Relação dos bisfosfonatos com o tratamento endodôntico.
- Endotoday

- 12 de abr. de 2023
- 6 min de leitura
Atualizado: 5 de dez. de 2025
O que são os Bisfosfonatos?

Os bisfosfonatos são uma classe de medicamentos utilizados para tratar doenças ósseas, como a osteoporose, hipercalcemia, doença de Paget e o câncer ósseo. Eles funcionam reduzindo a atividade dos osteoclastos, células que reabsorvem ou remodelam o tecido ósseo, o que leva a um aumento na densidade óssea e à diminuição da progressão da doença.
No entanto, o uso de bisfosfonatos tem sido associado a um risco aumentado de osteonecrose dos maxilares (ONM), uma condição em que o tecido ósseo da mandíbula ou maxila não recebe sangue suficiente e morre. Isso pode levar a dor, inchaço, infecção e perda óssea significativa.
Os nomes comerciais são aprovados no Brasil são:
alendronato de sódio
ibandronato de sódio
risedronato sódico
pamidronato dissódico
clodronato dissódico ou ácido zoledrônico
Relação com a Endodontia.
Em relação à endodontia, o uso de bisfosfonatos pode afetar o processo de cicatrização após um tratamento de canal ou seja pode retardar a cicatrização de uma radiolucência . A ONM também pode ocorrer após a extração de dentes em pacientes que estão sendo tratados com bisfosfonatos.
No entanto, é importante lembrar que os pacientes que estão tomando bisfosfonatos podem ter uma cicatrização óssea prejudicada e, portanto, pode haver um risco aumentado de complicações após o tratamento endodôntico.
Bisfosfonatos com as soluções irrigantes a base de hipoclorito de sódio.
O hipoclorito de sódio é um agente de irrigação amplamente utilizado em tratamentos endodônticos para remover detritos e bactérias do canal radicular. No entanto, o uso de hipoclorito de sódio em pacientes que estão sendo tratados com bisfosfonatos pode aumentar o risco de osteonecrose dos maxilares (ONM).
Pacientes que estão sendo tratados com bisfosfonatos têm um risco aumentado de ONM, e o uso de hipoclorito de sódio pode aumentar ainda mais esse risco.
O hipoclorito de sódio pode levar a uma redução no pH do tecido ósseo, o que pode contribuir para a toxicidade dos bisfosfonatos. Além disso, o hipoclorito de sódio pode aumentar a exposição dos tecidos ósseos aos bisfosfonatos, o que pode aumentar ainda mais o risco de ONM.
E a possibilidade de enfisema aumenta com pacientes tomando Bisfosfonatos ?
O enfisema de hipoclorito de sódio é uma complicação rara que pode ocorrer durante o tratamento endodôntico. O enfisema ocorre quando o hipoclorito de sódio é injetado inadvertidamente no tecido mole, causando a formação de bolhas de gás que podem levar ao inchaço e desconforto.
Em relação aos pacientes que estão tomando bisfosfonatos, não há evidências claras de que o enfisema de hipoclorito de sódio a 2,5% seja mais comum ou grave em pacientes que estão tomando bisfosfonatos do que em pacientes que não estão tomando bisfosfonatos.
Bisfosfonatos com as soluções irrigantes como a clorexidina.
A clorexidina é um antisséptico amplamente utilizado em tratamentos endodônticos como agente irrigador para ajudar a descontaminar o canal radicular. Em relação aos bisfosfonatos, não há evidências claras de que a clorexidina possa aumentar o risco de osteonecrose dos maxilares (ONM).
Embora a clorexidina possa afetar a densidade óssea em concentrações elevadas, é improvável que a concentração de clorexidina usada em tratamentos endodônticos na concetração de 0,2% afete a densidade óssea em pacientes que estão sendo tratados com bisfosfonatos.
A concentração de 2% de clorexidina é uma concentração mais utilizada em tratamentos endodônticos. Há evidências limitadas de que o uso de uma concentração de clorexidina de 2% pode afetar negativamente a densidade óssea em pacientes que estão sendo tratados com bisfosfonatos.
Em um estudo realizado em ratos, foi demonstrado que a aplicação local de clorexidina a 2% na mandíbula levou a uma redução significativa da densidade óssea em ratos que receberam bisfosfonatos. No entanto, ainda é necessário realizar mais estudos em humanos para avaliar o impacto clínico da clorexidina a 2% na densidade óssea em pacientes que estão sendo tratados com bisfosfonatos.
No entanto, é importante lembrar que a ONM pode ocorrer em pacientes que estão sendo tratados com bisfosfonatos, independentemente do agente irrigador utilizado. Portanto, é fundamental que os dentistas estejam cientes do uso de bisfosfonatos pelos pacientes antes de prosseguir com qualquer tratamento dentário, incluindo tratamentos endodônticos.
Ultrassom como meio auxiliar.
Os efeitos de microcorrente acústica, cavitação e emulsificação permite a limpeza do canal sem correr risco de provocar ONM pois utilizaremos o soro fisiológico que não interfere no bisfosfonatos.
Neste casos com a clorexidina 0,2% não é uma solução adequada a irrigação ultrassônica torna-se de altíssima relevância pois permite a desinfecção do sistema de canais radiculares utilizando soro fisiológico. Por isso a nossa sugestão é utilizar a ponta ultrassônica T0T-E5 da CVDentus.

