Conceitos primários. Como faço a neutralização progressiva para evitar o Flare-Up ?
- Thais Christina Cunha

- 11 de jan. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 5 de dez. de 2025
Infelizmente, na Endodontia, não existe uma normativa que regule a nomenclatura endodôntica. Cada escola acaba por adotar um nome ou conceito diferente para explicar um mesmo procedimento.
Por isso, vamos publicar alguns conceitos e definições que adotamos para melhor compreensão das postagens. Queremos deixar claro que os termos podem variar entre as diversas escolas por não existir termos padronizados.
Neutralização Progressiva
Definição:
A neutralização progressiva consiste na irrigação abundante do canal radicular à medida que se introduz gradativamente as limas em cada terço (cervical, médio e apical).
Importância:
A sua realização neutraliza os produtos tóxicos, evita que a contaminação atinja locais onde ela não esteja presente e assim evita a agudização e problemas periapicais.
Como realizar a Neutralização Progressiva
A neutralização progressiva deve ser realizada em todas as etapas tratamento endodôntico sendo a fase mais crítica nas fases iniciais:
Após a abertura coronária
Preparo dos terços cervical e médio com a inserção progressiva das limas sob constante irrigação.
O preparo dos terços cervical e médio com limas manuais pode ser feito com a utilização de duas técnicas:
Oregon Modificada.
Técnica através da qual, a partir de uma medida previamente calculada do comprimento dos terços a serem trabalhados, inicia-se o preparo da porção inicial com lima de maior calibre no primeiro milimetro.
Para se inserir o instrumento no milimetro subsequente, irriga-se abundantemente e se reduz o diâmetro da lima e assim sucessivamente até se atingir o comprimento provisório de trabalho. Quando atinge 16mm esse é o gatilho para se utilizar as brocas Gates 2 ou 3 dependendo da largura do canal radicular.
Posteriormente continua a inserção de limas de calibre subsequente a finalizada no preparo médio, penetrando a cada milimetro e reduzindo o diâmetros das limas até se alcançar o comprimento provisório de trabalho, sempre sob constante irrigação.

Goerig Modificada.
Técnica através da qual trabalha-se, subsequentemente, com limas Hedstroen 15, 20 e 25 na medida previamente calculada do comprimento dos terços a serem trabalhados, com irrigação abundante a cada troca de instrumento. Nesse momento, utiliza-se as brocas Gates 2 ou 3. Posteriormente continua a inserção de limas de calibre intermediário (#35), penetrando a cada milimetro e reduzindo o diâmetros das limas consecutivas, até se alcançar o comprimento provisório de trabalho, sempre sob constante irrigação.

Sistemas automatizados.
Em caso de utilização de instrumentação automatizada, inspeciona-se o conduto com lima manual #10, terço a terço sob constate irrigação; realiza-se a odontometria eletrônica e então o Glide path com as limas indicadas para tal finalidade.

Última etapa será o preparo do terço apical, realizado após a confirmação do Comprimento Real de Trabalho (Odontometria).
Irrigação abundante antes da inserção das limas de preferência com soluções de hipoclorito de sódio a 5,25% nos terços cervicais e médios e a 2,5% no terço apical. Com as duas metodologias, manual ou automatizada, a irrigação deve ser abundante, com a colocação da agulha no interior do conduto, sem que haja o seu travamento. Deve-se realizar movimentos de vai e vem, em associação com a aspiração, criando-se um fluxo com a solução irrigante, que intensifica a remoção do material contaminado removido do interior do conduto.
Fluxograma Clínico — Como executar a Neutralização Progressiva
1. Avaliação inicial
Confirmar diagnóstico (vitalidade, necrose, infecção).
Identificar sinais de risco para Flare-Up: dor intensa, exsudato, edema, lesão extensa.
2. Acesso e descompressão do canal
Realizar acesso adequado.
Permitir drenagem se houver exsudato.
Não avançar limas ao ápice nessa fase.
3. Neutralização dos terços coronário e médio
Usar instrumentos manuais ou rotatórios de grande conicidade apenas na porção coronária.
Criar espaço para maior volume de irrigação.
Evitar tocar o terço apical nesta etapa.
4. Irrigação inicial abundante
Aplicar NaOCl de forma controlada.
Renovar frequentemente a solução irrigadora.
Evitar pressão apical.
5. Reavaliação do canal
Verificar redução do exsudato.
Avaliar melhora da permeabilidade.
Confirmar queda da resistência ao avanço das limas.
6. Avanço gradual
Somente após neutralizar os terços coronário e médio, avançar delicadamente em direção ao terço apical.
Determinar comprimento de trabalho com localizador.
7. Preparo químico-mecânico controlado
Realizar instrumentação com mínimo estresse apical.
Evitar extrusão de irrigantes e detritos.
8. Conduta final
Secar cuidadosamente.
Avaliar necessidade de medicação intracanal.
Realizar selamento provisório adequado.
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Neutralização Progressiva em Endodontia
O que é neutralização progressiva?
É uma técnica de limpeza inicial dos terços coronário e médio do canal radicular, realizada antes da instrumentação apical, para reduzir carga microbiana e pressão de irrigação, minimizando risco de Flare-Up.
Por que a neutralização progressiva reduz o risco de Flare-Up?
Porque diminui a quantidade de detritos, toxinas e microrganismos que poderiam ser empurrados para o ápice durante a instrumentação, reduzindo inflamação aguda e dor pós-operatória.
Quando devo aplicar a neutralização progressiva?
Sempre no início do tratamento, especialmente em casos com dor prévia, necrose pulpar, lesões periapicais, exsudato, sintomas intensos ou histórico de Flare-Up.
Como saber se a neutralização foi eficiente?
Quando o canal apresenta menor resistência, diminuição de odor, redução de exsudato, melhora da permeabilidade e menor sensibilidade do paciente ao longo do tratamento.
A neutralização substitui o preparo químico-mecânico?
Não. Ela é uma etapa preparatória que torna o preparo químico-mecânico mais seguro, eficiente e menos traumático.
Em quais casos a neutralização progressiva é indispensável?
Em necroses infeccionadas, abscessos, canais com exsudato persistente, retratamentos e anatomias complexas onde o risco de extrusão apical é maior.





Muito boa a explicação
Explicação extremamente didática! Parabéns Dra. Thais