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Conceitos primários. Como faço a neutralização progressiva para evitar o Flare-Up ?

Atualizado: 5 de dez. de 2025


Infelizmente, na Endodontia, não existe uma normativa que regule a nomenclatura endodôntica. Cada escola acaba por adotar um nome ou conceito diferente para explicar um mesmo procedimento.

Por isso, vamos publicar alguns conceitos e definições que adotamos para melhor compreensão das postagens. Queremos deixar claro que os termos podem variar entre as diversas escolas por não existir termos padronizados.



Neutralização Progressiva



Definição:


A neutralização progressiva consiste na irrigação abundante do canal radicular à medida que se introduz gradativamente as limas em cada terço (cervical, médio e apical).


Importância:


A sua realização neutraliza os produtos tóxicos, evita que a contaminação atinja locais onde ela não esteja presente e assim evita a agudização e problemas periapicais.


Como realizar a Neutralização Progressiva


A neutralização progressiva deve ser realizada em todas as etapas tratamento endodôntico sendo a fase mais crítica nas fases iniciais:

  1. Após a abertura coronária

  2. Preparo dos terços cervical e médio com a inserção progressiva das limas sob constante irrigação.

O preparo dos terços cervical e médio com limas manuais pode ser feito com a utilização de duas técnicas:


Oregon Modificada.


Técnica através da qual, a partir de uma medida previamente calculada do comprimento dos terços a serem trabalhados, inicia-se o preparo da porção inicial com lima de maior calibre no primeiro milimetro.

Para se inserir o instrumento no milimetro subsequente, irriga-se abundantemente e se reduz o diâmetro da lima e assim sucessivamente até se atingir o comprimento provisório de trabalho. Quando atinge 16mm esse é o gatilho para se utilizar as brocas Gates 2 ou 3 dependendo da largura do canal radicular.

Posteriormente continua a inserção de limas de calibre subsequente a finalizada no preparo médio, penetrando a cada milimetro e reduzindo o diâmetros das limas até se alcançar o comprimento provisório de trabalho, sempre sob constante irrigação.




esquema da Técnica de Oregon Modificada
Técnica de Oregon Modificada



Goerig Modificada.

Técnica através da qual trabalha-se, subsequentemente, com limas Hedstroen 15, 20 e 25 na medida previamente calculada do comprimento dos terços a serem trabalhados, com irrigação abundante a cada troca de instrumento. Nesse momento, utiliza-se as brocas Gates 2 ou 3. Posteriormente continua a inserção de limas de calibre intermediário (#35), penetrando a cada milimetro e reduzindo o diâmetros das limas consecutivas, até se alcançar o comprimento provisório de trabalho, sempre sob constante irrigação.



Esquema da Técnica de Goerig Modificada
Técnica de Goerig Modificada


Sistemas automatizados.


Em caso de utilização de instrumentação automatizada, inspeciona-se o conduto com lima manual #10, terço a terço sob constate irrigação; realiza-se a odontometria eletrônica e então o Glide path com as limas indicadas para tal finalidade.



Exemplo de preparo com a lima de glidepath neste caso a ProGlider
Exemplo de preparo com a lima de glidepath neste caso a ProGlider



Última etapa será o preparo do terço apical, realizado após a confirmação do Comprimento Real de Trabalho (Odontometria).



Irrigação abundante antes da inserção das limas de preferência com soluções de hipoclorito de sódio a 5,25% nos terços cervicais e médios e a 2,5% no terço apical. Com as duas metodologias, manual ou automatizada, a irrigação deve ser abundante, com a colocação da agulha no interior do conduto, sem que haja o seu travamento. Deve-se realizar movimentos de vai e vem, em associação com a aspiração, criando-se um fluxo com a solução irrigante, que intensifica a remoção do material contaminado removido do interior do conduto.


Fluxograma Clínico — Como executar a Neutralização Progressiva

1. Avaliação inicial

  • Confirmar diagnóstico (vitalidade, necrose, infecção).

  • Identificar sinais de risco para Flare-Up: dor intensa, exsudato, edema, lesão extensa.

2. Acesso e descompressão do canal

  • Realizar acesso adequado.

  • Permitir drenagem se houver exsudato.

  • Não avançar limas ao ápice nessa fase.

3. Neutralização dos terços coronário e médio

  • Usar instrumentos manuais ou rotatórios de grande conicidade apenas na porção coronária.

  • Criar espaço para maior volume de irrigação.

  • Evitar tocar o terço apical nesta etapa.

4. Irrigação inicial abundante

  • Aplicar NaOCl de forma controlada.

  • Renovar frequentemente a solução irrigadora.

  • Evitar pressão apical.

5. Reavaliação do canal

  • Verificar redução do exsudato.

  • Avaliar melhora da permeabilidade.

  • Confirmar queda da resistência ao avanço das limas.

6. Avanço gradual

  • Somente após neutralizar os terços coronário e médio, avançar delicadamente em direção ao terço apical.

  • Determinar comprimento de trabalho com localizador.

7. Preparo químico-mecânico controlado

  • Realizar instrumentação com mínimo estresse apical.

  • Evitar extrusão de irrigantes e detritos.

8. Conduta final

  • Secar cuidadosamente.

  • Avaliar necessidade de medicação intracanal.

  • Realizar selamento provisório adequado.


Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Neutralização Progressiva em Endodontia

O que é neutralização progressiva?

É uma técnica de limpeza inicial dos terços coronário e médio do canal radicular, realizada antes da instrumentação apical, para reduzir carga microbiana e pressão de irrigação, minimizando risco de Flare-Up.

Por que a neutralização progressiva reduz o risco de Flare-Up?

Porque diminui a quantidade de detritos, toxinas e microrganismos que poderiam ser empurrados para o ápice durante a instrumentação, reduzindo inflamação aguda e dor pós-operatória.

Quando devo aplicar a neutralização progressiva?

Sempre no início do tratamento, especialmente em casos com dor prévia, necrose pulpar, lesões periapicais, exsudato, sintomas intensos ou histórico de Flare-Up.

Como saber se a neutralização foi eficiente?

Quando o canal apresenta menor resistência, diminuição de odor, redução de exsudato, melhora da permeabilidade e menor sensibilidade do paciente ao longo do tratamento.

A neutralização substitui o preparo químico-mecânico?

Não. Ela é uma etapa preparatória que torna o preparo químico-mecânico mais seguro, eficiente e menos traumático.

Em quais casos a neutralização progressiva é indispensável?

Em necroses infeccionadas, abscessos, canais com exsudato persistente, retratamentos e anatomias complexas onde o risco de extrusão apical é maior.



2 comentários


Diego Reis
13 de set. de 2025

Muito boa a explicação

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bessasousa
12 de jan. de 2023

Explicação extremamente didática! Parabéns Dra. Thais

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