E se ocorrer um enfisema com o hipoclorito o que devemos fazer?
Se ocorrer enfisema com hipoclorito de sódio em pacientes que tomam bisfosfonatos, o profissional deve agir imediatamente para minimizar o risco de complicações adicionais. O tratamento pode envolver uma variedade de abordagens, dependendo da gravidade do enfisema. Em geral, o dentista deve considerar o seguinte:
Interromper o tratamento endodôntico: Se o enfisema for grave, o profissional deve interromper imediatamente o tratamento endodôntico para evitar que o enfisema se agrave ainda mais.
Remoção do hipoclorito de sódio: O hipoclorito de sódio deve ser removido imediatamente do tecido mole usando uma aspiração a vácuo. Isso pode ajudar a minimizar o inchaço e o desconforto associados ao enfisema.
Tratamento sintomático: O profissional pode prescrever anti-histamínicos, analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos para ajudar a aliviar a dor, a inflamação e prevenir infecções.
Acompanhamento: O profissional deve monitorar de perto o paciente para detectar sinais de infecção, cicatrização prejudicada ou outras complicações. O acompanhamento pode incluir exames radiográficos para avaliar a densidade óssea e a saúde geral do dente afetado.
Em resumo, se ocorrer enfisema com hipoclorito de sódio em pacientes que tomam bisfosfonatos, o dentista deve agir rapidamente para minimizar o risco de complicações adicionais. O tratamento pode envolver uma variedade de abordagens, incluindo a remoção do hipoclorito de sódio, tratamento sintomático e acompanhamento próximo do paciente.
Resumo:
O bisfosfonatos podem retardar o processo de cicatrização na Endodontia.
Solução irrigadora indicada é a clorexidina a 0,2%.
O emprego do ultrassom apresenta a maior vantagem na irrigação dos condutos radiculares.
✅ Mini-Fluxograma Clínico — Endodontia em Pacientes que Usam Bisfosfonatos
1. Avaliação Inicial
Identificar tipo de bisfosfonato: oral ou intravenoso.
Verificar tempo de uso: risco aumenta com uso prolongado.
Levantar histórico de osteoporose, câncer, metástase óssea ou doenças metabólicas.
Avaliar fatores de risco adicionais: tabagismo, diabetes, má higiene oral, infecções crônicas.
2. Determinação do Risco para Osteonecrose dos Maxilares (ONJ)
Baixo risco: uso oral, curto período, sem comorbidades.
Moderado risco: uso oral prolongado (>3 anos), comorbilidades sistêmicas.
Alto risco: uso intravenoso, pacientes oncológicos, radioterapia associada.
3. Decisão sobre a Conduta
Indicação de endodontia: preferencial, pois preserva o dente e evita extrações.
Evitar procedimentos invasivos: extrações, cirurgias apicais, implantes.
Priorizar abordagem conservadora: tratar infecção sem violar mais tecidos que o necessário.
4. Planejamento do Tratamento Endodôntico
Realizar exame clínico e radiográfico cuidadoso.
Minimizar manipulação traumática dos tecidos peri-radiculares.
Evitar extrusão de debris e irritantes químicos além do forame.
Controlar adequadamente infecções endodônticas agudas.
5. Execução do Tratamento
Manter técnica atraumática sempre que possível.
Usar irrigação controlada, evitar pressão apical excessiva.
Realizar instrumentação segura com limite de trabalho preciso.
Restaurar o dente adequadamente para evitar reinfecção.
6. Acompanhamento Pós-Tratamento
Reavaliações periódicas clínicas e radiográficas.
Orientação rigorosa de higiene oral.
Monitorar sinais de dor persistente, exposição óssea ou supuração.
Encaminhar ao especialista em cirurgia ou medicina oral se houver suspeita de ONJ.
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre bisfosfonatos e tratamento endodôntico
O que são bisfosfonatos e por que são usados?
Os bisfosfonatos são fármacos antirreabsortivos utilizados no tratamento de doenças ósseas — como osteoporose — ou em pacientes com metástases ósseas, por sua capacidade de inibir a atividade de osteoclastos e reduzir a reabsorção óssea.
Qual a principal complicação bucal associada aos bisfosfonatos?
A complicação mais temida é a Osteonecrose dos Maxilares (ONJ / MRONJ — “medication-related osteonecrosis of the jaw”), especialmente em pacientes submetidos a doses elevadas ou por via intravenosa, e após procedimentos dento-alveolares invasivos.
O tratamento endodôntico (tratamento de canal) é seguro em pacientes em uso de bisfosfonatos?
Sim — em geral, a terapêutica endodôntica é considerada de baixo risco se bem executada. A terapia endodôntica pode evitar a extração dentária, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos associados à maior incidência de ONJ.
Quais fatores aumentam o risco de ONJ em pacientes com bisfosfonatos?
Maior risco está associado a: bisfosfonatos potentes (como via intravenosa), longa duração do tratamento, histórico de trauma ou cirurgia dento-alveolar, extrações, má higiene oral, infecção ativa ou falha endodôntica.
O uso de bisfosfonatos contraindica procedimentos endodônticos?
Não. Procedimentos endodônticos conservadores (tratamento de canal, retratamento) não são contraindicados. A contraindicação maior recai sobre cirurgias invasivas: extrações, implantes, cirurgias ósseas.
Quais cuidados o endodontista deve ter ao tratar pacientes em uso de bisfosfonatos?
Realizar exame clínico e radiográfico detalhado antes do tratamento.
Evitar procedimentos cirúrgicos associados.
Priorizar tratamentos que preserve a estrutura dento-alveolar.
Informar o paciente sobre risco teórico de ONJ e necessidade de manutenção de boa higiene bucal.
Em caso de inflamação ou falha endodôntica, considerar abordagem cuidadosa e alternativas conservadoras.





Excelente, muito esclarecedor.
Todos os cuidados são necessários para melhorar a saude dos pacientes.