que gere detritos.

3) Localização de Entradas e Negociação Inicial (Patência “Inteligente”)


  • Após liberar o mapa pulpar (com ultrassom), priorize:

- Identificação de sulcos do assoalho.

- Confirmação de entradas sob visão.

- Negociação inicial delicada.


Como negociar com segurança (sem citar limas específicas):


  • Use instrumento manual fino com lubrificante/quelante (ex.: EDTA gel) para:

- Explorar a entrada.

- Ganhar percurso inicial.

- Evitar bloqueios por compactação de detritos.


  • Movimentos curtos, sem carga apical: exploração + progressão milimétrica, com irrigação intercalada.


Erro comum: Tentar “abrir caminho” com força. Em pulpite, a dor pode pressionar a tomada de decisão — mas, tecnicamente, a solução é controle, não velocidade.

4) Glide Path (Via de Deslizamento) — A Etapa que Evita Travamentos


Objetivo: Criar um trajeto contínuo e suave até o comprimento de trabalho, reduzindo risco de:


  • Desvios.

  • Degraus.

  • Fratura por fadiga torsional.

  • Compactação de detritos no terço apical.


Estratégia EndoToday:


  • Glide path progressivo e irrigado, validando:

- Permeabilidade.

- Trajeto contínuo.

- Ausência de travamento.


Ponto de decisão: Se houver travamento repetido, pare e reavalie (irrigação, recapitulação suave, lubrificação e confirmação de direção), em vez de insistir.

5) Determinação do Comprimento de Trabalho (CT)


  • Estabeleça CT com localizador apical (preferencialmente) e confirme radiograficamente quando necessário, sobretudo em:

- Anatomias atípicas.

- Dúvida de referência.

- Alterações apicais.


EndoToday: CT correto + glide path estável = metade do sucesso da biopulpectomia em casos difíceis.

6) Estratégia de Instrumentação (Sem “Inventar” Sistema)


Como não foi especificado qual sistema foi utilizado após a negociação, aqui vai o protocolo conceitual (que pode ser adaptado ao seu sistema real):


  • Modelagem em progressão controlada, mantendo:

- Irrigação ativa e renovada.

- Recapitulação periódica.

- Prevenção de acúmulo de detritos.


  • Evite “salto” de calibres/limas sem glide path consolidado.


Se o canal for estreito/calcificado:


  • Priorize avanço gradual.

  • Mantenha controle de torque (se motorizado).

  • Aumente frequência de irrigação/recapitulação.


7) Irrigação Durante e Após Instrumentação (Sequência Prática)


Durante o preparo:


  • NaOCl 2,5% com renovação frequente, especialmente:

- Após cada avanço significativo.

- Após qualquer sensação de bloqueio/travamento.


Após a modelagem (finalização da limpeza):


  • Faça uma fase final de irrigação com:

- NaOCl renovado (tempo de contato adequado).

- Quelante (EDTA) quando indicado para remoção de smear layer.

- Nova irrigação (para remover resíduos do quelante).


8) Secagem e Próxima Etapa (Dependendo de Sessão Única ou Múltipla)


Como o texto ainda não definiu se o caso foi concluído em sessão única, deixo a conduta “bifurcada” (você escolhe a que se aplica):


  • Sessão única: Após limpeza e secagem, seguir para obturação.

  • Múltiplas sessões: Após limpeza e secagem, medicação intracanal e selamento provisório.



Erros Evitados (Checklist Anti-Acidente)


  • Evitar desgaste rápido “em direção ao canal” sem mapa pulpar definido.

  • Evitar potência elevada sem irrigação efetiva.

  • Evitar insistência em vestibular/lingual sem referência clara.

  • Evitar “cavar” a câmara em profundidade sem reavaliações.



Lições do Caso


  1. Nódulo pulpar não é o problema — o problema é perder o mapa pulpar.

  2. Ultrassom é estratégia de segurança, não apenas ferramenta de remoção.

  3. Em pulpite irreversível, a biopulpectomia é previsível, desde que o acesso seja controlado.

  4. A abordagem periférica com liberação progressiva reduz risco iatrogênico.



Clique na imagem para ampliar.



🎯 Lições do Caso em 30 Segundos


  • Nódulo pulpar raramente explica a dor: O diagnóstico (pulpite irreversível) guia a conduta — o nódulo define a complexidade do acesso.

  • Em câmara “apagada”, ultrassom é estratégia de segurança: Desgaste seletivo + irrigação contínua reduzem risco de perfuração.

  • O objetivo não é “remover calcificação”: É recuperar o mapa pulpar, localizar entradas e só então avançar para a biopulpectomia com previsibilidade.



➡️ Quer o protocolo completo (diagnóstico diferencial, quando indicar CBCT e checklist anti-perfuração)?




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